21 de set de 2009

Sobre lições não aprendidas e qualidades esquecidas

Tenho pensado muito em como nós, seres humanos, somos inteligentes, criativos, inventivos e, surpreendentemente capazes de transformar o mundo ao nosso redor. Tenho pensado, também, em todos os avanços, mudanças e adaptações que temos promovido desde que passamos a andar apoiados apenas nos membros traseiros (que, por isso, foram promovidos a membros inferiores), e que percebemos a vantagem que temos sobre os demais primatas por termos polegares opositores.
É, foram sim muitas mudanças. E acho isso fascinante.
No entanto, se por um lado temos enorme capacidade de transformar o mundo ao nosso redor, ou seja, fora de nós. Por outro, temos enorme dificuldade de promover mudanças, por menores que sejam, dentro de nós.
Conseguimos construir edifícios que, cada vez mais, tocam o “bucho do Céu”, mas continua sendo muito difícil reconhecer a grandeza de alguns sentimentos que temos, e assumir que temos (dizer “Eu te amo” então, nossa. Missão quase impossível).
Já fomos à lua. Temos naves, sondas e telescópios vagando nos confins do universo (ao menos no “confim” que somos capazes de conceber), mas perdão continua sendo uma palavra sem nenhum sentido para a maioria de nós, tanto para pedir quanto para oferecer.
Há muito tempo deixamos de ser quadrúpedes, e nessa nossa caminhada bípede, algumas características foram sendo desenvolvidas em nós, como egoísmo, ganância, intolerância e essa necessidade desenfreada de consumir muito além do que necessitamos.
Nada me parece mais paradoxal do que saber de toda riqueza que produzimos e o enorme percentual de pessoas que vivem (o termo viver me parece tão deslocado da realidade) em situação de miséria tão profunda que nunca poderão desfrutar das benesses advindas da destruição desse mundo, que também é deles.
Vivemos em constante conflito, como se cada outra pessoa, outra família, outro clã, outra tribo, outra nação, fossem nossos adversários, quando na verdade somos irmãos, e devemos viver de forma cooperativa e solidária.
Os motivos para tanta desigualdade e tantos conflitos, exploração, tentativa de extermínio, genocídio, holocausto e toda sorte de ação humana vergonhosa, sempre foi motivo de estudos e observações de filósofos, antropólogos, boêmios em mesa de bar, teólogos e das religiões. Não pretendo aqui contestar contrapor, corroborar nem ficar repetindo nenhuma visão anterior (ou futura). Quero sim, expressar o que hoje é minha impressão mais forte (baseada apenas em minhas observações não-científicas).
Se o que nos diferencia dos demais primatas (e de todos os outros “bichos” do reino animal) é a nossa magnífica inteligência, então é ela que nos atribui que chamamos de “humanidade”. Mas em minha analise ‘histórica’ concluo que, à medida que exercitamos, e desenvolvemos nossa inteligência, fomos perdendo algumas características necessárias à configuração dessa ‘humanização’.
Ouço muitos dizerem que isso trata-se de instinto de sobrevivência.
Concordo que seja! No entanto vejo aqui uma grande deficiência trazida pelo afastamento de nossa origem selvagem. Os avanços nos transformaram em seres individualistas, com a falsa noção de que cada indivíduo seja bastante a si mesmo. Esquecemos uma regra básica, seguida por todas as demais espécies: que a sobrevivência deve ser uma estratégia da espécie e não de indivíduos (ou de pequenos grupos). E que devemos nos enxergar como parte integrante da humanidade. Sem a opção do isolamento. Além disso, precisamos entender que toda ação feita contra indivíduos atinge a todos, pois somos um grande e único corpo. So assim poderemos dar certo enquanto raça.
E, como já manifestei em outro momento, já passou da hora de exercitar nossa empatia e solidariedade com nossos “outros” irmãos, e passarmos a olhar o mundo com os olhos das outras espécies com quem dividimos nossa única casa. Mas isso é assunto para outra conversa.

2 comentários:

  1. Grande Naza....incrível como vc sempre nos agracia com algo muito pertinente ao momento intimista em que nos encontramos...não sei se isso só acontece comigo...de qualquer forma fica aqui registrada minha admiração por este filósofo "natur senso" a quem me reporto.
    Parabéns, mais uma vez

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  2. Naza,

    Vc está entre aqueles que nos faz acreditar que a vida é um bem bem maior que nossa existência, mas que entretanto, é preciso existir e sonhar para vive-la em sua curta plenitude.

    Ary Soares

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