7 de set. de 2010

De duas uma...

A campanha eleitora mexe com todos nós. Mesmo os que, como eu, não estejam envolvidos diretamente nela, não conseguem passar ileso. Os programas eleitorais então, é o que mais nos causam reações. Se você é bem humorado vai rir a cântaros. Mas também pode se irritar, se sentir ofendido, ser tomado por completa decepção, se animar em poucos momentos. Enfim. É como a copa do mundo, todo mundo se envolve, de certa forma. A grande diferença é que as consequências interferem mais diretamente em nossas vidas.
Particularmente, acho o que a maioria dos candidatos fazem (e dizem) desrespeitoso e ofensivo à nossa capacidade de compreensão, nossa inteligência e a nossa boa vontade. Mas, deixando de lado o sentimento, pois este passa pela emoção, e considerando a percepção que tenho, pois está passa pela análise racional e fria (mesmo quando o sangue ferve de indignação), vivo uma batalha tentando decidir como devo considerar o grupo dos profissionais eleitoreiros (por questões filosóficas e conceituais, prefiro não chama-los de políticos). Claro, como toda regra, aqui, também, temos algumas boas exceções (não as conheço, mas espero muito que elas existam). Mas de modo geral, sou levado a considerar que, ou são extremamente demagogos ou altamente egoístas. Em ambos os casos são medíocres (isso não é mais posto em questão). E o meu motivo de enxergar essas duas classificações é bem simples. Nesse período, todos eles dizem ter projetos que resolverão todos, ou boa parte dos problemas que afligem a sociedade. Fazem questão de reforçar isso em todos os programas de rádio e tevê.
Saúde, moradia, transporte, emprego, infraestrutura, segurança, educação, cultura, violência contra mulher, exploração de menores, discriminação pela opção sexual (não gosto do termo homofobia), meio ambiente, falta de fé, distribuição de renda, crises conjugais, gravidez na adolescência, mau gosto musical, prejuízo nas lavouras, importação de novelas mexicanas, falta de espaço para estacionar, cunhado folgado. Enfim, não importa qual seja. Todos os problemas serão resolvidos.
Claro que muitas das propostas se repetem em sequência, sendo que cada candidato apresenta como quem traz uma enorme novidade.
Mesmo com minha pequena capacidade de observação e análise, sei que a grande maioria do que é proposto agora, não passa de idéia sabidamente fantasiosa, promessa feita sem nenhum grau de consequência. Mas também sei que algumas idéias, apesar de serem lançadas sem uma boa preparação prévia, são boas e, poderiam mesmo se concretizar. Mas não é isso que está em análise aqui.
A grande questão é, se todos (com exceção do Tiririca (e alguns iguais) que, sem nenhuma responsabilidade, mas com mais honestidade que a maioria, assume que não faz idéia do que faria se fosse eleito), tem todas as soluções, por que essas soluções não são implementadas? Por que os grandes problemas da sociedade continuam afligindo a todos, sobretudo à grande maioria que não tem como pagar pelo que deveria ser obrigatoriamente disponibilizado pelo Estado (nos três níveis). A resposta para essa questão é o que da solidez à minha impressão. E ela é simples. As coisas só são como são ou por que ou cada candidato é tão egoísta que pode trazer à luz suas idéias se ele estiver em algum cargo eletivo. Não se dando conta que ele é um ser que, também, está inserido na sociedade. E que, assim, melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas, terá boas consequência direta na vida dele próprio. Ou seja, acreditam que vivem em um outro mundo, independente desse em que nós, os pobres mortais, vivemos.
Se não for isso, a outra opção é a mais provável. Os projetos e propostas de fato não existem. Tudo não passa do roteiro elaborado para enganar a todos. Em termos mais simples, tudo que dizem não passa de mentira prévia.
Como disse, espero que haja algumas exceções. Mas creio que essas duas possibilidades se combinam em um roteiro macabro que visa solidificar a manipulação da maioria pela minoria privilegiada de cobres e totalmente desprovida de qualquer senso ético. Isso para dizer o mínimo.
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4 de set. de 2010

Sobre limitações autoimpostas e a redução do universo

Não sei como isso começou. Minha pouca idade, e a falta de um esforço pessoal de pesquisa, somado à ausência de registros históricos sobre o assunto, justificam minha parcial ignorância. Digo parcial porque, apesar de não saber como começou, nem conhecer os motivos, eu reconheço o fato e admito que faço parte do contexto. Isso já permite me considerar, de certo modo, privilegiado.
Estou falando das grandes limitações que, quase todos nós, temos. Não estou me referindo às limitações físicas. Mas aos grandes bloqueios mentais que, voluntariamente, e com grande auxílio de nossos “mestres”, nos impomos, e que nos acompanha por toda vida. Em muitos casos, impedindo as pessoas de serem plenamente felizes e realizadas.
Sei que vai parecer exagero meu. Mas por favor, analise com cuidado e me diga se realmente é.
As limitações de que estou falando são àquelas ligadas à nossa capacidade de aprendizagem, compreensão e abstração de todas as áreas do conhecimento. Sobretudo à matemática, e tudo que dela deriva.
Me responda você, quantas pessoas você conhece que afirma categoricamente que “não consegue aprender matemática”? E quantas afirmam, de forma mais direta, e objetiva, que “não gostam dessa ‘matéria’ nem de nada que seja ligado a ela”? Por certo são várias, não é mesmo? Possivelmente seja assim também (espero que não). E quantas vezes você já ouviu alguém que, em se encontrando em Goiás, referir-se à região amazônica por “la em cima”. Dizemos isso por termos aprendido com nossos pais e professores, e por ver, em todos os mapas, a região norte acima da região sul. Mas, se a Amazônia está acima do Cerrado, então nosso tão querido rio Araguaia desrespeita a lei da gravidade, e corre para cima? (por que temos sempre que desenhar nossos mapas na mesma posição, se o universo não tem piso nem teto e nosso planeta é redondo?).
Como disse, sei que pode parecer exagero, mas o fato é que perdemos, em algum lugar, no tempo e nos espaços, nossa capacidade de imaginação complexa. De fato desaprendemos a pensar. E se assumo que “desaprendemos”, é por admitir que já soubemos. E soubemos mesmo. Para confirmar isso basta olhar nossa história, e veremos os grandes feitos conseguidos em épocas onde tudo de que os pensadores dispunham era sua capacidade de raciocínio, grande imaginação, cresça em suas intuições e muita vontade de desvendar os segredos do universo (e da vida).
É fácil botar a culpa no sistema educacional, e seu esforço em criar pessoas quase mecanizadas, altamente preparadas para o mercado de trabalho, e quase nada preparadas para a vida. É a lógica capitalista que precisa de mão de obra capacitada para “apertar parafusos”, somada à necessidade imperialista (quer interna ou externa), onde os dominados (ou colonizados) não podem aprender a questionar os acontecimentos.
Em uma análise com a visão simplista e reducionista de parte limitada da chamada “esquerda”, essa é a resposta, e bastaria uma pretensa “revolução” para resolvermos essa questão.
Mas o fato é que a questão é muito maior, mais séria e com conseqüências mais severas na vida de todos nós. Conseqüências essas que extrapolam o universo político. Claro que tem reflexo direto aí. Mas não se resume à esse aspecto.
Não se pode, eu acho, culpar o sistema educacional, pois nesse caso, em minha opinião, ele é, ao mesmo tempo, causa e conseqüência. Em um visível processo iterativo e retroalimentado.
Sim, o nosso sistema educacional é culpado por ter deixado perder algumas de suas melhores, e principais, características. Ou você ainda acredita que nossas universidades se mantêm “universalizantes”? Não, não é! E cometemos um grave erro ao compartimentalizar tanto o conhecimento, e buscar com tanto empenho especialidades cada vez mais pontuais. Uma coisa leva a outra e, nos tornando especialistas, encurtamos significativamente nossos horizontes. E reduzimos nosso universo ao tamanho do tema estudado, quer seja uma molécula ou uma variedade de grão para agricultura.
Mas as mudanças percebidas no ensino superior (definitivamente acho que o termo “universidade” talvez não seja mais adequado), também ocorreram no ensino básico. E como tudo começa aí, nossos jovens, ao chegarem no ensino médio, estão preparados para optarem por qual especialidade escolherá. Ou seja, já estão completamente limitados pela forma como o conhecimento lhes foi passado, ou pelo fato de que algumas coisas foram simplesmente deixadas de lado.
Somos uma geração que não consegue compreender o mundo em sua totalidade. Pior ainda, não conseguimos enxergar todas as características do universo em que vivemos, e da nossa própria vida.
Daí advém a nossa incapacidade criativa e nossa aceitação de limitações que, de fato não existem, mas nas quais acreditamos possuir, e nas quais baseamos toda nossa vida.
Nossos talentos hoje são definidos não pelo que poderíamos ser capazes de fazer, mas, muito mais, pelo que acreditamos não sermos capazes, nunca, de aprender ou realizar.
Não nos causa nenhuma admiração o fato de muitos jovens estudantes desistirem do maldito vestibular pelo simples pavor das provas de matemática, física e química. Outros tantos desistem do sonho de construir belos prédios, ou de escrever sofisticados programas de computadores, por ter que, para isso, conviver com os cálculos.
Mas a culpa não é deles. Como podemos cobrar muito de nós se, ao passarmos pela educação infantil e fundamental nos esforçamos para solidificar tais medos e para construir um universo com poucas dimensões e uma vida superficial?
Quantos de nós aprendemos, por exemplo, que o universo dos números não é apenas decimal? Para nós, tudo que há é o sistema cuja base é 10. E tudo que estiver fora desse universo nos causará estranheza e repulsa. Quando somos, se formos em algum momento, obrigados a conhecer sistemas com diferentes bases, nossa resistência será tamanha, que uma simples operação do tipo 2+2 nos parecerá impossível de compreender. Para nós o mundo é decimal. E como fomos forjados para ter medo de matemática, não conseguimos enxergá-la em nada além da própria matemática. Como se os números tivessem a única e exclusiva função de nos infernizar a vida. Ah! devemos parte disso também ao ensino da linguagem, que não tem mais nenhuma preocupação em cultivar em nós, quando jovens estudantes, as boas e velhas noções da semiótica com seus signos e significados, e tudo mais que é fundamental para que tenhamos uma boa leitura de textos e, principalmente, da realidade, próxima e distante. Abstração então, é coisa que não se exercita.
Tudo isso junto nos limita a querer restringir a matemática apenas às páginas dos livros. Não somos capazes de enxergar que todo universo é regido por leis matemáticas. Não admitimos que ela, a matemática está em, absolutamente, todos os lugares e todos os eventos. Podemos ler, e nos emocionar, belos haicais ou sonetos, sem perceber que o que os tornam belos é o rigor matemático com o qual são compostos. Na verdade até os números decimais são lidos e calculados, hoje em dia, sem que os liguemos a valores e grandezas do mundo real. E, um número que não representa algo concreto não é nada. Um número só será um número, se o símbolo escolhido para representá-lo fizer referencia à algo que existe no mundo real. Do contrário nem número é. Mas não se preocupe, isso não limita o uso dos números, afinal, tudo que existe são grandezas e valores matemáticos, portanto numéricos.
Em nosso mundo decimal não nos damos conta de que o universo e a vida são muito mais binários. Basta observar todas as inúmeras dualidades existentes, presentes inclusive em nós mesmo. Não é difícil. Aqui alguns exemplos: claro e escuro, frio e quente, bom e mau, céu e inferno, vida e morte, feminino e masculino. Logo tenho que reconhecer que a vida se passa muito mais em um sistema de base 2 do que em base 10. Mas não pára aí. Quantos de nós já parou para admirar a beleza e disciplina matemática presente em todas as composições musicais. E a música é outro exemplo de sistema diferente do decimal, afinal são sete as notas musicais, são cinco as linhas que compõem o pentagrama das partituras. Até na Bíblia Cristã, em algumas passagens nos são apresentadas citações que nos fazem crer que seus autores preferiam lidar com sistemas de base sete. Vejam, foram sete os dias da criação; sete são os pecados capitais, sete vezes seriam castigados os que agredissem o fugitivo Caim e setenta vezes sete é o número de vezes que devemos perdoar aqueles que pecam contra nós.
Se procurarmos com atenção, certamente encontraremos diversos outros exemplos de sistemas numéricos e outras formas de presença da matemática na natureza (lembro que o homem é parte indivisível dessa natureza a que me refiro, certo).
O fato é que, todos os sistemas numéricos, com suas diversas bases (naturais ou artificialmente criados), deveriam ser ensinados aos estudantes da mesma forma que o sistema decimal o é. Só isso já ampliaria a capacidade de compreensão que temos hoje, e diminuiria o susto da maioria quando, já adultos, se deparam com essa “novidade”.
Outras medidas certamente fariam grande diferença no processo de “ensino-aprendizagem”. Uma delas, a meu ver, seria o estudo matemático sempre relacionado ao estudo da linguagem e com ligação permanente com fatos, elementos e grandezas do mundo real. O exercício da imaginação, observação do universo e estudos filosóficos, seriam outros fatos que certamente ajudariam a criar pessoas mais capazes de compreender o mundo mais profundamente.
Na verdade, tenho que admitir aqui, meu sonho é ver nosso ensino superior formando pessoas capazes de compreender grandes enigmas e pequenos problemas e, sobretudo, apontar possíveis soluções.
Na verdade gostaria de que todos os professores, principalmente os da educação básica, voltassem a ser os bons e velhos peripatéticos que um dia foram os grandes mestres, ensinando nossas crianças os mistérios de todas as ciências a partir do cotidiano e do ambiente familiar a todas essas crianças.
E que ainda pudéssemos ver surgindo mentes como Platão, Sócrates, Einstein e Hawking.
Quem hoje é capaz de imaginar que, com apenas duas estaca alguém poderia descobrir que a Terra é redonda e, ainda mais, calcular a medida com uma aproximação muito boa da circunferência do planeta. Pois saibam, jovens mentes, que foi isso que fez Eratóstenes, um grego que viveu entre 285 e 194 antes do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo (outro ótimo exemplo de mestre peripatético). Em nossos dias, até para cálculos simples de adição e subtração carecemos do vital auxílio das calculadoras eletrônicas.
Imaginação, abstração, interpretação, criação, aceitação, compreensão. Essas são algumas das nossas capacidades que são limitadas pela forma como nos instruímos hoje em dia. E a limitação é tão exageradamente grande que nem os ensinamentos obviamente incorretos somos capazes de questionar. E somente somos capazes de encontrar soluções se elas estiverem explicitamente descritas em algum livro.
Que sejamos capazes de retirar nossos antolhos e ampliar nossos horizontes.
Que Deus nos abençoe e que Platão nos inspire.
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3 de set. de 2010

Primeiros passos, outra vez

Vontade de ter certas vontades.

Às vezes você a tem?

Não há por que se preocupar.

Só não se esqueça,

Se a vida se passa em ciclos,

Sempre que um termina,

É hora de recomeçar...

Da série "atos secretos" - É com você

1 de set. de 2010

Errante

Encontrou-me displicente.

Uma poesia veio.

Sensível e instigante, ela me veio.

Eu não procurava,

Nem mesmo esperava.

Mas ela veio.

Assim como quem é livre para ir, ela veio.

Tal qual flecha, alojou-se em mim.

Se materializou, pelas minhas mãos.

Brincou um pouco comigo e,

assim como veio,

Se foi,

Meio sem direção...

Alvorada

Era mesmo a hora!

Não pude fugir.

Quando me alcançou a aurora.


Endêmico

Era só metade.

Não que eu quisesse ser,

Apenas era.

Até tentei ser diferente,

Deu tudo errado.

Não dá para ser completo

Fora do Cerrado!