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19 de fev. de 2012

"O Círculo de Loki" - em uma tarde de terça-feira...

(...)
Os agentes da PF que chegaram a pouco foram se encontrar com alguém. Eu quis saber quem era e fui ver de perto. É um cara normal, boa aparência e nenhum senso de educação.
- Isso é muito genérico, detetive.
- Eu sei, mas esse tem um detalhe marcante. Quando ele sorri suas gengivas saltam para fora dos lábios, e uma grande cova se forma na face esquerda. Conhece alguém assim?
- Por acaso ele tem uma pequena cicatriz no nariz, um pouco abaixo da linha dos olhos?
- Sim, exatamente. Sabe quem é ele?
- Não!
- Que droga, Santiele, não tem graça nenhuma fazer piadinha agora?
- Me desculpa ‘meu caro Cássio’. - brincou ele.
- Então você não sabe de quem estou falando, é isso?
- Eu sei sim, de quem você está falando. Não foi isso que eu disse. O que disse foi, “Não sei quem ele é”. Na verdade ninguém sabe. Desconfio que nem mesmo ele se lembre mais quem seja.
- Como assim? - perguntou confusa e assustada.
- Ele é um fantasma. Um tipo de curinga. Oficialmente ele não existe. Não vai encontrar nada sobre ele em nenhum registro. Não tem RG verdadeiro, não mora em nenhum lugar. Não tem família. Nada.
- E, o que ele faz?
- Todo trabalho sujo, que os poderosos de Brasília precisam que seja feito, e que ninguém “real” teria coragem. Está me entendendo, detetive?
Karine estava atônita.
- E, ele está em Goiânia, com os federais que assumiram o caso do Nandinho? É isso que você está me dizendo? - perguntou Santiele, torcendo para ter entendido errado.
- Sim.

Santiele sentou-se novamente, seu rosto assumiu feição de total preocupação. Ele sabia que para aquele homem estar ali, alguma coisa realmente grande estava acontecendo. (...)

2 de dez. de 2011

Atendendo ao pedido do amigo/leitor Demerval, mais um trecho de "O Círculo de Loki"

(...)
A detetive Karine tocou a campanhinha e logo foi atendida por uma senhora simpática. Aparentava ter uns 75 anos, aparência certamente enganosa, culpa das grandes dificuldades que deve ter enfrentado por toda vida.
- Por favor, senhora, é aqui que mora o senhor Antônio Pedro Aguiar? - perguntou Karine.
- É sim! O ‘Toin Pedro’ mora aqui sim. -respondeu a velha senhora.
- Ele está?
- Ta, sim senhora. Por quê? - receiou-se a velha.
- Eu sou da polícia. Karine se apresentou mostrando o distintivo. E quero falar com ele sobre o roubo do carro.
- Ah bom! Vou chamá-lo - A senhora entrou. Minutos depois apareceu novamente à porta convidando os dois para entrar.

O senhor Antônio estava na sala. Sentado em um velho sofá coberto com uma napa amarelada, muito gasta. Na pequena sala via-se além do velho conjunto estofado de duas peças, uma estante de metal tubular e vidro, onde havia alguns bibelôs, garrafas de vinho e uma tv de 20 polegadas. Além de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida ao lado de uma pequena estátua de Pe. Cícero esculpida em madeira, com cerca de 15 cm. Senhor Antônio percebendo que Karine se deteve por muito tempo admirando a estátua adiantou-se.
- É que somos lá do Ceará. Devotos de Nosso Padim.
- Desculpe senhor Antônio. Só estava pedindo a benção - Saiu-se bem a detetive. Com essa demonstração de fé e respeito pela crença dos moradores, Karine desarmou o que podia haver de receio no velho casal, e ganhou a confiança deles.
- Senhor Antônio, como disse para sua esposa, sou da polícia. E estou aqui por causa do roubo do seu carro.
- Graças a meu Padim, já encontraram ele? - interrompeu o senhor Antônio.
- Não seu Antônio. Ainda não. Vim aqui porque o carro do senhor foi usado para fazer uma coisa muito ruim, lá em Goiânia. E como o senhor teve contato direto com os ladrões, gostaríamos de saber se o senhor consegue contar pra nós como eles eram. O senhor consegue?
- ‘Benhê’, traz um café pra moça e pro menino aqui - pediu o senhor antes de responder à pergunta.
- Olha minha filha, eram só dois. Mas, não deu pra ver o rosto deles, por que estavam com camisa amarrada na cara. Só ficavam os olhos descobertos. Mas, eles eram gente muito ruim. Não eram grandes não. Um era negro e muito calado, forte e nervoso. O outro muito falante, tranquilo e parecia muito frio.
- Teve algum detalhe deles que o senhor conseguiu perceber?
- Humm. A voz do negro é muito esquisita. Ele quase não falou, mas quando falou eu só não ri porque estava muito nervoso, e eles estavam armados. Só isso.
O café foi servido. Os quatro tomaram calmamente. Só o garoto dos desenhos repetiu.
- Sabe tava lembrando aqui. Não sei se ajuda, mas acho que o cabelo do rapaz branco é loiro. Mas, não é loiro de nascença não. É desses loiro tingido, sabe como? E ele tinha um desenho no braço esquerdo - lembrou o taxista.
- Um desenho? - animou-se Karine.
- É uma tatuagem, como fala essa gurizada.
- Isso é muito importante. E o senhor consegue contar como é esse desenho?
- Acho que ...
- Espere seu Antônio. O nosso artista aqui vai tentar fazer o desenho conforme o senhor for falando - disse Karine fazendo sinal para o perito se preparar.
- Pronto! - disse o garoto com papel e lápis nas mãos.
- Então, é uma cobra enrolada no corpo de uma mulher pelada. Em volta tem umas estrelinhas amarelas. A cabeça da cobra ta por cima da cabeça da mulher. Com a boca aberta e a língua de ‘furquia’ encostada na testa da mulher também. E a mulher ta segurando numa das mãos um punhal desses meio tortinhos, sabe?

O taxista terminou sua descrição e menos de um minuto depois o perito estendeu as mãos mostrando o resultado de seu trabalho. O humilde senhor Antônio deu um sobressalto de susto, tamanha a perfeição do desenho que via ali.
- É isso mesmo. Foi você que fez aquele desenho no braço daquele marginal, não foi? - perguntou assustado, já começando a temer por sua segurança, imaginando que esses dois fossem parceiros dos que levaram seu carro...

21 de abr. de 2011

Mais um fragmento de "O Círculo de Loki"

(...)

Enquanto isso, em Brasília, a porta de um bonito escritório, adornado com caras obras de arte, aspectos modernistas com alguns detalhes retrô, se abriu. Entrou um homem com marcas de sangue no corpo, um grande ferimento no braço direito e um olhar ameaçador.

- Ela escapou. - disse ele com medo na voz.

Do outro lado da mesa, sentado em uma cadeira de couro, alta, grossa e aparentemente muito macia, um homem grisalho, aparentando cerca de 50 anos, cabelos bem penteados e marcante perfume. Ele levantou o rosto e olhou firme, sério e, agora, irritado para o homem que acabara de entrar.

- Seu incompetente. Era só uma garota. Como vocês a deixaram escapar? - disse ele com sua voz grave, e forte.

- Ela é louca. Surpreendeu a gente com uma reação totalmente inesperada. Só eu fiquei vivo!

Essa notícia deixou o elegante senhor ainda mais irritado. Ele sacou uma arma da gaveta.

- Não, você também foi abatido, seu incompetente!

Abafado por silenciador, o tiro que atingiu o peito do indivíduo já ferido não foi ouvido por ninguém. Usando o interfone o homem chamou alguém.

- Por favor, venha retirar um lixo que está contaminando minha sala. - ordenou de forma ríspida.

(...)

6 de fev. de 2011

Mais um aperitivo, retirado de "O Círculo de Loki"

(...)

A manhã de sexta-feira já estava na metade, quando o delegado, de pé bem à suas costas, disse com voz firme.

- Então, vamos resolver o problema daquele desconhecido.

- Calma Marcelo, agora não, por favor!

- Como assim, agora não? Agora sim! E sua situação está ficando cada vez mais complicada.

- O senhor não faz idéia, delegado, mas tem toda razão. - Disse uma terceira voz.

Olhando para a porta os dois viram os agentes federais Araújo e Kleiton. Os mesmos que estiveram ali no início da semana, e que ‘resolveram’ o caso Nandinho.

- A senhorita está presa, detetive! - Kleiton mostrou-lhe as algemas.

- Qual a acusação? - interveio Marcelo.

- Triplo assassinato. Ela é suspeita de envolvimento no caso dos homens que foram mortos e carbonizados em Senador Canedo. Por favor, Detetive Cássio, venha conosco.

Nesse momento todos os policiais da delegacia estavam atentos, assistindo a conversa. Todos surpresos com a acusação.

- Um minuto, por favor! - disse Karine calmamente, enquanto mandava imprimir o documento, de duas páginas, aberto em seu computador. A impressão terminou, ela se levantou, pegou as folhas com a mão esquerda, sem movimento brusco, sacou sua pistola com a mão direita, olhou para os dois federais e pausadamente disse, - Senhores Araújo Godinho e Kleiton Rodrigues, os senhores estão presos por corrupção passiva, assassinato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas. A ‘casa de vocês caiu’, rapazes. Melhor se entregarem sem reagir.

O espanto, no rosto dos que assistiam a tudo crescia a cada respiração. Os dois homens sacaram suas armas e apontaram para Karine, que já tinha sua pistola apontada para eles. Kleiton gritou para que ela abaixasse a arma.

- Que palhaçada é essa, detetive. Vai complicar ainda mais sua situação. Venha conosco agora, ninguém aqui precisa se machucar!

- Para com esse teatro, nesse exato momento todos os membros do ‘circulo de Loki’, estão sendo presos. Não compliquem vocês, a situação.

Ao ouvir isso os dois federais deixaram perceber o nervosismo em seus rostos. Araújo se exaltou.

- Você não está me deixando outra alternativa! - disse isso e começou a engatilhar sua arma quando sentiu um toque frio em sua fronte direita. Sem mexer a cabeça ele percebeu que Marcelo tinha um revolver 44 engatilhado apontado diretamente para sua cabeça.

- Por favor, baixe a arma! – foi tudo que o delegado disse.

(...)

21 de jan. de 2011

Para degustação - - Trecho de "O Círculo de Loki", meu próximo livro...

No mesmo instante em que a policial Karine deixava a casa de sua mãe, um jovem senhor, sisudo, aparentando não mais que 40 anos jantava sozinho no Raymond’s, no número 28 da Church Street, em Montclair no estado americano de Nova Jersey. Bem vestido, com terno de corte perfeito, gravata de seda e sapatos de pelica, ambos italianos, o elegante homem saboreava o prato que o fazia percorrer as quase 12 milhas que separavam aquele restaurante de Nova York, com certa frequência. Ele parecia distraído demais quando outro homem sentou-se à mesa, sem dizer nada antes.

“Está feito! Os alvos foram abatidos”. - disse o homem que acabara de chegar.

O outro levantou levemente os olhos, usou o guardanapo nas mãos e lábios, tomou um gole de sua tônica e respondeu: “Espero que dessa vez tenha sido definitivo”. Falou suavemente, com um sotaque carregado, e voltou a comer seu Chicken Satay acompanhado por Mediterranean Platter Salad.

“Sirva-se, esse frango está ótimo!” - ofereceu ao convidado.

“Por favor, Mark, não entendo por que você insiste em vir comer nesse lugar. O que tem aqui de tão especial?”

“Sua visão é muito limitada meu caro MacCoy. Olhe ao redor. O lugar é ótimo. As pessoas não estão preocupadas com quem está ao lado, a música é de bom gosto, a garçonete é uma delícia e o proprietário é meu amigo da juventude. Além do mais, servem o melhor frango com saladas que eu já experimentei em toda minha vida, e vou pagar por esse prazer não mais que US$ 21.00. Não está mesmo afim?”

MacCoy com falsa relutância serviu-se com um pouco do Chicken Satay e pediu uma Soda.

“Como foi? Espero que tenha sido um serviço limpo e sem rastros”. - disse Mark.

Em parte. No Brasil não foram tão discretos assim. E teve uma vítima desconhecida”. - respondeu MacCoy enquanto mordia seu frango.

“Droga Ernest! Quantas vezes eu recomendei que fosse tudo feito de forma limpa e discreta. Vocês fazem bagunça e ainda está me dizendo que mataram outra pessoa?” – Mark falou mais alto, visivelmente irritado.

“Fique calmo. Infelizmente havia um sujeito no lugar errado. Não sabemos quem era. Mas que diferença faz?” - Ernest deu de ombros.

“Quero que certifique, se o objetivo foi atingido de fato. E por favor, limpe a sujeira que vocês fizeram”.

“Tudo bem, vou manter os rapazes lá por mais algum tempo. E já ordenei que apagassem os rastros”. Ernest MacCoy disse isso e levantou-se. Sem se despedir saiu em direção à porta. Após quatro passos, virou-se para Mark, fez cara de desdém e disse: “Cara, esse frango é horrível!”. Virou-se novamente e saiu. Mark Romanov ameaçou dizer alguma coisa, mas desistiu. Apenas pensou. “Hum! Porcos sempre enxergarão milho se lhes jogarem pérolas”. Baixou novamente a cabeça, suspirou de prazer e alívio. Mais um gole de sua tônica e voltou a comer.

9 de out. de 2009

Sinopse

... Seu problema não foram os erros. Pois não os cometera. Seu problema foram os acertos. Também não os cometera tanto quanto devia ...”

Um evento inesperado leva a personagem central de Dois Segundos a analisar toda sua vida. Usando fragmentos de poemas de Fernando Pessoa (em várias de suas pessoas) e de Augusto dos Anjos como farol que aponta o caminho para essa jornada, o livro narra essa viagem, na qual a jovem Crys vai descobrindo que nem sempre uma vida sem erros significa uma vida de acertos. E que o anseio em “mudar o mundo” pode representar um desejo maior (e muitas vezes não admitido sequer para nós mesmos) de fazer plena nossa própria vida.

Em um ritmo suave e muito envolvente, Dois Segundos apresenta de forma sensível uma reflexão sobre alguns dramas que acometem a maioria das pessoas de nossos dias.

Ao leitor será impossível não se emocionar com a jornada da bela Crys nem, tampouco, deixar de refletir sobre o que tem feito sobre sua própria vida.

Indicado para todas as pessoas que já abandonaram em algum lugar de sua história, as percepções que tinham quando crianças, Dois Segundos tocará mais profundamente as mulheres modernas, financeiramente independentes, profissionalmente bem sucedidas e envolvidas demais com seus compromissos profissionais a ponto de terem abandonado os sonhos que um dia tiveram, e que as levariam, sem dúvida a uma vida plena e verdadeiramente feliz.