31 de out de 2010

Como espelho

Lembrei-me de você,

Como sempre me lembro de nós.

Pretendi esquecer. Impossível, você não sai de mim.

Guardei as fotos na gaveta mais funda.

As cartas digitalizei, para queimar, simbolicamente, os papeis.

Troquei o perfume.

Já não me visto como antes.

Meu prato preferido, mudei também.

Mas acordei pensando em nós.

Memórias que estão na pele.

Na saliva,

No olfato e paladar.

No meu jeito de pensar.

Em todos os meus sentidos.

Em como respiro pra viver.

E eu simplesmente me lembro de você.

Me lembrei e tive medo.

Medo de falar sempre de você,

Já que está totalmente em mim.

O que dirá meu toque, acariciando outros corpos?

E meu beijo, não dirá seu nome?

Meu suor terá seu perfume?

Será o seu gosto, em minha saliva?

Arrepiará meu corpo, o seu calafrio?

E quanto à você?

Te alegrará, meu sorriso aberto?

Em sua solidão buscará meu colo?

Será minha proteção, a espantar seu medo?

Seus suaves movimentos buscarão meu gozo?

Futuros amantes hão de entender

Que estas em mim, e eu em você,

Como tatuagem, para toda vida.

Mas eu tenho medo

Que confundam nossas vozes.

Que reconheçam o outro, em todos os nossos poros,

E que me vejam em ti

Como é bem fácil enxergar você

Sempre que olharem dentro dos meus olhos.

Um comentário:

  1. Como sempre um romântico assumido... =) pelo menos eu acho.... rsrs
    Sempre com essas coisas que não [des]existirão.

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