19 de set de 2017

Quero fugir daqui,
                de mim.
Quero encontrar um lugar,
Um mar onde velejar tranquilo
Um deserto
onde minha lágrima não molhe a areia
uma montanha tão alta
que nenhuma saudade consiga chegar
Um lugar onde estar só, não seja solidão
Um lugar diferente
Onde tenha perfume, as flores.
E dos frutos emanem doces odores
Onde o ar entre nos pulmões
Leve
E não como explosão.
Quero refazer caminhos
Retocar pinturas
Reescrever versos tortos
Regar canteiros,
                E não decepar margaridas
Brincar ao amanhecer
Correr livre em meia tarde
E, no ocaso da existência,
Que eu possa me sentar em paz
Ao lado de quem não teve medo de viver comigo
Me sentir seguro
E protetor
Ao segurar uma delicada mão
Quero sentir o tempo passar sem medo
Sem pressa
E sem vergonha.
Que o vinho me seja companheiro de risos
E não alívio da dor
Que as lagrimas existam
Mas que venha muito mais por alegria
E quase nunca por sentir que escolhi errado.
Que as escolhas não pesem
Que os passos não pesem
Que os anos não pesem
Mas que a vida,
                ela, inteira,
tenha valido a pena.
É o que espero
Por isso,
                Talvez,
Eu queira fugir de mim agora.
Mas sei que para chegar lá,
                Onde espero,
Preciso, antes,
Passar por aqui.
E tenho certeza,
Esse exato momento,
Que agora doe
Um dia será lembrança feliz
Aprendizado
Necessária lição.
Só por isso não fujo
Sigo firme,
No agora
Me agarrando a tudo que está ao alcance de minhas mãos
Lembrando de cuidar sempre
Desse inocente
Inconsequente
                E quase irresponsável
Que é meu pobre coração.

11 de set de 2017

Meio que...

Meio sem querer, te observei.
Com seu jeito expansivo
humor meio que ácido
Inteligência aguda
Meio sacana,
            (muito maliciosa)
foi assim que chegou.
Invadiu meu universo
Me alterou completamente.
Desorganizou meus dias
Organizou minha vida.
E, em pouco tempo, tornou-se assim,
            meio que vital.
Me deixando meio dependente dessa disfarçada força
            (incompreensível pra mim)
Que me altera por inteiro...
Só me resta admitir: te quero tanto,
            e tão intenso.
(Meio que o tempo todo)
te quero aqui,
perto de mim.


1 de ago de 2017

Retificação do Regulamento

Prezadxs visitantes, escritores e escritoras,
O Regulamento do 1º Concurso Literário Deriva teve o caput do Art. 2º retificado, para dar mais clareza. Veja aqui o Regulamento atualizado.

E esse inverno que não quer passar
E esse frio lá fora, e aqui dentro
E esse medo de não ter calor
E a vontade do mesmo sabor
Não esse amargo na saliva
E a desordem
E essa tormenta
Tempestade em pleno vácuo
E a incerteza se devo seguir
E a insegurança
E essa dúvida se vou conseguir
E o sufocante, e pesado, vazio
E esse nó que não se engole
E a ferida que não cura
E essa necessidade de mantê-la exposta
Aberta
Sangrando
Doendo
Me lembrando, pra sempre,
Que te amo
Mas que um dia te deixei partir...

21 de jul de 2017

Abrigo

Lugar seguro é seu abraço
Onde me aninho
e me protejo
e me revigoro
e encontro forças
para ser  o homem frágil que sou.

Lugar tranquilo é seu abraço
onde posso relaxar
descansar
sonhar
criar
ou simplesmente contemplar

Melhor lugar, é seu abraço
pra onde vou sempre, sem pressa
pra onde qualquer caminho me traz
de onde não quero sair
que procuro o tempo todo
pois é onde encontro a paz.

4 de jul de 2017

1º Concurso Literário Deriva

Atenção escritores e escritoras de Caiapônia e região, estão abertas as inscrições para o 1º Concurso Literário Deriva, nas categorias Poemas e Contos.
Realizado pelo Espaço Cultural Casa do Naza, O 1º Concurso Literário Deriva tem como objetivo incentivar, valorizar e divulgar a produção literária de Caiapônia-Go e região.
As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de agosto, exclusivamente pelo email: concursoderiva@gmail.com
Podem participar do concurso todos os escritores e escritoras maiores de 16 anos, residentes nos municípios das microrregiões Sudoeste de Goiás e Iporá, e no município de Piranhas, estado de Goiás.
Chegou a hora de tirar seus trabalhos da gaveta, participe você também do 1º Concurso Literário Deriva.

Apoio Cultural:



 Agradecimento especial, pelo apoio, aos amigos:
  • Marta Brandão;
  • Thalyta Souza;
  • Vanja de Castro;
  • Manoel Neto;
  • Carlos Hernani;
  • Warrem de Paula (Tico);
  • Handinelle de Almeida;
  • Tarcísio Barreiro;
  • Eduardo C. de Assis;

13 de mai de 2017

Esfinge

Linda e misteriosa
eu a vejo.
Entre observação
e contemplação.
Nem indiferente
nem apaixonado.
Relutante e indeciso
entre a ânsia de te decifrar,
e esse desejo de ser devorado.

29 de abr de 2017

Quantas formas de solidão podemos sentir?

Certo, terminei de ouvir o lado A da fita 7. Ou, se preferir, a fita 13.
Na verdade terminei dois antes de me sentar pra escrever esse texto. Então já deu tempo de guardar tudo em alguma gaveta interna, aqui dentro.
Pode parecer estranho, inicialmente, que eu esteja aqui começando uma conversa sobre uma série americana de tv, feita por adolescentes, para adolescentes. Mas, pode apostar, não é estranho. Nem falta do que falar.
Necessário, com certeza, contextualizar tudo.
Estou falando da série Thirteen Reasons Why”, produção da Netflix adaptada do livro homônimo, do escritor americano Jay Asher lançado em 2007. A série foi lançada esse ano. Uma década depois do livro. Exatamente no ano em que certa Baleia Azul ganhou notoriedade, por levar vários adolescentes e jovens, no mundo todo, a darem cabo da própria vida.
Alerta de spoiler!
A história trata do suicídio de uma jovem estudante, abordando os fatos que a levaram a se matar. E os fatos que se desenrolam após, como consequências. E a produção foi muito feliz em traduzir a melancolia muito presente na adolescência. Então todos os episódios são tensos. Até tem momentos de leveza, onde se pode esboçar um sorriso. Mas, até aí o riso é amarelo. Sem graça. Triste.
Não vou aqui falar da qualidade das interpretações, da fotografia, trilha sonora, nem figurino. Sobre isso, digo que está bastante condizente com o que se espera de uma produção do gênero.
Quero falar sobre o conteúdo. Ao menos de parte dele.
Como disse, o pano de fundo é o suicídio de uma adolescente. Mas o autor aproveita muito bem esse fato para discutir, e provocar reflexões sobre muitas coisas que podem orbitá-lo.
Comum pensar, imediatamente, que se trata de um caso de depressão. Tema que até é abordado na história. Mas não esse o tema principal.
O que está mais presente, em toda trama são as diversas maneiras que uma pessoa pode sentir solidão. E é sobre isso que pretendo me deter aqui.
Mas, no caso de Hannah Baker, vários fatores, foram responsáveis pela solidão na qual vivia. Fatores muito fortemente presentes na cultura americana, e que temos, cada vez mais, copiado para nosso cotidiano.
Primeiro, tem a cultura infame de, nas escolas, ter os “mais populares”. Esse não é exatamente o problema. O problema é que quem é escolhido como popular se acha no direito de agredir, humilhar, assediar sob vários aspectos, os demais.
Segundo, sempre me causou espécie o corporativismo criminoso presente nas organizações americanas. Das fraternidades acadêmicas às chamadas “sociedades secretas”. Sob a qual os crimes cometidos por um membro não deve, jamais ser denunciado pelos demais. Ao contrário, todos se mobilizam no sentido de ocultar. Mesmo que para isso precisem sacrificar um inocente. E em muitos casos, é isso que acontece.
O mais impressionante nesses dois aspectos é o quanto as famílias, a imprensa e Hollywood se esforçam para manter, e fortalecer.
Praticamente toda série adolescente americana incentiva o comportamento abusivo dos “populares”, e ensina aos demais, sobretudo às meninas, que a única coisa que elas devem pretender é serem aceitas por aquelas, e se esforçarem para se tornarem iguais a elas. Ninguém tem o direito de ter personalidade própria. De pensar ou querer diferente.
Da mesma forma, vê-se em vários filmes e livros o reforço e incentivo ao comportamento corporativo criminoso. Onde, caso alguém resolva denunciar um crime cometido no meio, não será o criminoso, mas o denunciante que será severa e exemplarmente punido.
Vimos isso em “Perfume de mulher”, “Sociedade secreta” e tantos outros. E tudo isso pode ser visto, junto, em “O clube do Imperador”.
Enfim, não faltam títulos que, não apenas mostram esse comportamento, mas incentivam-no.
Sei que não se restringe aos americanos. Cá também temos nossos exemplos de corporativismo criminoso, claramente percebidas em diversos conselhos e ordens profissionais. Mas ainda estamos um pouco longe de estado da arte, em que os americanos chegaram.
Outro fator, é o modo altamente protocolar, e frio, como algumas sociedades constroem suas relações, internas e externas. Não se conversa mais livremente. Não se pode expressar sentimentos. Tudo é formal, frio, burocrático.
E, por fim, o pensamento/comportamento machista que ainda impera em todas as sociedades do planeta. E que leva a nós, homens, a achar que podemos fazer tudo que quisermos com as mulheres. Quando e onde quisermos. E que elas devem aceitar sem resistência. E, depois, devem conviver. Tocar suas vidas, como se nada tivessem acontecido.
Todas essas características estão presentes na escola de Hannah Baker. Os atletas e lideres de torcida se ocupam em humilhar todos os demais. E a bela Hannah não era nem atleta, nem líder. Era apenas uma garota bonita e medianamente inteligente. Era bonita e, vejam só, por isso era hostilizada, humilhada e assediada o tempo todo. (sei que parece contraditório, mas de fato não é). Ela não tinha amigos. Os garotos a desejavam, mas a viam apenas como uma garota com quem transar facilmente. Mesmo que ela não tenha transado, efetivamente com ninguém. Mas o que importa é o que circula pelos corredores, e não os fatos. E ela então estava sempre sozinha, apesar de cercada por centenas de jovens na mesma idade.
Hannah presenciou uma colega ser estuprada. E teve que conviver com isso sozinha, sem conseguir expor pra ninguém. Sem desabafa sobre. Sabe-se lá o que é para uma garota viver com isso, só pra si? Eu nem consigo. Mas tenho imagino que deve provocar uma terrível sensação de solidão. Deveria ter denunciado, eu sei. E alguns dirão. Mas alguém aqui já foi vítima, ou presenciou? Isso mexe muito com o psicológico da mulher de uma forma muito profunda. Às vezes nos chegam notícias de mulheres que foram, ou são, abusadas por anos, e não consegue se livrar, sair de perto. E você acredita mesmo que todos os casos em que mães acobertam abuso de suas filhas, é por serem coniventes? Por não se importarem? Sim, existem esses casos também. Mas às vezes a pressão psicológica é tão assustadoramente grande, que a pessoa não simplesmente consegue reagir.
Hannah viu um acidente acontecer como consequência de um ato irresponsável de outra colega. Ela tentou evitar, foi impedida. Depois queria esclarecer, novamente não pode. Novamente o comportamento alheio provocando solidão.
Por fim Hannah foi, ela mesma estuprada. Não conseguiu reagir. Não conseguiu lutar. Apenas ficou paralisada. Muitos dirão “por que não lutou?” Outros podem dizer ainda “se não fez nada pra impedir, é porque queria”. Esses, claro, serão pensamentos masculinos. Afinal nós não podemos imaginar tudo que acontece no universo de uma mulher ao ser estuprada. Quanto destruída ela fica? Nós não conseguimos imaginar. Mas acredito que seja o máximo de solidão que alguém possa sentir. Uma solidão tão profunda, que te envolve corpo e alma. E o pior, dura por muito tempo. Em muitos casos, por toda a vida. E Hannah, que já era completamente solitária, foi arrastada para a mãe de todas as solidões.
Mas o que ela estava fazendo lá, em uma piscina junto com o estuprador que ela mesma viu abusando da amiga bêbada? Novamente chamo a atenção para o fato de que ela estava buscando se enturmar, fazer parte. E tem aquele corporativismo criminoso do qual já falei, que atua fortemente entre os homens, e por vezes nos convence de que certos monstro, que sabemos reais, não existem. É preciso tentar analisar sob a perspectiva dela.
Então ela pensou em desistir de tudo. Antes porem, acreditou que poderia valer a pena buscar a última ajuda possível. E o que encontrou, ao falar com o aconselhador do colégio? Frieza, impessoalidade, comportamento puramente protocolar. Como, me parece, é o comportamento comum de todos, inclusive de quem deveria ser capaz de acolher. De amparar. Mas não. Nenhuma demonstração de empatia, muito menos alteridade. Apenas conselhos quase mecânicos. Só isso já seria o suficiente para jogar qualquer pessoa, que tivesse ido procurar ajuda, cada vez mais fundo na solidão. Inda mais uma garota na condição em que Hannah se encontrava. Mas piora muito, quando o machismo fala mais forte no aconselhador. Ao perceber que ela estava contando que havia sido estuprada, o gentil senhor, educadamente aconselha a esquecer, e seguir em frente. Ok, ele usa uns argumentos que podem até parecer legais e convincentes. Mas se olhar bem de perto, vai perceber o que de fato acontece.
Pronto. Eu me senti solitário. Eu senti um vazio gigantesco. E eu estava no conforto do meu velho sofá, comendo sei lá o que.
Imagina uma garota naquela situação...
Mas, tudo ainda pode ser pior do que parece. E, enquanto vivia todos esses episódios provocadores de solidão (e diversas outras situações que deixariam esse texto ainda mais gigante), uma outra coisa acontecia. Outra coisa que também tem uma capacidade enorme de nos provocar solidões homéricas. Ela vivia um amor. Sim, ela amava um garoto. E, vejam vocês, era correspondida. Mas eles optaram por não expressarem esse sentimento. Tiveram medo. Mas, como alguém pode ter medo de assumir que ama? Simples, somos condicionados a encarar erroneamente o amor que sentimos.
Ao mesmo tempo em que somos forçados a acreditar que o melhor pra nós e sermos como o rei e a rainha do baile, também somos ensinados que é perigoso demonstrar sentimentos. Que amar pode nos fazer parecer fracos. Então temos medo de assumir.
Somos bons em querer pegar todas na balada. A beijar geral nas micaretas da vida (e nós, machos da espécie, achamos que podemos fazer isso a força, afinal, se elas estão lá, é porque querem mesmo). E nos achamos os melhores do planeta quando fazemos isso.
Mas, assumir que amamos alguém, não. Não temos coragem. E construímos um tipo de solidão que pode estar presentes o tempo todo. Mesmo nas baladas. Sobretudo após. Depois de beijar geral.
Em minha opinião, como já disse, Thirteen Reasons Why não é sobre depressão. Apesar de não ser psiquiatra, psicólogo, pastor dinheirista nem aconselhador protocolar, não acho que Hannah Baker tivesse depressão. Não enxerguei que fosse patológico. Ela não tinha sintomas. Nem teve tempo para somatizar tudo que aconteceu. Ela morreu de solidão.
Não estou aqui dizendo que todos que estavam à sua volta sejam culpuados. Não se trata de culpabilizar ninguém. Mas de reconhecer comportamentos agressivos, abusivos ou apenas indiferentes, com potencial de provocar reações negativas ou extremas.
Sei que muitas pessoas passam por situações parecidas, ou piores, e não se matam. Da mesma forma que alguns convivem com câncer ou HIV, e morrem “de velhice”. Se era mimada. Ou se estivesse querendo apenas chamar a atenção, não muda minhas observações. Pois essas características são causa e consequência do estilo de vida que estamos construindo como sociedade. E precisamos encarar isso.
Então, Hannah Baker morreu de solidão. Assim como boa parte dos jovens, que estão se matando, lavados pela Baleia. Eu acredito.
Tenho visto muitos falarem de doença psicológica e/ou psíquica. Sei que depressão é doença, e deve ser encarada como tal. Com acompanhamento profissional, e quando necessário, com uso de medicação.
Mas nem todo mundo que se mata é necessariamente uma pessoa depressiva.
O empresário que perde tudo na bolsa, se vê totalmente falido, e por isso se joga do alto da cobertura, da qual está prestes a ser despejado, não tem depressão.
O deputado japonês, pego em algum esquema de corrupção, e envergonhado, enfia uma katana no próprio peito, não o faz por depressão.
Da mesma forma muitas pessoas se matam não por depressão. Mas por solidão. Que pode evoluir, claro. Mas nem todo mundo espera.
E, nesses casos, não é necessário medicamentos, ou terapia. Basta atenção. Abraços. Sinais de que se importa. Empatia. Companhia. Alteridade.
Em março de 2009, a exatos sete anos, eu escrevi um texto onde já tratava desse tema. E, na época usei como parte do enredo a música “um homem chamado Alfredo”, da dupla Toquinho e Vinícius de Moraes (que novamente recomendo). Já naquela época eu me assustava com a capacidade que estamos desenvolvendo, de não conseguir nos doar ao próximo. Por não conseguirmos mais ter conversas demoradas, sem que seja para obter algum lucro financeiro. E essa nossa rotina tem nos tornado seres solitários.
Não me surpreende o fato de um jogo, que tem como etapa final, o suicídio, se tornar tão popular, e ter tantos jovens realizando, com êxito, o último desafio.
Afinal, temos muitas pessoas doentes com depressão. Mas estamos quase todos nós vivendo de forma profundamente solitária.
Alguns transformam isso em arte (eu faria poesia de qualidade duvidosa, pseudo melancólica). Outros em violência (vide chacinas em escolas americanas). Tem os que simplesmente convivem e administra. Mas há os que não suportam a solidão, e se matam por isso. E, para esses, qualquer tipo de incentivo é pretexto. Sobretudo que der, ao menos por alguns dias, a falsa sensação de pertencer à algum grupo.
Diferente de Pretty Little Liars, que é uma série feita por adolescente para adolescentes, e de Grey's Anatomy, que é uma série feita por adultos, para adolescentes, Thirteen Reasons Why é uma série feita por adolescentes para adolescentes e adultos. E todos poderão extrair a discussão que desejar, pois aborda vários temas altamente relevantes, e completamente atuais.
Toda minha opinião está baseada unicamente na série de tv. O livro espero ler nos próximos dias.
E, apesar de melancólica, densa e bastante down, ainda é muito mais leve do que Black Mirror. Então muito mais palatável para a maioria das pessoas. Por isso eu recomendo.
Mas, o que recomendo mesmo é que, prefira assistir a qualquer série, ou filme, ou ouvir música. Ou fazer qualquer coisa, com pessoas queridas. E, sempre que possível, o máximo possível, dedique um tempo ao ato de ser amigo. Ouça sem pressa. Abrace sem medo. E, quando amar alguém, compartilhe, demonstre, deixe a pessoa saber. Não guarde esse sentimento só pra você.
Essas coisas podem salvar muitas vidas. Inclusive a sua. Ou a minha...

25 de abr de 2017

Grito silente

Sutil a linha que separa
meu amor por você,
e minha raiva de mim.
Num dia eu tinha o Céu
no outro, perdi o chão
Não entendi os fatos
Não tive o que contar pro meu coração...
Racionalizar emoções,
emocionar a razão.
De nada adiantou.
Olho pra fora, não vejo nada.
Olho pra mim, fria solidão.
Grito.
Minha voz ecoa no vazio
Ouço apenas meus soluços
Sem estrelas em meu céu
Meu mundo tornou-se
densa,
esmagadora,
sufocante,
assustadora escuridão.

27 de mar de 2017

Ainda sobre o amor

Querida amiga, pensei em escrever uma carta, daquelas com caneta, papel e que usa selo impresso colado no envelope para chegar ao destinatário, pelas mãos de um carteiro. Mas a urgência por me expressar foi maior. Não consegui me conter.
Então, seguindo com a conversa iniciada a muito (provavelmente bem antes de termos nos conhecido), e não concluída (pois algumas jornadas são eternas, e algumas lições nunca devem ser esquecidas, sob pena de não serem aprendidas, ou rapidamente esquecidas). Sabe, querida, minhas certezas são apenas minhas, e são fruto de observações atentas do mundo à minha volta e, por consequência, das pessoas que me cercam. Mas sei que por vezes essas minhas verdades vestem muito bem outras pessoas. Por isso gosto de compartilhar meu modo de encarar o mundo.
Então, veja, quanto podemos aprender observando a vida do Oswaldo Montenegro, esse cara que admiramos. Acho até que ele não se dá conta. Mas isso só aumenta a beleza da coisa.
Como já disse antes, em textos e em conversas rápidas, vejo que temos grande dificuldade em entender esse sentimento maravilhoso, rico enriquecedor e edificante que é o amor. Fomos moldados de forma distorcida. Ao longo da história, sobretudo aqui no ocidente, fomos levados a confundir não só nossos sentimentos, mas também nossa percepção a cerca de tudo que nos cerca.
E o amor foi um dos sentimentos que mais sofreu distorções, nesse percurso.
Obrigamos-nos a ligar, sempre, amor com sexo, e/ou laço como namoro, casamento e alhures.
Sim, é bom ser querido. É ótimo saber que alguém nos ama. E é maravilhoso estar em um relacionamento onde somos correspondidos em nossos sentimentos. Mas o amor, assim como todo sentimento que temos, é sentido de forma um tanto solitária. E é muito injusto, com nós mesmo, e com a pessoa que está comigo, exigir que o sentimento seja partilhado na mesma intensidade e profundidade.
Também é injusto com todos, sobretudo com nós mesmos, negligenciar, negar, ou pior ainda, sufocar intencionalmente o amor que sinto por alguém, só pelo fato de não conseguir construir uma relação com essa pessoa.
E é exatamente isso que a maioria de nós faz. Boa parte das pessoas vive, e morre, infelizes, devido essa cobrança injusta.
Deixamos de acreditar no amor, porque a pessoa que amo não quer me namorar. Matamos-nos, e matamos a outra pessoa (sobretudo se sou homem e a outra pessoa for mulher), por achar que somos donos, ou propriedades de quem nos desperta esse sentimento. E alguns se obrigam uma vida inteira de infelicidade, ao lado de alguém, por quem temos amor, mas que é incompatível para se construir uma vida a dois.
Tudo pode parecer confuso, e maluco demais. Mas não é. E o Oswaldo e a Madalena estão aí para nos mostrar isso na prática.
Não sei em que ponto eles entenderam isso. Mas entenderam. E ainda bem.
Veja, minha amiga, existem pessoas que acendem em nós uma chama que as outras pessoas não podem acender. Um sentimento com força para nos influenciar como nenhuma outra. E que, quando compreendido, nos eleva como seres humanos. Nos faz melhores. Nos leva querer sermos melhores. Nos aponta o caminho não apenas da felicidade, mas da iluminação, nos fortalecendo e nos encorajando à cumprir nossos talentos e nossas missões nessa existência.
E tudo isso é muito forte, é muito intenso. É muito bom. Pode ser muito bom.
O problema é que nos contaram uma história equivocada, de que é com essa pessoa que eu devo me casar, ter filhos, construir uma família, e Tal. Ou é isso, ou devo me afastar dessa pessoa, apagá-la de minha vida, eliminar toda marca dela que possa existir em mim. E, em alguns casos, assumimos que, se ela não ficar comigo, então não ficará com mais ninguém. E nos tornamos assassinos. Ou suicidas.
Mas o fato, minha querida, é que não precisa ser necessariamente assim.
Sim, eu quero ter por perto a pessoa que me desperta o amor. Mas não devo me sentir proprietário, nem propriedade, dela. Pode mesmo acontecer de não rolar um romance. Pode mesmo não haver reciprocidade do sentimento. Mas, se o amor que eu sinto é meu, o importante é que eu o sinta, e tente materializar as reações que ele provoca em mim. Daí, querida, é necessário reconhecer todo bem que esse sentimento me faz. Assim, devo reconhecer, também, todo bem que a pessoa que o desperta me proporciona.
Mas preciso compreender, e aceitar que nem sempre será com essa pessoa que eu irei pra cama. Pode ser que aconteça. Mas pode ser que não. E, os motivos de não rolar, podem ser os mais diversos. E isso não deve me tornar infeliz.
Da mesma forma não deve ser motivo de tristeza e infelicidade, o fato da pessoa que eu amo se enamorar por outra pessoa. Eu também irei me enlaçar com outra. Faz parte da construção da vida.
E não estou dizendo que devo aceitar passivamente uma situação, de forma acomodada, e sofrendo com ela. Não é isso. Também não significa construir uma relação embasada em mentiras ou coisa assim.
Se por um lado existem poucas pessoas que nos despertam o amor. Por outro, é um pouco maior, sorte nossa, o número que pessoas que nos despertam desejo, que nos é boa companhia, que nos dá a segurança que precisamos para constituir uma família. Se essa pessoa também nos despertar o amor, tanto melhor. Mas se não for. Então que eu me case com ela, e tenha por perto aquela que me torna melhor. O mundo todo agradecerá, inclusive a pessoa que me for escolhida como cônjuge.
E sim, acho que tudo fica muito mais rico e pleno, se o sentimento for declarado, como no caso de Oswaldo e Madá.
“Não tenha ciúmes, querida. Eu amo essa mulher, mas é com você que quero envelhecer e criar netos”
Também podemos ter esse grande sentimento despertado por alguém incompatível para relação, como nos ensinaram. E por vezes a confusão que nos causa é muito maior, e com conseqüências muito desastrosas. Por exemplo, sendo eu hétero, fui ensinado que não posso amar alguém do mesmo gênero. Que isso me fará homo, diferente, errado. Mas, veja que eu disse AMAR, e não transar. Só que, como fomos condicionados a não enxergar as coisas de forma correta, sempre que eu amar alguém, vou achar que devo ter desejo sexual por essa pessoa. E se ela for um amigo querido, não aceito, por não entender. E matamos o que de melhor pode haver em nós, por pura incapacidade de amar verdadeiramente.


3 de mar de 2017

Vazio

E há dias em que se sente esse vazio,
Imenso,
Amargo,
E cheio de angustia.
Não é um vazio que expande.
É um vácuo preste a implodir,
Te levando embora
                Pra dentro,
                Pra fora,
                Pra longe
                Pro fim...
Como uma super nova,
Ele ameaça engolir tudo que existe
                Dentro e fora de você.
Mas não o faz,
Pois nem ele se suporta.
E com a pressão, e força de atração de um buraco negro,
Sente repulsa de seu sabor,
Sente náuseas por sua dor
E, em um esforço paradoxal,
Tenta se vomitar...


Árido

Ao longe,
Do deserto,
O navegante fita o mar.
Com paciência e atenção, tenta desvendar seus mistérios
                Que julgava conhecer...
Hoje sabe que, a aparente calmaria pode ocultar violenta tempestade.
Onde havia porto, não há mais cais.
E suas águas, não permitem mais a navegação.
O navegante chora de saudade
Da aventura tranqüila, que era navegar,
Das descobertas e emoções, que era mergulhar,
Da beleza, por tanta vida,
Pela liberdade, vivenciada e oferecida,
Da segurança, pela certeza de poder aportar.
Da certeza de que o mar seria sem fim...

O navegante fita o mar,
Sonha em poder sair do deserto, e se refrescar novamente.
Reza para que a turbulência logo passe,
E, que ao menos o oceano encontre Paz.
Que tanta cor, perfume e energia,
Não se mate com o sal,
Não se polua com ácido,
Não se envenene com o ódio
Não congele nem evapore.

Ao longe,
Do deserto
O navegante fita o mar, sabendo que sempre irá fitar.
Sabe que há Oasis,
Rios, lagos e montanhas,
                E certamente irá se aventurar em outras paisagens
Mas não irá perder de vista o oceano,
Pois nunca vislumbrou, em outro lugar, tanta vida...