8 de mai. de 2012

Nosso futuro comum (haverá?)


Junho está chegando.
E o mundo novamente se voltará para o Rio, em mais uma conferência internacional.
Novamente lideres (?) de vários países se reunirão para discutir os destinos do planeta, nossos destinos, então.
Voltará à tona todas as variações do tema “sustentabilidade”.
Desde que Gro Harlem Brudtland chefiou a elaboração do documento conhecido como “Nosso Futuro Comum”, que esse conceito vem crescendo entre nós até que, ali mesmo, na cidade maravilhosa, em 1992 ele se fortaleceu e ganhou o mundo. Todo programa de entrevista, toda novela, em toda sala de aula, todos os jornais, blogs, campanha eleitoral de todo e qualquer candidato passou a fazer claras referências ao conceito salvador.
Certificação ambiental. Selo verde. Empresa amiga do meio ambiente...
E o mercado tão rapidamente, como sempre, se adaptou aos novos tempos.
O mercado sim. Nós, seres humanos, nem tanto.
O conceito de sustentabilidade surgiu, e se fortaleceu, tendo como tendo como suporte básico a idéia de que, para ser sustentável o desenvolvimento deve ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto. Houve alterações na composição desse sustentáculo, que deixou de ser um tripé e acolheu, ou está acolhendo, novos princípios. Já se admite como necessidade de ser culturalmente diverso, para que um projeto seja sustentável. Leonardo Boff, como uma das mentes mais inquietas e responsáveis desse nosso país, nesse nosso tempo de incertezas, tem nos chamado, constantemente à reflexão sobre a necessidade de melhorar nosso modelo de desenvolvimento. Acredito que todas as pessoas com o mínimo de juízo concordam com ele.
Eu não só concordo como tenho procurado manifestar minhas opiniões, preocupações, aprendizados, alegrias e angustias.
Hoje quero me ater à base de sustentação básico da “idéia” de sustentabilidade. Mais precisamente, quero falar, novamente, do que chamo de erro.
Veja você, caro leitor, que para uma iniciativa para ser sustentável precisar ser economicamente viável, ambientalmente correto, socialmente justo e culturalmente diverso (já incorporando um quarto pilar). Ora, os conceitos parecem bastante claros, certo? Mesmo assim uma discussão sobre as possíveis definições de diverso, justo, correto e viável, por certo renderia horas, longos artigos e opiniões divergentes.
Não vou entrar por essa porta. Não agora.
Como não tenho o dia todo, e sei que a maioria de vocês não tem saco pra longos textos chatos, vou direto ao ponto. E o ponto é o “princípio” Economicamente viável. Como disse, não vou discutir os conceitos de viabilidade econômica. Não por não ser capacitado (na verdade não sou mesmo), mas por achar que é aí que reside o grande erro da minha geração, e da geração que antecedeu a minha (espero que seja corrigido o mais rápido possível).
Ao definir o que é sustentabilidade nós fizemos um grande esforço para adaptar alguns processos produtivos, mudamos alguns conceitos relacionados ao consumo, buscamos desenvolver formas alternativas de geração de energia. Enfim, avançamos em diversas áreas. Aí encontramos algumas boas iniciativas. O problema é que tudo continua sendo pensado, planejado e efetivado dentro do mesmo velho sistema. Quando dizemos economicamente viável estamos, fatalmente, fazendo referencia ao monstro gigante e insaciável que é o capitalismo.
Tudo bem, eu não sou economista, cientista político, cartunista, não sou discípulo de Marx ou Smith, não sou amigo de bicheiro, senador corrupto, voyeur (isso não vem ao caso, é capaz até que isso eu seja), não grande empresário rural nem inveterado boêmio urbano (pra isso eu também tenho potencial). Nem jornalista barato eu sou, por pura falta do diploma de jornalismo. Mesmo com toda essa ausência de credenciais eu me permito observar o mundo ao meu redor, e a ter opiniões sobre o que acontece. Sobretudo sobre o que interfere diretamente em minha vida. E, apesar de todo esforço de algumas pessoas e organizações, apesar da quebra de alguns paradigmas, apesar de das conferências e protocolos, não chegaremos a um modelo de desenvolvimento sustentável, de fato, enquanto continuarmos não formos capazes de romper com o capitalismo.
É necessário que paremos de negligenciar a enorme crise que está aí (talvez a maior delas), e que não é uma crise de uma só face. É a enorme crise do capitalismo que agoniza, somada à crise moral e de caráter que atravessamos, e à crise de relação entre nós, humanos (os parasitas) com nosso generoso hospedeiro, a Terra (Mudamos nosso comportamento ou seremos extirpados como se retirar um tumor). Todas essas crises, com seus milhares de conflitos internos e implicações, inter-relacionadas, é que compõem o cenário que nossos governantes e os grandes capitalistas estão se esforçando para disfarçar e nós, pobres mortais, nos esforçamos para fazer de conta que não enxergamos.
Ao acontecer nesse momento histórico, a Rio +20 nos que nos oferece a grande oportunidade pensar o mundo diferente do que temos feito. Não há justiça, correção ou diversidade viável dentro do atual sistema.
Que os acontecimentos e decisões tomados entre os dias 13 e 22 de junho mude o mundo, de verdade e de modo positivo.

24 de abr. de 2012

Entrelinha

Leio novamente minha história.
Não a escrita em papel.
A que está gravada em mim.
Lentamente leio
Minha história, que já foi sua,
E por isso ela é nossa.
Tatuada em minha pele,
Com as marcas que você deixou em mim,
Ora como pirogravura, ora suave aquarela.
Poema sem nexo.
Psicodélico conto, o que agora leio.
Sua voz a sonorizar meus pensamentos,
Sua saliva, agridoce, amargando meu paladar.
Sua irreal presença concreta,
Em seu lugar, na minha cama
Me invadindo alma e corpo,
em descontrolada fantasia.
Ao ler agora essa história,
Constato o que eu não queria.
Vejo minha vida sendo escrita
com sua torta caligrafia
Que insiste em ser autor,
da minha insólita biografia.

18 de abr. de 2012


Era o tempo.
Foi o vento.
Passou o momento.
Partiu o trem,
Fez-se poeira,
Caiu a flor,
Luz apagou,
Lua se pôs.
Lágrima até secou.
O cheiro permanece, na memória da pele,
Da saliva, só o sabor.
Envelopes empoeirados, inertes em alguma velha caixa.
e-mail, nenhum.
Nenhum olá,
Nenhum sorriso.
Filhos, nenhum.
Idade, dezenas.
Rugas, por todo corpo.
Brancura em todo cabelo,
Memória, já falha.
Lembranças, como se fora ontem.
E ela já não chora.
Nem lamenta.
Apenas se lembra de um dia ter perdido o momento.
E ter deixado ir embora o amor...

5 de abr. de 2012

Sobre vinhos, rock, o "nada" e muitos gritos


Uma frase sobre as possíveis definições do “nada” motivou o início de nossa conversa.
Falei sobre um colega de trabalho, filósofo, que gosta de pensar sobre o tema, citando Kant, Sartre, a metafísica de Heidegger, e outros, e que certamente gostaria de conversar com ela naquela tarde.
Ela ri, e diz que seria ótimo conversar com um filósofo. Ou melhor, ouvir alguns filósofos conversando. Sair um pouco da futilidade da grande maioria das conversas que se tem hoje em dia, com raríssimas exceções.
“Mas seria melhor ter essa conversa, regada à vinho”. Concordo prontamente.
Era terça-feira, por volta das 15 horas. Nos falávamos pelo skype. Conversa cortada. Mantida nos pequenos intervalos que conseguimos, e devemos, encontrar em meio à rotina de trabalho.
Há tempos não falava essa amiga. Na última vez a pequena Lis nem tinha nascido ainda.
A bela Deh Fernandes já é mamãe. Como eu, veio de Mineiros. Como eu, gosta de se expressar por meio da escrita. Como eu, tem um blog. Como eu, uma mente inquieta. Além de ser roqueira, cantora e compositora (quem mora em Goiânia e ainda não conhece, guarde esse nome, você ainda vai ouvir falar dela).
Mas, voltando à nossa conversa, em algum momento estávamos falando dos nossos escritos. Nos cobramos mutuamente por novos textos, já que não estamos publicando tantos textos quanto gostaríamos de ler, um do outro.
Concordamos que precisamos escrever mais. Para aperfeiçoar e também para agradar nossos leitores. Quem sabe assim, um dia alcança as mãos, bocas e corações de todas as pessoas. Afinal, não custa acreditar.
Sim, querida Deh, concordo com você, que ao escrever nos expomos demais. Muito mais que ao cantar ou ser ator, quem escreve, sobretudo quem escreve como nós, que além de tentar fazer poesias, também mostramos nossas opiniões, sentimentos, idéias e percepção do mundo, sempre deixamos nossas almas muito abertas. Nuas.
Mas, de que outra forma sabemos viver, minha cara, se somos assim? Somos assim. As máscaras, preferidas pela maioria, para disfarçar verdades, dores e alegrias, não nos cai bem. É parte da nossa natureza, sermos autênticos e mostrar ao mundo. Nos mostrar. Mostrar o que pensamos, o que queremos e esperamos. Mostrar nossas dores reais e alegrias verdadeiras.
Sabemos que o alcance é pequeno. Mas é o que podemos fazer, e fazemos acreditando que assim contribuímos para tornar o nosso mundo um lugar melhor. Melhor do que encontramos. Enfim, o mundo com o qual sonhamos, e onde queremos que nossos filhos envelheçam.
Sei que as vezes nossas vozes soam “tão baixinho”. Por isso devemos gritar mais e mais. Precisamos gritar em cores mais fortes. Gritar em negrito e fonte 20. Lançar nossos gritos em hipertextos ou formato ‘A-zero’.
Essa não é nossa arma. É sim, a ferramenta. Vamos usá-la o tempo todo. Se mudar o mundo é possível, essa tarefa cabe a nós, que temos sonhos, que confiamos nas pessoas no mundo e em nós mesmos.
Sim, talentosa Deh, precisamos escrever mais, cantar mais. Mas precisamos nos encontrar mais vezes. Conversar mais vezes. Tomar outros vinhos com defumados (saudades...).
Isso também é importante. Pois é assim que nos alimentamos. Nos aquecemos e reabastecemos nossas mentes inquietas.
Papos como esse nosso. Como os que também andam escassos com a AmigaLidi, é que não nos deixa esquecer quem realmente somos.
E por que não juntar nossas conversas, seu rock nossos textos e a filosofia daquele meu amigo no mesmo lugar em alguns momentos? Sim, acabo de pensar em algo nada original, posto que o Bolshoi já realiza mensalmente seu “Café filosófico”. Mas o que acha de emprestar a idéia deles, mais ao nosso jeito, com nossa cara, e organizar algo como “Rock filosófico”. Topa?

Da séria "delírios no Bar Rio" - Nova semântica


Inventamos tanta coisa,
modernizamos toda a vida.
Tantos gadgets nos ligando,
à essa enorme ilusão.
Renomeamos coisas velhas.
Cada um em seu mundinho,
chamando de conectividade
o que chamávamos de solidão

Da série "delírios n Bar Rio" - Céu de brigadeiro

O desejo então retorna,
De voar como condor,
Colibri, gaivota, urubu.
De voar como qualquer pássaro.
De livre voar.
E quando me vem a saudade
Das águas límpidas do frmoso,
Da alvorada dos negros pássaros,
Dos dias diferentes, enfim,
Não controlo o coração
E, não sendo como Ícaro
Vôo na imaginação.

Da série "delírios no Bar Rio"

O mundo não vai acabar.
O Sol não vai explodir.
Mas, se o que tenho é o agora,
E ser feliz é a missão,
Então essa é minha escolha,
É isso que vou me permitir...