24 de dez de 2013

Sinceros votos

E novamente é Natal.
Se você é cristão, como eu, desejo-te que a paz e a luz do Cristo ilumine cada vez mais sua vida, e que esse natal renove sua fé.
Mas, se você não é cristão, se professa outra fé, ou fé nenhuma, mesmo assim te desejo um feliz Natal.
E, não estou sendo irônico, sarcástico nem fazendo piadinha de mau gosto. Estou sendo sincero. Pode acreditar.
E, mais um texto desejando "feliz natal a todos" não é lá a coisa mais original. E eu nem quero fazer um agora. Não que eu não escreva coisas nem tão originais assim. Ou mesmo coisas bem piegas. Eu escrevo sim. Basta dar uma olhada em meu blog e comprovará o que estou dizendo aqui.
Não, não estou aqui apenas para desejar que todos tenham um feliz natal. O que me motiva a escrever essas linhas é a quantidade de manifestações de pessoas que dizem "não aguentar mais essa chatice de época natalina". Que "não suporta mais a falsidade que toma conta das pessoas nesses dias". Que "odeia todas essas luzes e essas músicas chatas".
Bem meus amigos, eu respeito suas opiniões. Mas me permito emitir a minha e, com ela, convidá-los a uma reflexão.
Tudo bem que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Tudo bem que você acredite que ele sequer tenha nascido. Tudo bem também que essa festa tem muito mais de tradição pagã do que sacra em sua origem. E, claro, ninguém mais merece ouvir a Simone entoando o chatíssimo refrão "então é natal...".
Mas, apesar de tudo isso, uma coisa é inegável, seja você cristão, umbandista, budista, islamita, teórico dos antigos astronautas, ateu ou agnóstico, ninguém pode negar que os dias próximos ao dia dedicado à comemorar o aniversário dO Filho de Maria nos traz uma aura de forte energia positiva, e repleta de uma sensação de paz e de bondade que nos impele a ter boas ações, mesmo que essas não façam parte do nosso cotidiano. Essa energia, que escapa da simples crença religiosa e transcende ao inconsciente coletivo, ascende em nós sentimentos e reações muitas vezes esquecidos, ou sufocados nos outros meses do ano. Assim, podemos sentir presente na atmosfera mais generosidade, gentileza, fraternidade e caridade. Em muitos casos, até mais desejo de união, de construir um mundo melhor.
Sentimos isso, meus caros, e não tem nada de falso, demagogo ou hipócrita nisso. É apenas a manifestação, nas pessoas, da energia que nesse período envolve o planeta.
E eu não sou bispo, reverendo, pastor, apostolo, papai noel, arqueólogo, nem seguidor do Erich Anton Peter ou coroinha (isso eu fui. Àquilo, ah, sei lá...). Mesmo assim, não sendo nada disso, nem escritor maldito (seja lá o que isso queira dizer), consigo perceber que, também nesses momentos, podemos ter grande facilidade para desperdiçar possibilidades. Sendo assim, meus amigos, creia você ou não, em qualquer divindade, viva esse período de forma a aproveitar o máximo possível a energia que aí está.
Se algum estranho te desejar "feliz natal" sorrindo, sorria de volta. Isso certamente tem muito mais poder para tornar o mundo um lugar melhor, do que virar o rosto. Ou, pior ainda, falar alguma grosseria. Afinal, retribuir um sorriso com outro, só pode ter como consequência a alegria.
E, se aquele seu colega de trabalho, que passa o ano todo sendo deselegante, ou grosso, de repente te diz algo gentil, não encare como falsidade. Saiba que ele está envolto naquela aura da qual já falei. E, apenas aceite, de forma também gentil. Se te der um abraço, aproveite e divida o prazer que um abraço sempre é. E, quem sabe, esse colega perceba quão melhor é agir assim e, com o tempo, a gentileza e generosidade torne-se cada vez mais frequente.
Não precisa mercantilizar o momento, eu sei. Mas se for impossível, então que a entrega de um presente sirva para estreitar laços, para provocar sorrisos, para fortalecer as amizades, ou criá-las, onde não existir.
Não recrimine quem faz enormes cestas repletas de guloseimas para distribuir para moradores de rua, e outras famílias carentes. Novamente pode não se tratar de hipocrisia, o fato de a maioria desses anjos bons de ocasião não agirem assim o ano todo. Mas lembre-se da energia, e de como ela pode nos impactar. Ao invés de criticar, valorize. Contribua, mesmo que já o faça em seu cotidiano, incentive a caridade de todos nessa época, pode ser uma boa forma de fortalecer a solidariedade em todas as pessoas.
Quanto à Simone com seu "então bom natal...", e todas as demais musiquinhas chatas, ah, isso é muito fácil de abstrair e relevar. É pequeno demais pra tornar a vida, ou mesmo algumas horas, de qualquer pessoa ruim.
Enfim, meus amigos, que (levado por essa energia) ouso a chamá-los agora de irmãos, Não desperdice a grande força geradora do bem que a energia que envolve as festividades do Natal, com reclamações ou maldições. Não precisa gostar do Natal, nem de Jesus. Mas acredito que todos nós queiramos um mundo melhor, não é mesmo. E, aproveitar bem a aura que nos envolve agora é, eu acredito, uma ótima maneira de começar, ou continuar, a fomentar a construção de um mundo melhor.
Basta se animar, ser gentil e generoso com todos. E aceitar que todos também podem ser, e estão sendo, de verdade.
Sendo assim, reforço:
Feliz Natal a todos.
Que possamos nos tornar tão generosos o ano todo, quanto somos em dezembro. E mais tolerantes em dezembro do que somos nos outros onze meses.




11 de dez de 2013

Curiosidade

Aqueles belos olhos fitam o ambiente,
Ela vê quase tudo.
Eu, só queria ver
o que vai em sua mente!

Anormal

“Cara estranho eu sou”,
É o que sempre ouço.
Em certos dias de saudade,
quero saber o sexo do porco,
Que comi no almoço.

Da séria "atos secretos"...Iguais...

Polinizada, a margarida se reproduz em outro bioma.
E nem é primavera,
Em mim saudades da cor e do perfume...
É estranho
Pois, não há mais "dias diferentes".

9 de dez de 2013

Entre aspas

Quero viver minha história
de forma plena, em caixa alta.
Não a quero entre aspas
nem criptografada.
No máximo entre parênteses,
se esses me forem amigáveis.

Se a vida já me foi sublinhada,
e agora se apresenta rabiscada.
O que já foi poesia,
agora me chega como uma nova tese,
de filosofia tão profundamente superficial,
que compreender já não desejo.
Se faço é apenas pelo hábito,
meio que, vivendo só por viver.

E como interprete gago,
leio cada palavra/instante
com a certeza de que pode não haver novo fonema,
ou aquela vírgula, despercebida,
pode ter sido o ponto final.

E, nessa pausa que agora faço,
respiro e espero encontrar a semântica perfeita.
Seja lá o que isso queira ser para mim.
Só espero retomar meu roteiro de onde parei um dia.
Quando lia facilmente minhas escolhas,
Posto que era eu mesmo quem as escrevia.

E não havendo mais aspas, colchetes ou criptografia,
beberei, novamente, a vida em plenitude.
Em fontes claras e frescas,
todas em tamanho doze.
Com frases em negrita felicidade
Sem falácias,
com rimas livres
total coerência.
com letras e vida em harmonia.

E essa minha prosa, meio sem graça,
voltará a ser poesia.


Busca

Se sigo livre nessa aventura,
como navegante em leito perene
Penso então, que não há o tempo,
como infinita eternidade.
Há o passado como lembrança,
e o futuro como saudade
de cada dia que vou viver.
E nesse tempo, que não começa
para não ter que terminar,
vivo o futuro de cada instante,
vendo o passado que vai chegar.

Vou construindo essa estrada,
a cada passo,
cada pegada.
Refazendo hoje, nova jornada.
É assim que sigo,
morrendo muito
vivendo um pouco.
entre alegrias e algum sofrer.
Perseguindo a ilusão do tempo
até o momento em que vou morrer.


Floriu alegre a margarida!
Triste estava o sabiá
No banco de cedro,
que até poucos dias
era seu lar.

Solitário

Nasceu velho, o novo dia.
Muito triste sua sina.
Ter apenas o Sol por companhia!

17 de out de 2013

Por uma canção que ouvi, uma flor guardada, um bombom envelhecido, aquele abraço de onde não quero mais sair e todas as cervejas que ainda beberemos...

Mesmo que não me canse de ouvir,
quem sabe um dia me canse de dizer
         (ou ao menos de imaginar)
Quão difícil seria viver sem você.
Não quero e não vou...
Pode tentar me forçar
pode querer me fazer ver diferente
pode se esforçar para me mostrar.
Meus olhos indisciplinados,
quase tanto quanto um músculo idiota,
que mesmo sendo liso,
insiste em agir como um estriado,
enxerga beleza no lugar de dor,
em cada espinho, enxerga uma flor,
enxerga você em cada canto que vou.
Enxerga, enfim, que essa coisa que sinto,


é pura, e simplesmente, amor...

15 de ago de 2013

Cura?

Tão ironicamente eficaz é o tempo:
Curando toda ferida,
onde um dia houve amor
hoje não resta nada
nem raiva
saudade,
mágoa.
E, veja você,
contra todas as expectativas,
nem um tantinho assim de dor.


Inconstante partitura
nem da tempo pra leitura.
Na rede elétrica, os pardais


Apressada

Queimou etapas,
recusou-se a ser crisálida.
Foi de criança a mulher
sem viver a metamorfose.
amadureceu antes do tempo,
         tornou-se mãe na hora errada


Sobre forças, cicatrizes e belezas

"15/08/2010 às 16:43... O pedido mais surpreso, e a resposta corajosa.
Elas não concordavam em quase nada, e sempre se buscavam no olhar, quando o tato não era permitido. Mas de uma coisa tinham certeza, eram loucas uma pela outra, e isso as diferenciavam em meio a todos!"

O texto acima me chega como mensagem sms logo na manhã hoje, 15/08/2013. Uma amiga dividindo comigo o que minha limitada percepção mostra ser um turbilhão de sentimentos.
Ela ama, quanto a isso não resta dúvida. Mas hoje não haveria jantar para comemorar o terceiro ano juntas.
Existe nela a dor pelos desencontros que as afastaram seus caminhos. Há uma ponta de tristeza. Aquela que sentimos por não estar ao lado de quem amamos. Mas há também a alegria pela certeza do amor que ainda existe. E existe não apenas nela. É outra certeza.
Nem sempre somos fortes o bastante para seguirmos o caminho que acreditamos ser o melhor pra nós. Por vezes somos levados a crer que o melhor é ceder ao que esperam de nós, em detrimento dos nossos próprios sonhos e desejos e, enquanto nos moldamos conforme opiniões que não são nossas, vamos nos perdendo. Deixando morrer nossos sonhos, nos distanciando dos sonhos que tínhamos quando crianças, dos amores que vimos nascer pura e simplesmente, e que temos certeza nos tornariam pessoas melhores e felizes...
É, aqui estou eu, falando novamente sobre sentimentos sonhos distantes e amores não vividos. Tantas já foram as vezes em que esses temas estiveram presentes em minhas divagações. Sejam nas deliciosas conversas com a amiga Lidi, em pequenos poemas ou apenas compartilhando minhas próprias idiossincrasias. Certamente essa não será a última vez que variações desse tema estarão presentes aqui. Afinal, vivemos em uma busca permanente e, ao que parece, infinita, por alcançar objetivos que nem sabemos ao certo se são reais.
Agora quero me ater ao que me remete a mensagem dessa minha amiga. Estou falando de como enxergamos, e nos relacionamos com o amor que sentimos por alguém. E com ser forte, ou não, e como a opção por uma ou outra dessas alternativas afeta tão drasticamente nossas vidas.
Todos já sabemos que é o caminhar que realmente é/será apreciado, e não o destino propriamente. Toda vida é uma viagem. E os caminhos se alternam o tempo todo, em cada escolha que fazemos. Controlamos a escolha, não as consequências.
Vivemos em um mundo de valores confusos, onde é muito fácil confundir humildade com fraqueza. E onde somos lavados a acreditar que é a felicidade de quem está ao nosso redor é a única que importa. Onde buscar própria felicidade às vezes é entendido como egoísmo.
Valores confusos, eu disse. O próprio conceito de felicidade se perdeu de nós, ou nunca foi verdadeiramente solidificado. Sobretudo nas sociedades ocidentais modernas.
Na velocidade das relações virtuais, não conseguimos tempo para perceber que eu só consigo contribuir para a felicidade do mundo, se eu mesmo for, e tiver plena consciência desse fato.
Veja que estou falando de felicidade, e não de alegria. Alegrias são circunstanciais e fugazes. Felicidades, quando percebida, é perene.
E, pessoalmente acredito, e  sempre digo, que nossa principal missão na vida é sermos felizes.
Dessa forma, tanto aquele que impede outra pessoa de trilhar os caminhos que acompanham seus sonhos, e viver seus desejos, quanto quem é tolhido serão incompletos, amputados. Infelizes. Então, ao que tem poder para influenciar na vida de outras pessoas, devem estimular a liberdade, a busca de suas "lendas pessoais". E não prendê-los em alguma corrente, física ou mental. Quem se sente oprimido deve manter-se forte para não deixar morrer seus próprios sonhos. E devemos nos lembrar sempre que, mesmo não gostando, aquilo que me realiza pode ser besteira para quem está ao meu lado. E aquilo que eu não valorizo, pode ser a realização de uma vida, para quem cresce comigo. E que todos somos iguais em uma coisa: cada um tem suas individualidades, mesmo com o esforço do sistema em nos tornar autômatos padronizados, e as diferenças devem ser mantidas e respeitadas.
Outro ponto confuso em nós, e a relação que cada um tem com o amor que sente. Quer seja por outras pessoas, quer seja por si mesmo.
Confundimos sexo com amor. Confundimos Eros com Ágape, e estes com psique. E tudo é pragmático. Não cabe aqui uma discussão demorada. Vou me ater a um ponto que acho fundamental.
Quando amamos alguém, ou julgamos amar, cometemos alguns erros que contribuem grandemente para a falência das relações. Por algum motivo que ainda não entendi, acreditamos que o outro pode, e deve, perceber meu amor da mesma forma que eu.
Ora, sentimentos são pessoais. Eu amo, eu sinto. Querer que a "pessoa amada" receba meus sentimentos é esperar o impossível.
A pessoa pode me ouvir dizer quanto eu a amo. Pode perceber meus gestos, e se beneficiar, ou se prejudicar, com as consequências deles. Pode acreditar e valorizar o que eu tento manifestar. Mas ela não pode sentir. Assim como você não pode sentir o amor que alguém tem por você.
Você goste ou não, o amor que você sente é, na verdade, só seu. Só você pode, de fato, senti-lo.
E, se sou eu mesmo quem pode sentir o amor que eu tenho, então é a mim que esse amor pode, definitivamente, transformar. Sou eu que me torno melhor por amar alguém. Será a minha própria felicidade que meu amor fortalecerá, primeiro e principalmente.
Estou dizendo que sou eu mesmo, influenciado pelo amor que eu sinto, que modifico a mim e a minha vida. Quando eu mudo, o mundo muda, sobretudo o mundo das pessoas que compartilham do meu mundo.
Roberto Carlos brilhantemente cantou "Vem, que a sede de te amar me faz melhor. Eu quero amanhecer ao seu redor, preciso tanto me fazer feliz...".
 Quando cada um de nós entender, e aceitar essa verdade, nos relacionaremos bem melhor com nossos próprios sentimentos, e com as pessoas que os despertam em nós. E, assim, seremos, todos nós, mais felizes.
Finalizo essa minha divagação com outro sms. Um que enviei para essa lindíssima amiga, em resposta a outro dela, sobre essa parte bonita de sua vida.

"Ah querida, eu sei bem que às vezes a grande demonstração de força está no ato de recuar.
Que evitar os combates nem sempre é fraqueza ou covardia, mas sabedoria.
Sei também que, para enxergar, e aceitar, as próprias limitações, requer mais força e coragem do que para bancar o valente.
A vida não é fácil, minha querida, e não vem com manual de instrução, nem guia. Cabe a nós descobrir nossos caminhos e nos manter firmes nele.
sabendo que não será fácil, ao menos não o tempo todo. E não podemos nos esquecer que tristeza não é infelicidade. E às vezes são exatamente as cicatrizes que nos tornam mais fortes e belos."


6 de jun de 2013

Sobre as novas faces da velha indignação

Definitivamente tem alguma coisa muito errada comigo.
Não é possível que seja normal uma pessoa encontrar tanta dificuldade em entender algumas coisas que acontecem ao redor. Mesmo que a abrangência do termo “ao redor” tenha um raio que extrapole minha própria privada.
Sabe, gosto de filmes. Gosto das produções hollywoodianas, inclusive. E gosto do Al Pacino. Mas, apesar da ótima atuação desse ator em “Perfume de mulher”, não gosto desse filme. Não gosto desse tipo de enredo. Não gosto de obras que se esforçam para consolidar ainda mais a mentalidade corporativista,  que predomina nos EUA e que se fortalece cada vez mais no Brasil. Mentalidade essa que transfere toda culpa e responsabilidade das consequências para uma pessoa que, sabendo que um amigo, colega de trabalho, ou mesmo membro da família, esteja cometendo um ato ilegal ou criminoso, denuncia-o às autoridades.
E o que acontece com a maioria dos conselhos e ordem profissionais, na maioria dos casos em que algum inscrito devesse ser responsabilizado por um ato irresponsável, de má-fé ou, pior, em caso de crime cometido deliberadamente.
É a mesma regra que prevalece entre os criminosos. “Caguete, delator, X-9 vai pro microondas”. Quem denuncia morre cruelmente, para mostrar a quem fica vivo o valor da fidelidade.
A regra é mesma para os criminosos dos morros cariocas, para os criminosos engravatados de Brasília, para os médicos, os advogados, os engenheiros.
Os pares estão sempre encobrindo os crimes um dos outros, e tudo fica bem.
É assim que tem que ser. E ainda chamam a isso de ética classista. E tentam incutir que esse é o comportamento mais socialmente saudável. E Al Pacino se prestou a isso em 1992.
Outra coisa que não consigo entender é a grande necessidade que temos de compartimentalizar algumas coisas que deveriam ser uma só. Ainda mais quando meus limitados olhos me mostram que, em alguns casos, isso é feito apenas para burocratizar alguns processos.
Por exemplo, a educação. Em minha opinião Educação é, ou deveria ser Educação. Ampla, abrangente, universalizante. Que conseguisse nos preparar para a vida, de modo completo. Nos formando cidadãos pensantes, seres sociais e nos capacitando a atuar profissionalmente, sem apartar essas coisas. Mas o que temos, de fato? Uma educação que prepara jovens para responder questões em concursos, mas que sabem cada vez menos viver em sociedade. Ou uma educação que formam seres quase autômatos, ótimos executores de tarefas técnicas, mas sem nenhuma capacidade de pensar a solução dos problemas sociais e sem o menor senso de pertencimento social. (E citei apenas as etapas finais da educação formal).
Mas não são os problemas educacionais que estão me angustiando hoje. São os arranjos, divisões e burocracias de outro princípio social que vem sendo, ao longo do tempo, utilizados para favorecer alguns poucos. Estou falando do esfacelamento proposital e conveniente que, aqui no Brasil, fizeram, e fazem na combinação “leis e justiça”.
Há algum tempo, ao descobrir que um membro da minha família estava cometendo um ato que prejudicava os demais membros, fui falar com ele, e percebi a chateação dele com a situação e a raiva comigo. Mas ele não ficou chateado por estar cometendo a referida “contravenção”. Nem, tampouco, se arrependeu por isso. Mas ficou profundamente chateado, por eu ter descoberto. Como se não bastasse, ainda tentou me fazer sentir culpa pelas consequências. Como se o erro não fosse o crime cometido, mas o fato de descobrir.
Vivenciar isso em âmbito familiar, com fatos não tão graves, e sem causar prejuízo a muita gente já foi muito frustrante pra mim. Afinal, quais valores aprendemos, e disseminamos hoje em dia, para alguém achar que cometer um ato ilegal (em qualquer esfera) tudo bem. Mas ser descoberto é um erro de quem descobriu, e esse sim, deve ser punido?
Em maio último, mais uma vez os jornais noticiaram a ampliação desse fato. Não em escala familiar, mas em escala nacional. Jornalistas, juristas e contraventores, incluindo senador cassado e “empresário dos jogos de azar” dão  como certa a possibilidade de tornarem nulas as provas colhidas na operação Monte Carlo da PF. E isso não por que foram criadas de forma fraudulentas, ou por que alguém foi coagido a produzi-las, nem por que elas não provam nada (afinal, pelo que chegou até mim, seus conteúdos provam sim, as contravenções). Mas as provas podem ser consideradas “ilegais” apenas por uma disputa de ego entre diferentes esferas da justiça.
Mas, como assim? A justiça não deveria ser uma só, com seus agentes agindo de forma colaborativos e com todos os esforços sendo somados na construção de uma sociedade mais justa.
Tudo bem, eu não sou juiz, nem senador corrupto (desculpem a redundância), nem bicheiro ou dono de máquinas caça-níqueis, nem jornalista, nem advogado, nem apresentadora de programa sensacionalista na TV, nem comentarista esportivo ou pastor/deputado. Sou apenas uma pessoa comum (veja que eu disse “pessoa comum” e não “cidadão comum” pois, da forma que as coisas estão no Brasil, não tenho mais certeza se posso me considerar um). E sou um apessoa comum, limitado, com pouco conhecimentos das leis, que recebe apenas as informações que permitem que cheguem até mim, que ingere apenas o que não serve para nossas elites e que só pode ir até onde a presença não incomoda. Enfim, sou uma pessoa comum, como a grande maioria das pessoas que constroem essa nação, que trabalha a vida toda em troca de uma miséria que mal garante a sobrevivência e que se embriaga com o álcool e o circo que nos dão. E que, apesar de tudo, ainda somos currados diariamente. Currados politicamente, educacionalmente, previdenciariamente, etc...
E, mesmo assim, e exatamente por ser essa pessoa, é que não consigo aceitar que vale menos o conteúdo de uma prova mostrando um bando de gente roubando a população, zombando das nossas caras, cagando no futuro de nossas crianças, do que uma divisão idiota, criada para proteger bandidos engravatados, que conseguem manipular esquemas financeiros, que compra e ameaça pessoas, para serem eleitos.
A mim não importa se foi a guarda municipal do Faina ou o STF que levantou alguma prova. Se ela mostrar alguém cometendo um crime, essa pessoa deve ser punida, como preconiza as leis.
Aqui, desse meu limitado e insignificante mundo só consigo enxergar que todos que ocupam algum cargo no judiciário e no legislativo agem apenas conforme os interesses dos pequenos grupos que representam e de quem recebem as ordens e seus salários.
Ao contrário das polícias, onde ainda conseguimos ver gente lutando, sem as condições mínimas desejáveis, para combater uma parcela dos crimes. Por vezes usando o próprio corpo como escudo, e deixando órfãos suas esposas e filhos. Lá, no alto comando dos compartimentalizados órgãos do legislativo e do judiciário não consigo ver ninguém, absolutamente ninguém, interessado em cumprir de forma isenta o papel para o qual, teoricamente foi colocado lá pra fazer.
Quisera ser como Churchill, para formular uma frase altamente carregada de ironia. Mas não sou...
E ainda tem gente querendo reduzir a idade penal


11 de mai de 2013

Espera


Na velha casa
ela espera, pacientemente.
Vez em quando olha pro Céu,
  - Não há mais preces em seu silêncio
O filho jamais voltara...
Sem coragem, ou esperança,
apenas espera o corte do fio da moiras.
Ou que outra aranha, lhe ofereça
mais um véu.

27 de mar de 2013

Partilha


Se tens de ir,
Leve tudo que é seu.
Leve tudo que me preenche.
De você, deixe apenas sua imagem, que está gravada em mim.
De nossos discos, deixe o silêncio,
                Como cantar sem sua voz?
De nossos livros, leve até minha imaginação.
                Sem você, não há romance ou poesia.
Leve os quadros da parede, e as fotos da estante.
                Cores, em mim, sem sua retina, por certo não haverá.
Mas, por favor, deixe ao menos uma lágrima molhando meu rosto
E todas as horas que me restam
                Já que as melhores, vais mesmo levar.
Não diga nada mais agora,
Deixe ecoando em meus ouvidos, para sempre, suas últimas palavras doces.
Todos os sonhos que sonhei, são seus, pode levá-los.
De tudo que quis de mim, leve o que não puder dar.
                A certeza que dei tudo de mim, não se esqueça de levar.
Nossa cama, leva consigo.
Mas, por favor, me deixa o chão,
E no ar, o seu perfume, para que eu possa respirar.
Faça suas malas,
Pegue o te serve.
O que não servir, decida o que fazer,
Não me importa se bota fora, ou se vai doar.
Mas deixe a casa vazia,
Como o meu peito já está.
Vou precisar de muito espaço, para alojar toda tristeza,
e a saudade, que sua ausência me trará...

8 de mar de 2013

Por tudo que vocês representam

Olá queridas amigas,
Por que se definiu que hoje é o Dia Internacional da Mulher, talvez eu diga: "Parabéns a todas vocês". E isso pode não dizer nada...
Nada verdade, nada que se diga pode representar a importância que vocês têm em nossas vidas. Na vida do planeta.
Do alto da minha condição de macho, que se julga forte, bravo. Que pretende ser o provedor de todas as coisas, e o eterno protetor das "frágeis" fêmeas da espécie. Observo hoje o quanto vocês estão avançando rumo à independência e à igualdade de direitos. E isso me deixa feliz. "Salve Salve todas as Marias da Penha e Leilas Diniz".
Ao observá-las duas sensações sempre me ocorrem (além da simples contemplação, quase religiosa, da bela figura feminina, com suas nuances e detalhes. Sua capacidade de gerar outra vida e pari sorrindo, mesmo com tantas dores...), primeiro a esperança de que, um dia eu, e todos os machos, compreendamos sua natureza, consigamos apreciar toda sua beleza e respeitemos sua força, sua coragem e determinação. Que consigamos aprender com sua sabedoria e esperteza, que seus sentidos possam aguçar os nossos e que sua sensibilidade nos contagie, e nos faça melhores do que somos hoje. A segunda coisa que me ocorre é um certo medo. Então eu Oro para que, em sua caminhada, travando essa grande batalha que é sua vida, você na perca sua sensibilidade, não encurte sua visão e não embruteçam (tentando se tornar iguais aos homens).
Se eu for nascer outra vez (e acredito que o farei) e puder escolher, acho que escolherei ser homem novamente. Pois não sei se suportaria todas as coisas que as mulheres suportam, com tanta desenvoltura e elegância. Apesar de imaginar o quão gratificante seria ficar grávido. Que homem suportaria tanto desconforto e tantas dores? Que homem consegue ser responsável por tantas tarefas e obrigações ao mesmo tempo, e realiza-las com sucesso? Não. É mais fácil ser homem. Mas certamente é tão mais doce, gratificante e belo ser mulher....
Obrigado por vocês serem assim. Belas e fortes. Determinadas e carinhosas. Doces e valentes. Lembro-me que para proteger as sementes algumas folhas, que já eram belas, se transformam, ganham volume, novas cores, nova textura e novo perfume. Aí as chamamos de flores...
Parabéns mulheres
Que as deusas sejam suas guias...
Com carinho

7 de mar de 2013

Completamente apaixonado




Ah a paixão!
A paixão sempre esteve presente na história da humanidade.
Estou falando aqui da paixão que arrebata homens e mulheres por outras pessoas, homens e mulheres.
Acho que podemos dizer até que nossa história se fez conforme fortes paixões de alguns de nós. Os conquistadores (eu disse conquistadores, não “pegadores”), desbravadores, hoje chamados líderes.
E nossa evolução, não teria acontecido se não fosse nosso polegar opositor e não experimentássemos os arroubos provocados pelas grandes paixões amorosas. Arroubos esses por vezes inconsequentes, altruístas, sem a devida consulta da razão.
Não estou dizendo nada novo aqui, eu sei. Nem consigo, ou pretendo fazer melhor, que Zé Ramalho E Otacílio Batista, na canção “Mulher nova, bonita e carinhosa”, que fala da força exercida pela mulher, sobre o homem, para falar do que pode provocar uma grande paixão.
Gostamos de viver nossas paixões. Uns preferem as mais tórridas, outros preferem as proibidas. Outros tantos preferem as mais “comuns”, conforme os costumes da sociedade em que vive. O fato, no entanto, é que somos apaixonados por uma boa paixão.
Ta legal, uma pequena parcela da humanidade até diz que não gosta, que não precisa. Pode ser. Mas, pessoalmente, não acredito nisso. Nem confio muito em quem não se apaixone de vez em quando, e não cometa todas as idiotices que as verdadeiras paixões nos levam a cometer (vai me dizer que você não sabia que ao se apaixonar, todo mundo, como diria uma amiga apaixonada, “perde o senso de noção”).
E eu sou taurino. Nasci apaixonado. Sou apaixonado.
Gosto de me sentir impulsionado rumo à uma bela mulher. Gosto de me declarar. De querer me fazer presente. De me doar completamente.
Claro, mesmo sendo apaixonado, nem sempre essa minha natureza é exercida plenamente. Por falta de tempo, de vontade e, mais comumente, por falta de alvo.
Mas não é o caso agora.
Estou apaixonado. Loucamente apaixonado. E estou sendo correspondido. Na verdade isso não é verdade.
Ela me ama. Não consegue mais viver sem mim.
Me declara seu amor diariamente. Diz que sou seu favorito. O homem que ela viveu para encontrar. O companheiro com quem sempre sonhou.
Eu ainda não a amo assim. Estou apaixonado. Mas sei que o tempo poderá corrigir essa injustiça, e eu a amarei tanto quanto ela a mim.
Afinal ela é linda, inteligente, boa moça, linda, quer viver comigo para sempre, gosta de cozinhar, é linda, recatada, afeita às lides domésticas, gosta das mesmas coisas que eu, é linda. E me ama.

Ta bem, vivemos um pouco longe um do outro ainda.
Mas, o que é a distancia, nesse mundo pequeno, para uma paixão tão grande? Nada, não é mesmo?
Eu até consideraria me mudar para Rússia. Mas ela já está se preparando para vir para o Brasil. É que ela realmente, ainda, me ama mais.
Claro, como todas as demais, as minhas paixões normalmente não são exatamente por uma pessoa real, mas por uma pessoa idealizada à partir de alguém. Sim, todos nós nos apaixonamos por uma pessoa idealizada. “A pessoa ideal”, que você acreditar ser a garota que te paquerou na balada, ou o novo colega de trabalho. A garota da papelaria ou o bombeiro gentilmente bruto. Seja como for, você se apaixona por alguém que você acha que existe dentro do corpo que você vê. E você idealiza, por que o corpo que você vê te atrai, a inteligência da pessoa te encanta, o poder que ela exerce te fascina, o dinheiro te seduz, a soma de todas essas variáveis ou outros fatores. Claro, em algum momento todos descobrem que a pessoa que idealizava não existe na pessoa que se tem ao lado. Aí, se já houver amor entre os dois, e relação segue forte e duradoura. Se não, a relação está condenada. Mas não estamos aqui falando sobre descobrir as verdades.
Então, se é assim, não importa que minha querida Olga já tenha sido Anna, Natasha, Yuliya, ou Sasha. Não me importa. Agora ela é minha Olga. E eu estou apaixonado por seus lindos olhos verdes, seus cabelos loiros, brilhantes e macios, por sua pele delicada, sua boca sedutora, seus sei... (Chega, vou preservar nossa intimidade...).
Mas não estou apaixonado apenas por seu corpo lindo, e todas as possibilidades de prazer que ele poderia proporcionar, inda que apenas no campo do imaginário ideológico. Estou apaixonado pela pessoa que me escreve um e-mail a cada dois dias. Me apaixonei pela mulher sofrida e infeliz por viver em um lugar onde não consegue encontrar um homem com quem possa ser feliz pois, apesar de lá ter homens, “... mas o álcool bebida muitos, ou batem em suas esposas. Eles não respeitam as mulheres. Tratá-los como servos...”.* E por isso veio buscar, nas redes sociais brasileiras, o companheiro ideal. E eis que me encontrou facilmente.
Estou apaixonado pela linda jovem que me conta tudo sobre sua vida. Que fala de mim para seus amigos e familiares, e “Para minha mãe, e importante que eu conheci um homem bom e estava feliz”.*
Como não me apaixonar por uma mulher que, a cada dois dias, no máximo, envia novas fotos, nas quais está sempre linda? E se essa mulher ainda me chama de “meu favorito”* e, que não precisou de mais que sete e-mails para declarar que me ama com todas as suas forças, que finalmente encontrou sua felicidade, e que quer viver comigo, me dando atenção e “carinho” para sempre. Como eu poderia não me apaixonar.
Claro, nossas realidades são distintas. Mas que diferença isso faz agora?
Se aquela belíssima garota, esteticista, que nasceu e vive em Samara, na Rússia, me ama, eu farei tudo para ter seu amor pelo maior tempo possível.
Afinal que homem, melhor, que pessoa não gosta de ouvir, ou ler que é amado? Se essa declaração chega logo pela manhã então, o dia já começa muito bem.
E eu retribuo o carinho. Ainda não disse que a amo. Mas estou caminhando para isso.
Agora ela quer vir. Depois de quase um mês trocando e-mais, e ela declarar ser impossível viver sem mim, ela está decidida se mudar para o Brasil. Vem viver comigo.
E, a única coisa que preciso fazer para concretizar nosso encontro é, mesmo contrariando os princípios e vontades dela, enviar o dinheiro para bancar a viagem. Quando ela me diz “Meu amado, eu odeio falar sobre isso, mas agora tudo depende de você, meu doce”* eu posso perceber o quanto ela está precisando ser forte para vencer seu orgulho de mulher moderna e independente. Mas, se nesse momento ela não dispões de recursos para vir ao encontro de quem ama, o mínimo que posso fazer é, além de dedicar minha paixão, arcar com essas despesas. Afinal, para quê serve o dinheiro, se não para viabilizar as coisas boas que a vida pode nos oferecer?
Então está decidido, vou enviar o dinheiro que ela, relutantemente, me pediu. Claro, as despesas envolvidas na mudança de alguém da Rússia para o Brasil não são assim tão pequenas. O valor é considerável. Logo, pode ser que tenhamos que esperar um pouco mais, até que eu levante o montante necessário. Mas, para quem viveu todos esses anos longe do grande amor, um tempo a mais passará rápido. E depois serão poucos dias. Afinal acabo de entrar em um novo, e excelente, negócio. Quem me apresentou esse negócio já está faturando mais de 40 mil por mês, e está apenas no terceiro mês. E eu já tenho três redes ligadas a mim. Acredito que em, no máximo, duas semanas eu já tenha recebido meu primeiro cheque que, certamente será alto. E já está definido, quando completar meu primeiro meio milhão nesse negócio, eu enviarei para minha querida Olga. E viveremos felizes para sempre.
Até lá, vou massageando meu ego com suas cartas. E enviando minhas mensagens de carinho. Quem de fato as lê e escreve as dela, não faz a menos diferença. Eu me comunico com a bela Olga. E nem é mesmo com uma Olga real. Eu me correspondo com a Olga que idealizei, a partir de algumas belas fotos, e de palavras cuidadosamente escolhidas, friamente carinhosas e toscamente traduzidas. O resto é resto. Podem dizer o que quiserem. Vou curtindo essa paixão ao máximo.
Ah! E se você está cansado de trabalhar todos os dias, o dia todo, por um salário que nem chega à segunda semana do mês, você precisa conhecer esse negócio revolucionário, no qual estou. É maravilhoso. Com poucos minutos por dia você pode ter ganhos inacreditáveis. Se quiser saber mais, venha para uma reunião de apresentação, ou assista aos vídeos no endereço http://171.sucesso-free-semsairdecasa-telex-clubedosmilionarios.ota

* Trechos retirados dos e-mails enviados para mim, pelo scammer Olga Lykova (que, teoricamente, é a moça que embeleza essa postagem)

Da série Pequenos Prazeres - "Delay"


O velho e seu dilema:
Ele, a cada dia mais lento
E mais rápido, o tempo

6 de mar de 2013

27 de fev de 2013

16 de fev de 2013


Passou o tempo
O seu e eu meu
Ficou a saudade
E a vontade
A dor ficou
O vazio preencheu cada canto
Os lábios ficaram secos
O abraço, vazio
O sorriso se desfez
Lágrima, até secou.
Sobram horas em cada dia
Nossos planos não mais existem
                Dos seus, não sei
                Perdi os meus
Nossa canção não toca mais
Ecoando,
Só seu adeus...

Violino insone,
Toca, toca, às vezes pousa
Essa chata muriçoca