21 de fev de 2012

Um pouco mais sobre análises parciais e medidas ineficazes...

Mais um carnaval chegando ao fim. Hora de voltar nossas atenções, novamente, para coisas mais sérias e preocupantes.
Daqui a pouco todos os jornais vão parar de falar das escolas de sambas e trios elétricos, e voltaram a noticiar as grave crise que assusta o mundo, sobretudo os “ricos” países da Europa e os EUA. Não que tenha deixado de falar sobre essa crise durante o reinado de Momo. Mas sobe como é, né? Brasil é o país do carnaval. Então a folia tem prioridade zero, ao menos durante os dias atualmente dedicados a Baco.
Mas, como disse, a coroa já está sendo removida da cabeça do distinto glutão afro descendente (e eu acho realmente um saco essa opressão do “politicamente correto”), então já podemos voltar a falar sobre todas as coisas. Eu, como sempre, vou me meter a falar de coisas sobre as quais nada entendo. Não que seja um fetiche. Apenas gosto expressar minha visão simples e simplista sobre tudo, ou quase tudo.
Chega de divagações infrutíferas, e vamos ao tema central. A crise.
As manchetes dos jornais, os artigos dos especialistas e as mesas redondas conseguem adjetivar a crise como “econômica” ou “financeira”. Eu tento, mas definitivamente não consigo. E, foi minha total incapacidade que me fez querer tratar do tema. Então, por hora chamarei apenas de “a crise”. Quem sabe até o final eu enxergue com amais clareza o que os cientistas políticos e economistas vêem tão bem.
Nessas minhas divagações, por vezes me repito, em coisas postas em outros textos. Aqui novamente serei forçado a isso. É que, assim como não consigo enxergar essa face tão bem delimitada da crise, também não entendo a dificuldade das pessoas em analisarem as coisas conjuntamente, como pessoalmente acho que deve ser. Sei que a maioria age assim por dificuldade em fazer uma boa leitura (nós, da minha geração, algumas anteriores e todas as gerações posteriores, fomos moldados reforçando essa incapacidade). Alguns no entanto, que acredito saber exatamente o que acontece, se esforçam para compartimentalizar o todo. E o foco da análise é na economia. E o esforço do mundo é para salvar o sistema econômico sob o qual o mundo tenta sobreviver.
Felizmente uns poucos iluminados tem procurado jogar um pouco de luz em nossas obscuridades. Se prestarem atenção ao que estão dizendo mentes como Leonardo Boff, Annie Leonard, Ricardo Abramovay, os membros da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais, os signatários da Carta de Brasília, e mais uma meia dúzia de corajosos, poderão entender melhor a dimensão, e a complexidade dessa coisa toda. E assim, quem sabe começar a aceitar a necessidade de pensarmos em outras, e totalmente inéditas, alternativas.
Que fique bem claro, é apenas meu ponto de vista, definido pelas enormes limitações que possuo, e pelo fato de não ser economista, nem cientista social, nem âncora de telejornal, nem especulador financeiro, ex-ministro, dono de jornal tendencioso (desculpem a redundância), nem professor universitário, ou patrono de coisa alguma. Mas de onde vejo, meus caros, me parece claro o fato de não se tratar de salvar ou não o capitalismo. Não vou aqui entrar na celeuma existente entre os defensores de cada um dos lados da guerra fria. Até por que seus defensores continuam com os mesmos velhos “ideais” que defendiam nos tempos do Plano Marshall. Tanto os defensores do capitalismo, como os socialistas modernos, todos defendo o mesmo modelo de produção. O que muda, entre os pontos de vista é a proposta teórica de quem deve controlar os meios de produção, e de como deve ser dividido o sobrevalor. Esses dois lados ainda protagonizam calorosos debates. Mas o fato é que nenhum apresenta propostas que sejam realmente novas, e que possam representar um caminho possível para a saída da crise. Não essa econômica, que a visão reducionista tanto propaga. Mas a mais ampla, que passa pela crise de valores, pela sustentabilidade ambiental e pela necessidade de reorganizarmos as nações e os governos.
Mesmo sendo o grande leigo que sou, não vejo com bons olhos as medidas que se têm apresentado. Sobretudo a preferida pela maioria dos governos, de incentivar o aumento do consumo, para manter o crescimento da economia. Medida, inclusive adotada pelo governo Lula (teoricamente de esquerda), com sucesso conforme opinião de todos os analistas.
Enfim, tanto os que querem manter o status quo, quanto os seguidores de Lênin e Guevara, que dizem discordar completamente do outro lado, mas todos concordam em continuar promovendo o “crescimento da economia”, nesse modelo de produção estrangulador, que trata tudo que existe como mero “recurso”. A rica biodiversidade é “recurso natural”, e as pessoas “recursos humanos”. E a despeito de terem visão diferente sobre quem deve “ter poder”, controlar os meios de produção e gozar dos lucros obtidos, capitalistas e comunistas defendem a necessidade do crescimento da economia.
Mas, apesar de Nietzsche e dos materialistas fundamentalistas, por Deus. Eu me recuso a acreditar que nós humanos, essa raça que gosta de se propalar como a única racional que se conhece, portadores de tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor (não resisti ao ímpeto de citar “Ilhas das Flores”), sejamos incapazes de perceber que tudo mudou muito no último século. Que o mundo já não é mais o mesmo no qual viveram Adam Smith, Marx e todos os ilustres pensadores que ergueram os pilares que sustentam o atual modelo de produção, quer sejam capitalistas ou comunistas. Hoje somos mais de sete bilhões de pessoas nos acotovelando na superfície desse errante planeta azul. Somos capazes de ir do Chuí ao extremo norte da Groelândia em tempo muito menor do que Stalin levava para ir de Moscou para São Petersburgo, e Goiânia tem cerca de um carro por habitante queimando combustível fóssil ou de biomassa (mesmo com tanta gente sem carro).
Me recuso a acreditar, ainda mais, que não sejamos capazes de elaborar uma nova, verdadeiramente nova, eu estou dizendo, forma de organização social. Não é possível que nossa limitação seja tão fortemente sólida, que nos impossibilita de enxergar qualquer coisa que seja diferente dos velhos modelos com os quais convivemos desde o século 19, e que está exaurindo a capacidade da Terra, não pela necessidade real de sobrevivência, mas pelo desejo idiota de promover o crescimento da economia, o que significa ampliar a produção e consumo de itens que atenda as necessidades que o próprio sistema se encarrega de criar em nós.
Como não sou especialista, e não tenho compromisso com os rigores da ciência, nesse texto, não me sinto na obrigação de apresentar uma solução. Até gostaria, mas não a tenho. No entanto acredito que deve haver mais de uma alternativa. E acredito também que esse é o momento para pensarmos nelas.
O capitalismo não vai fugir do cerne de sua natureza, que é de promover a exploração da maioria em favor da acumulação das riquezas produzidas nas mãos de uns poucos. Por isso ele não vai evoluir para um sistema melhor e mais humanizado. Tampouco a revolução comunista que os partidários ainda propagam, se propõe a mudar os rumos das coisas, de forma substancial. E, a continuar assim, o planeta entrará em colapso mais rápido do que podemos imaginar. Levando ao fim dos sistemas, das riquezas, das possibilidades e da vida humana.
Sei que alguns dirão que a minha análise sim, é simplista, irreal, sem bases históricas, e tudo mais. Mas isso eu mesmo já disse aqui. Mesmo assim acho que tenho um pouco de razão.
Esse é o momento de mudar o curso da história, e demonstrarmos um pouco de respeito e darmos algum orgulho à Terra, que tão bem nos acolheu.

Coisa antiga

Já nem te quero mais.
Culpa dessa tradição
de não ter você, que já vem não desse,
mas de outros carnavais

Da série "meio plágio", "De aluguel"

Quase tragicamente,
como na canção do Ramalho,
nossa história termina agora.
Se não foi tão linda,
Ao menos ninguém chora.
E, não faça cerimônia,
apenas vista sua roupa,
deixe aí o meu dinheiro e, tchau,
pode ir embora.

19 de fev de 2012

"O Círculo de Loki" - em uma tarde de terça-feira...

(...)
Os agentes da PF que chegaram a pouco foram se encontrar com alguém. Eu quis saber quem era e fui ver de perto. É um cara normal, boa aparência e nenhum senso de educação.
- Isso é muito genérico, detetive.
- Eu sei, mas esse tem um detalhe marcante. Quando ele sorri suas gengivas saltam para fora dos lábios, e uma grande cova se forma na face esquerda. Conhece alguém assim?
- Por acaso ele tem uma pequena cicatriz no nariz, um pouco abaixo da linha dos olhos?
- Sim, exatamente. Sabe quem é ele?
- Não!
- Que droga, Santiele, não tem graça nenhuma fazer piadinha agora?
- Me desculpa ‘meu caro Cássio’. - brincou ele.
- Então você não sabe de quem estou falando, é isso?
- Eu sei sim, de quem você está falando. Não foi isso que eu disse. O que disse foi, “Não sei quem ele é”. Na verdade ninguém sabe. Desconfio que nem mesmo ele se lembre mais quem seja.
- Como assim? - perguntou confusa e assustada.
- Ele é um fantasma. Um tipo de curinga. Oficialmente ele não existe. Não vai encontrar nada sobre ele em nenhum registro. Não tem RG verdadeiro, não mora em nenhum lugar. Não tem família. Nada.
- E, o que ele faz?
- Todo trabalho sujo, que os poderosos de Brasília precisam que seja feito, e que ninguém “real” teria coragem. Está me entendendo, detetive?
Karine estava atônita.
- E, ele está em Goiânia, com os federais que assumiram o caso do Nandinho? É isso que você está me dizendo? - perguntou Santiele, torcendo para ter entendido errado.
- Sim.

Santiele sentou-se novamente, seu rosto assumiu feição de total preocupação. Ele sabia que para aquele homem estar ali, alguma coisa realmente grande estava acontecendo. (...)

Explicando...

Dois amigos reclamaram do “tamanho” do conto Adão. Um deles chegou a dizer que se eu preciso de um texto desse tamanho para transmitir uma idéia, então “ta danado”.
Bem, opiniões são bem-vindas, sempre. Mas me sinto na necessidade de esclarecer, à quem ainda não tenha percebido, que tenho essa enorme dificuldade em sintetizar. Sou prolixo. Me esforço, luto contra, tento encurtar as coisas. Mas vejam só o que acontece. Tenho certeza que outras pessoas diriam isso em uma linha, e aqui estou, sofrendo pra finalizar essa explicação antes de completar três páginas.  Admiro quem é conciso (o Carlos Heitor Cony não, é claro. Ele chega a ser irritante por conseguir exprimir tanto conteúdo em tão poucas linhas, é humilhante. Mas tudo bem, sou capaz de conviver com isso). No entanto, é necessário que fique claro que “Adão” não é um texto de opinião. Trata-se de uma obra de ficção. É um conto, é como tal é até bem curto. Não ultrapassa seis páginas A4. Bem menor que “As Crônicas de Nárnia”, que as estórias vampirescas, tão em moda nesse tempo de gosto duvidoso. Menor que alguns artigos publicados nos jornais de Goiânia. Menor até que Dois Segundos, que já é bem curto.
Sendo assim peço aos amigos/leitores que, ao começarem a ler o conto Adão, comece sabendo disso. E eu digo que vale a pena. Vale a pena ler, também, no blog da amiga Valdira, o conto Eva (que é um pouco “mais curto” e é ótimo)

15 de fev de 2012

Para Ju

Finjo ser fingida, a dor que meu peito agora sente.
Como Pessoa disse,
finjo fingir a dor,
disfarçando o enorme amor,
pela filha já ausente.
Mas que estranhos são meus caprichos,
sentir dor tão doida,
fingido sê-la fingida, não para negá-la.
Para suportá-la, somente.
E, mais caprichoso ainda, saber que os caminhos que te trouxeram aqui,
tornaram-se descaminhos, e agora te levam de mim.
O encontro, que se esperava eterno,
não resistiu, foi fugaz.
Mas fez germinar em mim, esse amor inesperado,
e fez de mim jardineiro.
Meio sem jeito, inexperiente. Mas, posso dizer, dedicado.
E que diferença faz, se não foi minha a semente,
se nem a vi germinar
pois tudo que sinto, e sei, é que te amo,
e amor assim, é perene.
Esteja aqui, ou em qualquer lugar, passe o tempo que passar,
não se esqueça minha querida,
Meu mundo também é seu.
Meu abraço e meu carinho, até minhas chatices tolas,
estarão sempre aqui, esperando por você,
prontos para te acolher.
Pois vou te amar pra sempre.