24 de dez de 2011

Importância

Nasceu muito pobre, em um dos piores ambientes
Ainda bebê, se tornou fugitivo da justiça
Na adolescência se meteu em assuntos de adultos
E na juventude entrou no mercado quebrando tudo.
Vida tão comum em nossos dias.
Mas tudo isso se deu há mais de dois mil anos
E eu pergunto,
Teria chance Jesus, O Cristo, de ganhar um presentinho do Papai Noel?

13 de dez de 2011

Mais uma mensagem de Natal


Está chegando o Natal.
É tempo de luzes, de alegria, de abraços fraternos, de gentileza, de sermos ...

Nossa, como são piegas todas as mensagens de Natal e final de ano, não é mesmo?
Sempre as mesmas frases repetidas. Sempre essa generosidade com data marcada. Os mesmos abraços dados com sentimentos gerados pelas propagandas na televisão. As mesmas músicas repetidas à exaustão, e o bombardeio de promoções nos levando a crer, que precisamos consumir ainda mais do que já fazemos em todos os outros meses do ano. E não se esqueçam dos votos cheios de palavras repetidas e vazios de sentimentos verdadeiros. E tem ainda as velhas promessas de ano novo, que já sabemos, antes mesmo de fazê-las, não serão cumpridas.
Não, não quero isso dessa vez.
E depois, isso de árvores com festão, fitas, luzes coloridas e piscantes, propaganda de refrigerante com urso branco, shoppings lotados e o mundo te mandando comprar, é muito bonito, mas nada tem a ver com o Natal.
Se você é cristão, como eu, sabe o que Ele pregou sobre justiça, fraternidade, generosidade, tolerância, perdão, amor e Paz. E sabe que Ele quis nos ensinar esses sentimentos e qualidades, para que os vivenciássemos na vida diária, todos os dias de nossas vidas, e não apenas em um período festivo. E eu falo apenas dos exemplos do Jesus homem. Afinal, mesmo que você não seja cristão, seja ateu ou agnóstico, não pode desconsiderar os ensinamentos desse grande líder.
Ora, uma pequena mudança no calendário não vai mudar minha vida. Nem a sua. O que pode mudar as coisas são as escolhas pessoais. E essas podem ser, e são, feitas a todo tempo.
Por isso eu não vou prometer nada para 2012.
Não vou parar de beber. Afinal, gosto de cerveja com amigos. E, enquanto isso estiver me fazendo mais bem do que mal, vou continuar escolhendo ter esses bons momentos etílicos. Claro, sem exageros
Academia? Nem adianta eu dizer que vou começar a malhar. Vou continuar com as aulas dança, isso sim, me dá prazer.
Novos cursos? Posso até fazer. Mas a prioridade agora é terminar o que está na metade, e vou terminá-lo por que comecei, e não apenas por festejar mais um réveillon.
Sei que em 2012 eu decepcionarei algumas pessoas, irritarei outras, chatearei, frustrarei e é possível que até ofenda alguém, mesmo sem querer. Afinal sou humano, cheio de defeitos e limitações, e continuarei sendo após o dia 31 de dezembro. Eu, você, todos nós.
Mas continuarei com minhas qualidades também. E continuarei gostando de ouvir, de estar com amigos, de poesias e boa música, de garotas bonitas, de bom humor, de forró e do Pessoa.
Seguiremos sendo quem já somos, somados às experiências adquiridas a cada novo dia, hoje e amanhã inclusive. E não apenas depois do dia 31/12.
Por certo teremos mais erros que acertos, mas fracassos que sucessos. Mas só quem tenta pode errar. E já sabemos que aprendemos também com erros e nas dificuldades. Por isso vamos tentar o novo, tentar de novo. Buscar o que queremos desde a infância, e ter novos sonhos.
Vamos ter motivos para sorrir e para chorar. E isso nos mostrará que continuamos vivos.
Sei que posso me apaixonar novamente pela pessoa errada. E posso não corresponder à paixão de alguém por mim. Afinal não controlamos nosso coração, esse insubordinado. Mas o importante é que teremos paixões para dar esse tempero delicioso às nossas vidas. E espero que todos nós possamos encontrar o grande amor de nossas vidas. E que isso aconteça mais rápido, para quem já viveu mais que Cristo, para que ninguém envelheça sozinho. E que demore um pouco mais, para os muito jovens, para que possam experimentar mais as possibilidades e amadurecer bastante antes.
Enfim, o que importa, e o que o mundo espera de nós, é que saibamos viver nossos dias buscando sermos melhores sempre. Melhores para nós mesmos, para quem está ao nosso lado e para quem nem sabemos que existe.
A magia das mudanças do calendário de nada nos valerá se não enxergarmos os pequenos milagres que acontecem a todo instante a nossa volta. Nenhuma promessa se cumprirá se não percebermos a forças que temos em nós. A Paz, da qual tanto falamos nessa época, nunca será plena, se não compreendermos que todos que vivemos nesse planetinha azul somos iguais e moramos todos na mesma, e única, casa. E que nossas ações tem consequências em todas as vidas e, por isso, o que fazemos a um semelhante, fatalmente retornará para nós. E não adianta vir dizer que não se acha semelhante àquela pessoa com cor de pele ou opção sexual diferente da sua, ou que crê em outros deuses, ou não creia em nenhum. Você é igual a todos, inclusive a mim. Você é sim. Todos somos. E o que nos torna tão iguais são exatamente nossas diferenças.
Então, meus amigos, eu desejo a vocês um pouco mais de fé a cada dia (mesmo que a sua seja na ausência dela).
Espero que você tenha prazer em ganhar e dar presentes, sempre. Sobretudo em momentos, e de formas, inesperados. E que isso nos faça bem, sem ser tentativa de comprar nossa tranquilidade.
Desejo a todos nós maior capacidade perdoar. Que sejamos mais gentis, generosos, tolerantes, caridosos e justos. Sempre.
Que sejamos capazes de tornar mais verdadeiros os sentimentos que manifestamos na segunda metade de todo dezembro e, principalmente, de vivê-las todos os dias.
Viva bem o seu agora, e seu depois chegará sorrindo.
Valorize e exercite seus talentos. Eles sim, te darão prazer e possibilidade de verdadeiro reconhecimento.
Cuide do planeta como cuida da sua casa. Afinal, isso ele também é (e, por favor, cuide bem da sua casa).
Não se esqueça, para que cada um de nós seja plenamente feliz, é preciso que todos sejam. E, isso é uma questão de escolha.
Feliz e próspero dia novo, a cada novo dia...

12 de dez de 2011

Na nuvem

Com a pena digital,
Trago o texto para o contexto.
Já não tenho mais rascunho
Meu poema é hipertexto.

8 de dez de 2011

2 de dez de 2011

Atendendo ao pedido do amigo/leitor Demerval, mais um trecho de "O Círculo de Loki"

(...)
A detetive Karine tocou a campanhinha e logo foi atendida por uma senhora simpática. Aparentava ter uns 75 anos, aparência certamente enganosa, culpa das grandes dificuldades que deve ter enfrentado por toda vida.
- Por favor, senhora, é aqui que mora o senhor Antônio Pedro Aguiar? - perguntou Karine.
- É sim! O ‘Toin Pedro’ mora aqui sim. -respondeu a velha senhora.
- Ele está?
- Ta, sim senhora. Por quê? - receiou-se a velha.
- Eu sou da polícia. Karine se apresentou mostrando o distintivo. E quero falar com ele sobre o roubo do carro.
- Ah bom! Vou chamá-lo - A senhora entrou. Minutos depois apareceu novamente à porta convidando os dois para entrar.

O senhor Antônio estava na sala. Sentado em um velho sofá coberto com uma napa amarelada, muito gasta. Na pequena sala via-se além do velho conjunto estofado de duas peças, uma estante de metal tubular e vidro, onde havia alguns bibelôs, garrafas de vinho e uma tv de 20 polegadas. Além de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado de uma pequena estátua de Pe. Cícero esculpida em madeira, com cerca de 15 cm. Senhor Antônio percebendo que Karine se deteve por muito tempo admirando a estátua adiantou-se.
- É que somos lá do Ceará. Devotos de Nosso Padim.
- Desculpe senhor Antônio. Só estava pedindo a benção - Saiu-se bem a detetive. Com essa demonstração de fé e respeito pela crença dos moradores, Karine desarmou o que podia haver de receio no velho casal, e ganhou a confiança deles.
- Senhor Antônio, como disse para sua esposa, sou da polícia. E estou aqui por causa do roubo do seu carro.
- Graças a meu Padim, já encontraram ele? - interrompeu o senhor Antônio.
- Não seu Antônio. Ainda não. Vim aqui porque o carro do senhor foi usado para fazer uma coisa muito ruim, lá em Goiânia. E como o senhor teve contato direto com os ladrões, gostaríamos de saber se o senhor consegue contar pra nós como eles eram. O senhor consegue?
- ‘Benhê’, traz um café pra moça e pro menino aqui - pediu o senhor antes de responder à pergunta.
- Olha minha filha, eram só dois. Mas, não deu pra ver o rosto deles, por que estavam com camisa amarrada na cara. Só ficavam os olhos descobertos. Mas, eles eram gente muito ruim. Não eram grandes não. Um era negro e muito calado, forte e nervoso. O outro muito falante, tranquilo e parecia muito frio.
- Teve algum detalhe deles que o senhor conseguiu perceber?
- Humm. A voz do negro é muito esquisita. Ele quase não falou, mas quando falou eu só não ri porque estava muito nervoso, e eles estavam armados. Só isso.
O café foi servido. Os quatro tomaram calmamente. Só o garoto dos desenhos repetiu.
- Sabe tava lembrando aqui. Não sei se ajuda, mas acho que o cabelo do rapaz branco é loiro. Mas, não é loiro de nascença não. É desses loiro tingido, sabe como? E ele tinha um desenho no braço esquerdo - lembrou o taxista.
- Um desenho? - animou-se Karine.
- É uma tatuagem, como fala essa gurizada.
- Isso é muito importante. E o senhor consegue contar como é esse desenho?
- Acho que ...
- Espere seu Antônio. O nosso artista aqui vai tentar fazer o desenho conforme o senhor for falando - disse Karine fazendo sinal para o perito se preparar.
- Pronto! - disse o garoto com papel e lápis nas mãos.
- Então, é uma cobra enrolada no corpo de uma mulher pelada. Em volta tem umas estrelinhas amarelas. A cabeça da cobra ta por cima da cabeça da mulher. Com a boca aberta e a língua de ‘furquia’ encostada na testa da mulher também. E a mulher ta segurando numa das mãos um punhal desses meio tortinhos, sabe?

O taxista terminou sua descrição e menos de um minuto depois o perito estendeu as mãos mostrando o resultado de seu trabalho. O humilde senhor Antônio deu um sobressalto de susto, tamanha a perfeição do desenho que via ali.
- É isso mesmo. Foi você que fez aquele desenho no braço daquele marginal, não foi? - perguntou assustado, já começando a temer por sua segurança, imaginando que esses dois fossem parceiros dos que levaram seu carro...