30 de abr de 2018

Da série "Naza erótico e explícito" - Motivos


Como resposta a uma prece,
Um insight
         Uma epifania
Entendi.
E tudo agora faz sentido.
E reforça,
Abençoa
Ilumina
Diviniza
         Deifica
Sobre nossos encontros
E minhas vontades constantes
E frequentes.
E os motivos de eu sempre querer te devorar
De me dar
De transar
         De entrar em você.
Tem esse lance de carne, sim
Ideia de sacanagens também, claro.
Mas não é só isso.
         Nem é essa a real causa.
É o aconchego
A segurança
O conforto
De poder me aninhar
Me sentir seguro
Recompor as forças
Recobrar o equilíbrio...
Enfim, é por saber de um lugar onde posso entrar
E ficar
E não precisar explicar
Justificar
Insistir
Nem brigar.
É apenas paz
E por isso sempre quero voltar
Por isso quero sempre entrar
Motivo dessa minha vontade
         Não de viver ao seu lado,
Mas de morar em você...

28 de abr de 2018

Da série "delírios no Varanda" - Solidão ruidosa


Livre,
A garota ri
Gesticula,
Fala alto
Toma um gole
Chama a atenção
         É o centro
Novamente ri
Outro gole
Mexe no cabelo
Pede música,
Olha pro vazio
Disfarça e
Vai ao banheiro
         Sozinha
(pausa pra amenizar a solidão)
Seca o suor,
Lava o rosto,
Se olha e chora
Lembra
Pensa
Sente saudades
         e vontades
chora
lava o rosto
retoca o batom
e, bonita, volta,
sorrindo,
bebendo,
falando alto...

Da série "delírios no Varanda" - Desafinado

Tento cantar,
Não consigo.
Me calo.
Penso versos
Crio rimas, mas
sem ritmo,
me calo.
Tanto faz se pagode,
Sertanejo
Ou samba canção.
Rap, nem imagino ousar.
Se tenor
Ou em dó menor,
Não importa,
                Desafino.
Triste ironia, ser assim.
Logo eu,
que encaro a vida com ritmo
letra
e harmonia...


Da série "delírios no Varanda" - Gritos

Uma cerveja
Música no ar
                (Boa ou ruim, não importa)
Com a vista embaçada,
                - pelo álcool e pela idade
Olho ao redor
Vejo longe,
No tempo e no espaço
Hoje no Varanda
Como no Senzala,
No Bar Rio
ou no Cerrado.
Mesas vazias
Ou multidão.
Não ouço nada mais,
Quando grita meu coração
(...)

26 de abr de 2018


E, depois desse tempo todo
hoje olhei pra mim.
Ainda enxerguei cicatrizes,
mas as feridas se fecharam.
As marcas na pele nunca sumirão,
E nelas você sempre estará.
Mas as dores não me perturbam mais.
Já respiro sem auxílio
e, se ainda choro, é por sempre tê-lo feito.
Hoje olhei pra mim.
Vi mudanças,
mas ainda me reconheço
As marcas,
         Todas elas,
estão em aqui.
Segue a vida
Segue o tempo
sigo eu
e você.
Não seguimos nós,
         (como um dia acreditamos que faríamos).
Mas seguimos sendo,
         (de alguma forma...).
Olho pra mim e,
         ao não enxergar só você,
me sinto meio cego.
Mas vejo outra realidade.
A que me alcançou aqui
a que, agora, me empresta caminhos,
que me aponta horizontes,
que me cobra velhos erros
e ensina outros acertos.
Hoje olho pra mim novamente,
não no espelho,
mas na alma
com olhos de dentro
E, com essa tranquilidade quase sociopata
vejo que o amor não passa,
         não precisa passar.
E se soma à tantos outros.
E me fortalece não esquecer de nada
         de ninguém.
Amei
Te amei
E continuarei amando,
mas me amo mais.
e, se o que sou hoje, só sou por ter cruzado seu caminho,
vou te amar pra sempre
sem me permitir sofrer,
e sem impedir que meu amor alcance outras flores.
Com novos espinhos a ferir minha pele,
abrindo novas feridas,
criando outras cicatrizes.
E, quando chegar ao final da jornada,
vou olhar meu corpo todo marcado
e sorrirei feliz,
com a certeza de carregar toda leveza de quem amou pela vida.

31 de mar de 2018


Vai longe o lugar
E o tempo ido.
O sentimento
a meninice.
Inocência?
(nem tanto)
                mas se foi também.
O riso fácil, ainda aqui
                Ilusão
a lágrima fácil,
se escondeu
disfarçou
Mas não secou,
inunda a alma,
                afoga o coração.
Casca de forte
fragilidade maculada
máscara trincada
rabiscos quase ilegíveis
sonata desafinada.
Como dançarino bêbado
Faço da avenida, corda bamba
da calçada, palco aberto
dos sentimentos, fria coxia.
Fora de cena, canto silente.
Grito em cores escuras e cintilantes
danço invisível.
Rio por nada,
choro por tudo.
Olho pra luz
                eu, sombra
Fito a amplidão
                aqui, esse aperto imenso.
O ocaso ri de mim
O relógio, ri
a rua segue
a poeira, suspensa, fica.
Olho e vejo,
Vai longe o lugar
E meu tempo,
perdido, não sei bem onde...

25 de fev de 2018

Não quero parecer forte,
            nem consigo.
Quero ser verdadeiro,
            eu preciso.
Irei me irritar às vezes.
Me zangarei,
posso ser silêncio ou gritaria
riso discreto, ou gargalhada
Terei certezas e muitas dúvidas
sentirei medo
tesão, por corpos e por ideias,
            muito mais por ideias, é verdade
Em meus olhos, brilho e lágrimas se alternam
Mas vou seguir
Posso me perder no caminho
mas nunca de mim mesmo
A cada dia/passo um novo eu
Sem perder de vista cada um que já fui
E sem me esquecer de onde venho

E, se nem tudo são flores,
espinhos são professores
em cada dor, nova lição.
e na alternância entre alegrias e tristezas,
            e essas são fugazes
Quero mesmo é ser feliz
por escolha e vocação...