19 de jul de 2015

Escolhas

Por favor, deem-me esse direito.
Não peço mais nada,
e nada de mais.
Apenas quero poder ter o poder de ser.
E, se Escolho ter opções,
respeitem minha decisão.
Mesmo que eu decida ser indeciso.
Não me obriguem a ir, quando eu quiser partir.
Nas chegadas, não me aprisionem.
Nem cobrem sorrisos sempre que eu estiver alegre
Ou lágrimas, quando a tristeza estiver presente.
Não joguem em mim sua gratidão, quando eu for auxílio
Não exijam que eu reaja à sua agressão.
Me deixem devagar, quando for absorto, e sem pressa.
Minha velocidade nem sempre é urgência
Deixem-me viver preso à essa minha liberdade.
E deixem-me viver.
E, mesmo quando eu não estiver mais vivo,
Ainda assim, deixem-me.
Não queiram me matar, nem mesmo aí.

20 de jun de 2015

Sobre tratamentos infelizes e curas possíveis

Felizmente nunca tive câncer. Também não tenho nenhum caso diagnosticado na família. Então não tenho experiência sobre o assunto. Nunca acompanhei, de perto, e de fato, o sofrimento de alguém que lutasse contra essa terrível doença.
Uma amiga muito querida, certa vez combateu um melanoma. Mas diagnosticou bem cedo, e o tratamento não envolveu terapias invasivas e agressivas, nem mutilações. Nada mudou em nossas vidas, na época. Então acho que nem conta.
Mas moro a quase uma década praticamente ao lado do Hospital Araújo Jorge, conhecido como “hospital o câncer”, que é o centro de referencia regional no tratamento de todo tipo de tumor, e demais formas de ocorrências cancerígenas. Assim, mesmo que eu preferisse não ver, é impossível não presenciar o sofrimento de pacientes e familiares. Basta passar pela calçada do hospital. E eu passo todos os dias.
Não sou médico oncologista, nem farmacêutico (minha experiência como balconista de drogarias, vivida na adolescência, não serve aqui), nem psicólogo ou assistente social, também não sou enfermeiro (até tenho essa formação, mas no exercito brasileiro, e para atuar em combate, ou em situação de catástrofe coletiva). Também não sou atriz radicalmente linda e mutilada. Apesar de não ser nada disso, sei, como todos sabemos, algumas coisas sobre as sintomas, sofrimentos causados e tratamentos do câncer. Aprendemos um pouco na escola. Lemos nas mais variadas revistas, ouvimos entrevistas de especialistas, e ainda tem as produções literárias e cinematográficas que nos trazem informações, inda que superficial, mas que nos livra da ignorância plena, sobre o assunto.
Uma das coisas que todos sabemos é que, quanto mais precoce for o diagnóstico, tanto maiores são as chances de erradicação da doença. Minha amiga do melanoma livrou-se completamente dele, sem perder um fio de cabelo.
Outra coisa, que também é senso comum, é que após a confirmação do diagnóstico, o panorama ideal, e desejado, é que seja possível tratar de forma menos invasiva possível, focando a ação médica no órgão atacado, visando eliminar a doença para que esse órgão volte a funcionar normalmente, em harmonia com todo organismo, e o indivíduo possa voltar à sua vida normal.
No entanto, quando as opções de tratamentos mais, digamos, “leves” não dão conta do problema, parte-se para ações mais agressivas. Com terapias que utilizam drogas mais pesadas ou radiação, para atacar as células tumorais. Sempre visando erradicar a doença e restabelecer a função desempenhada pelo órgão atacado.
Em último caso, apenas quando o órgão já está completamente tomado pelo câncer, de forma comprovadamente incurável, é que se opta pela mutilação. Nesse caso, espera-se que extirpando o órgão acometido, erradique-se também a grave doença.
Mas, todos sabemos, mutilação sempre gera perda, e cicatrizes, irreparáveis. Por isso, sempre se espera eliminar a doença, curando o órgão doente.
É assim que nos comportamos com relação ao câncer.
Concordamos que a doença sempre causa grande sofrimento, físico e psíquico. Mas temos acumulado experiências médicas suficientes, e a cada dia surgem novos conhecimentos e novas tecnologias, que nos permite, cada vez mais, eliminar a doença sem a necessidade de mutilação.
Olhando o mundo dos pontos de vistas pelos quais passei até aqui, e mesmo não tendo podido ser discípulo de Sócrates, nem de Platão (por um pequeno deslocamento temporal) e, por isso, não ter uma visão tão amplamente abrangente e holística como gostaria, sempre acreditei que devemos aprender com cada experiência que temos, e que as mesmas devem ser utilizadas nos mais variados aspectos de nossas vidas. Continuo acreditando.
E é exatamente por isso que não entendo o fato de, aparentemente, não termos aprendido muito com a nossa milenar convivência com o câncer, e com os tratamentos desenvolvidos para ele.
Para ser mais claro, em uma possibilidade hipotética, acredito que ninguém optaria por colocar um tumor inicial isolado com tumores que já apresentassem metástase. Isso não traria cura nenhuma.
Tampouco, acredito, alguém em sã consciência disseminaria células cancerígenas por todo organismo, como forma de curá-lo. Isso, além de não trazer cura, aceleraria a morte do organismo.
Estou enganado?
O objetivo é eliminar o câncer, não o órgão atacado por ele.
Mas, o que assisto hoje, com relação aos apontamentos de caminho para nossa sociedade, são tentativas de estabelecer o tratamento errado, para tumores iniciais, ou com base em diagnósticos incertos ou tendenciosos.
Falo de diferentes medidas com o mesmo foco.
Uma delas, a insana Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que pretende isolar em ambientes, que hoje não oferece nenhuma possibilidade de cura, crianças e adolescentes, juntamente com adultos que já encontram em estágio de acometimento mais avançado, pelas doenças sociais. Medida essa, que a experiência médica nos mostra, apresenta enorme potencial de adiantar a morte do órgão, e colocar em risco a vida do organismo. E nenhuma mutilação é exatamente benéfica, esse o motivo dela ser recomendada apenas em casos extremos, nunca em casos com diagnóstico precoce.
Outra medida, que muito me constrange, e amedronta, trata-se da estapafúrdia proposta de um Deputado Estadual goiano, oficial da PM, que pretende armar cada cidadão de Goiás. E mais (por mais absurdo que possa parecer), ele deseja que o Estado seja o financiador dessa medida, disponibilizando recursos para que cada goiano compre sua arma. Entendo que, na visão desse deputado, a cura será encontrada não com a eliminação da doença, mas em sua disseminação. Pode ser que tenha razão, o “nobre deputado”, se toda célula do organismo estiver cancerosa, a doença deixará de ser excepcionalidade, e passará a ser o estado normal desse organismo.
Muitos hoje afirmam que nossa sociedade está doente. Alguns veículos de comunicação se especializaram no papel de reforçar essa ideia. Muitos governantes, parlamentares e juristas também se esforçam para deixar claro para nós, cidadãos e cidadãs comuns, essa triste realidade. Reforçando em cada um de nós o medo cada vez mais presente.
Tenho alguns medos, como todo mundo. Mas dos que carrego hoje, o que ocupa o topo é o medo do próprio medo.
Temo muito a utilização que se faz do medo em nossos dias.
Ele sempre foi ferramenta de controle social. Uma das mais eficazes. E seu uso nesse aspecto se reforça e se aperfeiçoa a cada dia. No entanto, as novas ferramentas de comunicação, que trouxe possibilidades inimagináveis no tempo que eu corria descalço pelas ruas da Baixadinha, fortaleceu muito outro aspecto para o qual o medo é empregado hoje. Além de servir para controle social, ele é, cada vez mais, ferramenta de manipulação coletiva. E eu morro de medo do que uma população pode fazer a si mesma, quando estimulada a ter medo, e provocada a agir no embalo de grande comoção momentânea, provocada por informações manipuladas e notícias criadas não por fatos, mas por interesses.
Sim, a violência está presente em nosso meio. Mas o quadro pintado por alguns jornais, revistas, pela “bancada da bala” e “da Bíblia”, e extremistas diversos, é muito pior que a realidade. E esse cenário não é criado apenas para haver o que falar. Existem interesses em seu fortalecimento, e obtenção de lucros e vantagens. O medo controla as pessoas.
E, a quem mais interessa a ampliação do mercado de armas em uma Unidade da Federação? Trata-se apenas de uma proposta idiota e descabida? Tenho cá minhas dúvidas.
Se insistirmos em seguir pelos caminhos apontados por algumas bancadas das Assembleias Estaduais e do Congresso Nacional, temo que em breve estejamos sim, doentes em estado terminal. E que nossos piores medos deixem de ser, e tornem-se a mais dura realidade.
E, voltando ao início dessa prosa, não devemos nos esquecer: O desejável é curar cada órgão doente, eliminando a doença, e não os próprios órgãos. Afinal, um corpo mutilado, nunca mais será inteiro novamente.
Que o bom senso nos alcance, e nossa opção seja pela cura, não pela ampliação da doença.

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Nazareno de Sousa Santos
Escritor
Colaborador do Instituto Brasil Central - Ibrace
Ainda acredita em certas utopias.
E, quanto ao “bolsa arma”, sua parte quer em livros.

22 de mai de 2015

Queda livre

E, quando a madrugada me flagrou
Me viu sentir falta de saudade.
Querendo sentir vontade.
Querendo ter pra onde voltar.
Mas estou aqui,
e isso não é bom nem ruim.
É apenas a realidade.
E eu me acostumei a ser sem...
A não ter você.
A não compartilhar.
A não ter do que reclamar.
A não dividir meu café, ou meu sonho de valsa.
E a falta de tudo me preenche.
E não existe saudade
não existe vontades
não existe sorrisos ou lágrimas.
E, em mim se instalou essa coisa que prende à nada.
Que quase satisfaz
mas a ausência de dor não é prazer.
Ausência de guerra, não é paz,
assim como a ausência de tristeza, tampouco é alegria.

De fato, sinto falta de quase nada.
E o vento que agita meus cabelos,
não é por estar voando.
É queda livre.
Caiu em um abismo infinito.
Não há chão.
Não tem fundo.
Nunca chega ao fim.
Afinal, pra se chegar à morte,
Precisa, antes, estar vivo...

11 de jan de 2015

Aos bons e velhos "butecos copo sujo"

Eu, tendo crescido na boa e velha Baixadinha, quase na barranca das nascentes do Rio Araguaia (sim, para nós, goianos, esse rio escreve-se assim mesmo, com "R" maiúsculo, dado sua importância social e antropológica), na periferia de Mineiros (periferia de Mineiros, no início dos anos oitenta, imagina...), não poderia ser diferente. Só poderia dar nesse cara que sou hoje. Um cara nada intelectual e,  sim, meio de esquerda.
Não por ser meio de esquerda, mas por ter crescido lá, em meio a aventuras nos campos cerrados, que ficavam a poucas quadras de casa, brincadeiras nas ruas, e, claro, frequentando uns butecos nada recomendados para menores. Por isso concordo plenamente com o Antônio Prata, "Bar ruim é lindo,bicho!".
Não sou o que se pode dizer de boêmio inveterado, nem de alcoólatra sem solução. Não é pra tanto mesmo. Mas gosto, sim, de uma mesa de bar.
E preciso esclarecer que esse texto se trata exatamente sobre isso: Bebidas. Confesso já que tive pretensões maiores de escrever sobre isso, de forma mais abrangente. Mas tanto já se falou sobre, que eu não me arrisco mais. No entanto me sinto obrigado a ressaltar que, além da água, líquido essencial à vida como nenhum outro, aqui nos limites da pátria tupiniquim (e das enormes limitações de minha humilde compreensão da vida), são duas as outras bebidas com uma importância social e antropológica (tal qual nosso Rio). E ambas são importantes pelo mesmo motivo, mas com razões bem distintas. Uma é o café, a outra, a cerveja. Tudo bem, sei que muita gente aprecia demais um bom vinho. Outros não abrem mão de um ótimo whisky. Tem os que não vivem sem refrigerante e aqueles que ingerem apenas suco natural, sem gelo e sem açúcar. Tem quem perde a linha com uma boa tequila, e aqueles que só funcionam com energético. Tudo bem. Eu sei disso. E, com exceção do refrigerante, eu também tomo, raramente quase todas as outras bebidas. Inclusive, entre os destilados, a preferência é pela boa cachaça brasileira (e nisso Mineiros sempre foi muito bom), e quem nunca brincou com os duendes coloridos que uma garrafa de absinto te apresenta, não se divertiu completamente, e ainda não pode morrer feliz.
Apesar de tudo isso, em minha opinião, as bebidas se dividem em alguns grupos. E, analisem comigo (e não se esqueça, estou falando dos hábitos de nós, brasileiros). Vinho é uma coisa de casal, de ambiente romântico. De conquista, ou reconquista. Muito intimista. O Whisky então, é solitário. O cara chega em casa, depois do trabalho, senta no sofá, tira os sapatos, afrouxa a gravata e relaxa com uma dose (e, por favor, que seja cowboy). Ou nem chega em casa, escritórios e gabinetes, não raro, tem whisky. É uma coisa quase protocolar. Tequila e vodka, cá pra nós, é coisa da azaração. É o que enlouquece a mulherada. Até se toma em grupo, mas não confraternizando. Quase sempre que se tem uma tequila na mesa, existe ali intenções pra depois, que normalmente envolvem lençóis amarrotados e roupas pelo chão. E, nossa cachaça vive uma séria crise de identidade. Ela continua sendo apreciada pelas classes menos endinheirada, como sempre foi, desde sua origem. Mas agora a coitada recebeu carimbo de cult, por parte de um seguimento da sociedade. E virou objeto de apreciação rebuscada. De degustação. Passando, com isso, a ter um comportamento muito semelhante ao do vinho e do whisky juntos.
Agora, a cerveja e o café não, meu amigo. Essas duas bebidas cumprem o importante papel social de agregar pessoas. Os colegas de trabalho querem se reunir pra conversar, o que eles fazem? Vão pra copa tomar um cafezinho, ou pra um bar, tomar uma cerveja (ou sua variação, o chope). Quer reunir a galera, mesa de bar com a boa loira gelada. No meio da tarde, pra uma pausa relaxante e agradável, senta-se com os amigos em uma cafeteria e relaxa-se com aquele aroma maravilhoso. Chega visita, o que todos querem servir, um bom cafezinho. O churrasco dos amigos, o que tem? E para criar um ambiente aconchegante com a família, mesmo que seja para discutir algum  sério problema?
Cada uma dessas duas bebidas tem sua própria vocação. Mas as duas cumprem essa tarefa que nenhuma outra cumpre. Que é de reunir as pessoas. De agregar. De aproximar.
Feito esse longo desvio, podemos voltar ao verdadeiro objetivo desse texto.
Gosto de ter pessoas por perto. Apreciou a companhia dos amigos, e sou grande apreciador de café e de cerveja. Sim, eu tomo essas duas bebidas de forma solitária e/ou apenas com minha própria companhia (agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, estou saboreando uma delas). Mas com as cervejas, o ambientes propício para o consumo, são os bares.
E eu, tendo frequentado os muquifos da Baixadinha de minha adolescência, é normal que não tenha, digamos, enorme predileção pelos caros bares da moda.
Isso não significa, também, que eu me contente com porcaria. Realmente não é isso. E até me considero uma pessoa com relativo bom gosto.
Mas, tem coisa que não se encontra nos ambientes chiques de nenhuma cidade.
Ainda nos tempos de Mineiros, quando reuníamos os amigos, por vezes queríamos algo mais refinado. Nesses casos nos esforçávamos pra nos contentar com os ditos "melhores ambientes" que a cidade oferecia.
Parêntese para dizer que, como toda cidade do interior de Goiás (e não sei se em outros estados isso é diferente), em Mineiros bares são as únicas opções de lazer para a grande maioria dos jovens, mesmo assim, e apesar disso, nunca teve grande diversidade, fecha parênteses.
Mas quando queríamos curtir de verdade, sem frescuras e completamente livres, buscávamos os ambientes que minha queridíssima Lílian chamava de "xexela". Ora, meus amigos, a cerveja mais gelada da cidade era servida em um bar ao lado da casa da minha mãe, que atendia pela alcunha de "Daynner Bar", uma dessas maravilhosas xexelas, que cresceu muito rapidamente graças às qualidades que quero acentuar aqui. Calma, já estou chegando lá.
Goiânia, onde moro desde alguns poucos anos, se orgulha de dizer que é uma das capitais brasileira com o maior número, proporcional, de bares. Ficando atrás apenas da irmã mineira, Belo Horizonte.
E aqui realmente a vida noturna consegue agradar, com relativa qualidade, todos os gostos, de todas as tribos. Há sim, algumas segmentos mais bem representados. Mas, da galera roquenrou aos apreciadores do melhor samba, passando por todos os estilos, encontra-se ambientes que agradam. É mais fácil encontrar ambientes sertanejos, é verdade. Mas velho, estamos em Goiânia. Se nasceu, ou escolheu viver aqui, aceita esse fato e seja feliz.
No entanto não é desses botecos todos que estou falando. Eles são bons. Vou em um ou outro de vez em quando. Mas, se esqueça, estou falando das xexelas. Dos chamados bares "copo sujo". É desses que estou falando.
E estou falando não pra ressaltar a falta de qualidade e a bagunça. Pelo contrário. É exatamente para ressaltar qualidades que não se encontram nos bares e restaurantes chiques e caros que a cidade oferece.
Claro, alguns butecos não são recomendáveis nem aos inimigos. Mas existe uma categoria de bares copo sujo em Goiânia que merece, e precisa ser ressaltada. São bares que estão abertos há muitos anos. Butecos que servem ótimas cervejas geladas e deliciosos petiscos. Mas que servem, principalmente, a cordialidade e a amizade dos proprietários, a todos que atendem.
Butecos onde os "fregueses" são amigos e, até viram gerentes. Onde o Deputado e o Juiz sentam junto ao pedreiro e ao mecânico, e comem linguiça enquanto discutem amenidades como a rodada de futebol, o sexo dos anjos ou os destinos do país. Butecos onde você vai sem medo, pois tem certeza que a cerveja está sempre gelada, o atendimento e a cordialidade, sempre quentes. Lugares onde se pode ir com a nova namorada, ou com a família toda, que não terá problema nenhum. Onde se come torresmo com as mãos, e a pimenta está sempre à mesa.
Lugares abertos há mais de três ou quatro décadas (muito antes da maioria dos atuais lugares da moda pensarem em existir, e antes também da proliferação das bancas de espetinho com jantinha, que hoje estão em todas as esquinas), e continuam atendem da mesma forma, e com clientes fieis desde a abertura.
Temos alguns desses no centro, e vários nos bairros mais antigos da capital. Mas também existem nos bairros mais distantes, e bem menos tradicionais.
Se você vive em Goiânia, ou está passando por aqui, é muito fácil encontrar guia de bares, boates e restaurantes bacanas (que são bons de verdade). Mas você pode passar a vida sem saber onde comer o melhor peixe frito ou a melhor costela com mandioca. Ou ainda nunca conhecer preciosidades como o famoso "Pica-paú".
É para ocupar essa lacuna, e prestar esse verdadeiro serviço de utilidade pública que um grupo de amigos, todos lá do interior, e todos apreciadores do ambiente dos bares copo sujo, resolveu se reunir e criar um guia. Poderiam chamar de "Guia o melhor do pior de Goiânia" mas isso não seria justo com os bares, nem honestos conosco, os fiéis frequentadores. Poderia ser "Guia Lada B de Goiânia", mas lembraria muito mais movimento musical, e suas lembranças. E em alguns ótimos butecos nem tem música.
Então será chamado mesmo de "Guia dos butecos copo sujo de Goiânia". Sem ofensas nem discriminação. Apenas sendo, assim como esses adoráveis ambientes, tradicionais.
Então esse grupo de amigos, no qual, por sorte, me incluo, se dará ao trabalho de visitar esses estabelecimentos. Experimentaremos suas bebidas e suas comidas. Provaremos o que cada um tem de melhor. E contaremos tudo em um blog que em breve será lançado.
Aguardem.


6 de jan de 2015

Em mim um paradoxo.
Leão e cordeiro em batalha.
E ao te dominar, me protejo!


Não sei o que mais me fascina.
Se teus lindos lábios silenciosos,
Ou tuas mãos, sussurrando LIBRAS.


Hoje, edifícios gigantes.
Páreo duro para mim,
sem Rocinante, nem Sancho Pança.


Madrugada torturante.
Duas causas pra insônia:
Grilo no quarto, e na cuca.


Insistente e florido,
o velho se disfarçou de jardim
Pra enganar a morte


Preenchendo o ambiente,
Quente como deve ser.
Em perfeita harmonia:
Meu café e seu carinho.

Raio de Sol pela fresta,
ilumina a escuridão.
Sorrio, você voltou.


Depois de longa seca,
O arco-íris não traz tesouro.
Só alegria.

5 de jan de 2015

Sobre pequenos descuidos

E lá estava eu, em pesado silêncio, como haveria mesmo de ser.
Me olhando em seus olhos, quase te vi.
Aquele silêncio era recíproco.
O nó em minha garganta possivelmente quase te sufocava também.
O peso de algumas horas, e poucas palavras indevidamente repetidas, têm mesmo força para minar antigas relações, e encurtar caminhos a serem percorridos juntos.
O descuido.
Chateações bobas e algum descontrole etílico.
E o descuido.
Sempre houve. Sempre deve haver cuidado.
Afinal eu me importo.
Afinal você se importa, eu sei.
Um pequeno descuido, e o caldo entorna.
Alguns segundos de distração e acidentes graves acontecem.
Vidas se perdem por descuido.
Grandes tesouros passam despercebidos, por descuido.
...
E agora aquele estridente silêncio.
Ensurdecedor e pesado, como deveria mesmo ser.
Me trazendo de volta à realidade.
Prendendo-nos à Terra.
Nos fazendo pensar.
Nos trazendo à tona pra respirar.
E ao te olhar nos olhos, me vi.
E ao me ver em você, me acalmei.
E, aos poucos, o peso se desfez.
E o silêncio voltou a ser leve, como deve sempre ser.