16 de nov de 2009

Sem palavras...

Ando assim, meio sem assunto. E isso não é bom, nem novo. Mas me deixa com essa sensação de “esterilidade”.

Acho que não é bom ter tal sensação. Afinal não tenho (acredito que ninguém tenha) obrigação de “parir” um texto novo a cada dia. Um poema novo a cada beijo de arrepiar. Um novo haikai a cada canto de pássaro, latir de cachorro ou estalar de folhas secas pisadas por meus pés. Tampouco ter um novo livro a cada mês.

Poetas, romancistas, cronistas, escritores enfim, não são máquinas. E criatividade, dessas de verdade, é coisa espontânea. Não se amplia com exercícios.

Os exercícios podem sim, dar qualidade ao formato do texto, assim como às cores do pintor, ou à melodia dos músicos. Mas o sentimento, a emoção, a “alma” poema, nasce no coração do poeta. Que nem sempre tem o dom da boa escrita, ou o grau de conhecimento da língua e das normas gramaticais para fazer um texto que seja esteticamente bonito ou, pelo menos, correto. No entanto não é a correção ortográfica e a beleza estética que confere ao texto o status de poema. A alma de tudo é o sentimento.

Mas não quero falar de correções ou sentimentos. Quero falar sobre a falta de assunto que me acomete em certos períodos.

Nesses dias me ocupo de coisas que exige mais do minha capacidade de raciocínio. Como ver novelas (as do Manoel Carlos são melhores, pois dá uma enorme sensação de déjà-vu), Dr. House ou Monk na TV. Ou visitar sites de conteúdo suspeito na internet. Ou simplesmente fazer nada mesmo.

Dias sem criatividades são cheios de vazio, e acho que é exatamente aí que reside o limiar das criação. Seria assim como o silêncio que precedeu ao big-bang. Pois passado esse período de ócio, o espírito criativo se manifesta de forma explícita e vigorosa.

Quer saber, estou feliz por que hoje não consegui pensar em nada para escrever aqui. Sei que em breve (alguns dias ou semanas, espero que não mais que meses) terei de volta minha mente efervescente. Estou me sentindo como uma semente recém plantada, à espera da próxima chuva (e tanta coisa pode ser chuva pra mim) para germinar.

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