25 de abr de 2011

Minha angustia "Real"

Tenho que confessar, estou um tanto aflito. Espero que entendam.

Já tenho quase tudo pronto, é verdade. Mesmo assim essa aflição que cresce a cada instante.

Talvez seja pela importância do momento, não apenas para o mundo inteiro, mas para mim pessoalmente.

Desconfio que essa aflição se deva também a algumas características da minha criação. É que meu pai aprendeu na roça e, mais tarde, lá na baixadinha, me ensinou que não se deve fazer desfeita. E isso tem servido para aumentar a pressão pela qual estou passando. Definitivamente não posso fazer mais essa desfeita.

Isso mesmo, mais uma. E dessa vez nem eu mesmo me desculparia. Muito menos a bondosa matriarca da família amiga.

Tudo bem, eu confesso que não me sinto muito culpado pela minha ausência na vez anterior. Pesaroso sim, pelas cobranças que até hoje recebo, de todos eles, mas também por ter perdido uma festança de fazer inveja. Claro, não teve o “Zé loco” com seu acordeom, mas nem por isso o arrasta pé deixou a desejar a nenhuma festa das que costumava ter em Mineiros. Bem, pode ser que não tenha se comparado aos bons festejos que aconteciam no povoado do Cedro. Mas aqueles eram inigualáveis mesmo. Mas todos disseram que a festa foi muito animada. É verdade que alguns reclamaram do churrasco. Não dele, propriamente, pois o que tinha, dizem, estava delicioso. O problema é que exageraram nas besteirinhas gostosas e, comida de sustância mesmo, teve pouco. Então, pelo que ouvi de alguns, o churrasco não deu para todos.

Mas o fato é que não pude ir. Minto. Poder até que eu pude, mas sabe como é, né! As férias de julho estavam chegando ao fim. E, mesmo com a insistência da noiva, eu preferi passar os últimos dias brincando ali mesmo, na Baixadinha. E, especificamente naquela quarta-feira eu passei o dia pescando, nadando, e brincando de aventureiro, às margens do Rio Verdinho (naquele tempo ainda havia muito mato onde hoje tem um frigorífico e muita lavoura). Mas também, puxa vida, eles deviam relevar. Em 1981 eu tinha apenas 10 anos, e meus pais estavam envolvidos demais com a labuta diária, que não poderia me levar até lá. E para buscar então, no final da festa, ficaria muito tarde. (Desde criança, eu falo com eles, que essa mania de marcar os casamentos para o meio de semana é ruim para alguns convidados. Mas não tem jeito, eles não aprendem).

A família toda ficou muito sentida com minha ausência. Eles esperavam ao menos minha presença, como simples convidado. Isso depois que eu recusei o convite para compor um dos casais de noivinhos na cerimônia, mesmo com toda insistência. Achei que eu já estivesse um pouco crescido. Argumento que nunca foi bem aceito por ninguém, sobretudo por Dona Beth. Com muito esforço, convenci a todos que, se convidassem apenas crianças menores, daria um ar de mais pureza. Eles não concordaram plenamente, mas diante da minha recusa, não tiveram escolha.

Perdi o casamento. Perdi a festa. E minha ausência foi grandemente sentida. Nunca mais tive sossego. Sempre que falo com alguém da família, até hoje, sou cobrado por isso.

É verdade que depois de 1997 o volume de reclamações caiu significativamente. Mas por um motivo que nem gosto de me lembrar. Afinal a dor de perder alguém próximo e querido é coisa que preferimos esquecer, não é mesmo?

O fato é que, mesmo com a ausência física da minha grande amiga, sei que ela espera que eu esteja presente no casamento do seu primogênito. E ainda tem a Dona Beth, a avó do noivo (e a bisa também, é claro), por quem tenho grande carinho, e sei que esse sentimento é recíproco. E vai ser ótimo aproveitar para passar algumas horas com ela, ouvindo seus causos enquanto tomamos algumas xícaras de chá, (ainda promovo um encontro entre Dona Beth, Dona Felisbina, Dona Pequena e Dona Neném, só pra ficar curtindo a prosa, que deve impagavelmente deliciosa).

Mas, se já está certo que não irei perder o casamento do filho, como perdi o da mãe, e que vai ser ótimoQual é, afinal, a aflição que está me atormentando então? Simples, é que duas dúvidas estão me matando. Em primeiro lugar, não consegui decidir o que comprar de presente para os noivos. Em segundo lugar, e principalmente, não sei se devo ir ao casamento do príncipe William (para mim, o “Pequeno Willi”), de chapéu, ou não...

3 comentários:

  1. Esta duvida não tenho ! Vou de chapéu .

    Abraço !

    DE-PAULA.

    ResponderExcluir
  2. Tá fácil p/ vc decidir:
    1. Pelo jeito o mais importante é vc estar presente e não levar o presente, senão vai ser cobrado pelas próximas décadas, no entanto deve existir uma lista de desejos em algum lugar p/ os convidados apreciarem.
    2. Vá sem chapéu e leve uma moeda. Um bom lugar e um bom momento para se jogar cara-ou-coroa!

    ResponderExcluir
  3. Demervas, obrigado pela solução simples.
    Resolveu minha vida. Agora ja posso dormir em paz...
    De Paula, nos encontramos lá.

    ResponderExcluir