5 de abr. de 2011

O que resta...

Quis a chuteira,

Quis a farda

O volante

A coroa

O Jaleco,

O Giz....

Quis voar,

Ensinar,

Enfrentar o fogo

Ser herói!

Infância ativa,

Criativa mente

Espírito sonhador.

Querer, querer, querer...

Pena que tudo isso passa

E só nos resta, depois,

Esquecer tudo,

E crescer...

Constatação

Não há certo ou errado

Foi apenas falta de nexo.

Para um de nós foi amor,

Para o outro, apenas séquiço

11 de mar. de 2011

Sobre Kant, Reginho e tudo mais que a mulher/consciência deixar...

Nós e nossos conflitos.
Já disse mais de duas vezes que somente nossas escolhas são realmente nossas. Tudo mais escapa de nosso controle. Só nos cabe escolher. Quanto às conseqüências, o que podemos fazer é visualizar o que imaginamos, e torcer para que sejam agradáveis.
E a cada escolha nos deparamos com conflitos que precisamos resolver, para optar por este ou aquele caminho. Ou mesmo se prefiro permanecer nesse.
Alguns conflitos nem são sentidos, e a escolha é feita sem a necessidade de grandes reflexões, como quem escolhe entre pudim de leite e gelatina na sobremesa.
Outros, no entanto, nos fazem debruçar sobre eles, tentando prever as conseqüências no médio e longo prazo, ou ainda, para as futuras gerações. Como quem está para comprar um apartamento ou uma casa com amplo quintal, ou largar tudo e aceitar a nova proposta de emprego naquele paraíso no meio da Austrália (sempre achei a Oceania um mundo à parte em nosso planeta, mas isso não vem ao caso. Não agora pelo menos).
O fato é que alguns conflitos deixam marcas mais profundas que a própria escolha. E, por isso mesmo, todos os pensadores que já ousaram pensar, tentaram nos mostrar o que nós mesmos sempre sentimos. E os filósofos acharam por bem chamar esses conflitos de “Dilemas Éticos” ou “Dilemas Morais”.
E a busca em tentar entender, explicar e, quem sabe, nos livrar desses dilemas, foi uma das molas que impulsionou o surgimento das filosofias, das religiões e das leis. Só perde em importância para a busca desenfreada em acumular riquezas e, claro, para o desenvolvimento de técnicas que ampliem a garantia de cópula (mas isso não deve contar, afinal tudo que os homens fazem é com esse fim...).
Dos gregos clássicos aos contemporâneos pós-modernistas, passando pelos renascentistas, os iluministas e pelos empíricos. De Sócrates a Nilton César, passando por Sartre, todos se dedicaram, e se dedicam, a estudar esses dilemas. Cada um do seu jeito, e conforme seu tempo, é claro.
Enquanto as filosofias científicas tentam entender, as religiões cuidam de tentar amenizar nossas angustias com penitencias, perdões e a vendas de nossa salvação (mercadoria muito comercializada hoje em dia, em grandes templos/mercados).
Mas o dilema continua nos afligindo. Sempre que precisamos decidir alguma coisa, lá está ele para nos atazanar. “Vou de preto ou de vermelho?”, “devo servir vinho branco ou cerveja?”, “na minha casa ou no apartamento dela?”, “monogamia consentida, ou poligamia escamoteada?”, “cinema ou futebol?”, “medicina ou belas artes?”. E essas dúvidas não nos abandonam. São como aquele anjinho e aquele demônio que disputam a escolha da pessoa, no momento da decisão. Essa talvez seja a melhor representação do que acontece em nós.
E o motivo de todo dilema é o fato de termos que equilibrar nossos desejos com nossas possibilidades, dentro dos limites do que é aceito como legal. Ou seja, toda escolha que fazemos, e nós só fazemos escolhas, deve levar em conta três questões básicas: Eu quero? Eu posso? Eu devo?. Havendo resposta positiva para essas três questões, a escolha poderá ser tomada sem nenhum receio, posto que será ética. Aí também encerra o conceito básico de liberdade, “Ter capacidade para fazer o que se quer, sem infligir as leis”.
Muitos conselhos já nos foram dados. Entre os meus preferidos está o de Jesus, encontrado em Mateus, VII, 12: “Tudo que quereis que os outros vos façam, fazei primeiro a eles”.
Mas podemos lançar mão de outros, somente para ilustrar: “O dever é, em suma, isto: não faças aos outros aquilo que se a ti for feito, te causará dor”. Mahâbhârata, 5, 1517; “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convêm”, I Cor. 6:12.
No entanto, o que os filósofos teorizam sempre esteve presente na cultura popular, e nas manifestações culturais. Sobretudo na música popular. Você ficaria impressionado com o que se pode aprender quando se ouve música o tempo todo. E eu não consigo conceber a vida sem música.
Gosto de música em geral, sem preconceito. Claro, tenho minhas preferências, e existem algumas coisas que nunca vou comprar para mim. Mas ouço. E quando digo que ouço, estou falando que escuto mesmo. É que gosto de entender as letras.
Gosto de encontrar beleza onde a maioria acha que não existe nada de interessante.
Não sou um grande conhecedor do que convencionou chamar de “brega”, mas confesso que gosto, e que já encontrei nesse gênero, algumas das mais belas poesias cantadas. Quem, por exemplo, dirá que não acha linda a composição do Fernando Mendes “Você não me ensinou a te esquecer”? Na interpretação do Caetano então, ela ficou maravilhosa.
Mas esse texto não é sobre os dilemas éticos? Então por que cargas d’água desembestei falar de música? Ainda por cima de música brega? Ora, é simples! Por que um dos grandes sucessos do momento, trás à baila uma lição de filosofia, tratando da questão dos conflitos morais de forma tão profunda e clara, que me faz pensar que seu autor foi beber diretamente na fonte iluminista de Kant. Ou será que o leitor nunca parou para analisar o rico conteúdo do maior sucesso de Reginho dos Teclados, “Vou não, quero não, posso não”?
Ao cantar que não vai aceitar os diversos convites para a farra e a vadiagem, o personagem da canção deixa claro sua condição de ser livre, ao equilibra suas vontades, suas capacidades e os acordos legais aos quais está comprometido.
Se Reginho conhece o pensamento de Kant? Não sei. E se foi proposital essa abordagem tão rica, apesar da linguagem simples? não creio também. Mas é aí que se encontra a grande beleza da coisa toda. Pois prova novamente que todos nós temos em nossa consciência a clara noção do que é certo e do que é errado. De quais são nossos direitos e quais são nossos deveres. E para isso não precisa que sejamos filósofos, teóricos, padres, pastores, juízes aposentados, advogados ou compositores eruditos.
E viva a boa e velha música realmente popular, com a benção de Fernando Mendes e Reginaldo Rossi.

8 de mar. de 2011

Jé que é hoje, um pedido...

Meu pai, um homem simples e muito pobre, foi o responsável por todo recurso de que dispus por toda infância e boa parte da adolescência. Até começar a trabalhar. E tive que começar logo cedo, afinal tinha poucos recursos. Meu pai, em seus trabalhos pesados e insalubres, só conseguia ganhar o essencialmente básico para nossa sobrevivência. Não foi um tempo fácil aquele.

Minha mãe, mulher igualmente simples, tratava de cuidar da casa simples, gerir os parcos recursos e, principalmente, se dedicar em nossa educação. Como fui o filho que ficou por mais tempo com eles, fui mais impactado pela convivência com seu Durvalino e dona Felisbina. E posso assegurar, foram dias difíceis, devido à dureza, mas foram tempos fundamentais para mim.
Aprendi muito do que me é importante hoje e que, sei, será importante por toda minha vida. Também tive importantes lições com outras pessoas, é claro (por sorte, a vida sempre foi muito boa comigo). Mas tudo que vivi com meus pais me trouxeram lições vitais.
Alguns bons princípios. A noção de que é preciso esforço para se viver, sobretudo para quem vem da “baixadinha” (seja lá onde for que a sua se localize).
Minha mãe sempre batalhou muito para que melhorássemos de vida. Foi ela quem se dedicou por meses, até conseguir comprar o terreno onde aos poucos nossa casa foi sendo edificada. Era ela quem inventava alguns pratos feitos com ingredientes estranhos, para que não ficássemos sem ao menos uma refeição por dia. Era ela quem passava a noite ao meu lado, muitas vezes chorando, quando eu ficava doente. E foi ela que mesmo sendo semi-analfabeta, se esforçava para ler comigo as estórias mágicas dos livros infantis que havia na pequena biblioteca da Escola Municipal Otalécio Alves Irineu. Ela lia, eu lia, ela se empolgava, comentávamos, riamos muito, conversamos sobre as aventuras mágicas. E ela sempre pedia para que eu pegasse outros no dia seguinte. E foi isso que me fez gostar dos livros. E isso foi fundamental incentivo para que eu gostasse de ler e, consequentemente, de estudar o que não me garantiu fortuna, reconhecimento ou sucesso em nada. Mas me permitiu crescer, e me tirou daquela “baixadinha”, de onde vários dos meus amigos de infância não conseguiu sair.
Meu pai é um homem bom. Simples, analfabeto e meio rude. Mas com uma delicadeza maior que na maioria dos homens com quem ele convivia. E me influenciou muito.
No entanto, foi minha mãe a grande responsável por eu ser quem sou.
Sei que ela teria feito muito mais, se tivesse um trabalho que lhe rendesse um bom salário. Mas, na maioria do tempo ela não tinha trabalho pelo qual recebia salário algum. Sua ocupação em quase todos os seus dias, era com sua casa e com sua família. E por isso não tinha salário. Na verdade, nem sempre o devido agradecimento. Mas reconheço, não hoje, mas sempre soube, que sua principal contribuição para minha formação não dependia de recursos financeiros ou da sua posição social. Não é disso que se trata. Mas do fato de ser mulher.
Sou favorável, e apoio todas as lutas das mulheres em busca de “emancipação”, igualdade e, principalmente, em busca de respeito e mais dignidade. Sou favorável, apoio e defendo.
No entanto acho necessário fazer uma reflexão que, para algumas vai parecer o contrário. Mas que não é mesmo.
É que mesmo não sendo sociólogo, antropólogo, sexólogo, hippie “porra louca” ou irmã beneditina, há algum tempo observo algumas das conseqüências dessas lutas. Algumas muito favoráveis, como a ocupação cada vez maior de cargos e funções de direção, quer de empresas ou de órgãos de governos, por mulheres. Mas também algumas conseqüências nem tão favoráveis assim. Uma delas, o fato de andar vendo cada vez mais mulheres solitárias, angustiadas, deprimidas. A segunda, e mais grave, vejo a sociedade cada vez mais violenta, as pessoas mais agressivas, menos tolerantes, mais propensas a revidar qualquer insulto, por menor que seja, com agressões gratuitas.
Tudo bem, essa é minha opinião pessoal e intransferível, e vou tentar explicar.
É que, ao que me parece, e para mim isso é muito claro, as mulheres estão tão engajadas em sua luta, por igualdade, dignidade e tudo mais (que, como disse, acho mais que justo), estão se afastando de algumas características da personalidade feminina, que são fundamentais para a manutenção do equilíbrio da sociedade.
E não estou falando de pia, fogão ou tanque. Não acho que as mulheres devam ser domesticas, nem defendo que lugar de mulher é na cozinha. E, a pessoa a quem mais confio, depois de mim mesmo, ao volante, é uma mulher. Não se trata de nada disso.
Certamente se meu pai tivesse mais dinheiro minha vida teria sido diferente (ainda me emociono ao lembrar que no dia que eu passei no vestibular, meu pai chegou em casa com uma bicicleta azul, novinha... Deus sabe que aperto ele teve que passar, mas aquilo era simbólico para ele, e foi para mim também...). Mas foi minha mãe, com sua feminilidade, sua delicadeza, sua forma de me mostrar o mundo, sua fé e sua fragilidade extremamente forte que compõem quase todo meu caráter.
Homens são caçadores. A ordem, o equilíbrio e a transferência dos princípios básicos são papeis das mulheres.
Homens são guerreiros, são focados em objetivos fáceis de serem observados. Nós, homens somos limitados e nossa força bruta nem de longe supera a força e a perspicácia das mulheres.
Pessoas que sabem perdoar, que são mais tolerantes, que cultivam a fraternidade, só existem (ou existirão) se as mulheres nos ensinarem isso (quer ver os conflitos acabarem e a paz ser implantada no planeta, deixemos as negociações nas mãos das mulheres). Da mesma forma, uma sociedade desequilibrada, com todas as doenças sociais e toda sorte de violência que vemos hoje, está aí devido à ausência do espírito feminino.
Sim, em minha opinião, a culpa de boa parte das grandes mazelas que enfrentamos hoje é sim das mulheres. De sua luta feminina e feminista. Não devido à luta propriamente dita, nem pelos objetivos explícitos, que são bastante legítimos. Mas pelo que considero erro de foco, pois na busca por suas conquistas, a grande maioria está se afastando de suas principais características. As mulheres resolveram que deviam, ou que podiam deixar de lado sua posição de mulher, e estão fazendo isso sem preparar ninguém para substituir.
Não podemos negar as verdades históricas. E não se pode mudar a realidade moldada em séculos evolução, em algumas décadas e com algumas atitudes.
Queimar sutiãs pode ser bom para a auto-estima coletiva das mulheres, mas não altera a realidade.
Por isso, hoje quero fazer um pedido a todas vocês: Conquistem seus espaços, dirijam mais empresas e sejam presidentes, marquem gols, cantem, façam mais sexo, sejam livres para assumirem suas opções sexuais, saiam em passeatas, (...). Enfim, façam tudo que acham que devem fazer para serem mais respeitadas. Mas não deixem de ser mulheres.
Todo trabalho que nós homens fazemos, vocês podem fazer tão bem (se melhor ou pior, sempre vai depender do talento e do prazer com que se executa), mas a essência da alma feminina nós não temos como desenvolver. Nunca saberemos o que é ser mãe (infelizmente).
Não são vocês que devem se igualar aos homens. Pelo contrário, o ideal será quando vocês nos ensinarem a sermos como vocês.
Que suas lutas, e conquistas, sirvam para tornar a Terra um lugar melhor de se viver. E não para embrutecer nosso mundo.
Beijo Terno e todo meu respeito e minha enorme admiração.

14 de fev. de 2011

Da série "Mulher" - Consequências

Nova manhã...

Com esforço, acordo.

Preguiçosa,

Sem ânimo

Sozinha,

Chorosa,

Me achando feia,

Descabelada...

Me lembro de você.

E esse desejo me sufoca.

Saudade de como você me amava,

A qualquer tempo, o tempo todo.

Falta do seu beijo morno

Logo cedo,

Me livrando desse hálito amanhecido...

Quero gritar,

Morrer,

Chorar,

Engordar (...).

Por ter mandado embora.

Dói saber que fui tola.

Que perdi o melhor homem que conheci.

A maior chance de ser feliz.

Dói...

E dói lembrar que me desejavas sempre.

Mesmo nas manhãs, do jeito que acordava.

Quando eu dançava,

Sorria,

Cantava,

Chorava,

Quando fazia tudo ao mesmo tempo.

Quando eu não fazia nada.

Me desejava mesmo quando sem controle,

Os hormônios me irritavam.

Mesmo nos dias em que eu sangrava.

...

6 de fev. de 2011

Sobre números, gráficos, planilhas e a vida real.

Ah as estatísticas.
Gosto dos números, tabelas, percentuais e gráficos.
Fica tudo mais fácil de entender, olhando para uma pizza colorida ou para algumas colunas de tamanhos diferentes emparelhadas, ou ainda para aqueles pontinhos, que mais se parecem insetos distribuídos entre uma linha horizontal e outra vertical. Não acham?
É ótimo. Traduzem as informações para uma forma que fica mais agradável de se ver, e esclarece o que os números querem nos dizer.
São fundamentais como subsídio para a elaboração de políticas públicas, ou na tomada de decisão sobre a abertura (ou fechamento, por que não?) de uma nova unidade de empresa privada.
Gosto muito de estatística.
Na verdade isso não é bem verdade. Gosto de ver os resultados finais, por que acho complicado trabalhar com algumas fórmulas. Sabe, encontrar variâncias, medianas, probabilidades, distribuições, médias, quartis, modas, etc... Tudo isso sempre me causou problema na faculdade.
Mesmo assim acho lindo.
Considero importantíssimos alguns estudos e levantamentos. O senso demográfico por exemplo, é de suma importância para qualquer nação.
No entanto alguns dados me surpreendem.
Não pelos gráficos, planilhas e tabelas apresentados, mas por não conseguir enxergar bem em que “universo” os dados foram coletados.
Recentemente os meios de comunicação do mundo divulgaram uma pesquisa realizada pela empresa fabricante de antivírus AVG.
Todos certamente virão os resultados, e espero que todos tenham pensado sobre os números apresentados. Mas como sempre alguém pode não estar sabendo do que estou falando, vou relembrar.
A pesquisa da AVG mostrou que:
58% das crianças entre dois e cinco anos de idade sabem como se divertir com um jogo básico de computador – em países como Reino Unido e França, esse índice supera os 70%. Em comparação, apenas 43% dos pequenos nessa faixa etária sabem andar de bicicleta.
Outro dado interessante: 19% dessas crianças sabem como usar um smartphone como o iPhone, mas apenas 9% sabem como amarrar os sapatos. E 25% conseguem usar um navegador de internet, mas só 20% nadam sozinhos.”
Viram? Nada demais, certo. Reconheço que amarrar o cadarço é coisa complicada mesmo, que leva tempo para se aprender. Por isso eu uso calçadeira, para evitar ter que ficar fazendo a laçada toda vez que calço algum tênis (agora que comprei um Kichute, depois de quase 30 anos, vou ter que lidar com aqueles cadarços enormes, mas tudo bem, vai valer à pena).
Também digo que nadar, é atividade de risco, que necessita de muita segurança, confiança, e a existência de um ambiente adequado. O que pode explicar o fato de eu até hoje não saber nadar como deveria, e justificar o baixo percentual de crianças que nadam sozinhas.
Não discuto isso. A AVG deve ter razão.
Mas, observem que eles apresentam os valores de forma aberta. Como se o universo da pesquisa tivesse sido todas as crianças de todas as classes sociais de todos os países.
Eles não delimitam um universo reduzido. Não dizem, por exemplo “... entre as crianças de famílias das classes A e B...”. Não. Eles dizem todas as crianças.
E é isso que não consigo entender. Na verdade não estou concordando com a AVG (quem sabe por isso eu use Avast nos computadores que uso...).
Os números da França e do Reino Unido, eu não questiono. Mas e no Brasil, isso é real? Será que 58% das crianças brasileiras sabem usar computador, inda que seja só para jogar? Duvido. A grande maioria das famílias brasileiras não tem computador em casa e, mesmo os que estudam em escolas públicas que possuem laboratórios de informática, a convivência com os equipamentos é tão superficial, que não permite nenhuma intimidade.
Ta bom, eu sei, tem as lanhouses. Mas todo mundo acredita que a maioria das crianças pobres do Brasil, frequenta lanhouse diariamente? Não estou falando das crianças das capitais e grandes cidades. Estou pensando em crianças do Brasil inteiro.
Você acha que sim?
Quanto a smartphone, meu Deus, eles já fazem parte da vida de quase 20% de nossas crianças? Que maravilha, não é mesmo...
E, vamos olhar o mundo fora do Brasil. Será que a pesquisa da AVG representa a realidade das crianças da China? Da Índia? Do Continente Africano? Enfim, do mundo?
Por favor, será que o mundo que vejo é tão diferente assim do mundo onde a AVG vive?
Posso estar tendo uma visão tacanha e limitada demais, afinal não sou estatístico, matemático, pedagogo, sociólogo nem apresentador de reality show. Mas me parece que para chegar à essa realidade, os investimentos para a democratização, de fato, da computação e da informática, precisa crescer muito. E os esforços devem ser dos governantes, empresários e educadores, de cada país e do mundo todo.
Definitivamente não concordo com os números apresentados pela AVG, mas torço para que logo eles representem a realidade.
Também acho, é claro, que nossas crianças precisam aprender a amarrar os próprios sapatos sozinhas e mais cedo. Afinal, precisam estar com pés bem protegidos para a jornada que a vida. Além do que ninguém quer que uma criança pise no cadarço e caia, estragando seu laptop, ou o smartphone que leva nas mãos, não é mesmo?

Mais um aperitivo, retirado de "O Círculo de Loki"

(...)

A manhã de sexta-feira já estava na metade, quando o delegado, de pé bem à suas costas, disse com voz firme.

- Então, vamos resolver o problema daquele desconhecido.

- Calma Marcelo, agora não, por favor!

- Como assim, agora não? Agora sim! E sua situação está ficando cada vez mais complicada.

- O senhor não faz idéia, delegado, mas tem toda razão. - Disse uma terceira voz.

Olhando para a porta os dois viram os agentes federais Araújo e Kleiton. Os mesmos que estiveram ali no início da semana, e que ‘resolveram’ o caso Nandinho.

- A senhorita está presa, detetive! - Kleiton mostrou-lhe as algemas.

- Qual a acusação? - interveio Marcelo.

- Triplo assassinato. Ela é suspeita de envolvimento no caso dos homens que foram mortos e carbonizados em Senador Canedo. Por favor, Detetive Cássio, venha conosco.

Nesse momento todos os policiais da delegacia estavam atentos, assistindo a conversa. Todos surpresos com a acusação.

- Um minuto, por favor! - disse Karine calmamente, enquanto mandava imprimir o documento, de duas páginas, aberto em seu computador. A impressão terminou, ela se levantou, pegou as folhas com a mão esquerda, sem movimento brusco, sacou sua pistola com a mão direita, olhou para os dois federais e pausadamente disse, - Senhores Araújo Godinho e Kleiton Rodrigues, os senhores estão presos por corrupção passiva, assassinato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas. A ‘casa de vocês caiu’, rapazes. Melhor se entregarem sem reagir.

O espanto, no rosto dos que assistiam a tudo crescia a cada respiração. Os dois homens sacaram suas armas e apontaram para Karine, que já tinha sua pistola apontada para eles. Kleiton gritou para que ela abaixasse a arma.

- Que palhaçada é essa, detetive. Vai complicar ainda mais sua situação. Venha conosco agora, ninguém aqui precisa se machucar!

- Para com esse teatro, nesse exato momento todos os membros do ‘circulo de Loki’, estão sendo presos. Não compliquem vocês, a situação.

Ao ouvir isso os dois federais deixaram perceber o nervosismo em seus rostos. Araújo se exaltou.

- Você não está me deixando outra alternativa! - disse isso e começou a engatilhar sua arma quando sentiu um toque frio em sua fronte direita. Sem mexer a cabeça ele percebeu que Marcelo tinha um revolver 44 engatilhado apontado diretamente para sua cabeça.

- Por favor, baixe a arma! – foi tudo que o delegado disse.

(...)