31 de jan de 2009

Sobre o que há em comum entre o belo requebrar das baianas e as grandesbarragens...

Car@s,
Ocorreu-me de falar de algumas coisas que se parecem com brincadeira. Então me desculpem, mas preciso da colaboração de vocês. Por favor, experimentem fazer as experiências, ainda que apenas mentalmente. Combinado?!
Primeiro quero lembrar o talento das adoráveis baianas que equilibram, na cabeça, seus tabuleiros de acarajé. Elas descem, e sobem, as ladeiras do Pelourinho, indo da cidade baixa para a cidade alta, sem precisar auxiliar o equilíbrio com as mãos. Vocês já viram essa cena de perto. Acho lindo (além de que acarajé, com vatapá, é uma delícia não é mesmo?).
Elas sabem todos os movimentos que precisam fazer com seus corpos, para que o pesado tabuleiro não incline, e caia. Mas experimentem mudar vários componentes de lugar sem tirar o tabuleiro da cabeça de nossa querida baiana. Por exemplo, empilhe os acarajés todos em uma das metades do tabuleiro. A baiana pode se “entortar” para tentar manter o equilíbrio, mas em determinado momento, ela terá que mover o tabuleiro, buscando um novo “ponto de equilíbrio”, não vai?
Na segunda brincadeira, quero que vocês se lembrem (e imaginem) o que acontece quando se colocar vários objetos (imaginem o que quiserem. Pedras, pedaços de madeira, plástico, ar, areia, água, enfim, o que quiserem) dentro de um recipiente tapado, e fazer vários movimentos uniformes, por longo tempo. Por exemplo, se colocamos tudo o que vocês imaginaram em um recipiente que se assemelhe de uma esfera, e fazer esse recipiente girar, com certa força e por muito tempo, em torno de um eixo que o atravesse bem no meio. Os elementos contidos aí irão, ao poucos de acomodando de forma a equilibrar a distribuição do volume e do peso, não é verdade? E se acrescentarmos mais dois ou três movimentos de duração e energia similar ao primeiro, mas diferentes em seus trajetos e pontos de equilíbrio. A acomodação dos elementos internos se fortalecerá, não acham?
Terceira e última brincadeira. Apenas respondam o que acontece se exercermos certa pressão em um corpo poroso que esteja encharcado de água? (se pressionamos uma esponja cheia de água, o que acontece?). A água será expulsa, não será?
Então, fizeram essas experiências, mesmo que mentalmente? Concordam com as resposta que eu mesmo apontei aqui?
Mas, “por que esse cara está falando dessas coisas obvias agora?”, você pode estar se perguntando, certo? A resposta é simples. É que tenho pensado muito sobre esses princípios básicos da física e, tenho achado que talvez não sejam tão óbvios assim.
Ta bom! Vou explicar melhor.
Pelo que dizem os pesquisadores, a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos, certo? E, mesmo não sendo físico, geólogo, geógrafo ou coisa do gênero, e apenas conhecendo um pouco sobre forças e energias geradas pelos movimentos, eu sou levado a acreditar (de forma muito empírica, é verdade) que a Terra é como é, e está onde está, devido à ação das forças geradas pelos movimentos de rotação, translação, Precessão e Nutação, além de todas as outras pressões oferecidas pelas forças gravitacionais do Sol, da Lua, da supernova mais distante, do buraco negro mais próximo, do movimento de dilatação do universo e várias outras forças que sequer somos capazes de supor que existam no universo. Todas essas forças exercidas sobre conjuntos de coisas existentes dentro do recipiente que é a atmosfera da Terra, com tanta energia, e por tanto tempo, distribuiu as coisas de forma que cada elemento se ajeitou no melhor lugar para que o formato e a distribuição do peso do planeta fosse, da melhor forma, “ajustado”. Concordam? É minha opinião e, para que ninguém diga que estou me metendo a afirmar coisa sobre as quais não conheço, quero repetir. Não sou físico, geólogo, geógrafo, profeta, visionário, astrônomo, arcebispo irlandês ou George Lucas. Sou apenas um cara observador. E que vive aqui, nesse planeta.
Mas se minhas observações, livre de qualquer base científica, estiverem corretas, cada oceano, montanha, continente, planície, depressão e tudo mais que define o formato do planeta, do núcleo à superfície, foi sendo colocado onde está ao longo de todos esses anos, conforme a melhor adequação, para que o planeta tivesse seu volume e peso distribuído de forma a possibilitar o equilíbrio necessário para que ele se mantenha “de pé”, assim como o tabuleiro de acarajé sobre a cabeça das baianas. Certo?
E, assim como no tabuleiro de quitutes daquelas simpáticas senhoras vestidas em grandes vestidos brancos, creio que se alterarmos, deliberadamente a disposição dos elementos, não pode o planeta se inclinar e, de alguma forma, cair? Ou se deformar, e deslocar-se do curso de seus movimentos. Buscando, assim como as baianas que se “entortam toda” reencontrar o novo ponto de equilíbrio, ou o novo eixo?
Vamos deixar isso de lado, e passarmos à terceira brincadeira. Vou acrescentar uma outra experiência fácil de se fazer. Quanta força é necessário para que vocês consigam quebrar uma desses pedaços de pedra pome, que se vende em casas de cosméticos? Apesar de muito porosa, ainda é bastante dura, não é? Mas quando está encharcada fica se quebra bem mais fácil. Eu mesmo já fiz isso.
Ta bom, eu imagino que o basalto que acomoda o aqüífero Guarani seja bem mais denso que uma pedra pome. Mesmo assim, tenho pensado em que peso ele é capaz de suportar, sem que se quebre, e “derrame” toda água que está armazenada. Pode parecer um pensamento bobo demais. E talvez seja mesmo, mas tenho ficado cada vez mais preocupado com alguns pesos que estamos concentrando onde não estavam antes, devido ao processo de acomodação de bilhões de anos.
E essa preocupação reaparece em mim, com mais força, sempre que ouço falar sobre a construção de uma nova grande barragem para implantação de uma nova usina hidrelétrica (as famosas UHE, tão necessárias para a manutenção do modo de vida que construímos).
O motivo da vez é a notícia de abertura de processo para elaboração de estudos de uma UHE no rio Araguaia, próximo de Torixoréu-MT e Baliza-GO. Prevista para ter uma calha de 01 km de largura por aproximadamente 120km de comprimento e, (se não estou enganado) com profundidade média de cerca de 40 metros, se construída, essa barragem cortará aproximadamente seis municípios.
Mas não quero falar sobre ser contra ou a favor da construção de UHEs. Nem sobre todas as possibilidades de geração de energia que existem. Nem mesmo sobre o “encaixotamento” do MEU Rio Araguaia. Tampouco sobre o sacrifício de hábitos, costumes e tradições das comunidades humanas que serão forçados a se deslocarem, ou da supressão de espécies de vida animal e vegetal que terão seus ambientes inundados (pelas características do projeto, esses impactos podem até ser menores que na maioria dos empreendimentos do gênero). Sobre tudo isso, e ainda sobre o fim das subidas dos grandes cardumes, que tornam o Araguaia um grande fornecedor de peixes, espero poder falar nas audiências públicas. E espero que as populações de Barra do Garças, Aruanã dos demais municípios que, além dos benefícios ambientais que o Araguaia oferece, lucram também financeiramente, se posicionem com firmeza. Aqui, nesse meu “devaneio” pretendo me ater apenas nas brincadeiras propostas no início.
Então voltemos a elas. Agora com um pouco de matemática. Se 1 litro de água, pesa 1 kg, e se em um metro cúbico cabem mil litros do precioso líquido, então em 1m3 cabem exatamente uma tonelada. Correto?! E se a calha é prevista para medir 1000m x 120.000m x40m, então terá um volume de 4.800.000.000m3 (como mesmo que se lê isso?), acumulando um peso de 4.800.000.000 toneladas onde antes não havia esse peso todo. So por isso eu já me permito ficar assustado. Mas meu medo cresce muito, quando me lembro de todas as barragens construídas nas bacias dos rios Paranaíba (so em Goiás os rio Verde, Claro e Correntes quase nem corre mais, devido à quantidade barragens construídas ou planejadas). Ainda tem as do São Francisco, do Tocantins e as do Complexo Madeira. Meu Deus...
E o que é pior, ao menos pra mim, é que não vejo esse tema ser discutido nos estudos. Não ouço falarem sobre as conseqüências da pressão do enorme peso para o interior do planeta, e não apenas na superfície. Será que estou paranóico? Essa minha preocupação não tem nenhuma razão de ser? Gostaria de ouvir alguma opinião bem fundamentada, para me tranqüilizar, ou quem sabe me desesperar de vez.
Sei que a supressão da cobertura vegetal é crítica. Que o aquecimento global, decorrente da queima de combustíveis fósseis é grave e que a produção cada vez maior de lixo, seja reconhecidamente inútil ou alguma inutilidade chique e desnecessária, também deve ser controlada. Mas não sei se são apenas essas as causas de catástrofes naturais como os últimos tsunamis, grandes terremotos e tempestades com ventos cada vez mais fortes. Tenho pensado que isso pode ser, também, a nossa baiana se requebrando pra manter o equilíbrio desse nosso tabuleiro.
Estou totalmente errado, ou faz algum sentido?
           Sirvam-se de acarajé, mas coma somente o que for necessário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário