4 de dez de 2014

Equilíbrio

Tênue ponto em que nos equilibramos.
Existe por um instante tão fugaz
que nem se pode mensurar.

É o que escapa da eterna disputa que regula o tempo
e define nossa existência.

Desprezado pelo futuro
            (como velhos "bois de piranha")
para aplacar, um pouco, a fome do devorador em seu encalço.

Devorado em um instante
sem sequer poder lutar.
Mesmo assim é o que permite nossa história.
Tudo que foi.
Tudo que será.

E, equilibrando nesse ponto.
Saltando para o próximo,
sem descanso
            (ou somos devorados juntos)
É que existimos.

E não temos nada mais,
além do agora
            que passa
            que passou
            que passou (...)
Que passa cada vez mais rápido
e mais próximo o devorador está.
E, a cada instante devorado,
mais breve é cada agora.

Nesse ponto em que habitamos
            no ínfimo ponto onde quase se intersectam, futuro e passado,
não existe o que farei
tampouco o que eu fiz.
Apenas o que faço

Insaciável, o passado tem mais fome ao devorar.
Nesse paradoxo maldito
            que não inclui o perseguido
Em breve tempo, o alforje do futuro
não terá novo agora pra retirar.
            E não haverá mais o ponto, onde nos equilibrar.

Se tão breve é o presente
basta de perder tempo.
Cante, abrace, cante, ame.
Seja livre e verdadeiro.
declare, grite, sorria, chore.
Viva mesmo, intensamente.
            (pois a cada novo agora),
o que importa é ser feliz!


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