3 de set de 2012

Segunda-feira



É, essa segunda-feira teve mesmo cara de segunda-feira.
Às vezes acontece isso, não é?
Mas não tem muito a ver com o fato de ser segunda-feira. Eu acho. Sem muita certeza, é verdade, mas acho.
Uma ressaca leve, lembranças da alegria barata compartilhada com amigos caros. A sensação de que devia ter dançado mais uma música com aquela moça bonita. Quem sabe ter dito mais uma ou duas coisas interessantes. A bronca pelos strikes não conseguidos. Alguns pinos insistem em não cair nunca.
E tem o sabor não sentido do beijo não dado. Também o gosto agridoce do que foi roubado pela mulher que não devia.
Certas segundas-feiras são assim, cheias de lembranças do que fizemos no final de semana que o precedeu. Outras são repletas de nada, quando o final de semana é pleno de ócio, como gostam de ser as tardes de domingo.
Um tango a mais, um forró a menos. O rebolado provocante das garotas de rostos angelicais e jeito safado, perigosamente lindas, seduzindo a todos, ao som “funk proibidão”.
A liberdade etílica pode até não ser a mais saudável, mas é tão verdadeira e intensa que merece ser vivida. Ressaca, se cura depois. Assim como se cura ferida na perna, e mais fácil do que se cura as dores por não ter dito o que precisava, e ter deixado que ela se fosse, sem ter feito nada para impedir.
Dores sempre existirão. Ninguém está livre delas. Mas é melhor os calos e desconforto da caminhada, do que a atrofia da inércia.
Nem toda segunda-feira se apresenta como novo horizonte a ser desbravado, como novas possibilidades a serem experimentadas. Às vezes é apenas a continuidade do que já era. E isso não é ruim. Apenas a realidade da rotina que governa tudo que vemos. Mas, mesmo na mais sólida rotina, ainda podemos fazer pequenas escolhas, e com isso alterar grandemente a rotina atual. Criando assim, novas rotinas, que poderão ser rompidas a cada novo instantes. Seja no meio da velha surpresa ou no fim de uma nova mesmice.
O antigo rosto ao seu lado, na manhã de segunda-feira, sem sempre será novo. Mesmo sendo velho conhecido. Mas, não se assuste, você também não será mais o mesmo de antes.
Se não se lembra, não se torture. Pode ser melhor assim. De qualquer forma, alguém vai contar, para você e para os demais. Sempre do ponto de vista que não é o seu. O que não significa que não seja verdade. Apenas pode não ser a sua.
É, adoro segundas-feiras. Seja ela como está sendo hoje, cheia de flashes de nítidas lembranças, ou como as outras, que são diferentemente iguais. Sempre são...
Em algum ponto parte de mim viaja nos lábios, seios, coxas e pensamentos de algumas adoráveis pessoas. Voltaremos a nos ver? Quem sabe. Não se pode afirmar nada, até que as incertezas se confirmem.
Se vai haver novos tangos, outros boleros, balançar de cabeça, embalados por acordes estridentes de alguns roqueiros cabeludos, um blues falsamente tranquilo, ou novos funks e qualquer coisa “universitária”, não faço idéia. Mas sei que novamente será segunda-feira outra vez, em alguns dias. E terei vivido tudo novamente. Mesmo que tudo seja o angustiante marasmo das tardes de domingo.
Não espero não errar, claro. Nem ficar livre de dores. Mas espero que as cicatrizes futuras venham acompanhadas de boas lembranças e ensinamentos. E que não cometa mais os velhos erros. Afinal, ainda temos tanto, tanto jeito novo pra errar...
Boa semana

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