25 de set de 2010

Sobre falsas defesas e verdadeiras causas

Novamente sou forçado a sair em defesa de coisas com as quais não concordo muito.
Já tratei do tema quando abordei o caso do curso de direito do senador Marconi Perillo e quando discuti a proposta de criação de uma lista de mau pagador, para inadimplentes em escolas particulares. Não pretendia fazê-lo novamente. Não queria mesmo, afinal não concordo com o sistema em que vivemos. Mas não consigo me conter, vendo tantas manifestações que, do meu ponto de vista, são incompletas e muito parciais, outras são emotivas e passionais demais e tem ainda as pessoas que aproveitam a circunstancia para aparecer, ainda mais em momento tão conveniente como esse, de campanha eleitoral.
Estou falando da crise entre os cirurgiões cardíacos, e os médicos em geral, com o SUS e o sistema público de saúde de Goiás. Que teve como principal foco a recente morte, na segunda-feira (dia 20-09), de um bebê de apenas 20 dias, a quem a realização de uma cirurgia poderia ter salvado a vida.
Não concordo com o descuido com a vida dos semelhantes, e acho que se podemos fazer alguma coisa para salvar a todos que sofrem próximos a nós, devemos fazê-lo. Por isso me solidarizo com a família dessa criança. No entanto a que está em discussão aqui não é a responsabilidade ou não dos médicos, como alguns tentam nos fazer acreditar.
É muito fácil nesses casos nos posicionarmos de um lado, e acusar os médicos de negligência ou de descumprirem o juramento de Hipócrates. Ou, de forma mais amena, acusar as autoridades de não cuidarem da saúde do povo.
Bem, a segunda acusação faz muito sentido. No entanto a discussão não pode ser simplificada em acusações de negligência e responsabilidades. Seria reduzir muito as causas da maioria das mazelas humanas.
Ora, o que temos visto ao longo de anos? A defesa, por parte da grande maioria das pessoas, da livre iniciativa, autoregulação do mercado, liberalismo e neoliberalismo. O mundo vive exigindo que os governos saiam das áreas econômicas. Que se afastem da produção de bens e da oferta de serviços, para que o mercado possa se desenvolver livremente, e com o dinamismo que, dizem alguns, somente sem a presença atravancadora do governo é que pode acontecer.
Vivemos em um mundo capitalista. E toda idéia contraria é rechaçada com veemência, como se expulsa o demônio nos rituais de exorcismo. Os donos do capital pensam assim, os trabalhadores, de todas as classes sociais e os governantes pensam assim. Até o governo Lula fundamenta seu trabalho no fortalecimento do capitalismo e na livre iniciativa. Mas sempre que algum problema decorrente da própria natureza do capitalismo assombra a sociedade ou o planeta, estranhamente todos, principalmente os donos do capital, reivindicam a intervenção dos governos, como na última grande crise mundial do sistema, que teve seu ápice entre 2008 e 2009.
Meus amigos, precisamos definir, ou somos liberais ou não somos. Pois não é honesto agir sempre dessa forma: Quando tudo está indo bem, o governo fica fora, mas quando acontecem problemas, o governo paga pelo prejuízo. E quando, aqui, digo governo, estou me referendo à toda sociedade, sobretudo a grande maioria que nunca é convidada a desfrutar das benesses. E por “estar indo tudo bem” me refiro ao acúmulo continuo de lucros pelos detentores dos meios de produção.
E esse meus amigos, o lucro, é a locomotiva do sistema capitalista. Ele, o capitalismo só funciona tendo como objetivo único, o lucro. O que define o sucesso dos processos é medido pelo tamanho do lucro que se obtém. E a noção de lucro que se desenvolveu é aquela obtida pela exploração da criatividade e pelo esforço físico de quem realmente trabalha e produz, por aqueles que apenas possui o capital. É assim que é. O capitalismo e, por natureza, desumano e não permite solidariedade. Então se defendemos o capitalismo é incoerente esperar encontrar essas qualidades em quem controla, ou tenta controlar, o sistema. E, se dentro desse sistema ainda somos defensores, e todos os governantes e detentores do capital assim como a grande maioria da população, temos sido, do liberalismo ou ainda do chamado neoliberalismo, aí temos que defender o direito de negociar o valor do seu trabalho, ou do bem que produz, seja por um indivíduo ou por um segmento. É assim que é.
Eu preciso morar, mas duvido que alguém queira me vender um apartamento próximo ao novo parque da cidade, pelo valor que eu estou disposto, ou tenho condições de pagar. Assim também nenhum grande supermercado vai permitir que eu leve os itens da cesta básica (eu disse cesta básica, que é o mínimo que se precisa para alimentar minimamente uma pessoa) pagando, sei lá, R$ 4,73. Não sou eu quem define o valor que vou pagar por qualquer serviço ou bem, mas o próprio mercado. Isso vale para educação, lazer, moradia, cultura, alimentação e, no caso, saúde. Os médicos não acham justo o valor que o sistema público se propõe a pagar por uma cirurgia, e eles estão cobertos de razão em valorizar seu trabalho, e é direito deles, em um sistema capitalista liberal, aceitar ou não aceitar vender esse trabalho por um determinado valor. E não me parece legal, ou mesmo ético, tentar impor que esses médicos atendam forçadamente quem quer que seja. Isso, olhando de forma fria, como frio é o capitalismo, é no mínimo, incoerente.
Claro que não concordo, e fico indignado, ao ver pessoas morrendo em filas de hospitais. Da mesma forma que me causam indignação ver crianças morando na rua, milhares de pessoas morrendo de fome e (que é pior) de sede, ou o grande número de pessoas sem acesso a educação de qualidade ou a manifestações culturais (que no Brasil, e em boa parte do mundo, é relegado à um grupo muito pequeno de pessoas que podem pagar). E não venha tentar mascarar os fatos. A criança morreu por falta de atendimento, e não teve atendimento devido ao desentendimento entre médicos e o sistema público de saúde. Mas o culpado por essa morte e o mesmo culpado por tantas pessoas em todo mundo, de fome, infecções por falta de saneamento básico, falta de educação, atropeladas no transito cada vez mais caótico e pelas guerras, que é a manifestação maior da busca por lucro. Tudo isso é consequência do capitalismo e sua natureza exploradora e desumana, que todos temos defendido.
Não concordo com nenhum tipo de ditadura, por isso e por simples questões conceituais, não posso concordar que a experiência do Leste Europeu, Cuba e China tenham sido tentativas de implantar o comunismo. Da mesma forma não considero que vivemos em uma democracia, da forma como pensou um dia Platão. Por isso tenho tranquilidade em me declarar comunista por princípio. Mantenho em mim a utopia de um mundo mais igualitário e justo. Assumir isso hoje é, para maioria das pessoas, se declarar ultrapassado. Não me importo, podem pensar. Sei que é exatamente isso que esperam a pequena parcela das pessoas que controlam quase cem por cento de toda riqueza que existe. E sei que as experiências infelizes chamadas de comunismo, ou socialismo, colaboram para que tenhamos perdido a esperança. Sendo assim vou usar um outro termo que calha melhor. Sou partidário de um Sistema Solidário. Não me refiro apenas ao que se chama hoje de “Economia Solidária”, isso já seria um grande avanço. Mas me refiro a solidariedade plena como forma de governar. Onde cada um desempenha seu trabalho, baseado em seus talentos, e todos recebem o justo e necessário para viver bem, com plena igualdade de condições e, principalmente, onde ninguém morra de fome ou por falta de uma simples cirurgia.

23 de set de 2010

Motivo

Sempre é festa em meu olhar

Ao ver você chegar

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Mistério

Ah! O que desenha esse azul?

É esse meu desejo:

Descobrir sua tatoo.
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Eleito

É campanha eleitoral. Todos querem que eu vote.

Onde está minha atenção?

Bem aí, no seu decote!

O Serial

O telefone toca, insistente, no meio da madrugada. O detetive Ribeiro atende sonolento e ouve do outro lado a afirmação “temos mais uma vítima aqui, detetive”.
Ribeiro abre os olhos e pula da cama. A informação o faz despertar completamente, mesmo sendo 4:47 da manhã, ele tendo ido dormir quase duas. Ele se veste rápido e segue para o local informado pela voz do outro lado da linha.
Era do outro lado da cidade. Ele chegou rápido, nessa hora o transito é relativamente tranqüilo. Alguns policiais militares isolavam o local. Quase não havia curiosos. Apenas uma meia dúzia de pessoas assustadas, entre eles a moça loira que ligara para a polícia, aos gritos, dizendo que sua colega de apartamento estava morta. Bethânia ainda estava em choque, e era auxiliada por atendentes do SAMU que também estavam no local.
Ao chegar Ribeiro é recebido pelo cabo Oliveira, que o havia acordado com o telefonema.
“O que temos aqui?”
“Mulher, 26 anos, morena, solteira. Foi encontrada pela colega com quem dividia o apartamento”.
“Mesmas características?”
“Sim! Pulsos e garganta cortados e vagina costurada”.
“Meu Deus, quando isso vai parar?”
“Quando você pegar esse doente, detetive”.
Chegaram ao quarto da vítima, a cena do crime. O cheiro de sangue fresco preenchia o ar. O corpo de Letícia sobre a cama. Totalmente nu, como se estivesse sentada com as costas apoiada no travesseiro, e este na cabeceira da cama, pernas cruzadas, e braços cuidadosamente ajeitados, com as mãos se encontrando logo abaixo do umbigo.
“Nossa, ela era linda”, Ribeiro não se conteve ao ver o rosto bem cuidado emoldurado por longa cabeleira negra que se estendia até quase tocar o colchão.
“Um tremendo desperdício, não acha?” Concordou Oliveira, tentando ser engraçado.
“Que hora ela foi morta?”
“O legista ainda não disse nada, mas pelas características foi por volta de meia noite. A colega chegou por volta das duas da manhã e estranhou quando viu a porta do quarto aberta, luzes acessa e o som ligado, quando entrou no quarto encontrou isso”.
“Deve ter sido um susto e tanto. Coitada”.
Ribeiro, detetive experiente em colher evidências em cenas de crimes, ficou ali por quase duas horas observando, fotografando, coletando tudo que pudesse dar informações sobre o que aconteceu naquele quarto. Muito esforço e pouco resultado. Quase nada lhe pareceu fora do lugar. Quase nada que dissesse alguma coisa sobre o assassino. Outra vez ele havia sido cuidadoso, “limpo”, sem deixar rastros.
As 7:23 ele liberou a cena do crime para que os legista levassem o corpo da vítima para o IML, para depois. Ribeiro pediu para ser informado o mais rápido possível de tudo que descobrissem naquele corpo.
“Betão, estou indo. Bom dia”, se despediu do amigo Roberto de Oliveira, o cabo PM responsável pela segurança do local, e saiu passando pela pequena multidão que já se aglomerava no corredor do 6º andar daquele prédio situado no Setor Balneário Meia Ponte, e seguiu direto para o Cidade jardim, para a Delegacia de Investigações de Homicídio.
Pegou uma caneca grande de café, sentou em sua mesa e pegou todas as informações sobre a sequência de crimes que vem investigando há oito meses, e no qual a morte da jovem Letícia.
Doze vitimas nesse período. Todas jovens mulheres, bonitas, solteiras, estudantes ou recém-formadas. Quatro moravam com os pais, e foram mortas em quarto de motel, com registro feito no nome delas. As demais moravam sozinhas ou com amigas, e morreram em seus próprios quartos. Em comum o corte na garganta e nos pulsos, e o detalhe mais macabro, todas tiveram a vagina costurada com fio cirúrgico. Cinco pontos, amarrados bem apertados e sem cortar as sobras do fio. Como sujeira apenas o sangue das vítimas.
Outro ponto comum entre as vítimas, e que só foi descoberto mais tarde. Todas tinham romances secretos com homens casados. Mas isso não parecia ter nenhuma ligação com os crimes.
Desde o primeiro crime da série, Olavo Ribeiro, experiente investigador criminal assumiu o caso. Não imaginava que enfrentaria um serial killer.
Todos os especialistas forenses já se envolveram. De legistas a psiquiatra, todos tentando traçar o perfil do assassino. Nenhum avanço considerável até o momento. Uma coisa com a qual todos, inclusive a impressa e a comunidade é que se tratava de um doente psicopata. A essa altura a cidade já dava sinais de pânico, sobretudo os pais de jovens moças e as próprias, é claro.
Ribeiro não fazia outra coisa a não ser trabalhar no caso. Mesmo por que estava vivendo sozinho, depois de ter sido abandonado pela esposa, semanas antes do primeiro crime ocorrer. E, para suportar a dor da separação se dedicava ao trabalho quase vinte e quatro horas por dia, todos os dias. Não dormia direito. Não andava comendo direito. Um sorriso então, era coisa que não se via nele. Andava amargo. O Delegado, e o próprio secretário de segurança, já haviam decidido após concluir esse caso o detetive sairia de férias. Na verdade sairia antes disso, se o caso se arrastasse muito mais tempo.
Mas isso não lhe ocorria agora, precisa rever tudo. Estava perdendo alguma coisa. Não era possível que perderia para esse maníaco. A cada morte ele parecia se sentir culpado, por ainda não ter conseguido pegar quem estava matando essas mulheres.
A segunda morte aconteceu um mês após a primeira. Mas agora estavam acontecendo em menores intervalos. Era sexta-feira, e a ocorrência anterior havia sido na segunda-feira dessa mesma semana.
O Dia foi cheio. Entrevistas do comando da polícia. Do secretário de segurança. Até o governador foi à imprensa falar sobre o que estava sendo chamado de “O caso das costuradas”. O delegado reuniu com a equipe para repassar toda a preocupação e escalou mais alguns investigadores para auxiliar no caso. O Próprio Ribeiro foi procurado por vários repórteres dos telejornais locais para dar detalhes sobre as investigações e, principalmente, para responder a pergunta que todos faziam: “Quando essas mortes vão parar?”.
Não tinha resposta. Não tinha explicações que acalmasse, um pouco que fosse, a opinião pública.
Após o intervalo do almoço, tempo que passou ali mesmo na delegacia, tentando ler informações onde antes não tinha visto nada, o legista o chamou. Passou as mesmas informações que havia passado nas mortes anteriores.
“Ele morreu devido a hemorragia provocada pelos cortes, e teve a vulva costurada ainda viva, mas provavelmente não sentiu muita dor, pois ingeriu um forte anestésico. Deve ter bebido junto com alguma bebida, sem saber”.
“Nada novo? Nenhuma diferença mínima que seja? Um fio de cabelo, um pouco de pele debaixo da unha dela, que possa ser do culpado?”
“Nada, estava totalmente limpa, como todas as outras”.
Ribeiro, que já estava chateado, pareceu desiludir-se.
A Tarde percorreu nesse ritmo. Análises, tentativas, depoimentos. Mas nada que desse uma pequena pista que fosse.
“Como pode isso acontecer. Alguém entra no prédio, mata uma pessoa e ninguém viu nada. Não é possível”.
No final da tarde, Ribeiro foi para casa. Tinha úlceras provocadas pelo nervosismo e por não se alimentar. Não conseguia dormir, apesar de todo cansaço que sentia. Seu corpo quase não respondia mais aos poucos comandos do cérebro.
A ausência da esposa ficava cada vez mais presente em sua vida. Naquela casa então era insuportável. Ela estava presente em tudo ali. Mesmo quando tentava ver televisão, seu pensamento estava nela. Nos bons momentos que passaram. Ele nunca se perdoaria por ela tê-lo abandonado. Ela o amava, disso ela não tinha dúvidas. Mas, mesmo ele, concordava que o motivo que ela teve para ir embora era forte demais.
“Como pude ter sido tão idiota” era o que mais pensava nesses quase nove meses sozinho, ao lembrar que tudo estaria bem se ele não tivesse se deixado envolver por aquela jovem bonita e sedutora que lhe apareceu, em um dia comum de trabalho, e com quem passou a ter um tórrido romance que lhe parecia ser a melhor coisa do mundo. Mas sua esposa, a bela Clara, descobriu logo e, como ele já sabia, pois era o acordo que havia entre eles, não aceitou a traição, e sequer quis tentar refazer. Apenas foi embora.
Ele achou que ficaria bem, mas dias depois já percebia que a jovem aventureira não pretendia nada com ele além dos momentos de sexo que tinham. Quando ele propôs viverem juntos, ela também se afastou. Só aí ele percebeu a gravidade do que havia feito, e reconheceu, meio a contra gosto, a importância que Clara tinha em sua vida. Na verdade ela era a vida dele. Até mesma a alegria que levou aquela jovem a se interessar por ele, era responsabilidade dele.
“Por que certas pessoas não respeitam a felicidade dos casais, e se envolvem com um deles, provocando o fim de casamentos felizes?” era a pergunta que ele passou a se fazer. “Isso é muito errado, e quem age assim devia ser punido”.
Uma hora após chegar em casa ele ligou seu computador, entrou em uma sala de bate-papo procurando alguém com quem pudesse conversar. Logo estava com uma conversa picante com uma jovem que se identificou como Amante com Cara de Anjo. Conversaram quase meia hora, até trocarem telefone. Ela queria se encontrar com ele. Ele se apresentou de verdade, disse que queria muito também, apesar de ser casado. Ela não se importava com isso. Disso, inclusive, que seria uma ótima experiência transar com o famoso detetive.
Uma ligação rápida para acertar detalhes. Ela morava sozinha, e ele pediu para que ela não comentasse com ninguém, afinal era casado. Ela concordou.
Ele tomou um banho rápido, colocou uma roupa discreta, seu perfume favorito. Deixou a arma e o distintivo na mesa do quarto, pegou as algemas, fetiche da “... Cara de Anjo”, um pequeno frasco com líquido incolor, luvas cirúrgicas e uma agulha em meia lua, bastante utilizada, e saiu para seu encontro. Sabia que seria acordado no meio da madrugada novamente...
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10 de set de 2010

Lábios carnudos e guardanapos...

Não sei se consigo, mas gostaria de fazer um post como os da Polyanna Costa.
Não que eu queira apenas imitar alguém.
Seria um tipo de homenagem.
Mas acho que é imitação mesmo. É que acho muito legal os posts dela (todos estão convidados a visitar: http://polybic.blogspot.com/
Hoje não tive tempo. Muitas mapas pra fazer.
Mas foi assim desde quarta-feira, então foi normal.
Nossa, está muito quente ainda. E muito seco também.
Queria sorvete de limão com raspa de casca de limão (olha que engraçado, prefiro os sorvetes mais ácidos).
Cara, o horário político é muito engraçado. Eu curto (sei que é louco isso, mas é verdade).
Hoje enviei uma carta ao Diário da Manhã. Sei que eles não publicaram mesmo, mas gostei de ter enviado.
Minha irmã perguntou pelo celular. Ela fez isso pelo orkut. Sorte que ontem era aniversário de uma grande amiga, senão nem teria visto.
E nada de chuva. Droga...
Fizeram um terrorismo lá no meu trabalho. So pra assustar mesmo. Eu sobrevivo.
Deu vontade de comer picolé de Cajá com sal. Mas está noite e eu não estou grávido. Então vou dormir.
O Estrela não entregou minhas águas. Vou ter que tomar cerveja (chato...).
Humm, beijos molhados agora cairiam bem...
Quero água. Vou terminar aqui. Acho que não me lembrei do que queria dizer. Mas tudo bem, disse coisas que nem tinha pensado.
Beijos
Ótimo final de semana.
Esteja em Paz
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Desejos de velho

Após o tempo dos desejos

Quero companhia, amizade e carinho

E, às vezes, suaves beijos
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Importância

O poeta está angustiado!
Sentimentos a flor da pele
e Poemas escritos em guardanapo
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Correção

Acho que Deus se redimiu
do grande erro da criação.
Pois criou Eva depois de Adão
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O futuro...

Algazarras no BarRio.
São papagaios inquietos?
Não, universitários no boteco!
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Da série "Atos secretos" - Outro diferente...

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Da série "Atos secretos" - Distancia

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saudade...

Isso realmente me aborrece,

Não ouvir pássaros pretos

Quando o dia amanhece

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Insistente

Essa aranha realmente é tecelã!

Retiro a teia toda noite,

Ela já teceu outra, pela manhã.

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7 de set de 2010

De duas uma...

A campanha eleitora mexe com todos nós. Mesmo os que, como eu, não estejam envolvidos diretamente nela, não conseguem passar ileso. Os programas eleitorais então, é o que mais nos causam reações. Se você é bem humorado vai rir a cântaros. Mas também pode se irritar, se sentir ofendido, ser tomado por completa decepção, se animar em poucos momentos. Enfim. É como a copa do mundo, todo mundo se envolve, de certa forma. A grande diferença é que as consequências interferem mais diretamente em nossas vidas.
Particularmente, acho o que a maioria dos candidatos fazem (e dizem) desrespeitoso e ofensivo à nossa capacidade de compreensão, nossa inteligência e a nossa boa vontade. Mas, deixando de lado o sentimento, pois este passa pela emoção, e considerando a percepção que tenho, pois está passa pela análise racional e fria (mesmo quando o sangue ferve de indignação), vivo uma batalha tentando decidir como devo considerar o grupo dos profissionais eleitoreiros (por questões filosóficas e conceituais, prefiro não chama-los de políticos). Claro, como toda regra, aqui, também, temos algumas boas exceções (não as conheço, mas espero muito que elas existam). Mas de modo geral, sou levado a considerar que, ou são extremamente demagogos ou altamente egoístas. Em ambos os casos são medíocres (isso não é mais posto em questão). E o meu motivo de enxergar essas duas classificações é bem simples. Nesse período, todos eles dizem ter projetos que resolverão todos, ou boa parte dos problemas que afligem a sociedade. Fazem questão de reforçar isso em todos os programas de rádio e tevê.
Saúde, moradia, transporte, emprego, infraestrutura, segurança, educação, cultura, violência contra mulher, exploração de menores, discriminação pela opção sexual (não gosto do termo homofobia), meio ambiente, falta de fé, distribuição de renda, crises conjugais, gravidez na adolescência, mau gosto musical, prejuízo nas lavouras, importação de novelas mexicanas, falta de espaço para estacionar, cunhado folgado. Enfim, não importa qual seja. Todos os problemas serão resolvidos.
Claro que muitas das propostas se repetem em sequência, sendo que cada candidato apresenta como quem traz uma enorme novidade.
Mesmo com minha pequena capacidade de observação e análise, sei que a grande maioria do que é proposto agora, não passa de idéia sabidamente fantasiosa, promessa feita sem nenhum grau de consequência. Mas também sei que algumas idéias, apesar de serem lançadas sem uma boa preparação prévia, são boas e, poderiam mesmo se concretizar. Mas não é isso que está em análise aqui.
A grande questão é, se todos (com exceção do Tiririca (e alguns iguais) que, sem nenhuma responsabilidade, mas com mais honestidade que a maioria, assume que não faz idéia do que faria se fosse eleito), tem todas as soluções, por que essas soluções não são implementadas? Por que os grandes problemas da sociedade continuam afligindo a todos, sobretudo à grande maioria que não tem como pagar pelo que deveria ser obrigatoriamente disponibilizado pelo Estado (nos três níveis). A resposta para essa questão é o que da solidez à minha impressão. E ela é simples. As coisas só são como são ou por que ou cada candidato é tão egoísta que pode trazer à luz suas idéias se ele estiver em algum cargo eletivo. Não se dando conta que ele é um ser que, também, está inserido na sociedade. E que, assim, melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas, terá boas consequência direta na vida dele próprio. Ou seja, acreditam que vivem em um outro mundo, independente desse em que nós, os pobres mortais, vivemos.
Se não for isso, a outra opção é a mais provável. Os projetos e propostas de fato não existem. Tudo não passa do roteiro elaborado para enganar a todos. Em termos mais simples, tudo que dizem não passa de mentira prévia.
Como disse, espero que haja algumas exceções. Mas creio que essas duas possibilidades se combinam em um roteiro macabro que visa solidificar a manipulação da maioria pela minoria privilegiada de cobres e totalmente desprovida de qualquer senso ético. Isso para dizer o mínimo.
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4 de set de 2010

Sobre limitações autoimpostas e a redução do universo

Não sei como isso começou. Minha pouca idade, e a falta de um esforço pessoal de pesquisa, somado à ausência de registros históricos sobre o assunto, justificam minha parcial ignorância. Digo parcial porque, apesar de não saber como começou, nem conhecer os motivos, eu reconheço o fato e admito que faço parte do contexto. Isso já permite me considerar, de certo modo, privilegiado.
Estou falando das grandes limitações que, quase todos nós, temos. Não estou me referindo às limitações físicas. Mas aos grandes bloqueios mentais que, voluntariamente, e com grande auxílio de nossos “mestres”, nos impomos, e que nos acompanha por toda vida. Em muitos casos, impedindo as pessoas de serem plenamente felizes e realizadas.
Sei que vai parecer exagero meu. Mas por favor, analise com cuidado e me diga se realmente é.
As limitações de que estou falando são àquelas ligadas à nossa capacidade de aprendizagem, compreensão e abstração de todas as áreas do conhecimento. Sobretudo à matemática, e tudo que dela deriva.
Me responda você, quantas pessoas você conhece que afirma categoricamente que “não consegue aprender matemática”? E quantas afirmam, de forma mais direta, e objetiva, que “não gostam dessa ‘matéria’ nem de nada que seja ligado a ela”? Por certo são várias, não é mesmo? Possivelmente seja assim também (espero que não). E quantas vezes você já ouviu alguém que, em se encontrando em Goiás, referir-se à região amazônica por “la em cima”. Dizemos isso por termos aprendido com nossos pais e professores, e por ver, em todos os mapas, a região norte acima da região sul. Mas, se a Amazônia está acima do Cerrado, então nosso tão querido rio Araguaia desrespeita a lei da gravidade, e corre para cima? (por que temos sempre que desenhar nossos mapas na mesma posição, se o universo não tem piso nem teto e nosso planeta é redondo?).
Como disse, sei que pode parecer exagero, mas o fato é que perdemos, em algum lugar, no temp e nos espaço, nossa capacidade de imaginação complexa. De fato desaprendemos a pensar. E se assumo que “desaprendemos”, é por admitir que já soubemos. E soubemos mesmo. Para confirmar isso basta olhar nossa história, e veremos os grandes feitos conseguidos em épocas onde tudo de que os pensadores dispunham era sua capacidade de raciocínio, grande imaginação, cresça em suas intuições e muita vontade de desvendar os segredos do universo (e da vida).
É fácil botar a culpa no sistema educacional, e seu esforço em criar pessoas quase mecanizadas, altamente preparadas para o mercado de trabalho, e quase nada preparadas para a vida. É a lógica capitalista que precisa de mão de obra capacitada para “apertar parafusos”, somada à necessidade imperialista (quer interna ou externa), onde os dominados (ou colonizados) não podem aprender a questionar os acontecimentos.
Em uma análise com a visão simplista e reducionista de parte limitada da chamada “esquerda”, essa é a resposta, e bastaria uma pretensa “revolução” para resolvermos essa questão.
Mas o fato é que a questão é muito maior, mais séria e com conseqüências mais severas na vida de todos nós. Conseqüências essas que extrapolam o universo político. Claro que tem reflexo direto aí. Mas não se resume à esse aspecto.
Não se pode, eu acho, culpar o sistema educacional, pois nesse caso, em minha opinião, ele é, ao mesmo tempo, causa e conseqüência. Em um visível processo iterativo e retroalimentado.
Sim, o nosso sistema educacional é culpado por ter deixado perder algumas de suas melhores, e principais, características. Ou você ainda acredita que nossas universidades se mantêm “universalizantes”? Não, não é! E cometemos um grave erro ao compartimentalizar tanto o conhecimento, e buscar com tanto empenho especialidades cada vez mais pontuais. Uma coisa leva a outra e, nos tornando especialistas, encurtamos significativamente nossos horizontes. E reduzimos nosso universo ao tamanho do tema estudado, quer seja uma molécula ou uma variedade de grão para agricultura.
Mas as mudanças percebidas no ensino superior (definitivamente acho que o termo “universidade” talvez não seja mais adequado), também ocorreram no ensino básico. E como tudo começa aí, nossos jovens, ao chegarem no ensino médio, estão preparados para optarem por qual especialidade escolherá. Ou seja, já estão completamente limitados pela forma como o conhecimento lhes foi passado, ou pelo fato de que algumas coisas foram simplesmente deixadas de lado.
Somos uma geração que não consegue compreender o mundo em sua totalidade. Pior ainda, não conseguimos enxergar todas as características do universo em que vivemos, e da nossa própria vida.
Daí advém a nossa incapacidade criativa e nossa aceitação de limitações que, de fato não existem, mas nas quais acreditamos possuir, e nas quais baseamos toda nossa vida.
Nossos talentos hoje são definidos não pelo que poderíamos ser capazes de fazer, mas, muito mais, pelo que acreditamos não sermos capazes, nunca, de aprender ou realizar.
Não nos causa nenhuma admiração o fato de muitos jovens estudantes desistirem do maldito vestibular pelo simples pavor das provas de matemática, física e química. Outros tantos desistem do sonho de construir belos prédios, ou de escrever sofisticados programas de computadores, por ter que, para isso, conviver com os cálculos.
Mas a culpa não é deles. Como podemos cobrar muito de nós se, ao passarmos pela educação infantil e fundamental nos esforçamos para solidificar tais medos e para construir um universo com poucas dimensões e uma vida superficial?
Quantos de nós aprendemos, por exemplo, que o universo dos números não é apenas decimal? Para nós, tudo que há é o sistema cuja base é 10. E tudo que estiver fora desse universo nos causará estranheza e repulsa. Quando somos, se formos em algum momento, obrigados a conhecer sistemas com diferentes bases, nossa resistência será tamanha, que uma simples operação do tipo 2+2 nos parecerá impossível de compreender. Para nós o mundo é decimal. E como fomos forjados para ter medo de matemática, não conseguimos enxergá-la em nada além da própria matemática. Como se os números tivessem a única e exclusiva função de nos infernizar a vida. Ah! devemos parte disso também ao ensino da linguagem, que não tem mais nenhuma preocupação em cultivar em nós, quando jovens estudantes, as boas e velhas noções da semiótica com seus signos e significados, e tudo mais que é fundamental para que tenhamos uma boa leitura de textos e, principalmente, da realidade, próxima e distante. Abstração então, é coisa que não se exercita.
Tudo isso junto nos limita a querer restringir a matemática apenas às páginas dos livros. Não somos capazes de enxergar que todo universo é regido por leis matemáticas. Não admitimos que ela, a matemática está em, absolutamente, todos os lugares e todos os eventos. Podemos ler, e nos emocionar, belos haicais ou sonetos, sem perceber que o que os tornam belos é o rigor matemático com o qual são compostos. Na verdade até os números decimais são lidos e calculados, hoje em dia, sem que os liguemos a valores e grandezas do mundo real. E, um número que não representa algo concreto não é nada. Um número só será um número, se o símbolo escolhido para representá-lo fizer referencia à algo que existe no mundo real. Do contrário nem número é. Mas não se preocupe, isso não limita o uso dos números, afinal, tudo que existe são grandezas e valores matemáticos, portanto numéricos.
Em nosso mundo decimal não nos damos conta de que o universo e a vida são muito mais binários. Basta observar todas as inúmeras dualidades existentes, presentes inclusive em nós mesmo. Não é difícil. Aqui alguns exemplos: claro e escuro, frio e quente, bom e mau, céu e inferno, vida e morte, feminino e masculino. Logo tenho que reconhecer que a vida se passa muito mais em um sistema de base 2 do que em base 10. Mas não pára aí. Quantos de nós já parou para admirar a beleza e disciplina matemática presente em todas as composições musicais. E a música é outro exemplo de sistema diferente do decimal, afinal são sete as notas musicais, são cinco as linhas que compõem o pentagrama das partituras. Até na Bíblia Cristã, em algumas passagens nos são apresentadas citações que nos fazem crer que seus autores preferiam lidar com sistemas de base sete. Vejam, foram sete os dias da criação; sete são os pecados capitais, sete vezes seriam castigados os que agredissem o fugitivo Caim e setenta vezes sete é o número de vezes que devemos perdoar aqueles que pecam contra nós.
Se procurarmos com atenção, certamente encontraremos diversos outros exemplos de sistemas numéricos e outras formas de presença da matemática na natureza (lembro que o homem é parte indivisível dessa natureza a que me refiro, certo).
O fato é que, todos os sistemas numéricos, com suas diversas bases (naturais ou artificialmente criados), deveriam ser ensinados aos estudantes da mesma forma que o sistema decimal o é. Só isso já ampliaria a capacidade de compreensão que temos hoje, e diminuiria o susto da maioria quando, já adultos, se deparam com essa “novidade”.
Outras medidas certamente fariam grande diferença no processo de “ensino-aprendizagem”. Uma delas, a meu ver, seria o estudo matemático sempre relacionado ao estudo da linguagem e com ligação permanente com fatos, elementos e grandezas do mundo real. O exercício da imaginação, observação do universo e estudos filosóficos, seriam outros fatos que certamente ajudariam a criar pessoas mais capazes de compreender o mundo mais profundamente.
Na verdade, tenho que admitir aqui, meu sonho é ver nosso ensino superior formando pessoas capazes de compreender grandes enigmas e pequenos problemas e, sobretudo, apontar possíveis soluções.
Na verdade gostaria de que todos os professores, principalmente os da educação básica, voltassem a ser os bons e velhos peripatéticos que um dia foram os grandes mestres, ensinando nossas crianças os mistérios de todas as ciências a partir do cotidiano e do ambiente familiar a todas essas crianças.
E que ainda pudéssemos ver surgindo mentes como Platão, Sócrates, Einstein e Hawking.
Quem hoje é capaz de imaginar que, com apenas duas estaca alguém poderia descobrir que a Terra é redonda e, ainda mais, calcular a medida com uma aproximação muito boa da circunferência do planeta. Pois saibam, jovens mentes, que foi isso que fez Eratóstenes, um grego que viveu entre 285 e 194 antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (outro ótimo exemplo de mestre peripatético). Em nossos dias, até para cálculos simples de adição e subtração carecemos do vital auxílio das calculadoras eletrônicas.
Imaginação, abstração, interpretação, criação, aceitação, compreensão. Essas são algumas das nossas capacidades que são limitadas pela forma como nos instruímos hoje em dia. E a limitação é tão exageradamente grande que nem os ensinamentos obviamente incorretos somos capazes de questionar. E somente somos capazes de encontrar soluções se elas estiverem explicitamente descritas em algum livro.
Que sejamos capazes de retirar nossos antolhos e ampliar nossos horizontes.
Que Deus nos abençoe e que Platão nos inspire.
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3 de set de 2010

Primeiros passos, outra vez

Vontade de ter certas vontades.

Às vezes você a tem?

Não há por que se preocupar.

Só não se esqueça,

Se a vida se passa em ciclos,

Sempre que um termina,

É hora de recomeçar...

Da série "atos secretos" - É com você

1 de set de 2010

Errante

Encontrou-me displicente.

Uma poesia veio.

Sensível e instigante, ela me veio.

Eu não procurava,

Nem mesmo esperava.

Mas ela veio.

Assim como quem é livre para ir, ela veio.

Tal qual flecha, alojou-se em mim.

Se materializou, pelas minhas mãos.

Brincou um pouco comigo e,

assim como veio,

Se foi,

Meio sem direção...

Alvorada

Era mesmo a hora!

Não pude fugir.

Quando me alcançou a aurora.


Endêmico

Era só metade.

Não que eu quisesse ser,

Apenas era.

Até tentei ser diferente,

Deu tudo errado.

Não dá para ser completo

Fora do Cerrado!