31 de jul de 2010

Da série "bons causos" - Era caso pra milagre mas, a quem recorrer?

Abrir uma igreja hoje em dia é coisa simples. Se for uma nova denominação então não se gasta nada, e ainda tem um jacá de vantagens fiscais. Se for uma franquia deve ser um pouco mais complicado. Além de ter que dividir os lucros com os detentores da marca.

Sim, eu usei os termos “franquia” e “lucros”, isso pra deixar claro minha compreensão de que hoje é disso (e somente disso) que se trata. Igrejas (e religiões) agora são apenas negócios. E com cerca de R$ 500,00 e pouca burocracia, qualquer um pode ter o registro de uma denominação religiosa, com poderes para nomear pastores, bispos e tudo mais. Se esse meu aperto continuar, acho que vou abrir uma, com meu nome acho que farei sucesso.

Mas esse texto não é sobre facilidades pra se abrir uma empresa do ramo imobiliário celeste. E sim sobre as dificuldades que existia para se abrir uma capelinha, nos tempos do monopólio da empresa-estado multinacional romana.

Dona Pequena, uma supersimpática senhora baiana, que vive há muito tempo em Mineiros, lá pra bandas de onde nasce o rio Araguaia, no extremo sudoeste goiano, conta que, quando era moça-donzela, ainda vivendo em pleno sertão caatingueiro, em um pequeno povoado, a comunidade cismou que já estava merecendo uma capela, já que a crença é uma das características mais marcantes do povo nordestino, sobretudo do pobre povo sofrido do sertão.

Convenceram o vigário, que vinha duas vezes por mês celebrar no velarejo, que convenceu o pároco, que obteve autorização do bispo. Tudo feito direitinho, respeitando a hierarquia e seguindo os ritos.

Todo mundo acordado, danaram a fazer festas, leilões e quermesses para arrecadar os fundos necessários. Claro, contaram com a farturenta contribuição do “Corené” da região.

Em pouco tempo o montante já havia sido levantado, e a obra foi iniciada. Serviço voluntário (doação para o erguimento da casa do Senhor). Trabalho feito em ritmo de mutirão, sempre seguido de arrastapé, comilança e bebelança (e algumas vezes por confusão causada por bêbados ou mulher enrredeira).

Em breve a capela estava pronta. Era pequena, mas havia ficado uma beleza. Sino de bronze na torre, relógio e uma imponente cruz de madeira.

Toda comunidade se alegrou. Algumas senhoras se emocionaram, as mocinhas se animaram com a possibilidade de poderem se casar ali mesmo, no próprio povoado. Já alguns senhores não gostavam muito da idéia de que agora teriam que pagar, digo, darem o “ofertório” toda semana, ou mesmo, todos os dias, já as crianças brincavam dizendo que a torre da igreja (apenas um pouco mais alto que o abacateiro da dona Rosinete) estava fazendo sobra no povoado vizinho. Enfim, a felicidade era geral.

Depois de tudo pronto, todos se “arreuniram” para decidir a melhor data para a inauguração. Afinal queriam todas as autoridades presentes na importante cerimônia. Principalmente o bispo.

Marcaram para a o terceiro domingo daquele mês de agosto do ano cristão de 1949. Se a memória da dona Pequena não falha, ela acha que era dia 20, ou 21. A reunião estava chegando ao fim, quando alguém resolveu fazer a pergunta que quase gerou uma tragédia.

É que com tanta animação pela construção da igreja, ninguém havia atentado para o fato de não terem definido qual seria o padroeiro, ou padroeira (por que no ramo das coisas da igreja esse negócio de gênero sempre foi muito claro).

Quando o seu Joaquim da Bina perguntou qual seria o santo da capela, foi aquele falatório. Começou baixo e até comportado. Mas como uns diziam “Santa Luzia”, outros “São João” (as crianças preferiam este por conta da festa que teriam em junho), as moças se adiantaram a defender “Santo Antônio”, por motivos óbvios.

Logo os ânimos estavam exaltados. De longe se ouvia gritos de “Nossa Senhora do Bom Parto”, “Nossa Senhora de Fátima”, “São Bento”, “São Cristovam”, “Nosso Padim Padre Cícero”. Até São Lampião foi dito por alguém. Quando a coisa ia saindo do controle, foi preciso que o cabo Aniceto (maior representante da lei existente na cidade) sacasse sua garrucha e disparasse um tiro paro o alto.

Todos pararam assustados. O Coronel, que havia ordenado ao cabo que tomasse a providencia destumultuante, encerrou a reunião, dizendo que a escolha do santo ficaria pra uma outra hora.

Todos saíram a contragosto, e foram pra suas casas resmungando.

Duas semanas depois, na venda do Chico do Tião, que ficava no povoado vizinho alguns moradores indagavam ao cabo Aniceto sobre a demora pra inaugurar a capela que eles tinham construído, alguns querendo mangar um pouco mais chegavam a colocar em dúvida a construção da tal capela, no que teve como resposta, em tom muito descorçoado: “a igreja nois’ tem, o diabo é o santo”.

21 de jul de 2010

Promessa

Ta bom, eu também concordo.
E prometo que vou tentar, postar somente textos mais curtos a partir de agora.
E os poemas da série "Pequenos prazeres, mas não Haikai" voltarão em breve.
Obrigado

Sobre palmadas e saúde social

..................... Reedição contextualizada .......................

Alguns temas estão sempre na mídia. Um que sempre me interessou, pela preocupação que me causa, é a “questão da segurança pública”, incluindo aí o aumento da criminalidade juvenil, a banalização da violência, a forma truculenta que parte da nossa polícia (às vezes) age, a superlotação das cadeias e presídios, as medidas de punição e ressocialização e, mais recentemente, os casos de progressão de pena, concedidas a verdadeiros psicopatas.
Concordamos, creio, que a educação de nossas crianças tem relação direta com os temas citados acima. Não estou falando, apenas, da educação formal. Mas, principalmente, da relação familiar e a convivência que se tem em casa. E, claro, a forma como os pais, ou responsáveis, criam seus filhos.
Essa semana muito se falou sobre isso. Especialmente sobre a legitimidade, ou não, das conhecidas palmadas. Se é certo ou errado. Se deve ser coibida com a punição dos adultos que praticarem, ou não. Se um pai, ou mãe, que dá umas palmadas em seus filhos, deve ser denunciado e considerado agressor, ou não.
Bem, nosso presidente resolveu esse dilema para nós. Agora não restam mais dúvidas sobre isso. Dar palmada nos filhos é crime, e pronto.
Esse tema me interessa muito, pois quero estar inteirado de todos os avanços acerca dos métodos e formas de educação. Mas, como sempre, acho que apenas esperar, passivamente, para que as normas sejam definidas, não é muito legal. Se a aprovação de uma lei ou definição de um hábito social interferirá em nossas vidas, acho que devemos participar de todo processo. Mesmo agora, com o envio desse projeto de lei, pelo presidente, não podemos concordar que a aprovação que se dê de forma antidemocrática e não participativa.
Bom, eu comecei falando de dois temas e quero falar dos dois, ou ao menos. Na verdade quero tentar entender por que, quase nunca se abordam esses temas numa mesma roda de discussão?
Em uma mesa, educadores e psicólogos discutem com mães e pais a melhor forma de educar seus filhos. Em outra, secretários de segurança, comandantes das polícias, generais, juizes e deputados discutem o “problema da segurança pública no Brasil”. Mas abordam cada “tema” sempre de forma independente, como se uma coisa nada tivesse com a outra.
Sou de uma geração que cresceu recebendo, ou sabendo que poderia receber, umas palmadas sempre que “necessário”.
Nasci na década de 70 e cresci no interior. Por lá, naquele tempo (e lugar), não era crime os pais “educarem” os filhos com palmadas.
Seu Durvalino, meu pai, várias vezes fez uso desse instrumento disciplinar. Tá certo, eu não gostava muito, afinal doía. Mas não ficava (não fiquei) revoltado por isso. Dona Felisbina, minha mãe, uma “figuraça”, não tinha nada contra. Era, na verdade, favorável. Apesar de quase nunca me aplicar suas palmadas, por vezes, ela me puxava, literalmente, a orelha, pra me repreender de algum erro cometido.
Por ter vivido nesse mundo, não consegui, até este momento, achar criminosa a atitude de pais que agem como Seu Durvas agia.
Claro que não estou me referindo aos espancamentos doentios que alguns adultos submetem suas crianças. Nem às “surras”, grandes ou pequenas, desacompanhadas dos necessários esclarecimentos e, é claro, das justificativas de porque o pai está agindo de tal forma.
Sempre que meu pai era levado a me aplicar um “corretivo” mais severo, eu ficava sabendo que eu havia feito de errado, o que não poderia, ou não deveria, ter feito, e ainda tinha a memória refrescada sobre todas as advertências que havia recebido antes. De modo que eu entendia exatamente todo contexto e, de fato acredito que tudo que eles fizeram contribuiu positivamente pra minha formação.
Não estou falando isso pra justificar possíveis palmadas que eu pretenda aplicar, quando meus filhos nascerem.
De fato não pretendo.
Estou ciente que esse ato é reprovado por uma gama cada vez maior de pessoas, profissionais de várias áreas de atuação.
Em vários países já existem leis proibindo, e criminalizando essa atitude. O Uruguai é o exemplo mais próximo a nós, onde existe semelhante lei.
Além disso, várias campanhas são deflagradas por psicólogos, pedagogos e afins, que tentam conscientizar os pais e autoridades, sobre a ineficácia das palmadas e, mesmo, dos malefícios que elas podem causar em quem as sofre.
Enquanto essa discussão e seus avanços vão acontecendo lentamente, em outra faixa etária vai acontecendo outro movimento. Entre os jovens e adolescentes estamos assistindo os crescentes casos de violência, que vão desde desrespeito total à autoridade dos pais, até assassinatos desses mesmos pais, passando por espancamentos gratuitos, desrespeito a todas as leis e homicídios, alguns com requintes de crueldade, de fazer arrepiar o Dr. Hannibal Lecter. Tudo isso numa explícita falta de valores e, sobretudo, de limites.
Sei que existem os casos patológicos, que precisam ser tratados por profissionais de saúde. Mas, se observarmos bem vamos perceber que, de uns tempos pra cá, nossos jovens (nem todos, é claro) não aceitam alguns limites colocados por regras sociais e necessárias ao bom convívio e à harmonia, seja em casa (com a família), na escola, no trabalho, enfim, em sociedade.
Acho que cabe esclarecer que eu não sou psicólogo, pedagogo, ou sociólogo, não sou normalista, nem delegado, tampouco legislador. Na verdade, sou militante pelos direitos humanos e conheço um pouco o ECA.
Mas sou uma pessoa que passou por uma infância pobre, em uma casa simples, numa família humilde onde havia, sim, palmadas. E acho que me tornei um adulto mental e socialmente saudável.
Dentre as coisas saudáveis que gosto de fazer está o hábito observar o comportamento humano, ao menos até onde meus olhos alcançam e minha limitada compreensão pode digerir. E, é muito mais comum ver jovens “delinquentes” reclamarem não das palmadas, mas da ausência de seus pais.
O fato de os pais estarem cada vez mais longe de casa, e por isso dos filhos, causa muito mais distúrbios sociais do que a tão execrada palmada. Volto a frisar, não estou me referindo às agressões violentas, que nada tem de educativas ou corretivas, e que merecem mesmo ser combatidas (vejo alguns casos de espancamento de crianças por adultos covardes e doentes, que descarregam em alguém que não sabe, nem pode se defender, suas raivas e frustrações). Estou falando das palmadas bem dosadas, com o mínimo de força e o máximo de esclarecimento.
Como me apresentei, não sou um monte de coisas. Mas sou um cidadão que quer aprender a ser pai. E quero errar o mínimo possível nesse papel tão importante (talvez o mais importante que alguém desempenha nesse mundo).
Por isso quero me meter nessas discussões. Preciso entender o que está acontecendo em todas as áreas de interesse. Preciso saber o que posso, o que não devo, o que preciso e o que é desejável, já que estão me dizendo que algumas coisas que aprendi com meus pais não valem mais.
Sabe, sou meio egoísta com algumas coisas. Pouco me importa o que alguns vão dizer, o que quero garantir é a saúde (em todos os aspectos possíveis e imagináveis) de meus filhos e de todas as crianças que estiverem ao meu redor.
Por isso estou achando que devemos ampliar as rodas de debates.
Além de mim e dos demais pais, devem estar na mesma mesa as pessoas que discutem a proibição, ou não, das palmadas maternas, aquelas autoridades que discutem o sistema carcerário, os que definem o conteúdo dos cursos de formação de nossos policiais e quem quer a redução da idade penal.
Enfim, tudo que diz respeito à segurança e justiça, bem como os pensadores da educação, quem decidem quais cursos devam ser retirados ou inseridos no ensino básico e fundamental, os que formulam as políticas educacionais. Enfim, devemos nos sentar, pra discutir, todos os que podem, de alguma forma, impactar a vida de nossas crianças, seja em que faixa etária for.
Gostaria de saber, por exemplo, dos psicólogos que afirmam que as palmadas, além de não ajudarem na educação, ainda causam sérios traumas e distúrbios nas crianças, o que eles acham da forma violenta que, por vezes a polícia é levada a agir pra conter um jovem infrator?
Como um pai que não admite que seu filho receba nenhuma palmadinha da própria mãe, reagiria se um jovem entrasse em sua casa, a noite, de arma em punho, para roubar alguma coisa que ele tenha adquirido com esforço, ou não. Ameaçando sua vida e de seus familiares?
O que os partidários de um mundo sem palmadas dizem sobre esses jovens que queimam mendigos, espancam domésticas ou caçam gays? Como devem ser tratados os presos por homicídios ou estupradores?
Chega. Não estou fazendo um texto sobre horrores urbanos contemporâneos. Nem estou dizendo que concordo com o tratamento desumano que é oferecido à grande maioria dos presidiários. Tampouco concordo com a truculência policial (reconheço que às vezes ela é necessária...). Estou falando sobre causa e conseqüência. E quero refletir sobre o que realmente faz mal a nossa sociedade.
Quero poder discutir todas as conseqüências de minhas atitudes hoje, com as crianças. Não só as conseqüências imediatas, mas as que ficarão por toda vida. E qual o benefício, ou malefício, trará a abordagem de um tema na escola. Ou do treinamento embrutecedor que nossos policiais recebem. Ou da superlotação dos presídios ou mesmo, dos “bons” exemplos que nossas crianças têm recebido de todos que governam esse país.
Não se pode falar de palmadas dadas, ou proibidas agora, sem falar das porradas que receberemos pela vida, dependendo de como vivermos. E que, de algumas delas existem leis que tentam nos proteger. Sem esconder que, outras, as leis, ou quem tem o papel de fazer cumpri-las, coloca ainda mais força.
Essa discussão me lembrou o trecho de um livro muito lido nos anos 80.
Quem era jovem em 1980 certamente ouviu falar do Best Seller “Eu, Christiane F., treze anos, drogada, prostituída...”. É um livro que conta a fria realidade de uma época de reconstrução em um lugar consumido pela guerra e deslumbrado pelas promessas do capitalismo. Bem, quem não conhece, eu digo que ainda é uma leitura válida, apesar de já ter encontrado relatos bem mais duros e desumanos que a história da jovem CF.
Mas o que me veio à tona agora foi um pequeno trecho do livro. Pouco mais de treze linhas que, infelizmente, deve ter passado despercebido pela maioria das pessoas que o leram à época, e que não foi valorizado quando a obra virou filme. Mas que, em minha opinião, é um dos trechos mais importantes, senão o mais importante de todo livro. Refiro-me a quando a jovem protagonista narra um episódio que presenciou, envolvendo uma amiga. Quando estavam CF e a amiga Kessi, em uma estação do metrô, se drogando, a mãe de Kessi, que voltava do trabalho encontrou a filha dormindo em um banco, sob efeito do que tinha consumido. A mãe deu-lhe duas bofetadas, uma em cada face, e arrastou-a pelo braço, tal como fazia os policiais. Esse fato é narrado em menos de seis linhas. No parágrafo seguinte, que tem apenas cinco linhas, a jovem Christiane reconhece, explicitamente, que aquele par de bofetada salvou a vida da jovem Kessi. Claro que eles devem ter sido seguidos de uma série de medidas que mantiveram Kessi longe do mundo que matou sua amiga Babsi por overdose de heroína, com apenas 13 anos, e que quase matou a própria Christiane.
Mais adiante, no livro, CF emite o seguinte comentário: “A mãe de Kessi a impediu de afundar na merda...”
Particularmente eu acho que se a mãe da menina Kessi não admitisse as palmadas como forma de disciplina, a realidade teria sido outra.
Quando eu era criança meus pais não precisavam repetir muitas vezes pra eu entender que alguma coisa era errada. Se eu insistisse iria sofrer as consequências, e por vezes eu insistia, mas tinha plena consciência das penas que teria que suportar. Minha mãe não gostava muito de me fazer sofrer, quer privando de alguma coisa da qual gostava, ou me deixando com as orelhas doloridas. Eu sei que ela não gostava mesmo. Mas certamente ela preferia (e pode apostar que eu também) que, se eu fosse apanhar de alguém, que fosse dela, que colocava muito mais amor que força. Com o tempo eu entendi isso, e sou grato por cada palmada ou puxão de orelha.
Bem, isso é o que eu vivi e é o que eu tenho como certo e bom. Mas como disse, sou um aprendiz de pai, e estou aberto a novos ensinamentos. Agradeço todo convite para discutir o assunto, desde que não trate de apenas parte de um todo que é indivisível.
Que as futuras gerações tenham mais certezas que a nossa. E que as palmadas sejam banidas, não por decreto, mas por serem desnecessárias.

14 de jul de 2010

Sobre alguns possíveis diamantes

Antes de entrar, de fato no assunto que me traz aqui hoje, quero compartilhar com vocês que sou fã de Gonzaguinha. Ta, confesso que o descobri muito tarde. Na verdade eu já tinha passado de 25 anos, e ele já havia morrido. Mas a música dele está viva, e eu me tornei grande fã.
Outra coisa que gosto muito também, é de alguns comerciais veiculados na tv. Gosto tanto que às vezes fico mudando de canal, não procurando programas, mas procurando intervalos. Alguns comerciais, eu acho simplesmente geniais.
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Achei um dente de leite, que guardava desde a infância. Uma lembrança do tempo que fiquei com “porteirinha”. Faz tempo. Esse dente eu não deixei pra ser levado por nenhum ser elemental. Nem deixei minha mãe dar nenhuma outra destinação para ele. Guardei. E agora que encontrei estou querendo juntar com cabelos e unhas cortadas e, sei lá, outras partes do meu corpo que precisam, ou podem ser cortados, (talvez tire o apêndice). Queimar tudo e fazer um diamante. Vi o Pelé fazendo isso e achei ótimo.
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Estou com um problema. Fui passar uns dias na fazenda de uma tia, lá na “Macaúba”, e voltei com um berne (por certo é uma larva de uma mosca). Minha panturrilha está vermelha e com aquela coceirinha chata e boa. Só não sei se devo tirá-lo. Afinal se ela está em mim, é parte do meu corpo, não é?
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Ah, não contei né! Tenho uma amiga que está grávida. Já está de 8 meses e resolveu que não vai querer cesariana. Quer uma amputação natural. Inclusive já até marcou a data. Amputará o bebê no dia 14 do próximo mês.
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Por falar em comercial de tv, ontem vi um muito bonito, da campanha pela aprovação do projeto de lei que legaliza o aborto no Brasil. Nele uma mulher, bonita, fala de algumas conquistas resultantes da luta feminina/feminista. O comercial termina com ela afirmando que o corpo é da mulher, por isso é ela que deve decidir o que fazer com ele.
Achei muito bonito. Mas não entendi bem.
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Já que estou aqui falando de trivialidades, vou aproveitar pra registrar minha opinião sobre a possível legalização do aborto: Sou contrário. E eu não poderia concordar. E isso se deve à soma dos princípios culturais adquiridos em minha formação mais os valores religiosos, da crença que escolhi professar.
Mas não quero aqui ampliar a discussão sobre o aborto e todas as questões morais, legais, éticas, biológicas e teológicas que o envolvem. Quero focar apenas em uma das principais argumentações das mulheres, na defesa dessa idéia. A de que “O corpo é delas, então elas é que devem decidir sobre o que fazer com ele”. Não que eu discorde dessa afirmação. Pelo contrário, concordo plenamente. Tanto que se uma mulher, aliás, se qualquer pessoa, quiser cortar seus cabelos como achar melhor, mutilar partes do seu corpo, ou mesmo amputar algum membro, eu posso até achar estranho. Mas não vou me opor (desde que a decisão seja livre e espontânea), afinal o corpo é da pessoa. Minha dificuldade é por ainda não ter entendido o que as defensoras do aborto querem dizer ao usarem esse argumento. É que vejo duas possibilidades: Primeira, elas entendem que o feto é parte do corpo delas, e por isso podem decidir o que fazer com ele, inclusive podendo optar por extraí-lo. Se for esse o entendimento, então seria o mesmo que afirmar que o berne que está em minha perna é parte do meu corpo, e não um corpo estranho ao meu organismo, certo? Então acho que posso concordar com elas. Afinal posso mutilar meu próprio corpo a qualquer momento, conforme a minha vontade, não é mesmo? Ou seja, assim como posso tirar meu berne, tirar um bicho-de-pé ou cortar as unhas dos pés (coisa que quase nunca faço), uma mulher poderia amputar o feto a qualquer momento. Seja na primeira semana ou no nono mês de gestação, correto? Afinal minha unha continua sendo parte do meu corpo mesmo estando enorme (a ponto de furar minhas meias). Ou será que o fato de ter crescido, ou ter ficado mais tempo comigo, ela deixa de ser parte da mim?
A lembrança de que preciso cortar as unhas dos pés me remete a outra dúvida: Depois que corto meu cabelo, ele deixa de ser meu? Acredito que não. Não nos importamos muito com o que acontece com o cabelo no chão do salão, ou com as unhas no cesto do lixo. Mas podemos guardá-lo, como fiz com meu dente de leite, ou podemos também, vendê-lo, como algumas pessoas fazem com longos cabelos. Mas ele continuará sendo parte do seu corpo. Então, se eu deixar essa larva atingir idade adulta, aqui em minha perna, a mosca ainda continuará sendo parte do meu corpo? E, sendo assim, e como eu devo ter poderes para decidir sobre o que fazer com meu próprio corpo, então a qualquer momento eu poderei decidir por exterminar, ou fazer qualquer outra coisa, com essa mosca (poderia dar um bom diamante), que será um direito meu. É isso? (Fico arrepiado só em pensar...) (Isso me parece contraditório à proposta de alteração do ECA, que quer criminalizar a uso das palmadas disciplinadoras pelos pais. Mas isso é tema para outra conversa).
Mas ainda tem a segunda possibilidade que vejo. As mulheres que defendem esse argumento não entendem que o feto seja parte do corpo delas, mas sim, um corpo estranho. E, sendo elas quem sabe o que fazer com seus corpos, elas querem decidir se permitem, ou não, que esse corpo estranho continue crescendo dentro delas. Isso muda um pouco meu entendimento, e minha opinião. Mas, se for essa a defesa, novamente elas poderão decidir pela expulsão do invasor a qualquer momento da gestação (um invasor é sempre um invasor). Mas surge, ao menos em minhas divagações, um outro problema. Em se tratando de um outro corpo, é um corpo (mesmo em formação) humano, não é? E os seres humanos são protegidos por lei. Ou não? Muitos dirão que um feto ainda não é coberto pelas leis humanas, afinal ainda não é um indivíduo dotado de consciência, personalidade, e outras características de uma pessoa na vida pós-ventre. Mas, quando mesmo, uma pessoa passa a ser “pessoa”? Ao nascer? Ao ser registrado em cartório? Na primeira comunhão? Depois da primeira transa? Resposta difícil de ser encontrada, não é? Sobretudo uma que seja aceita por todos. E esse não é o objetivo agora.
Particularmente não concordo que o feto seja parte do corpo da mulher. Em minha opinião trata-se de outro corpo, que já traz a herança genética não só da mãe, mas do pai também. Então, ao amputar o feto, está se desprezando material genético de terceiros, e isso é honesto e justo com o “doador”?
De qualquer forma, sendo a mulher a única que deve decidir sobre o que fazer com seu corpo, acho que devemos, então, avançar um pouco mais na legislação e legalizar, por exemplo, a prostituição, pois uma vez que, em sendo feito sem exploração por outra pessoa, seria uma atitude de pura autonomia. Ou estou enganado?
Algumas mulheres dirão: “Quem esse Naza acha que é, pra dizer essas coisas? Ele só diz isso por que nunca ficou nem ficará grávido”. Pode ser. Mas saibam que, assim como Gonzaguinha, eu gostaria muito, de verdade, poder engravidar. Ter o poder de ser o acolhedor de uma nova vida que se faz. Sentir as dores da gravidez e a indescritível felicidade de saber que “aquela pessoa” (que tem meus genes, mas que não é só uma parte do meu corpo) cresceu em mim. Pena que não posso.
Concordo sim, que a mulher é dona do próprio corpo, e ela pode fazer um monte de coisas com ele. Para ficar mais bonita, para ficar mais magra e, inclusive, para evitar gravidez. Mas assim como é elas podem decidir tudo o que fazer com o próprio corpo, elas devem concordar que essa noção se estenda a todos os seres humanos. Ou seja, pelo meu corpo decido eu e pelo corpo do feto, decide ele (Nem adianta querer se adiantar com esse argumento aí, pois, se agora ele não pode decidir, em algum tempo ele será capaz. Sejamos pacientes).
Só pra registrar uma outra questão sobre assassinatos, que me ocupa nesse momento. Se alguém me matar hoje a noite, amanhã eu não poderei mais ir ao trabalho. Nunca mais aquela cerveja com os amigos, nem dançar com aquela linda garota que tem habitado meus pensamentos (uns inocentes e alguns impublicáveis). Isso seria assassinato, não seria? E se a dona Felisbina tivesse me expulsado do corpo dela, eu também não poderia. Na verdade não teria experimentado o sabor da boca boa, o cheiro do pequi, a textura da pele arrepiada daquela moça, nem teria descoberto o mundo da leitura e da escrita. Qual a diferença desse caso para a primeira hipótese?
Que Deus nos ilumine.

9 de jul de 2010

Sobre uma causa e vários efeitos

O que faço no campo de golfe é só parte do exemplo que um atleta deve dar. Mas, o caráter e a decência são as características que realmente contam. Tiger Woods
Mais um caso choca toda população brasileira.
Mais uma figura pública ocupa as páginas policiais.
Não se trata de mais um “escândalo”, desses que as revistas de fofoca tanto gostam de estampar em suas capas. Mas sim, de uma história de violência que, ao que tudo aponta, com um grau de frieza e crueldade de deixar qualquer pessoa arrepiada.
É, o goleiro Bruno, que pertencia ao Clube de Regatas do Flamengo, dificilmente se safará da “enrascada” em que se meteu.
Ao que tudo aponta, ele e os demais envolvidos, serão julgados culpados, e condenados pelo que fizeram. E, por muito tempo ocuparão as manchetes dos jornais impressos, digitais e televisivos.
Os aproveitadores das “desgraças” alheias usarão o caso para aumentarem suas vendas e suas audiências por muito tempo. E, obviamente de quase tudo se falará. A frieza do goleiro; a crueldade de todos os executores; e, mais tarde, a forma de vida da garota vitimada, e, por que não, seu possível interesse em usar o filho para se beneficiar financeiramente.
Toda essa “desgraça” mencionada será assunto em programas comandados por apresentadores que sentem grande prazer em gritarem nos microfones, e se apresentarem como os maiores (senão os únicos) defensores da justiça e da lei. Também ocupará os programas de auditório que preenchem as tardes e as noites, onde apresentadoras despreparadas debatem todo e qualquer tema, com convidados em meio a preparação de algum prato ou desfile de lingerie.
No entanto, apesar de toda repercussão que o caso está tendo e sabemos que ainda terá, temo que um dos pontos, quem sabe um dos principais, não chegará a ser abordado com o enfoque devido, muito menos com a seriedade que merece.
Estou falando de mais uma grave enfermidade que acomete a sociedade em nossos tempos. Não se trata de algo novo. Mas, a disseminação nunca esteve tão ampla, e com crescimento tão acelerado.
Em todas as culturas humanas, independente da organização política, opção religiosa, constituição legal ou conjunto de normas culturais e de costumes, uma coisa é comum. A noção de que é o respeito e valorização da família que fornece às pessoas as noções básicas, que garantem à sociedade suas qualidades.
As relações sociais serão mais ou menos saudáveis e as pessoas serão mais ou menos responsáveis, honestas e agirão com mais ou menos noção de ética e justiça, na mesma proporção em que aprendeu, pelo exemplo e pela vivência pessoal, estas, encontradas somente no âmbito de sua família.
Vendo e vivendo com toda essa violência moral e social eu pergunto, o que estamos assistindo em nossos dias? Pois, ao contrário do desejado, o que existe é uma crescente desvalorização dos princípios básicos. Em que, a família não é mais uma célula que merece nosso respeito, e, não nos causa mais orgulho constatar que temos uma que seja bem estruturada.
E há ainda um sério agravante, que considero o foco principal dessa minha conversa aqui. Trata-se de uma das principais causas pela destruição da família, que é a banalização do adultério. Como já disse, sei que esse não é um fato recente. Sempre esteve presente. Mas, não podemos negar que tem tomado proporções de epidemia, e caráter de “coisa normal”.
O problema é que ainda estamos em uma sociedade cristã, com fortes traços conservadores e não admitimos a poligamia como aceitável em nosso meio. Minha geração não inventou isso, apenas fomos criados sob esse regime.
Além de monogâmica, nossa sociedade é capitalista e se torna mais consumista a cada dia. Assim, na mesma medida em que vamos desprezando os valores éticos, vamos valorizando cada vez mais os bens matérias e a frivolidade da enorme quantidade de coisas supérfluas que o dinheiro pode comprar. Ou seja, cada vez mais nos deslumbramos com a possibilidade de satisfazer as necessidades da moda, ou nos frustramos por não conseguir comprar o que os anúncios dizem que nos é fundamental.
Além de tudo isso, continuamos sendo uma sociedade altamente machista e intolerante.
É nesse “balaio de gato” que surgiu após os anos 60, com maior visibilidade a partir da década de 80, os superatletas, superstars e top models. Pessoas estas que, por se destacarem em suas atividades, sobretudo na música nas passarelas e nos esportes, (no Brasil um destaque especial para o futebol), passam a ganhar verdadeiras fortunas. O que provoca uma enorme mudança na vida, abrindo um enorme abismo entre a vida pobre (na maioria dos casos) que o atleta levava, e a rica que pode levar agora.
Em outras áreas também pessoas se destacam, se enriquecem e ganham notoriedade. Mas entre os jogadores de futebol e os cantores “sertanejos” as conquistas e mudanças são mais visíveis.
Um grande número de novos ricos para quem a fortuna veio muito “rápido”, sem que tivessem tempo de se prepararem para lidar com ela. E é inevitável o deslumbramento. Junte-se a isso a idéia que povoa o inconsciente coletivo, fortemente disseminado pelos veículos de massificação machista-consumistas, de que só justifica ter dinheiro se ele for usado para “pegar mulher”. Ou seja, temos pessoas que, como a maioria de nós, não cresceu em famílias sólidas e saudáveis, e que se tornaram milionários em 90 minutos, em uma sociedade que nos incentiva a comprar tudo que as vitrines exibem, e a sair com um parceiro diferente (de preferência no plural) a cada noite.
Esse é um lado da história. Do outro lado temos a vulgarização da figura feminina, criticada por todos, mas incentivada pelos mesmos, inclusive pelas próprias. Que não só coisificou o corpo da mulher, mas a tornou mero “objeto sensual”, para satisfazer a mentalidade machista dos homens, e das mulheres.
É verdade que algumas mulheres se “dão bem” ao se submeterem a esse regime. Mas a grande maioria apenas se transforma mesmo, em objeto nas mãos de machos que, em sendo inseguros com grande poder de compra e infelizes com grife, precisam “pagar” de grandes pegadores para se sentirem incluídos e respeitados. Para se sentirem homens.
Assim agem os solteiros, que caem na esbórnia de forma inconsequente e sem respeitar quem usa, já que é exatamente isso que faz, “usa”. E, como a família não tem mais nenhum valor para a maioria, assim também agem os que já tinham constituído uma família anteriormente, no tempo das vacas magras. Desrespeitando, também, pessoas que estiveram com ele em momentos difíceis, e que em alguns casos foram imprescindíveis para que alcançassem o sucesso. Em claro desrespeito da própria história. E o desrespeito é para com a própria família, e para a família das outras pessoas. Pois, muitos sequer procuram imaginar que consequências seus atos inescrupulosos provocará na vida de quem ama a pessoa eleita como objeto da vez, seja pais, filhos, cônjuges ou bons e fiéis amigos (algumas pessoas com caráter mais doente chegam a afirmar que “quem tem que se preocupar com os seus, é só a própria pessoa” e que ninguém mais pode ser responsabilizado pelos danos, como se sua filha adolescente for convencida, por um bandido qualquer, a assaltar um banco, a responsabilidade é só de sua filha, e que o bandido não tem culpa nenhuma em tudo que esse ato pode causar em sua família. Evidente que considero um grande erro, decorrente do estado de enfermidade que nos encontramos).
Para corroborar comigo, recorro ao que disse o golfista Tiger Woods: “O dinheiro e a fama faziam com que tudo, que fosse ruim, ficasse perto. Achava que não tinha limites. Feri quem amo”. (esclareço para os incautos, que porventura não tenham percebido, tanto essa citação quanto a que está no topo desse texto foram escolhidas por colaborar com o tema, mas há nos dois casos, uma altíssima dose de ironia).
E esse comportamento não é exclusividade dos nascidos com testículos. As mulheres, em sua busca por emancipação e igualdade, assimilaram também as características mais espúrias do comportamento machista. Afinal, se ela pode ter um carrão, um número cada vez maior de garotões estão se oferecendo nas baladas, e em todos os lugares.
E a Mulher, que sempre teve em suas mãos o controle das decisões no âmbito familiar, e nos rumos de toda sociedade, em sua busca por “igualdade” se perdeu um pouco. Por querer se tornar “poderosa” perdeu boa parte do poder que sempre foi dela, até por desígnios Divinos (Ah, esse adorável paradoxo do comportamento humano, que amo e odeio). Particularmente acho que as mudanças comportamentais provocadas pelo movimento de Leila Diniz e suas “companheiras” são responsáveis por grande parte dos problemas sociais que enfrentamos hoje. Não os ganhos que elas conseguiram, é claro. Mas, as grandes perdas que todos tivemos (isso é tema pra outra divagação).
É engraçado ver a reprodução desse universo em ambientes bem menos “glamourosos”. Hoje se um jovem joga um futebolzinho em algum clube de quinta divisão, ou canta, mesmo que só entre os amigos mais próximos e a família, logo terá algumas jovens garotas, e algumas não tão jovens assim, se oferecendo como o objeto que aprendeu a ser. (Sem citar o número enorme de anônimos que se esforçam para virar “celebridades” mesmo sem talento, para poderem ter o mesmo estilo de vida de seus ídolos).
Como o adultério não é novidade (opa, estou me repetindo), só que nunca esteve tão “na moda” como agora. Ou o leitor vai dizer que não concorda comigo, quando digo que os veículos de comunicação se esforçam muito para vender a idéia de que não há nada mais normal do que se ter um(a) amante? Quantas revistas que se ocupam apenas desse tema? E os programas noturnos de televisão, que entre uma banalidade e outra sempre enaltece a figura do adúltero. As novelas de todas emissoras então, não pregam outra coisa senão essa idéia, e mesmo quando tenta discutir coisas relevantes, não abandonam o incentivo à traição. E com isso vemos multiplicar as Betinas, Helenas e Gustavões em nosso meio (é o grande (de)serviço que a grande mídia se orgulha em nos prestar).
Quem não concorda com isso está errado, é atrasado, velho, careta ou conservador. E se alguém critica então, é acusado de ser contra a liberdade de expressão e favorável da censura. (Não sou partidário da censura, mas estou próximo a concordar que estou mesmo velho e careta. Melhor pra mim).
O problema não para por aí. Há ainda um outro agravante. O movimento pela banalização do desrespeito aos princípios que um dia existiram (mesmo que só teoricamente, como dirão alguns), criou um outro efeito estranho.
Como hoje o normal é não ter princípios, não respeitar valores, leis, costumes e, muito menos pessoas, quem procura viver fora desse padrão, é que se sente fora de contexto, errado, esquisito. E, pior ainda, o comportamento geral está definindo que é a vítima que deve sentir vergonha, e não quem comete o delito, seja ele qual for.
Não é estranho meus caros, ser o traído que se sente envergonhado, e não a pessoa sem princípios, autoestima, amor próprio e/ou vergonha na cara mesmo. Da mesma forma que é o extorquido que prefere se esconder para não ser motivo de chacota enquanto quem o extorquiu anda livremente, exibindo seu largo sorriso. Somos nós, eleitores que nos envergonhamos pelo que faz nossos representantes em Brasília, ou aqui mesmo, na Câmara de Vereadores.
Da mesma forma, boa parte das mulheres que são abusadas sexualmente não denuncia seus agressores, por vergonha. E também, o homem que é pego “de surpresa” por uma gravidez de uma amante, procura ocultar o fato, para não se comprometer (se é que ainda hoje alguém pode alegar ter sido pego de surpresa, e que alguma gravidez é inesperada).
Nós aprendemos também que a vergonha que nos é causada por alguma agressão (física ou moral), deve ser anulada por uma ação contrária. Ou seja, devemos ser machos (ou fêmeas) de verdade, e não levar desaforo pra casa, certo? Assim, se alguém comete um crime contra minha pessoa, eu devo praticar contra ela crime ainda maior, para que a vergonha dela seja maior que a minha, e assim eu “lavo minha honra”.
Assim, da combinação de todos esses fatores, resulta um crescente número de crimes ditos “passionais”. Além de cada vez mais mulheres sendo mutiladas em clínicas de aborto, pra esconder suas vergonhas.
Se Bruno é realmente culpado, ou inocente, ainda não temos o veredicto final. Mas o fato é que ele não precisava (na verdade não devia) estar passando por tudo isso. Não há justificativa para se tirar a vida de alguém. O erro começou quando Bruno, em sendo casado com Dayane, não respeitou a família da qual deveria ser “o chefe” e ser metade da referencia que orientará a formação de seus filhos.
Também a jovem Eliza certamente ainda estaria viva se tivesse optado por uma vida de mais autovalorização e respeito a si mesma e às outras pessoas. Além é claro, de respeito à família dela mesma e a dos outros.
Por sua vez, a traída Dayane, que era só mais uma vítima da falta de caráter de seu marido, não precisava ter se metido nesse imbróglio todo. Bastava ter tomado outro caminho. Ao contrário, preferiu se sentir envergonhada e foi “lavar sua honra”, ao que parece, participando da trama de horror de seu marido.
Tudo bem, vou “relativizar” um pouco agora. Esse comportamento é sim a regra, mas existem várias, e maravilhosas exceções. Também concordo que o aumento dos casos de crimes passionais não é a única consequência da falência da família. Há vários outros reflexos, alguns tão ou mais graves, mas não são objetos dessa conversa. Concordo também que, nem todos os crimes passionais têm a mesma raiz na origem. Porém, não estou tratando aqui dos casos patológicos, isso é coisa para psicólogo ou psicanalista (e eu deixo esse trabalho para o Dr. Marcelo Caixeta que, além de capacitado, escreve muito melhor que eu).
Apesar do foco nos atletas, reconheço que o comportamento apontado não fica restrito nesse grupo. Temos vários outros focos agudos dessa terrível doença. Como alguns jovens nascidos em famílias que só têm dinheiro, e por isso cresceram sem nenhum limite, achando que pode tudo, a qualquer tempo.
Também não estou afirmando que as mulheres são culpadas por todas as mazelas da humanidade. Nem seria louco a ponto de dizer isso. Afinal, não sou antropólogo, sociólogo, nem pedagogo historiador (...). E, principalmente por ser totalmente apaixonado pelas mulheres, suas formas, força, capacidade, sagaz perspicácia e todas as demais características que compõem o universo feminino. Nem tento definir posições masculinas ou femininas (isso deixo para meu amigo Nilton César, que tem mais leveza e acidez (outro paradoxo delicioso)). Tampouco quero usar o algum ponto de vista religioso (nesse caso prefiro as missivas do senhor Javier Godinho).
Isto posto, só me resta lembrar que somos seres dotados de livre-arbítrio, e somos totalmente responsáveis por todas as nossas escolhas. Por fim eu pergunto: Que mundo estamos construindo?
Alea jacta est

Diferença

É, isso acho que nada resolve.
Ma apaixonei por Zico Andrade e Adilio...
Hoje tenho Adriano, Bruno e Wagner Love!

Acidente

"Puta que pariu"
Pensei,
Quando o galho se partiu.

Encalço

O que se quer?
Os outros, não sei.
Você, pegar no meu pé!

Milagre

Ah, que agradável sensação.

Sob o sol fiz uma prece

E senti minh’alma fresca,

Mesmo em estando no verão!

Respeito

Indiferente ou agressivo com você?

Não sei por que eu seria.

Não é porque se trata mal

Que eu também te trataria.

O que sinto

É meu jeito.

E é assim que sou!

Sei que a espada fere mais quem a empunha.

Por isso tenho mais pena que rancor.

Bandeira Branca

Ta bom,

Que seja.

Se já dissemos tudo,

E nossa briga acabou

Então chega!

Seca aí essa lágrima,

Fecha os olhos

E me beija

Alvo errado

Pobre da mulher

Que vive sob o “mito da cadeira”

Escolhendo só homem errado

Acabará ficando solteira.

Narciso

Admito, na alegria ou na tristeza

Sei que sempre estou certo!

Sonho bom ou pesadelo, não importa.

Me quero sempre por perto.