26 de ago de 2010

Devo me acomodar nesse teatro dos horrores?

Está se aproximando mais uma eleição e a campanha eleitoral seguem a todo vapor.
Eu, como sempre, pretendo votar. No processo eleitoral essa vai ser minha atuação mais ativa, votar.
E gostaria muito de fazê-lo tendo certeza de estar fazendo a coisa certa. De que minha escolha de fato contribuiria para fortalecer a democracia no Brasil e, com um pouco de sorte, que ajudaria a melhorar a qualidade de vida de toda população e com a redução da das desigualdades sociais, sobretudo as econômicas.
Gostaria, mas estou achando muito difícil.
É assustador ver o cenário, e ser obrigado a reconhecer que não há em nenhum, definitivo em nenhum, dos candidatos que estão disputando essas eleições, nenhum tipo de sentimento de justiça social e nenhum traço de senso ético.
Não se encontra nenhum candidato, ou partido (nem mesmo os que antes se mostravam como reservas moral ou habitação das esperanças dos que vivem à margem de toda riqueza) verdade real, ou mesmo intenção, de trabalhar para a população. Na verdade os profissionais dos cargos eletivos (e, por favor, não chamem a isso de política e a esses que estão aí de políticos, pois não o são. Isso, certamente, ofende grandemente Platão e Aristóteles) se livraram de todo tipo de sentimento de “pertencimento” com relação ao resto da população. Todos acreditam que habitam um outro mundo, fora desse em que vivemos nós, a grande maioria da população.
Os projetos só visam beneficiar a eles próprios ou, em uma abrangência maior, alguns amigos e familiares, pertencentes aos pequenos grupos a que representam.
Nenhum dos que estão aí, sequer considera legislar e administrar para todos.
Os projetos são pessoais, não há mais programas de partidos, se é que um dia já existiu. Mesmo porque os partidos se perderam. Todos agora pensam da mesma forma. E o censo comum foi definido pelo que de mais medíocre existe no ser humano.
Somos obrigados a assistir novos “governantes” desconstruir todo pouco que os antecessores construíram, apenas para tentar apagar do consciente coletivo os traços dos que passaram.
O esforço para convencer a todos que os antecessores nada fizeram ocupa praticamente todo trabalho de quem está hoje nos gabinetes. E estes, assim como os que esquentavam as cadeiras antes, prosseguem de forma mesquinha a sangrar a sociedade, visando apenas o benefício próprio.
Construir uma marca própria, e tentar garantir sua perpetuidade nos cargos. É isso que perseguem, idiotamente, todos que chegam ao poder executivo ou legislativo. E contam com a importante contribuição dos meios de comunicação, com o sistema de ensino e, claro, com a conivência do judiciário.
Na outra ponta temos uma população que sofre toda sorte de agrura na luta diária e constante, pela sobrevivência em um mundo que deveria ser compartilhado. Mas que, por capricho dos que deveriam trabalhar para que isso se efetivasse, tem suas riquezas cada vez mais concentradas nas mãos de uma parte cada vez menor dessa população.
Nenhuma decisão se dá com a participação de todas as pessoas. Nenhuma decisão se dá levando em conta as necessidades de todas as pessoas, ou ao menos da maioria das pessoas.
Ficamos aqui, todos nós “cidadãos comuns” sem ter acesso, de fato e sem necessidade de mendicância, aos bens e serviços que podem atender as nossas necessidades mais básicas. E nos dividimos em guetos, exatamente como deseja a manipulação dos “poderosos”. E somos professores totalmente desvalorizados sendo obrigados a se enquadrarem em um sistema que prima pelo fortalecimento da mordaça que possibilita total manipulação da maioria por poucos (ou você, leitor, acredita mesmo que os métodos, utilizados hoje, pretende nos “emancipar” e nos capacita para sermos capazes de pensar criticamente e, principalmente, tomar consciência que devemos nos posicionar frente ao que acontece de longa data?), policiais sem as menores condições de trabalho, trabalhadores da iniciativa privada sem direito à vida real (pois que temos que ser mecânicos para nos enquadra no mercado), alguns de nós são levados aos vícios, para virarem números que justifiquem suas campanhas, outros jogados na miséria (afinal precisa de estatísticas contribuem para projetos que parecem salvadores e que são usados para possibilitar os constantes saques ao que devia ser do povo), alguns ainda se tornam bandidos (alguns por opção, e a grande maioria por falta de uma. E não venha me dizer que isso não existe, pois só não enxerga a realidade quem faz questão de ser cegos, e querem continuar com o discurso irreal de que as oportunidades são oferecidos a todos em igualdade de condições).
Gente sem educação, saúde lazer ou moradia. Pessoas que se submetem a trabalhar com as precárias condições oferecidas. Jovens perdidos em diversas possibilidades de caminhos errantes. Ser humano de armas nas mãos, matando outros seres humanos, buscando algum para alimentar a si mesmo ou aos seus (ou mesmo buscando condições de adquirir os objetos inúteis e caros que somos levados a acreditar que só com assim poderemos ser gente). Gente morrendo de fome e sede, em um país onde o solo generoso produz tudo que se planta e com maior abundância de água do planeta. Todas essas coisas fazem parte de um processo cuidadosamente pensado e implementado com rigor e disciplina. Os casos não são isolados e as conseqüências são compõem o cenário de dominação e exploração em construção por quem anda decidindo as coisas por aqui.
Não se tem políticos nesse país. O que temos nos cargos eletivos são figuras diversas, como coronéis (do campo e da cidade) que não querem perder o controle dos seus currais, alguns pseudo-revolucionários (que, manipulados, servem para tentar disfarçar a o processo de cartas sempre marcadas), alguns seres perdidos (que não fazem a menor idéia do que fazem ali) e agora temos uma legião de comediantes, popuzudas e uma gente que acham que aparecer na televisão os tornam capazes de ascenderem à “Asgard” desses falsos deuses, com isso estão dispostos e descerem à “Nifflehein” e, pior, nos levar com eles.
Mas, sequer desses eu posso conhecer os planos e projetos, pois a lei feita para beneficiar quem “já está no poder” prossegue sendo injusta na distribuição do tempo, assim como é na distribuição das riquezas. E os meios de comunicação também decidiram que não precisam mostrar o que dizem quem não tem as “máquinas estatais” nas mãos. Na verdade alguns veículos (emissoras de rádio e tv, jornais impressos e revistas), claramente, e irresponsavelmente, se vendem a alguns grupos (eu diria de forma promiscua e imoral, mas vivemos em um mundo capitalista onde o lucro justifica tudo, e onde o que se tem é preço e não consciência). Assim além de não poder saber quem são todos em quem posso votar, ainda assisto o esforço de alguns veículo, e pessoas, para demonizar alguns e santificar outros. Mas é daí? Se o que importa é tirar vantagem e não a verdade, muito menos a busca por um mundo melhor, está tudo “normal”.
Eu sigo aqui, envergonhado pelo que faz esses meus “semelhantes”, e lutando comigo mesmo, para me convencer que algumas das opções são “menos ruins”. Mas está difícil.
PS. Hoje (26-08-2010) os jornais noticiam que um ex-prefeito, visando escapar das penas e poder oficializar sua candidatura ao senado, devolveu o dinheiro que ele desviou. Meu Deus, com o simples fato de devolver, ele não está assumindo o crime? Será que, realmente, ele acha que devolvendo uma merreca vai torná-lo menos bandido? E, será que nós, eleitores, achamos isso também?

5 comentários:

  1. Cegos eleitores. Só conseguem enxergar suas necessidades básicas. São muitos e capazes de (re)eleger ícones como Sarney, Collor, Maluf...

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  2. Naza, sei que é um desabafo, mas acho que vc colocou no mesmo saco pessoas de bem e que buscam a construção social com a valorização do povo, seus costumes e tradições - bons e ruins, podemos pensar assim... Afinal, o que é bom p/ uns pode ser ruim para outros...

    Mas, por tudo que você escreveu, mais do que nunca, MARINA presidente!!! Há chances e esperança!!!

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  3. Fica difícil (cada vez mais...) decidir quem merece estar nas posições de governo em nosso país. Sou patriota; sou otimista; acho o futuro promissor; estou em contradição?
    O compromisso de escolher e votar é nosso. A responsabilidade continua sendo nossa também. Uma verdadeira Missão que devemos realizar procurando a melhor forma possível, com decisão e consciência, refletida e ponderadamente.... Poderemos, quem sabe, em algum lugar da vastidão e complexidade do universo, soar como vozes que não [d]existiram.

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  4. Vejo que a questão maior, não seria o que (fulano) ou (siclano) fará, mas sim, o que eu posso fazer pra melhorar para mim e meus semelhantes.
    Quando todos nós tivermos consciencia de que fazemos parte de um único "time", que o desempenho do outro refletira no meu, dai sim, teremos exito social. Penso que a culpa nunca é do outro, mas minha, pois não pude fazer nada por aquela pessoa.
    Pensemos nisso...
    forte abraço
    leandrofruhauf@gmail.com

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  5. Bem, demorei um pouco para conseguir ler esse post.
    O fato é: que as coisas são assim justamente por que a minoria das pessoas (que são as que detem o poder), querem que sejam assim.
    Esses dias eu tive que escrever um ensaio sobre a LDB, sobre um atigo, escolhi o terceiro. Tem um inciso que garante em lei padrão de qualidade de ensino. Li e fiquei indgnada, como assim padrão de qualidade. Depois de muitos dias refletindo sobre, percebi que ele fala apenas de padrão de qualidade. Logo vamos nivelar por baixo. Ou seja, as coisas são desenvolvidas por que aquelas pessoas que falei no começo. Não importa se a educação é de boa qualidade, eles não precisam de seres pensantes. Precisam de braços...
    Triste, me dói pensar que esses que chamamos de politicos gastam mais com um ser na penitenciaria por mês do que com um aluno na escola por ano.

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