8 de mar de 2011

Jé que é hoje, um pedido...

Meu pai, um homem simples e muito pobre, foi o responsável por todo recurso de que dispus por toda infância e boa parte da adolescência. Até começar a trabalhar. E tive que começar logo cedo, afinal tinha poucos recursos. Meu pai, em seus trabalhos pesados e insalubres, só conseguia ganhar o essencialmente básico para nossa sobrevivência. Não foi um tempo fácil aquele.

Minha mãe, mulher igualmente simples, tratava de cuidar da casa simples, gerir os parcos recursos e, principalmente, se dedicar em nossa educação. Como fui o filho que ficou por mais tempo com eles, fui mais impactado pela convivência com seu Durvalino e dona Felisbina. E posso assegurar, foram dias difíceis, devido à dureza, mas foram tempos fundamentais para mim.
Aprendi muito do que me é importante hoje e que, sei, será importante por toda minha vida. Também tive importantes lições com outras pessoas, é claro (por sorte, a vida sempre foi muito boa comigo). Mas tudo que vivi com meus pais me trouxeram lições vitais.
Alguns bons princípios. A noção de que é preciso esforço para se viver, sobretudo para quem vem da “baixadinha” (seja lá onde for que a sua se localize).
Minha mãe sempre batalhou muito para que melhorássemos de vida. Foi ela quem se dedicou por meses, até conseguir comprar o terreno onde aos poucos nossa casa foi sendo edificada. Era ela quem inventava alguns pratos feitos com ingredientes estranhos, para que não ficássemos sem ao menos uma refeição por dia. Era ela quem passava a noite ao meu lado, muitas vezes chorando, quando eu ficava doente. E foi ela que mesmo sendo semi-analfabeta, se esforçava para ler comigo as estórias mágicas dos livros infantis que havia na pequena biblioteca da Escola Municipal Otalécio Alves Irineu. Ela lia, eu lia, ela se empolgava, comentávamos, riamos muito, conversamos sobre as aventuras mágicas. E ela sempre pedia para que eu pegasse outros no dia seguinte. E foi isso que me fez gostar dos livros. E isso foi fundamental incentivo para que eu gostasse de ler e, consequentemente, de estudar o que não me garantiu fortuna, reconhecimento ou sucesso em nada. Mas me permitiu crescer, e me tirou daquela “baixadinha”, de onde vários dos meus amigos de infância não conseguiu sair.
Meu pai é um homem bom. Simples, analfabeto e meio rude. Mas com uma delicadeza maior que na maioria dos homens com quem ele convivia. E me influenciou muito.
No entanto, foi minha mãe a grande responsável por eu ser quem sou.
Sei que ela teria feito muito mais, se tivesse um trabalho que lhe rendesse um bom salário. Mas, na maioria do tempo ela não tinha trabalho pelo qual recebia salário algum. Sua ocupação em quase todos os seus dias, era com sua casa e com sua família. E por isso não tinha salário. Na verdade, nem sempre o devido agradecimento. Mas reconheço, não hoje, mas sempre soube, que sua principal contribuição para minha formação não dependia de recursos financeiros ou da sua posição social. Não é disso que se trata. Mas do fato de ser mulher.
Sou favorável, e apoio todas as lutas das mulheres em busca de “emancipação”, igualdade e, principalmente, em busca de respeito e mais dignidade. Sou favorável, apoio e defendo.
No entanto acho necessário fazer uma reflexão que, para algumas vai parecer o contrário. Mas que não é mesmo.
É que mesmo não sendo sociólogo, antropólogo, sexólogo, hippie “porra louca” ou irmã beneditina, há algum tempo observo algumas das conseqüências dessas lutas. Algumas muito favoráveis, como a ocupação cada vez maior de cargos e funções de direção, quer de empresas ou de órgãos de governos, por mulheres. Mas também algumas conseqüências nem tão favoráveis assim. Uma delas, o fato de andar vendo cada vez mais mulheres solitárias, angustiadas, deprimidas. A segunda, e mais grave, vejo a sociedade cada vez mais violenta, as pessoas mais agressivas, menos tolerantes, mais propensas a revidar qualquer insulto, por menor que seja, com agressões gratuitas.
Tudo bem, essa é minha opinião pessoal e intransferível, e vou tentar explicar.
É que, ao que me parece, e para mim isso é muito claro, as mulheres estão tão engajadas em sua luta, por igualdade, dignidade e tudo mais (que, como disse, acho mais que justo), estão se afastando de algumas características da personalidade feminina, que são fundamentais para a manutenção do equilíbrio da sociedade.
E não estou falando de pia, fogão ou tanque. Não acho que as mulheres devam ser domesticas, nem defendo que lugar de mulher é na cozinha. E, a pessoa a quem mais confio, depois de mim mesmo, ao volante, é uma mulher. Não se trata de nada disso.
Certamente se meu pai tivesse mais dinheiro minha vida teria sido diferente (ainda me emociono ao lembrar que no dia que eu passei no vestibular, meu pai chegou em casa com uma bicicleta azul, novinha... Deus sabe que aperto ele teve que passar, mas aquilo era simbólico para ele, e foi para mim também...). Mas foi minha mãe, com sua feminilidade, sua delicadeza, sua forma de me mostrar o mundo, sua fé e sua fragilidade extremamente forte que compõem quase todo meu caráter.
Homens são caçadores. A ordem, o equilíbrio e a transferência dos princípios básicos são papeis das mulheres.
Homens são guerreiros, são focados em objetivos fáceis de serem observados. Nós, homens somos limitados e nossa força bruta nem de longe supera a força e a perspicácia das mulheres.
Pessoas que sabem perdoar, que são mais tolerantes, que cultivam a fraternidade, só existem (ou existirão) se as mulheres nos ensinarem isso (quer ver os conflitos acabarem e a paz ser implantada no planeta, deixemos as negociações nas mãos das mulheres). Da mesma forma, uma sociedade desequilibrada, com todas as doenças sociais e toda sorte de violência que vemos hoje, está aí devido à ausência do espírito feminino.
Sim, em minha opinião, a culpa de boa parte das grandes mazelas que enfrentamos hoje é sim das mulheres. De sua luta feminina e feminista. Não devido à luta propriamente dita, nem pelos objetivos explícitos, que são bastante legítimos. Mas pelo que considero erro de foco, pois na busca por suas conquistas, a grande maioria está se afastando de suas principais características. As mulheres resolveram que deviam, ou que podiam deixar de lado sua posição de mulher, e estão fazendo isso sem preparar ninguém para substituir.
Não podemos negar as verdades históricas. E não se pode mudar a realidade moldada em séculos evolução, em algumas décadas e com algumas atitudes.
Queimar sutiãs pode ser bom para a auto-estima coletiva das mulheres, mas não altera a realidade.
Por isso, hoje quero fazer um pedido a todas vocês: Conquistem seus espaços, dirijam mais empresas e sejam presidentes, marquem gols, cantem, façam mais sexo, sejam livres para assumirem suas opções sexuais, saiam em passeatas, (...). Enfim, façam tudo que acham que devem fazer para serem mais respeitadas. Mas não deixem de ser mulheres.
Todo trabalho que nós homens fazemos, vocês podem fazer tão bem (se melhor ou pior, sempre vai depender do talento e do prazer com que se executa), mas a essência da alma feminina nós não temos como desenvolver. Nunca saberemos o que é ser mãe (infelizmente).
Não são vocês que devem se igualar aos homens. Pelo contrário, o ideal será quando vocês nos ensinarem a sermos como vocês.
Que suas lutas, e conquistas, sirvam para tornar a Terra um lugar melhor de se viver. E não para embrutecer nosso mundo.
Beijo Terno e todo meu respeito e minha enorme admiração.

6 comentários:

  1. Concordo com quase tudo, mas tenho que discordar da idéia central do texto, ou seja, que as "mazelas" vieram porque as mulheres estão menos femininas. Acredito que por viver agora, você deu muito peso ao que vê, mas se compararmos com o nosso passado, será que o mundo tinha menos problemas2 Eu acredito que onde as mulheres estão atuando o mundo está melhor. MAs este trecho está perfeito> "Não são vocês que devem se igualar aos homens. Pelo contrário, o ideal será quando vocês nos ensinarem a sermos como vocês." Grande Abraço!!

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  2. Quando li seu texto lembrei muito da Adélia Prado, então aí vai: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra"
    Abraços

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  3. Meu amigo, mao só comungo das suas ideias como, guardo silentemente dentro de meu coraçao, assimmmeio escondido memso das feministas oabstinadas, meu verdadeiro repudio por esses desejo sesenfreado de poder e "igualdade" feminina. o que na realidade é apenas a verdadeira perca de suas essencia feminina. Sou mulher e vc, bem sabe, e por mais que tive e e tenho que lutar pelas conquistas da vida neste nosso mundo competitivo, sei que abeleza da mulher, e aquela que o homem busca, esta na sua doçura, na ternura e nos modos delicados com que os tratamos. Lacinhos, fitinhas e frufrus e etc....destoam totalemnte quando a mulher se esquece e assassina sua assencia, tao linda e sublime.....E ai reclamam de sua solteirisse!
    Bjos meu amigo.

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  4. "...Não são vocês que devem se igualar aos homens. Pelo contrário, o ideal será quando vocês nos ensinarem a sermos como vocês..." Me fez refletir....Bjus!

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  5. Naza

    Sobre o texto destaco o fragmento,

    "...Não são vocês que devem se igualar aos homens. Pelo contrário, o ideal será quando vocês nos ensinarem a sermos como vocês..."

    Todavia se houver opção prefiro nao menstruar...

    E sobre a Bike Blue vc nao a fez virar um Car Black? Affiiii....

    NILTON CESAR
    CARPIE DIEM FOREVER

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  6. As mazelas são devidas ao ser humano como um todo e isso não é questão de gênero, e sim, de número e grau.
    Do número problemas sociais existentes e não resolvidos e do grau de intolerância que nos aflige.

    Parabéns a todos os Durvas e Felisbas do mundo, àqueles que resistem às mazelas.

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