9 de dez de 2013

Entre aspas

Quero viver minha história
de forma plena, em caixa alta.
Não a quero entre aspas
nem criptografada.
No máximo entre parênteses,
se esses me forem amigáveis.

Se a vida já me foi sublinhada,
e agora se apresenta rabiscada.
O que já foi poesia,
agora me chega como uma nova tese,
de filosofia tão profundamente superficial,
que compreender já não desejo.
Se faço é apenas pelo hábito,
meio que, vivendo só por viver.

E como interprete gago,
leio cada palavra/instante
com a certeza de que pode não haver novo fonema,
ou aquela vírgula, despercebida,
pode ter sido o ponto final.

E, nessa pausa que agora faço,
respiro e espero encontrar a semântica perfeita.
Seja lá o que isso queira ser para mim.
Só espero retomar meu roteiro de onde parei um dia.
Quando lia facilmente minhas escolhas,
Posto que era eu mesmo quem as escrevia.

E não havendo mais aspas, colchetes ou criptografia,
beberei, novamente, a vida em plenitude.
Em fontes claras e frescas,
todas em tamanho doze.
Com frases em negrita felicidade
Sem falácias,
com rimas livres
total coerência.
com letras e vida em harmonia.

E essa minha prosa, meio sem graça,
voltará a ser poesia.


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