31 de jul de 2010

Da série "bons causos" - Era caso pra milagre mas, a quem recorrer?

Abrir uma igreja hoje em dia é coisa simples. Se for uma nova denominação então não se gasta nada, e ainda tem um jacá de vantagens fiscais. Se for uma franquia deve ser um pouco mais complicado. Além de ter que dividir os lucros com os detentores da marca.

Sim, eu usei os termos “franquia” e “lucros”, isso pra deixar claro minha compreensão de que hoje é disso (e somente disso) que se trata. Igrejas (e religiões) agora são apenas negócios. E com cerca de R$ 500,00 e pouca burocracia, qualquer um pode ter o registro de uma denominação religiosa, com poderes para nomear pastores, bispos e tudo mais. Se esse meu aperto continuar, acho que vou abrir uma, com meu nome acho que farei sucesso.

Mas esse texto não é sobre facilidades pra se abrir uma empresa do ramo imobiliário celeste. E sim sobre as dificuldades que existia para se abrir uma capelinha, nos tempos do monopólio da empresa-estado multinacional romana.

Dona Pequena, uma supersimpática senhora baiana, que vive há muito tempo em Mineiros, lá pra bandas de onde nasce o rio Araguaia, no extremo sudoeste goiano, conta que, quando era moça-donzela, ainda vivendo em pleno sertão caatingueiro, em um pequeno povoado, a comunidade cismou que já estava merecendo uma capela, já que a crença é uma das características mais marcantes do povo nordestino, sobretudo do pobre povo sofrido do sertão.

Convenceram o vigário, que vinha duas vezes por mês celebrar no velarejo, que convenceu o pároco, que obteve autorização do bispo. Tudo feito direitinho, respeitando a hierarquia e seguindo os ritos.

Todo mundo acordado, danaram a fazer festas, leilões e quermesses para arrecadar os fundos necessários. Claro, contaram com a farturenta contribuição do “Corené” da região.

Em pouco tempo o montante já havia sido levantado, e a obra foi iniciada. Serviço voluntário (doação para o erguimento da casa do Senhor). Trabalho feito em ritmo de mutirão, sempre seguido de arrastapé, comilança e bebelança (e algumas vezes por confusão causada por bêbados ou mulher enrredeira).

Em breve a capela estava pronta. Era pequena, mas havia ficado uma beleza. Sino de bronze na torre, relógio e uma imponente cruz de madeira.

Toda comunidade se alegrou. Algumas senhoras se emocionaram, as mocinhas se animaram com a possibilidade de poderem se casar ali mesmo, no próprio povoado. Já alguns senhores não gostavam muito da idéia de que agora teriam que pagar, digo, darem o “ofertório” toda semana, ou mesmo, todos os dias, já as crianças brincavam dizendo que a torre da igreja (apenas um pouco mais alto que o abacateiro da dona Rosinete) estava fazendo sobra no povoado vizinho. Enfim, a felicidade era geral.

Depois de tudo pronto, todos se “arreuniram” para decidir a melhor data para a inauguração. Afinal queriam todas as autoridades presentes na importante cerimônia. Principalmente o bispo.

Marcaram para a o terceiro domingo daquele mês de agosto do ano cristão de 1949. Se a memória da dona Pequena não falha, ela acha que era dia 20, ou 21. A reunião estava chegando ao fim, quando alguém resolveu fazer a pergunta que quase gerou uma tragédia.

É que com tanta animação pela construção da igreja, ninguém havia atentado para o fato de não terem definido qual seria o padroeiro, ou padroeira (por que no ramo das coisas da igreja esse negócio de gênero sempre foi muito claro).

Quando o seu Joaquim da Bina perguntou qual seria o santo da capela, foi aquele falatório. Começou baixo e até comportado. Mas como uns diziam “Santa Luzia”, outros “São João” (as crianças preferiam este por conta da festa que teriam em junho), as moças se adiantaram a defender “Santo Antônio”, por motivos óbvios.

Logo os ânimos estavam exaltados. De longe se ouvia gritos de “Nossa Senhora do Bom Parto”, “Nossa Senhora de Fátima”, “São Bento”, “São Cristovam”, “Nosso Padim Padre Cícero”. Até São Lampião foi dito por alguém. Quando a coisa ia saindo do controle, foi preciso que o cabo Aniceto (maior representante da lei existente na cidade) sacasse sua garrucha e disparasse um tiro paro o alto.

Todos pararam assustados. O Coronel, que havia ordenado ao cabo que tomasse a providencia destumultuante, encerrou a reunião, dizendo que a escolha do santo ficaria pra uma outra hora.

Todos saíram a contragosto, e foram pra suas casas resmungando.

Duas semanas depois, na venda do Chico do Tião, que ficava no povoado vizinho alguns moradores indagavam ao cabo Aniceto sobre a demora pra inaugurar a capela que eles tinham construído, alguns querendo mangar um pouco mais chegavam a colocar em dúvida a construção da tal capela, no que teve como resposta, em tom muito descorçoado: “a igreja nois’ tem, o diabo é o santo”.

Um comentário:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    “As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

    O CRIME DE LESA HUMANIDADE

    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, mas não o fazem porque para elas, os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” são mais importantes que as vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    A COMISSÃO DA VERDADE

    A SOS DIREITOS HUMANOS em julho de 2010 passou a receber apoio da OAB/CE pelo presidente da entidade Dr. Valdetário Monteiro, nas buscas da COVA COLETIVA das vítimas do Sítio Caldeirão, e continua pedindo aos internautas divulguem a notícia, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

    Paz e Solidariedade,

    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 85 8613.1197
    Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://revistasosdireitoshumanos.blogspot.com

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