25 de dez de 2009

Votos...

O tempo continua seguindo seu curso, e deixando suas marcas em cada um de nós.

Isso nós não podemos mudar.

E não temos como recuperar os passos dados em outros tempos. Mesmo que a água tenha apagado as pegadas na areia, nossos passos continuarão lá, para sempre.

E em nosso outono, so poderemos saborear os frutos que cultivamos em nossa primavera.

Assim como so teremos o calor dos abraços que nós mesmo oferecemos, ou que permitimos receber.

O sorriso em nosso rosto sempre dependerá da alegria que proporcionarmos aos outros.

E a qualidade de nossa caminhada depende diretamente das companhias que formos para o outro.

E não se chega ao Paraíso sozinho.

Mas temos O Mestre e os exemplos.

E, a cada dia novas oportunidades para corrigir o curso, e fazer as escolhas certas.

E, eu desejo muito que 2010 (e todos os anos seguintes) seja muito melhor que todos os anos que já vivemos.

Que tenhamos muito mais acertos que erros. Mais alegrias que tristezas. Mais fartura que carência. Mais inteligência que “esperteza”. Mais verdades que mentiras. Mais generosidade que ganância. Mais floriculturas do que casernas. Mais dignidade que esmolas nos sinais.

Mais justiça, respeito, mais ética, mais belezas, mas cuidado com o único lugar onde podemos viver, mais fé.

Enfim, que tenhamos vida mais plena e feliz.

E para isso, basta que cada um de nós tenhamos no Aniversariante o exemplo de vida a ser seguido. E que nos preocupemos, não apenas em festejar Seu Nascimento, mas em dar-Lhe motivos para Se Alegrar.

Feliz Natal (que você se permita a companhia de Jesus)

E um Ano Novo cheio de “Tudo de Bom” para todos nós.

11 de dez de 2009

"Não é pro bico..."

Infeliz daquele beija-flor.
V
ive tão perto
e nunca prova o sabor.










Convite

Um tempo para si mesmo. Para mim. Para quem está próximo e para quem não está.

Um tempo para quem você é, e para quem não pôde ser.

Um tempo curto em sua vida. Uma vida longa para o tempo que julga ser seu.

Enfim, seu tempo, sua vida...

Convencionamos a chamar de nosso, aquele a quem pertencemos. E esta, da qual somos meros navegantes.

Seja como for que se encare, faça valer à pena. Pois uma vida inteira às vezes é muito curta e “Dois Segundos” podem ser uma, “quase” eternidade, na relatividade absoluta que a vida é!



...Esse tempo vai mudar sua vida

26 de nov de 2009

Por outros caminhos...

Um amigo disse que eu deveria fazer canções. Bem, confesso que esse é um sonho para o futuro (espero que não seja tão distante assim). Mas acho muito difícil, afinal não sou músico. Aliás, até sou* (explico mais tarde). Pra complicar mais minhas vida, caso resolva fazer música, eu gosto de boa música. Sabe, essas que tem melodia e letra convivendo em total harmonia. E as letras precisam ter poesia de verdade. Dizer alguma coisa para o ouvinte. Ter conteúdo. Por isso gosto Chico Buarque, Flávio Venturini, Vanessa da Mata e Zeca Baleiro. E acho Oswaldo Montenegro e Belchior simplesmente geniais. E, caramba, escrever como esses dois é um objetivo pretensioso demais pra mim.
Mas estou em Goiás, e sendo bom goiano, é impossível ficar imune à música sertaneja. E, quem sabe eu possa me enveredar um pouco. Sendo muito ousado, eu sei.
Minha primeira tentativa (como toda primeira tentativa, muito tosca e, tendo sido pensado para ser uma música sertaneja é, sim "bem melosa") resultou no texto abaixo.
Se alguém gostar, e quiser musicar, por favor fale comigo...(rsrs)
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Minha vida em suas mãos

“Naza”

Andei errado eu sei,

caminhos tortos caminhei.

Levei mil porradas, quebrei muito a cara

Por todo esse tempo, minha companheira foi a solidão.


Busquei aventuras,

Por carinhos até paguei

Querendo prazeres, acreditei na idéia de que tudo tem preço.

Comprei falsas promessas, beijei bocas frias e corpos vazios abracei.


Mas as promessas sinceras de amor eterno, que toda noite escutava,

Como a cerveja do copo

Se perdia sempre a cada madrugada.


A cada manhã, ao acordar sozinho

Sentia maior o vazio no peito.

A dor cresceu tanto que até me sufoca.

Não suporto mais, reconheço a culpa.

Já não tem mais jeito.


Assumo, enfim, que é você que amo.

E que meu destino está em suas mãos.

Por isso imploro “me mate agora ou me dá seu perdão”.

Só no seu abraço é que sou feliz,

E meu universo é seu coração.


Reconheço agora o tolo que fui

Se tanto sofri por pura opção.

Fiz a minha escolha ao te desprezar, te mandando embora.

Jogando por terra seus sonhos e planos,

Destruídos todos pelas minhas mãos.


Eu demorei tanto pra reconhecer,

Sei que não mereço mas quero pedir

“Por favor querida, devolva-me a paz.

Já chorei demais, cansei de sofrer.

Nossa história quero recomeçar.

Preciso estar contigo enquanto viver”.


Assumo, enfim, que é você que amo.

E que meu destino está em suas mãos.

Por isso imploro “me mate agora ou me dá seu perdão”.

Só no seu abraço é que sou feliz,

E meu universo é seu coração.

17 de nov de 2009

A ti

Dedico-te

Este poema,

Que ainda nem

Existe.

Peço apenas

Que me entendas,

É por estares tão longe

Que meu poema

Será triste.

16 de nov de 2009

Sem palavras...

Ando assim, meio sem assunto. E isso não é bom, nem novo. Mas me deixa com essa sensação de “esterilidade”.

Acho que não é bom ter tal sensação. Afinal não tenho (acredito que ninguém tenha) obrigação de “parir” um texto novo a cada dia. Um poema novo a cada beijo de arrepiar. Um novo haikai a cada canto de pássaro, latir de cachorro ou estalar de folhas secas pisadas por meus pés. Tampouco ter um novo livro a cada mês.

Poetas, romancistas, cronistas, escritores enfim, não são máquinas. E criatividade, dessas de verdade, é coisa espontânea. Não se amplia com exercícios.

Os exercícios podem sim, dar qualidade ao formato do texto, assim como às cores do pintor, ou à melodia dos músicos. Mas o sentimento, a emoção, a “alma” poema, nasce no coração do poeta. Que nem sempre tem o dom da boa escrita, ou o grau de conhecimento da língua e das normas gramaticais para fazer um texto que seja esteticamente bonito ou, pelo menos, correto. No entanto não é a correção ortográfica e a beleza estética que confere ao texto o status de poema. A alma de tudo é o sentimento.

Mas não quero falar de correções ou sentimentos. Quero falar sobre a falta de assunto que me acomete em certos períodos.

Nesses dias me ocupo de coisas que exige mais do minha capacidade de raciocínio. Como ver novelas (as do Manoel Carlos são melhores, pois dá uma enorme sensação de déjà-vu), Dr. House ou Monk na TV. Ou visitar sites de conteúdo suspeito na internet. Ou simplesmente fazer nada mesmo.

Dias sem criatividades são cheios de vazio, e acho que é exatamente aí que reside o limiar das criação. Seria assim como o silêncio que precedeu ao big-bang. Pois passado esse período de ócio, o espírito criativo se manifesta de forma explícita e vigorosa.

Quer saber, estou feliz por que hoje não consegui pensar em nada para escrever aqui. Sei que em breve (alguns dias ou semanas, espero que não mais que meses) terei de volta minha mente efervescente. Estou me sentindo como uma semente recém plantada, à espera da próxima chuva (e tanta coisa pode ser chuva pra mim) para germinar.

31 de out de 2009

Nasceu

Agora é cuidar com carinho, e esperar para vê-lo ganhar o mundo.
Veja como ficou lindo...

Um pouco mais, e com uma contribuição muito importante...


Bem, o lançamento será dia 06 de novembro.
Mas você ja pode fazer seu pedido...
Pré venda, para entrega/envio a partir de segunda-feira, dia 09-11.
Por apenas R$ 15,00 você tem a melhor opção de presente para esse Natal. Certeza de agradar a você mesmo e a todos.
Envie seu pedido, com comprovante de depósito para o e-mail: naza.poeta@gmail.com, juntamente com seu endereço. Se desejar que seja enviado para outra pessoa, inclua os dados do presenteado (mas eu sugiro que você entregue pessoalmente, com abraços, cafezinho, cerveja ou vinho, e boa conversa).

Conta para depósito:
Titular: Nazareno de Sousa Santos
Banco do Brasil
Agência: 3607-2
CC.: 35.530-5

Obs. valor do frete não incluso. O Envio será "à cobrar" e você pode indicar a forma (encomenda normal, Sedex ou Sedex-10). No caso de envio para outras pessoas, você pode incluir o valor do frete no depósito, ou propor outra forma.

30 de out de 2009

Dias diferentes

Veio do Pantanal

Com jeito de araucária,

E esse perfume da floresta.

Desejos, no coração do Cerrado.

É, mais um dia muito diferente...

Mais do mesmo, de mim...

Agora no BarRio
Como no Senzala.
A música não muda.
A cerveja não muda.
A mesa continua vazia...
Mas muda a temperatura,
a sensação e,
depois de tanto tempo
e tantos quilômetros,
muda, sobretudo,
minha forma de ser sozinho...
29/10/2009

Sobre outros tempos

E não tendo mais
o Taquiri-Coxim
nem o Formoso
So me resta o BarRio!
É, não se pode, mesmo,
ter tudo, o tempo todo.

23 de out de 2009

Uma reflexão sobre causas e consequências

Definitivamente precisamos encontrar uma solução. E sei que a solução não vira com uma única medida, ou com uma ação isolada. Estou consciente que serão necessárias várias ações, em um conjunto de medidas bem planejadas e bem coordenadas.
Outra coisa que acredito saber, é que uma solução definitiva passa, não exclusivamente, mas principalmente, pela vontade de população. Somente com uma decisão social é que se pode promover mudanças e transformações sociais. Mas, apesar de acreditar nisso, sei também que, para que as vontades coletivas sejam implementadas, é necessário uma boa liderança. Precisamos então de um líder que seja envolvido com a causa, que seja honesto, corajoso, justo. Que saiba ouvir (quase auscultar) o que diz a comunidade e, principalmente, que tenha princípios que comunguem com as mudanças que se deseja.
Não sei quando encontraremos esse líder. Nem quando transformaremos em ações, a vontade que tanto verbalizamos. O fato é que a situação está muito próximo da insustentabilidade.
E, mesmo não sendo sociólogo, pedagogo, antropólogo, padre, pastor, bispo ou jornalista (espera, jornalista eu sou sim, ganhei no “tapetão” do STF), não consigo ficar totalmente indiferente (ao menos mentalmente). E me permito imaginar minhas humildes contribuições para o grave problema.
Minha última ruminação não quer sair da “ideia” e, para tentar me livrar dela, vou expor aqui. (como diria meu amigo Demervas, “vou falar so pra desocupar a mente”).
Não trago nada de novo. Mas acho que precisamos pensar mesmo sobre as “externalidades” da manutenção de alguns “princípios”.
Bem, imaginem a cena: O viciado chega na farmácia da esquina e, sem rodeios, faz seu pedido. O balconista vai até uma área da farmácia, volta com o produto e entrega ao jovem homem do outro lado do balcão. Na pequena caixa umas figuras e algumas frases lembram, de forma muito chocante, os males que provoca. O jovem pede algumas seringas descartáveis, paga no caixa, e vai para casa com sua dose de cocaína.
Nos veículos de comunicação inúmeras campanhas esclarecendo todas as consequências de se usar tais produtos. De forma aberta, clara. Diria até escancarada. E não como as que (não)se vê hoje.
Nos laboratórios legalizados, produção controlada, com padrão de qualidade definido e fiscalizado pelos órgãos de saúde. Sem adição de substancias que tornem ainda mais letal o que já o é.
Em meu delírio todas as drogas estão envolvidas. Da maconha ao crack.
Venda feita de forma legal, sem armas, sem se esconder, sem o risco de ingerir um monte de outras porcarias que se coloca para fazer volume.
E, sobretudo, sem guerra por controle de bocas, sem fogueteiro, aviãozinho, sem helicópteros sendo derrubado nem jovens armados, por toda parte. Sem policiais ou “paisanos” (inocentes ou bandidos) morrendo por nada.
Com boa campanha, em todas as mídias, acredito que em duas ou três gerações já teríamos reduzido a um percentual, diria, aceitável, o número de usuários.
Sei que isso não resolveria totalmente o problema da violência urbana. Ainda teríamos a enorme desigualdade social, o grande número de pessoas na miséria, a ausência do Estado em várias áreas, a falta de prioridade dedicada à educação e essa corrupção tão presente, que dá até pra sentir fisicamente, nos tocando. Enfim, as causas da violência são várias, e nenhuma se resolve com uma única medida.
E não gosto da idéia de meus sobrinhos, ou minha enteada, irem à farmácia mais próxima e comprar uma “pedra” ou um “pico”. Mas também sei, por experiência própria, inclusive, que a sensação de proibido é um dos maiores, se não o maior, atrativo para os jovens.
E todo mundo sabe que o fato das “bocas” ficarem em locais distantes, perigosos de difícil acesso, não impede que cada vez mais jovens corra riscos para alimentar seus vícios.
Sei que a grande maioria não concorda comigo. Que alguns podem até me censurar, ou ainda, tentar me incriminar. Eu entendo. Até porque, mesmo eu que, estou aqui escrevendo isso, tenho certa resistência.
Mas não estou fazendo apologia ao uso de drogas. Nem estou falando exatamente do uso. Mas o fato de eu falar ou não, em nada interfere no lucrativo mercado ilegal de drogas, que fomenta o mercado ilegal de armas, de carros roubados, de assassinatos. O estado de horror que é presente hoje em várias cidades do país. E acho que se podemos eliminar a indústria do crime, relacionada com algum distúrbio social, devemos considerar sim, fazer isso. O distúrbio (no caso o vício das pessoas) resolvemos depois.

10 de out de 2009

Histórias da coxia...Casos do teatro mineirense

Ah o teatro mineirense...

Sim, em Mineiros se faz teatro! Na verdade sempre se fez. E de boa qualidade.

Nunca teve uma casa de espetáculos decente (e Teatro nunca mereceu atenção, muito menos prioridade, da direção do Centro de Treinamento Santo Agostinho. Nem agora, que virou “Frank Green”), nem o merecido apoio do poder público ou do comércio. Mas isso nunca impediu que alguns “malucos” se dedicassem à nobre arte.

E não são poucos, esses “malucos”. Ainda bem. Senão, quem salvaria a cidade?

E, desde os tempos do “Teatração”, até os dias atuais, os grupos de teatro de Mineiros montam espetáculos de todos os gêneros. De boas comédias à discussões filosóficas.

Sim, acima eu disse “grupos”. Assim no plural mesmo. Teve “Teatração”, “GTE&C”, o grupo da Dona Mery e tem o “Theaomai”. Sem contar os grupos esporádicos, como o da JUNAC, que chegou a fazer uma pequena turnê regional com a montagem de “Meu padim segura o tacho, que a quentura vem pru baixo”, nem o grupo da Mocidade Espírita, em que esse missivista ousou dirigir por um tempo, e que montou alguns pequenos espetáculos (e chegou a escrever, coletivamente, dois bons textos).

Ou seja, vários grupos, e todos sempre contaram com grandes talentos. E também com algumas figuras que nem precisam de personagens.

Caso do grande amigo Cleudiomar, que vestia o personagem que fazia em “Meu padim...” como uma luva, como se tivesse sido escrito pra ele. A Fabiana, grande talento do grupo da Mocidade, que poderia ter se profissionalizado. E o Fábio Rocha, a Dayane, Breno, Lidi Vilela, Marnúbia, Tutuca (que teve uma passagem rápida pela cidade, mas que contribuiu muito), o diretor Toninho Gomes, e tantos outros.

Mas hoje acordei rindo à toa, me lembrando de dois integrantes do Theaomai, de quem há muito não tenho notícias. Kelson e Antônio.

Grandes talentos e cheio de trejeitos capaz de transformar qualquer texto sem graça em ótimas comédias.

Separados eram faziam todo mundo rir muito. Quando os dois estavam juntos em cena, então, era impagável.

É que o Antônio, cheio de “cacoetes” e com uma memória que às vezes falhava. E o Kelson, um super talento, raciocínio rápido, ótimo senso de humor e muito, mas muito mesmo, gozador (soube que está morando no RJ, e que já apareceu até em novela da Globo). E adorava pegar no pé do Antônio. Prometo narrar alguns encontros dois, em breve.

Mas a cena que me fez acordar rindo hoje, teve o Kelson como protagonista. Na cena em questão, uma pessoa estava no palco, e o Kelson entraria, assim que o primeiro colocasse fogo em um pedaço de papel (devia ser uma carta, bilhete ou coisa assim). Kelson tinha que entrar dizendo o texto: “Humm, que cheiro de papel queimado”. So que nesse dia a contra-regra (que era todos do grupo, já que lá todo mundo faz de tudo) esqueceu de colocar o fósforo, ou o isqueiro, onde deveria estar. Quem estava em cena, não sofreu muito. Não tendo como queimar o papel, o jeito foi rasgar.

O Kelson, que estava atento na coxia, entendeu a deixa e entrou, conforme estava no script. Mas, espirituoso como é, e rápido no gatilho, soltou, no tempo certo da piada (que fique bem claro): “Hummm, que cheiro de papel rasgado”...

9 de out de 2009

Data Marcada

Isso mesmo.
Será no dia 06 de novembro o lançamento de "Dois Segundos"
Programe-se e garanta seu exemplar.

Sinopse

... Seu problema não foram os erros. Pois não os cometera. Seu problema foram os acertos. Também não os cometera tanto quanto devia ...”

Um evento inesperado leva a personagem central de Dois Segundos a analisar toda sua vida. Usando fragmentos de poemas de Fernando Pessoa (em várias de suas pessoas) e de Augusto dos Anjos como farol que aponta o caminho para essa jornada, o livro narra essa viagem, na qual a jovem Crys vai descobrindo que nem sempre uma vida sem erros significa uma vida de acertos. E que o anseio em “mudar o mundo” pode representar um desejo maior (e muitas vezes não admitido sequer para nós mesmos) de fazer plena nossa própria vida.

Em um ritmo suave e muito envolvente, Dois Segundos apresenta de forma sensível uma reflexão sobre alguns dramas que acometem a maioria das pessoas de nossos dias.

Ao leitor será impossível não se emocionar com a jornada da bela Crys nem, tampouco, deixar de refletir sobre o que tem feito sobre sua própria vida.

Indicado para todas as pessoas que já abandonaram em algum lugar de sua história, as percepções que tinham quando crianças, Dois Segundos tocará mais profundamente as mulheres modernas, financeiramente independentes, profissionalmente bem sucedidas e envolvidas demais com seus compromissos profissionais a ponto de terem abandonado os sonhos que um dia tiveram, e que as levariam, sem dúvida a uma vida plena e verdadeiramente feliz.

Pelo que ainda vai chegar...

No início a Dona Felisbina com as mágicas estórias de gigantes, fadas e heróis;

Mais tarde foram Thais (a vendedora de flores) com suas aulas de matemática que sempre iam além dos números, e Nádia Ioris com suas aulas de língua portuguesa e literatura. Ambas dando grande liberdade de criação e incentivo às manifestações;

As longas e belas cartas trocadas com a querida amiga Lívia Paniago, vieram depois das boas críticas do Sr. Aloízio Paniago, que me são cada vez mais úteis;

Da importante passagem de Kátia Camargo por minha vida ficaram, além de boas lembranças, registros de descobertas;

As belas tarde de domingo com os amigos Aires Franco e Toninho Olegário, sempre cheias de poesia e muita música;

Os agradáveis encontros do pequeno grupo na casa do grande poeta e cardiologista, Chico. Responsável por ampliar o gosto e definir a vocação;

A convivência com os amigos da Academia Mineirense de letras e Artes (mesmo eu não sendo um imortal municipal) e da Agência Mineirense de Cultura. Universo sempre contagioso;

Os encontros culturais realizados na “Casa do Naza” la na Cohacol, e todos os freqüentadores (inclusive a turma da cozinha);

A todos os Manueis, Murieis, Cabas, Lilis, Bigas, Renas, Maris “espertonas”, Demers, Loiras, Ivos, Samucas e Barbosas pelos bons momentos de cerveja, baladas, Baleiros, risos, lágrimas e autenticidade, não deixando morrer em mim o que mais me agrada;

Às amigas/irmãs, por estarem sempre onde deviam (ao meu lado, onde quer que eu estivesse. Fosse esse lugar “uma fossa profunda” ou perdido em Uberlândia);

Ao "TEBE", por tantos momentos inesquecíveis (alguns bem sofridos, né...)

De Alessandra e Juliana recebo, hoje, o carinho de que preciso a compreensão e respeito, por minha frequente ausência-presente, nos momentos de criação, quase recluso.

Das amigas Zanja Pires, Eleuza Martins, Lidiane Vilela e Cléo Borges, recebi grande incentivo e importantes colaborações;

Dos amigos Erich e Jô, pelo apoio que alcança o velho mundo, e extrapola a esfera moral;

Dos novos, e importantes amigos do Projeto Hubuntu, responsáveis por grande parte de minha atual felicidade;

À tod@s @s amig@s. Por serem o que eu tenho de mais valioso;

Por fim, a todos que, ao longo desse tempo, receberam meus frequentes e longos e-mails. Os que tiveram ‘saco’ para lê-los e, principalmente, aos que se tornaram leitores desse meu blog.

À todos vocês, meu sincero MUITO OBRIGADO

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Ah, sim! Agradecimentos aos pais e aO Criador não cabem aqui. Pertencem a uma outra "esfera" de agradecimentos....

Angustia

Tarde estranha essa.
É segunda, mas me sinto como se fosse outono.
Folhas secas em minha garganta,
E o coração batendo onde deveria estar o estômago.

Dos olhos, minam águas que regam as folhas que me engasgam.
Ruminação "amargosa". E tenho que engolir sozinho.

Estou sem leste.
E vejo o Sol se por em minha nascente.
Devaneios quase desesperados...

Me esforço para continuar na superfície,
e respirando...
Mas ja não sei qual azul é o Céu,
e minhas braçadas podem me levar às estrelas,
ou me afogar...

05-10-2009

Da série "Dias estranhos"...

Assim e assado

Solteiro ou casado.
Rico ou sem grana.
Tranquilo ou agitado.
Não importa.
Sempre há dias
"assim",
e dias
"assado"!

7 de out de 2009

Papo reto...

Demerval (twitter@demervas), meu amigo e um dos meus leitores mais fiéis, sempre reclama que meus textos são grandes...
Me desculpo apontando essa total falta de síntese.
Mas, para tentar me corrigir, é que gosto de exercitar minha capacidade de fazer pequenos poemas (série "Pequenos prazeres, mas não haikai"). E para reforçar isso, ando brincando com o twitter. Lá sim, os comentários são sempre "curtinhos". Ah! e com a intenção de ser mais bem-humorado (mesmo que seja humor negro...rsrs).
Será bem vindo (twitter@nazasantos). Passa lá...

4 de out de 2009

Silêncio...

"Todas las voces, todas
Todas las manos, todas
Toda la sangre puede
Ser canción en el viento."

Adios Mercedes.
Gracias por su vida
Vaya con Dios...

29 de set de 2009

Sobre limitações e nossas grandes saídas

Uma volta por Goiânia e vejo reforçar a idéia que tenho de que somos altamente irracionais.
Sei que isso vai parecer, inicialmente, contraditório ao que eu mesmo escrevi dias atrás. Mas olhe bem e vai perceber que não é.
Falei da enorme capacidade em alterar o mundo ao nosso redor. Capacidade que convive com enorme incapacidade em mudar nosso mundo interior.
O tema de agora é essa nossa incapacidade de romper com o que está estabelecido. Temos enorme resistência em aceitar o novo. Mas aceitamos, quando ele se nos apresenta. O grande problema é que quase não o vemos, afinal temos um “campo de visão” muitíssimo limitado.
Tomemos alguns exemplos próximos.
Atravessamos uma enorme crise financeira. O mundo todo sofreu com ela, e ainda sofre. Felizmente os governos, indústrias, bancos e comércio noticiam que ela, a crise, já é coisa do passado.
Mas, e daí? De que nos serviu essa crise? A mim assustou o fato de que toda alternativa que vi sendo apresentadas para minimizar seus efeitos, ou mesmo como possíveis saídas definitivas, se limitava a tentar corrigir as falhas do sistema em vigor.
Não ouvi, li ou vi alguma manifestação que apontasse para algo realmente novo. Uma proposta que rompesse com esse capitalismo que domina todas as nações e que, mesmo quando tudo vai muito bem, é desumano, afinal promove o alargamento das diferenças entre ricos e pobres (sejam pessoas, países, companhias, famílias, escolas, bairros, blocos carnavalescos ou times de futebol).
Mesmo entre pessoas e organizações que se reúnem com o objetivo de questionar esse modelo, as saídas apontadas para a crise, não conseguiam romper esse horizonte em que vivemos.
Chego a imaginar que não deve existir nada, além da barreira que somos programados para aceitar como limite intransponível.
Estou relutante em acreditar que nossa criatividade e ousadia já tenham se esgotado. Não, eu também não tenho uma sugestão que aponte para alguma luz além do ocaso desse sistema que não se questiona. Mas ao menos estou me permitindo ficar incomodado com toda essa aceitação, tão passiva, de que essa realidade não se pode mudar. E espero que em algum lugar alguém esteja elaborando alguma coisa que se pareça com um “mapa para a terra prometida”. E não estou falando de nada semelhante às ditaduras proletárias que fez de conta que pretendia mudar o mundo, mas que não apresentaram nada que fosse verdadeiramente novo.
E mesmo já tendo dito que não tenho sugestões, fico imaginando que poderíamos ter aproveitado essa crise para fortalecer idéias como a o bom e velho “cooperativismo”, ou coisas mais novas, e até mais simples, como o que se convencionou chamar de “economia solidária” (e, reforço que para ser solidária, essa economia deve privilegiar a solidariedade em todos os estágios, ou seja, “extração solidária”, “produção solidária”, “distribuição solidária” e “consumo solidário”). Sem nos esquecer de sermos solidários com todas as formas de vida que habitam esse planeta, que é nossa única casa. Mas isso não aconteceu.
Ao contrário, as indústrias, governos e todo mundo cujos palpites têm força de formador de opinião, trataram de incentivar o consumo. Era a melhor saída: reaquecer a economia. E mesmo agora, que a crise já era, o negócio é continuar comprando para que a economia volte a crescer.
E um problema foi resolvido com o agravamento de vários outros. E é isso que me remete ao que me motivou a falar sobre isso. Aquela minha volta por Goiânia.
Ao menos no Brasil um dos mercados mais incentivado é o de automóveis. E aqui, em Goiânia tenho a sensação que é o ponto mais fervilhante desse incentivo. Em toda canto da cidade tem uma revenda com promoções sensacionais. “Juros baixos”, “parcelamento a longuíssimo prazo”, “entrada super facilitada”. Enfim so não compra carro que não quer. É isso que dizem alguns anúncios. O que colabora para derrubar ainda mais a autoestima de grande parcela da população, que até quer, mas não pode, apesar de todas “facilidades”. E, essas facilidades todas podem, quem sabe (e eu ando acreditando nisso), estar criando uma “bolha” semelhante àquela que desencadeou a dita crise. Mas isso não é coisa que eu possa me meter em analisar. Afinal não sou economista, assistente social, analista de mercado nem empolgado estudante de algum curso MBA com receitas de como salvar o mundo.
O que me permito é sentir a dificuldade que já é circular pela cidade. A quantidade de carros é tão grande, que as ruas e avenidas já não comportam. Poderíamos ignorar o fato de isso representar sérias agressões ao meio ambiente. Não é o caso, mas apenas agora não quero levar em conta o acumulo de gazes na atmosfera devido à queima de todo combustível necessário para movimentar essa frota toda. Nem dos impactos causados para produzir esses combustíveis (seja derivado do petróleo, ou derivado de vegetais oleaginosos), ainda que todos fossem elétricos, seria necessário produzir energia elétrica, e não conheço formas de geração de eletricidade que seja totalmente “limpa”.
Mas não vamos falar sobre isso. O foco aqui é apenas a “questão” espacial. Às vezes, quando ouço alguns especialistas falarem que precisamos fazer a economia, e os países, voltarem a crescer, tenho a impressão que eles acreditam que os países realmente crescerão. Falo dos territórios, dos continentes, o planeta enfim. Será que acreditam que o planeta crescerá? Pois é so acreditando nisso que se pode imaginar que ao produzir cada vez mais carros sempre teremos onde construir mais ruas, avenidas e autoestradas. E sempre teremos, também, onde construir locais para depositar as sucatas geradas pelos descartes cada vez mais cedo. Afinal precisamos consumir, para aquecer a economia. (parênteses para dizer que foram os carros de Goiânia que provocaram essa divagação, por isso toda citação a eles. Mas isso vale para todas as novidades tecnológicas, tão impensadamente necessárias a todos nós, em nossos dias).
Acabei de me lembrar de um fato que foi motivo de muito riso. Tempos atrás, morando em Mineiros e participando de um desses grupos de jovens da igreja católica, no caso a JUBES – Jovens Unidos Buscando o Espírito Santo (acho que é isso mesmo). Estávamos programando um retiro para o período de carnaval. A coordenadora do evento já tinha quase tudo pronto, mas algumas pessoas desistiram de participar. Acontece que a coordenadora já tinha elaborado a lista de mantimentos que seria necessário para o número “X” de pessoas, pelo período em questão. Na desistência de alguns, ela se viu com um grande problema nas mãos, e compartilhou com o grupo, para que pudéssemos ajudar a encontrar uma saída. Ela precisava encontrar mais pessoas para irem ao retiro, para que as contribuições fossem suficientes para comprar a lista previamente elaborada. Levou certo tempo, e muitas caçoadas até ele se dar conta que seria mais simples refazer a lista de mantimentos, para adequar ao número de pessoas confirmadas.
No que diz respeito à necessidade de aquecer a economia, vejo que todos nós, sobretudo os “tomadores de decisão” estão com a mesma crise que minha amiga Ione. Em breve vamos precisar providenciar outro planeta onde poderemos construir estradas, avenidas e estacionamentos para suportar todos os carros que precisamos comprar, para que “todos os países voltem a crescer”.
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Olhando agora, esse texto me soa muito hipócrita. E é duro assumir que essa hipocrisia é verdadeira. Afinal os caras do marketing são muito bons, e eu tenho sim, essa vontade incontrolável de ter meu próprio carro. Mas estou me esforçando para que minha rotina diária tenha, normalmente, muito mais caminhadas, pedaladas e utilização de transporte coletivo de massa (claro, as coisas precisam melhorar muito nesse campo)...

28 de set de 2009

O resultado

Era quarta-feira, a tarde estava na metade. Nos becos da favela a vida estava normal. Crianças sujas e famintas brincavam enquanto outras fumavam maconha ou crack. Alguns rapazes tentavam retirar uma Brasília velha, e rebaixada, que estava “atolada” no esgoto que corre a céu aberto. Uma moça gritava palavrões para o namorado que a tinha traído, outra vez. No alto do morro os guardas do tráfico observavam tudo, de armas em punho. Em outro ponto ouviram-se tiros e a sirene da polícia, em seguida. Alguns poucos ouviram o desespero de uma mãe que chorou o filho morto pelos policiais. Era só mais um traficante, exceto para sua mãe.

Enquanto tudo isso acontecia lá fora, aquele barraco de zinco e tábua ficava cada vez menor para aquelas duas pessoas. Dona Josefa da Silva se afligia com a aflição do filho, o jovem Balder da Silva, que em seus vinte anos de vida nunca esteve tão aflito. Andava de um lado para outro quase afundando o chão batido do barraco. A cada ruído um susto. Se sua mãe tentasse acalmá-lo ele se irritava. Estava com os nervos à flor da pele. Não suportaria por muito tempo todo aquele nervosismo.

Durante esse tempo começou a rever toda sua vida. Lembrou-se da infância, que quase chegou a ter. Nasceu ali mesmo, na favela. Pais negros, vindos dos sertões pernambucanos. O nome foi dado pelo pai, semi-analfabeto como a mãe, que não sabia nada de mitologia nórdica, mas que ouviu um dia alguém dizer que um povo distante tinha, em sua crença a figura de um jovem deus muito belo e sábio. Então ele resolveu que o filho seria assim. Por várias vezes passou fome. Acha mesmo que teve sorte em sobreviver sendo tão doente, e vivendo naquelas condições. O pai foi assassinado quando ele tinha 6 anos. Morte idiota, briga de bar. Logo cedo experimentou maconha, cerveja e cola. Não gostou. Aos oito anos já era obrigado a trabalhar para ajudar a mãe. Foi engraxate, vendeu sorvetes, amendoim, sacolé e outras coisas. Nunca drogas. Sempre estudou nos colégios ali perto, sempre. Gostava de Rap e Funk. Jogava futebol e via filmes do Van Damme. Nos últimos dias não tinha namorada e trabalhava em uma barraca de praia.

A vida não foi fácil até aquele momento. Levou muitas porradas da vida e dos outros. Entretanto, havia aprendido a acreditar em si. Sempre que começava uma tarefa ele a finalizava. Sabia, ou melhor, fazia idéia do que viria pela frente. Por isso toda aquela tensão, que crescia a cada instante. O rádio, sintonizado em uma AM local, tocava outra música. Uma do Djavan. Normalmente ouve-se FMs que tocam balanço ou rap, mas aquela tarde era tão típica, ele aguardava uma informação que poderia mudar sua vida.

A polícia passou em sua rua, trocando tiros com traficantes, ele assustou-se, mas não como de costume. O nervosismo era maior.

No rádio outra música, agora do Belchior “... não/ eu não sou do lugar dos esquecidos/ não sou da nação dos condenados/ não sou do sertão dos oprimidos, você sabe bem/ conheço o meu lugar...”.

A música termina. Uma voz masculina começa a falar uma relação. Nome de pessoas, muitos deles.

A cada nome o ar do barraco fica mais denso. O nervosismo, que parecia no limite, aumenta ainda mais. De repente eles ouvem o locutor dizer: - “Balder da Silva”.

Ele se solta, senta-se em uma das três cadeiras de metal, dessas de bar, que tem em casa. Libera toda tensão e chora intensa e profundamente. Sua mãe não faz nada, fica estática por um momento. Faz uma prece a São Jorge e, depois, chora também.

Depois de quase uma hora eles se acalmam. Ele sorri e diz: - “passei”. “Bal”, como é conhecido, conseguiu passar no vestibular de medicina da UFRJ. Queria ser médico como Dr. Zerbine, e como o médico desconhecido que salvou sua mãe, no dia em que seu pai fora assassinado, evitando que ele ficasse totalmente órfão.

Como uma família da Zona Sul havia prometido custear as despesas com o curso, e as domésticas, incluindo uma casa em um bairro mais próximo, sua vida mudaria completamente agora. E um dia ele poderia salvar vidas de pessoas que, como ele, dependiam de sorte para sobreviver.

É, creio que por ter sentimentos tão nobres, e tanta bravura, é possível que Odin esteja cuidando dele.

21 de set de 2009

Sobre lições não aprendidas e qualidades esquecidas

Tenho pensado muito em como nós, seres humanos, somos inteligentes, criativos, inventivos e, surpreendentemente capazes de transformar o mundo ao nosso redor. Tenho pensado, também, em todos os avanços, mudanças e adaptações que temos promovido desde que passamos a andar apoiados apenas nos membros traseiros (que, por isso, foram promovidos a membros inferiores), e que percebemos a vantagem que temos sobre os demais primatas por termos polegares opositores.
É, foram sim muitas mudanças. E acho isso fascinante.
No entanto, se por um lado temos enorme capacidade de transformar o mundo ao nosso redor, ou seja, fora de nós. Por outro, temos enorme dificuldade de promover mudanças, por menores que sejam, dentro de nós.
Conseguimos construir edifícios que, cada vez mais, tocam o “bucho do Céu”, mas continua sendo muito difícil reconhecer a grandeza de alguns sentimentos que temos, e assumir que temos (dizer “Eu te amo” então, nossa. Missão quase impossível).
Já fomos à lua. Temos naves, sondas e telescópios vagando nos confins do universo (ao menos no “confim” que somos capazes de conceber), mas perdão continua sendo uma palavra sem nenhum sentido para a maioria de nós, tanto para pedir quanto para oferecer.
Há muito tempo deixamos de ser quadrúpedes, e nessa nossa caminhada bípede, algumas características foram sendo desenvolvidas em nós, como egoísmo, ganância, intolerância e essa necessidade desenfreada de consumir muito além do que necessitamos.
Nada me parece mais paradoxal do que saber de toda riqueza que produzimos e o enorme percentual de pessoas que vivem (o termo viver me parece tão deslocado da realidade) em situação de miséria tão profunda que nunca poderão desfrutar das benesses advindas da destruição desse mundo, que também é deles.
Vivemos em constante conflito, como se cada outra pessoa, outra família, outro clã, outra tribo, outra nação, fossem nossos adversários, quando na verdade somos irmãos, e devemos viver de forma cooperativa e solidária.
Os motivos para tanta desigualdade e tantos conflitos, exploração, tentativa de extermínio, genocídio, holocausto e toda sorte de ação humana vergonhosa, sempre foi motivo de estudos e observações de filósofos, antropólogos, boêmios em mesa de bar, teólogos e das religiões. Não pretendo aqui contestar contrapor, corroborar nem ficar repetindo nenhuma visão anterior (ou futura). Quero sim, expressar o que hoje é minha impressão mais forte (baseada apenas em minhas observações não-científicas).
Se o que nos diferencia dos demais primatas (e de todos os outros “bichos” do reino animal) é a nossa magnífica inteligência, então é ela que nos atribui que chamamos de “humanidade”. Mas em minha analise ‘histórica’ concluo que, à medida que exercitamos, e desenvolvemos nossa inteligência, fomos perdendo algumas características necessárias à configuração dessa ‘humanização’.
Ouço muitos dizerem que isso trata-se de instinto de sobrevivência.
Concordo que seja! No entanto vejo aqui uma grande deficiência trazida pelo afastamento de nossa origem selvagem. Os avanços nos transformaram em seres individualistas, com a falsa noção de que cada indivíduo seja bastante a si mesmo. Esquecemos uma regra básica, seguida por todas as demais espécies: que a sobrevivência deve ser uma estratégia da espécie e não de indivíduos (ou de pequenos grupos). E que devemos nos enxergar como parte integrante da humanidade. Sem a opção do isolamento. Além disso, precisamos entender que toda ação feita contra indivíduos atinge a todos, pois somos um grande e único corpo. So assim poderemos dar certo enquanto raça.
E, como já manifestei em outro momento, já passou da hora de exercitar nossa empatia e solidariedade com nossos “outros” irmãos, e passarmos a olhar o mundo com os olhos das outras espécies com quem dividimos nossa única casa. Mas isso é assunto para outra conversa.