29 de ago de 2014

Um pouco sobre o amor

Acontecimentos recentes, nos quais estou envolvido, em alguns direta, em outros indiretamente, me deixam sentindo vontade (na verdade considero necessidade) de retornar à esse tema, do qual já falei em outras ocasiões. Acho que sempre de forma um tanto sutil, e pouco direta. Então hoje quero ser direto, explícito e objetivo, o máximo que conseguir, e tão elegante quanto meu espírito rude permitir.
O tema da vez não são as contradições dos discursos dos defensores das diversas vertentes políticas ou econômicas, mas mexe tanto com as pessoas como esses temas. Pra ser bem franco, o que vou abordar aqui interfere muito mais nas vidas de quase todos nós.
Estou falando, e vou falar, de amor.
Sendo mais preciso vou falar do amor. Digo, de um tipo específico de amor. Do que mais interfere em nossas vidas. Daquele que tem o poder de nos fazer percorrer todos os ambientes descritos por Dante, em sua Divina Comédia. Estou falando desse sentimento que, em minha opinião, a maioria das pessoas o percebem como um misto de Phillio, Eros e Mania.
Não vou aqui falar sobre as outras definições. E esse não é um estudo ciêntífico. É apenas um manifesto pessoal. Estou expressando minha forma de perceber e me relacionar com o amor. Que fique bem claro.
Mas, mesmo sendo nada científicas, minhas observações são atentas e, de certa forma, segue sim, um método. Seja como for, vamos ao ponto.
Bem, por mais que alguns queiram nos convencer do contrário, a grande maioria das pessoas que vivem nesse planetinha errante, ainda necessita, ou acredita necessitar de alguém ao lado, para se realizar e ser feliz. E boa parte dos esforços despendidos pelas pessoas, ainda tem como principal motivador, a vontade de aumentar suas chances de encontrar, e conquistar a pessoa amada. Comportamento muito mais perceptível nos homens, mas que também está presente nas mulheres.
Em certa medida, preciso concordar, ao menos em parte com essa tese. Somos seres sociáveis, e companhias são sim, em certa conta, necessárias. Mas não posso dizer que “não nascemos pra vivermos sozinhos”, no sentido que a frase normalmente é usada. Mais correto seria dizer que “não somos preparados, desde o nascimento, para viver bem conosco mesmo”. Na verdade somos meio que programados para não nos considerarmos boas companhias para nós mesmos.
Mesmo assim, acho válido eterna busca pela outra metade, pela alma gêmea, pelo amor verdadeiro. Afinal é bom, é muito bom, amar alguém, não é?
O grande problema, e aqui é que começa ficar complicado toda e qualquer relação, é que ao longo da história nos contaram muitas mentiras sobre o amor. Veja que não estou falando de Agape, Ludus, Hesed, Pragma, Karuna, nada disso. Estou falando especificamente desse amor que alimentamos, direcionamos e esperamos ser correspondidos, por alguém com quem queremos construir uma família, e viver, preferencialmente, sendo feliz para sempre.
Em toda a história sempre nos encheu de falsas verdades, nos convenceram de possibilidades inexistentes, e nos fizeram acreditar em lendas que sempre, ou quase sempre se transformam em contos de terror, por não serem verdadeiras, e por nós estarmos aqui, na vida real.
Culpa de antigos místicos, cientistas modernos, necessários poetas e romancistas maravilhosos, e claro, da igreja (no plural).
Acontece que nem tudo cabe em uma fórmula mágica ou em tubos de ensaio. A vida não é ficção. E, definitivamente, apesar de ser cristão, é necessário reconhecer que em algumas áreas, a manipulação dos ensinamentos do Cristo, por seus “representantes” causou mais estragos que em outras.
Sempre nos disseram que quando encontrarmos a pessoa certa, ambos vamos perceber, e nosso amor irá despertar. Nos dizem também que, o amor deve ser correspondido. Que um sente quando e amado pelo outro. E, se uma relação acaba, devemos procurar esquecer a pessoa, sufocando o amor que sentíamos por ela. Nos ensinam ainda, alguns, que o amor só acontece uma vez. Ou que ninguém poderá ser feliz sem a pessoa amada. Em alguns casos, ninguém é feliz tendo amado uma vez.
O que nunca nos disseram, de verdade, é a quem pertence esse sentimento. A quem ele realmente pode impactar? Quem, de fato, se transformará pelo amor? Quem pode, de fato, senti-lo?
E é exatamente na direção dessas questões que minhas observações, ao longo dessa minha pacata vida, estão me levando. E, mesmo não sendo escritor inglês, bispo filósofo, cantor sertanejo, psicanalista alemão, jornalista barato, tampouco sou um tipo de Don Juan do Cerrado (bem, do Cerrado até que sou, mas sou incompleto de fábrica), me permito ter uma opinião em processo de formação. E sim, me atrevo a compartilhar com quem se arriscar a ler meus devaneios. E o que tenho observado pode ser exposto da seguinte forma:
Primeiro, sim, o amor existe. Nós o sentimos e ele pode sim interferir em nosso comportamento;
Segundo, sim, o amor pode ser lindo. E pode nos fazer muito bem. Mas, caso não o entendamos, os efeitos podem ser contrários, e desastrosos;
Terceiro, não, o amor não será nunca correspondido. Não espere isso, ou será para sempre infeliz;
Quarto, não, a pessoa amada sabe o quanto você a ama. Nunca saberá, e não poderá reagir ao seu amor.
Juntando todas essas informações, pode ser que minha tese fica um pouco mais clara. Então vou dizer de outra forma.
Caro leitor, o grande amor que cada pessoa sente, reside apenas ao ser dessa pessoa. É exclusivamente dela. E somente ela, a pessoa que ama, é que pode senti-lo. Todo amor que você pode sentir por sua namorada, ou por seu marido, é só seu. E a única pessoa que pode senti-lo é você mesmo. Ninguém mais pode. Por mais que você se esforce, a pessoa amada jamais sentirá o amor que você sente por ela.
E, pode parecer cruel no início, mas de fato não é. Quando entendemos a dinâmica desse sentimento tão necessário, vemos o quanto essa sua forma de agir nos é benéfica.
Então prossigamos. Como já disse, por mais que meu amor por minha namorada seja o maior que já existiu. Maior que o próprio universo. Esse sentimento gigante não sairá de mim. Eu posso tentar traduzi-lo em ações de carinho, de cuidado, de gentileza. E esses gestos são percebidos. E deles a pessoa amada se beneficia. Mesmo assim ela nunca saberá o tamanho do amor que sinto. Da mesma forma eu nunca saberei como é o amor que ela sente por mim.
Isso nos leva a entender que o comportamento da pessoa amada não está relacionado com a forma, ou com quanto eu a ame. Quem estiver comigo irá me tratar não conforme meu amor por ela, mas conforme o amor dela por mim. Apenas essa compreensão já poderia minimizar grande parte do sofrimento de alguns.
Mas ainda tem mais. Na mesma linha, ao aceitarmos que meu amor é só meu, seremos levados a entender que meu amor não poderá transformar ninguém, além de mim mesmo. Então aceite, o fato de você amar seu namorado não o transformará no homem que você deseja que ele seja. E isso vale para todas as pessoas.
Por outro lado, o amor que eu sinto é capaz de promover enormes transformações na única pessoa que pode senti-lo. Ou seja, eu mim mesmo. Então, o seu amor pode te transformar. Você, e somente você será transformado pelo amor que sente. Ao compreender essa verdade, nos livramos de muitas amarras, e aí nos tornamos aptos a sofrer todas as transformações que esse sentimento pode nos proporcionar. E, geralmente, nos tornamos pessoas melhores, mais felizes, mais “amáveis”. E isso não depende de ser correspondido, ou não. Depende apenas de saber se relacionar com um sentimento que é seu. Que libera um monte de enzimas, energias, toxinas boas em nosso corpo, e ainda nos possibilita expandir nossa visão e fortalecer nosso espírito.
E, quando meu amor não é correspondido? Ora, como quero receber em troca uma coisa que não estou oferecendo? Afinal o meu amor não alcança a pessoa amada. E eu posso não ser pra ela o catalisador certo, que irá potencializar o amor que ela mesma carrega, e que também é só dela.
Afinal é exatamente assim que, na prática, funciona. Quando sentimos que amamos alguém, na verdade essa pessoa apenas nos estimula a potencializar esse calor que jamais poderá aquecê-la, e que ela pode nem ter pretendido, ou imaginado. E nós sentiremos falta dessa pessoa, caso se afaste. Mas esse estímulo deixa de ser necessário à medida que reconhecemos a fonte em nós mesmos. E isso nada tem a ver com a vontade de encontrar um companheiro para a vida. Por favor, não confunda as coisas.
Também é válido ressaltar que minhas observações me mostram que uma pessoa que, aparentemente, não alimenta seu amor é, geralmente, mais triste, mais amarga. Mais infeliz. O que me leva ao ponto seguinte. Mesmo que você não foi “correspondido”, ou se suas relações nunca foram, assim, to felizes, não cometa o erro de tentar matar o amor que você sente. Ao contrário, alimente-o. Com você mesmo, para você mesmo. Por você mesmo. Mesmo que não tenha nenhum “alvo” para seu amor, ame. Incondicionalmente, ame. Em qualquer tempo, ame. Assim você se tornará uma pessoa mais atraente, mais apaixonante. Mais amável.
Afinal é a você que seu amor transformará.
Quando encontrar alguém, ame sabendo que é em você que seu amor está agindo. Será você o único impactado. E, para demonstrar que você ama, diga, seja carinhoso, seja gentil, tenha cuidados. E diga. Todo gesto não substitui demonstrações verbais. Diga que ama, só assim a pessoa amada terá uma vaga ideia do que você sente por ela.
E, se eu reconheço meu amor como meu. Então tratarei cada pessoa que estiver comigo, com o mesmo afeto. Seja a pessoa que vai viver comigo por toda vida, ou alguém com quem eu esteja por alguns instantes.
Aqui uma citação que acho perfeita. Retirada da canção “Como vai você?” de Antônio Marcos e Mario Marcos, Roberto Carlos brilhantemente cantou: “Vem, que a sede de te amar me faz melhor”. Veja que ele não está pretendendo que sua sede de amar transforme a pessoa em uma pessoa melhor. Mas reconhece que a vontade de amar a pessoa, o torna uma pessoa melhor. E, acredito, é exatamente essa a principal função desse amor do qual estou falando aqui. Nos transformar em pessoas melhores, contribuindo de forma decisiva para nossa evolução.
Claro que existem as distorções, como os “amores doentios”, os crimes motivados por supostos amores. Mas tudo isso, eu creio, se deve exatamente à nossa incompreensão dessa força tão fortemente transformadora.
Por ora é isso. A todos, muito amor.

16 de ago de 2014

Solidão

É que tem esses momentos,
nos quais não importa se você se acha forte ou fraco,
delicado, casca-grossa, ou frágil.
Se é bom ou nem tanto.
Se é do bem, ou se sua alma já habita parcialmente algum inferno.
Sempre poderá haver esses momentos.
Onde alguma coisa faz se formar um tipo de nó em nossas gargantas.
Nosso estômago fica se sentindo desconfortável.
Mesmo sem querer, lágrimas insistem em rolar dos olhos.
Seja pelo que for.
Não se pode controlar tudo o tempo todo.
Muito menos o turbilhão de lembranças que, assim, de repente vem.
Seja lá de onde for.
De dentro de uma gaveta mal fechada.
Do fundo de um histórico de e-mails empoeirados.
Ou simplesmente de algum canto escuro de nossa mente (esse arquivo às vezes falho, e às vezes surpreendentemente eficaz...).
E você pode se ver de frente com todo tipo de sensação.
Saudade de alguma situação, ou de alguém.
Vontade experimentar novamente algum sabor, ou sentir certo perfume.
Ou, pode ser também, apenas um enorme sentimento de fracasso, por não ter conseguido manter situações, pessoas, perfumes e sabores...
Se a cada dia nos tornamos mais amadurecidos e, com isso nossa capacidade de analisar fatos, causas e consequências.
Também pode ser bem maior nossa vergonha, ao vislumbrar quanto erro bobo comentemos...
Não. Não estou reclamando da vida.
Nem querendo reconstruir o que é "irreconstruível".
Tampouco estou me culpando de tudo de ruim que já possa ter me acontecido até hoje.
Pode ser que encha a cara,
Mas não vou me matar (não vivo muito bem se estiver morto).
É que hoje foi um dia desses.
Em que queria muito conversar sobre tudo, ou sobre nada.
Quem sabe chorar um pouco.
Enfim,
Senti vontade de certo colo,
e o abraço do amigo não mais presente...