17 de out. de 2013

Por uma canção que ouvi, uma flor guardada, um bombom envelhecido, aquele abraço de onde não quero mais sair e todas as cervejas que ainda beberemos...

Mesmo que não me canse de ouvir,
quem sabe um dia me canse de dizer
         (ou ao menos de imaginar)
Quão difícil seria viver sem você.
Não quero e não vou...
Pode tentar me forçar
pode querer me fazer ver diferente
pode se esforçar para me mostrar.
Meus olhos indisciplinados,
quase tanto quanto um músculo idiota,
que mesmo sendo liso,
insiste em agir como um estriado,
enxerga beleza no lugar de dor,
em cada espinho, enxerga uma flor,
enxerga você em cada canto que vou.
Enxerga, enfim, que essa coisa que sinto,


é pura, e simplesmente, amor...

15 de ago. de 2013

Cura?

Tão ironicamente eficaz é o tempo:
Curando toda ferida,
onde um dia houve amor
hoje não resta nada
nem raiva
saudade,
mágoa.
E, veja você,
contra todas as expectativas,
nem um tantinho assim de dor.


Inconstante partitura
nem da tempo pra leitura.
Na rede elétrica, os pardais


Apressada

Queimou etapas,
recusou-se a ser crisálida.
Foi de criança a mulher
sem viver a metamorfose.
amadureceu antes do tempo,
         tornou-se mãe na hora errada


Sobre forças, cicatrizes e belezas

"15/08/2010 às 16:43... O pedido mais surpreso, e a resposta corajosa.
Elas não concordavam em quase nada, e sempre se buscavam no olhar, quando o tato não era permitido. Mas de uma coisa tinham certeza, eram loucas uma pela outra, e isso as diferenciavam em meio a todos!"

O texto acima me chega como mensagem sms logo na manhã hoje, 15/08/2013. Uma amiga dividindo comigo o que minha limitada percepção mostra ser um turbilhão de sentimentos.
Ela ama, quanto a isso não resta dúvida. Mas hoje não haveria jantar para comemorar o terceiro ano juntas.
Existe nela a dor pelos desencontros que as afastaram seus caminhos. Há uma ponta de tristeza. Aquela que sentimos por não estar ao lado de quem amamos. Mas há também a alegria pela certeza do amor que ainda existe. E existe não apenas nela. É outra certeza.
Nem sempre somos fortes o bastante para seguirmos o caminho que acreditamos ser o melhor pra nós. Por vezes somos levados a crer que o melhor é ceder ao que esperam de nós, em detrimento dos nossos próprios sonhos e desejos e, enquanto nos moldamos conforme opiniões que não são nossas, vamos nos perdendo. Deixando morrer nossos sonhos, nos distanciando dos sonhos que tínhamos quando crianças, dos amores que vimos nascer pura e simplesmente, e que temos certeza nos tornariam pessoas melhores e felizes...
É, aqui estou eu, falando novamente sobre sentimentos sonhos distantes e amores não vividos. Tantas já foram as vezes em que esses temas estiveram presentes em minhas divagações. Sejam nas deliciosas conversas com a amiga Lidi, em pequenos poemas ou apenas compartilhando minhas próprias idiossincrasias. Certamente essa não será a última vez que variações desse tema estarão presentes aqui. Afinal, vivemos em uma busca permanente e, ao que parece, infinita, por alcançar objetivos que nem sabemos ao certo se são reais.
Agora quero me ater ao que me remete a mensagem dessa minha amiga. Estou falando de como enxergamos, e nos relacionamos com o amor que sentimos por alguém. E com ser forte, ou não, e como a opção por uma ou outra dessas alternativas afeta tão drasticamente nossas vidas.
Todos já sabemos que é o caminhar que realmente é/será apreciado, e não o destino propriamente. Toda vida é uma viagem. E os caminhos se alternam o tempo todo, em cada escolha que fazemos. Controlamos a escolha, não as consequências.
Vivemos em um mundo de valores confusos, onde é muito fácil confundir humildade com fraqueza. E onde somos lavados a acreditar que é a felicidade de quem está ao nosso redor é a única que importa. Onde buscar própria felicidade às vezes é entendido como egoísmo.
Valores confusos, eu disse. O próprio conceito de felicidade se perdeu de nós, ou nunca foi verdadeiramente solidificado. Sobretudo nas sociedades ocidentais modernas.
Na velocidade das relações virtuais, não conseguimos tempo para perceber que eu só consigo contribuir para a felicidade do mundo, se eu mesmo for, e tiver plena consciência desse fato.
Veja que estou falando de felicidade, e não de alegria. Alegrias são circunstanciais e fugazes. Felicidades, quando percebida, é perene.
E, pessoalmente acredito, e  sempre digo, que nossa principal missão na vida é sermos felizes.
Dessa forma, tanto aquele que impede outra pessoa de trilhar os caminhos que acompanham seus sonhos, e viver seus desejos, quanto quem é tolhido serão incompletos, amputados. Infelizes. Então, ao que tem poder para influenciar na vida de outras pessoas, devem estimular a liberdade, a busca de suas "lendas pessoais". E não prendê-los em alguma corrente, física ou mental. Quem se sente oprimido deve manter-se forte para não deixar morrer seus próprios sonhos. E devemos nos lembrar sempre que, mesmo não gostando, aquilo que me realiza pode ser besteira para quem está ao meu lado. E aquilo que eu não valorizo, pode ser a realização de uma vida, para quem cresce comigo. E que todos somos iguais em uma coisa: cada um tem suas individualidades, mesmo com o esforço do sistema em nos tornar autômatos padronizados, e as diferenças devem ser mantidas e respeitadas.
Outro ponto confuso em nós, e a relação que cada um tem com o amor que sente. Quer seja por outras pessoas, quer seja por si mesmo.
Confundimos sexo com amor. Confundimos Eros com Ágape, e estes com psique. E tudo é pragmático. Não cabe aqui uma discussão demorada. Vou me ater a um ponto que acho fundamental.
Quando amamos alguém, ou julgamos amar, cometemos alguns erros que contribuem grandemente para a falência das relações. Por algum motivo que ainda não entendi, acreditamos que o outro pode, e deve, perceber meu amor da mesma forma que eu.
Ora, sentimentos são pessoais. Eu amo, eu sinto. Querer que a "pessoa amada" receba meus sentimentos é esperar o impossível.
A pessoa pode me ouvir dizer quanto eu a amo. Pode perceber meus gestos, e se beneficiar, ou se prejudicar, com as consequências deles. Pode acreditar e valorizar o que eu tento manifestar. Mas ela não pode sentir. Assim como você não pode sentir o amor que alguém tem por você.
Você goste ou não, o amor que você sente é, na verdade, só seu. Só você pode, de fato, senti-lo.
E, se sou eu mesmo quem pode sentir o amor que eu tenho, então é a mim que esse amor pode, definitivamente, transformar. Sou eu que me torno melhor por amar alguém. Será a minha própria felicidade que meu amor fortalecerá, primeiro e principalmente.
Estou dizendo que sou eu mesmo, influenciado pelo amor que eu sinto, que modifico a mim e a minha vida. Quando eu mudo, o mundo muda, sobretudo o mundo das pessoas que compartilham do meu mundo.
Roberto Carlos brilhantemente cantou "Vem, que a sede de te amar me faz melhor. Eu quero amanhecer ao seu redor, preciso tanto me fazer feliz...".
 Quando cada um de nós entender, e aceitar essa verdade, nos relacionaremos bem melhor com nossos próprios sentimentos, e com as pessoas que os despertam em nós. E, assim, seremos, todos nós, mais felizes.
Finalizo essa minha divagação com outro sms. Um que enviei para essa lindíssima amiga, em resposta a outro dela, sobre essa parte bonita de sua vida.

"Ah querida, eu sei bem que às vezes a grande demonstração de força está no ato de recuar.
Que evitar os combates nem sempre é fraqueza ou covardia, mas sabedoria.
Sei também que, para enxergar, e aceitar, as próprias limitações, requer mais força e coragem do que para bancar o valente.
A vida não é fácil, minha querida, e não vem com manual de instrução, nem guia. Cabe a nós descobrir nossos caminhos e nos manter firmes nele.
sabendo que não será fácil, ao menos não o tempo todo. E não podemos nos esquecer que tristeza não é infelicidade. E às vezes são exatamente as cicatrizes que nos tornam mais fortes e belos."


6 de jun. de 2013

Sobre as novas faces da velha indignação

Definitivamente tem alguma coisa muito errada comigo.
Não é possível que seja normal uma pessoa encontrar tanta dificuldade em entender algumas coisas que acontecem ao redor. Mesmo que a abrangência do termo “ao redor” tenha um raio que extrapole minha própria privada.
Sabe, gosto de filmes. Gosto das produções hollywoodianas, inclusive. E gosto do Al Pacino. Mas, apesar da ótima atuação desse ator em “Perfume de mulher”, não gosto desse filme. Não gosto desse tipo de enredo. Não gosto de obras que se esforçam para consolidar ainda mais a mentalidade corporativista,  que predomina nos EUA e que se fortalece cada vez mais no Brasil. Mentalidade essa que transfere toda culpa e responsabilidade das consequências para uma pessoa que, sabendo que um amigo, colega de trabalho, ou mesmo membro da família, esteja cometendo um ato ilegal ou criminoso, denuncia-o às autoridades.
E o que acontece com a maioria dos conselhos e ordem profissionais, na maioria dos casos em que algum inscrito devesse ser responsabilizado por um ato irresponsável, de má-fé ou, pior, em caso de crime cometido deliberadamente.
É a mesma regra que prevalece entre os criminosos. “Caguete, delator, X-9 vai pro microondas”. Quem denuncia morre cruelmente, para mostrar a quem fica vivo o valor da fidelidade.
A regra é mesma para os criminosos dos morros cariocas, para os criminosos engravatados de Brasília, para os médicos, os advogados, os engenheiros.
Os pares estão sempre encobrindo os crimes um dos outros, e tudo fica bem.
É assim que tem que ser. E ainda chamam a isso de ética classista. E tentam incutir que esse é o comportamento mais socialmente saudável. E Al Pacino se prestou a isso em 1992.
Outra coisa que não consigo entender é a grande necessidade que temos de compartimentalizar algumas coisas que deveriam ser uma só. Ainda mais quando meus limitados olhos me mostram que, em alguns casos, isso é feito apenas para burocratizar alguns processos.
Por exemplo, a educação. Em minha opinião Educação é, ou deveria ser Educação. Ampla, abrangente, universalizante. Que conseguisse nos preparar para a vida, de modo completo. Nos formando cidadãos pensantes, seres sociais e nos capacitando a atuar profissionalmente, sem apartar essas coisas. Mas o que temos, de fato? Uma educação que prepara jovens para responder questões em concursos, mas que sabem cada vez menos viver em sociedade. Ou uma educação que formam seres quase autômatos, ótimos executores de tarefas técnicas, mas sem nenhuma capacidade de pensar a solução dos problemas sociais e sem o menor senso de pertencimento social. (E citei apenas as etapas finais da educação formal).
Mas não são os problemas educacionais que estão me angustiando hoje. São os arranjos, divisões e burocracias de outro princípio social que vem sendo, ao longo do tempo, utilizados para favorecer alguns poucos. Estou falando do esfacelamento proposital e conveniente que, aqui no Brasil, fizeram, e fazem na combinação “leis e justiça”.
Há algum tempo, ao descobrir que um membro da minha família estava cometendo um ato que prejudicava os demais membros, fui falar com ele, e percebi a chateação dele com a situação e a raiva comigo. Mas ele não ficou chateado por estar cometendo a referida “contravenção”. Nem, tampouco, se arrependeu por isso. Mas ficou profundamente chateado, por eu ter descoberto. Como se não bastasse, ainda tentou me fazer sentir culpa pelas consequências. Como se o erro não fosse o crime cometido, mas o fato de descobrir.
Vivenciar isso em âmbito familiar, com fatos não tão graves, e sem causar prejuízo a muita gente já foi muito frustrante pra mim. Afinal, quais valores aprendemos, e disseminamos hoje em dia, para alguém achar que cometer um ato ilegal (em qualquer esfera) tudo bem. Mas ser descoberto é um erro de quem descobriu, e esse sim, deve ser punido?
Em maio último, mais uma vez os jornais noticiaram a ampliação desse fato. Não em escala familiar, mas em escala nacional. Jornalistas, juristas e contraventores, incluindo senador cassado e “empresário dos jogos de azar” dão  como certa a possibilidade de tornarem nulas as provas colhidas na operação Monte Carlo da PF. E isso não por que foram criadas de forma fraudulentas, ou por que alguém foi coagido a produzi-las, nem por que elas não provam nada (afinal, pelo que chegou até mim, seus conteúdos provam sim, as contravenções). Mas as provas podem ser consideradas “ilegais” apenas por uma disputa de ego entre diferentes esferas da justiça.
Mas, como assim? A justiça não deveria ser uma só, com seus agentes agindo de forma colaborativos e com todos os esforços sendo somados na construção de uma sociedade mais justa.
Tudo bem, eu não sou juiz, nem senador corrupto (desculpem a redundância), nem bicheiro ou dono de máquinas caça-níqueis, nem jornalista, nem advogado, nem apresentadora de programa sensacionalista na TV, nem comentarista esportivo ou pastor/deputado. Sou apenas uma pessoa comum (veja que eu disse “pessoa comum” e não “cidadão comum” pois, da forma que as coisas estão no Brasil, não tenho mais certeza se posso me considerar um). E sou um apessoa comum, limitado, com pouco conhecimentos das leis, que recebe apenas as informações que permitem que cheguem até mim, que ingere apenas o que não serve para nossas elites e que só pode ir até onde a presença não incomoda. Enfim, sou uma pessoa comum, como a grande maioria das pessoas que constroem essa nação, que trabalha a vida toda em troca de uma miséria que mal garante a sobrevivência e que se embriaga com o álcool e o circo que nos dão. E que, apesar de tudo, ainda somos currados diariamente. Currados politicamente, educacionalmente, previdenciariamente, etc...
E, mesmo assim, e exatamente por ser essa pessoa, é que não consigo aceitar que vale menos o conteúdo de uma prova mostrando um bando de gente roubando a população, zombando das nossas caras, cagando no futuro de nossas crianças, do que uma divisão idiota, criada para proteger bandidos engravatados, que conseguem manipular esquemas financeiros, que compra e ameaça pessoas, para serem eleitos.
A mim não importa se foi a guarda municipal do Faina ou o STF que levantou alguma prova. Se ela mostrar alguém cometendo um crime, essa pessoa deve ser punida, como preconiza as leis.
Aqui, desse meu limitado e insignificante mundo só consigo enxergar que todos que ocupam algum cargo no judiciário e no legislativo agem apenas conforme os interesses dos pequenos grupos que representam e de quem recebem as ordens e seus salários.
Ao contrário das polícias, onde ainda conseguimos ver gente lutando, sem as condições mínimas desejáveis, para combater uma parcela dos crimes. Por vezes usando o próprio corpo como escudo, e deixando órfãos suas esposas e filhos. Lá, no alto comando dos compartimentalizados órgãos do legislativo e do judiciário não consigo ver ninguém, absolutamente ninguém, interessado em cumprir de forma isenta o papel para o qual, teoricamente foi colocado lá pra fazer.
Quisera ser como Churchill, para formular uma frase altamente carregada de ironia. Mas não sou...
E ainda tem gente querendo reduzir a idade penal


11 de mai. de 2013

Espera


Na velha casa
ela espera, pacientemente.
Vez em quando olha pro Céu,
  - Não há mais preces em seu silêncio
O filho jamais voltara...
Sem coragem, ou esperança,
apenas espera o corte do fio da moiras.
Ou que outra aranha, lhe ofereça
mais um véu.