7 de fev. de 2013

18 de jan. de 2013

Santa


E tem o cabelo,
Emoldurando o lindo rosto.
A pele macia,
Falsamente delicada.
E os olhos,
Refletindo beleza, e mostrando a alma.
Os lábios,
Vermelhos, maduros, deliciosos.
As coxas,
Laço de onde não se quer sair.
O sorriso,
Livre, fácil, verdadeiro e ácido.
                Encantador.
O caminhar que hipnotiza.
Os gestos que envolvem.
A voz que faz calar.
O toque que acende.
O abraço que liberta e prende.

Tão perfeita,
Na medida e no modelo.
Perfeito encaixe.
Plena entrega.
Total compreensão
Cúmplice,
Companheira.

É só bondade, essa mulher
Na amizade e na paixão.
Solidária e fraterna,
Sem distinção de qualquer tipo.
Dá-se, assim, a todo mundo,
O tempo todo. Todo dia.
A noite vai pra casa,
Dar-se igual ao seu marido
Que, como todos,
                (E tantos mais)
Lhe tem o mais profundo amor...

16 de jan. de 2013


Não faz sentido
Não via o rumo
Não tinha norte
Perdeu o passo
Passou o tempo
Se foi o rio
Soprou o vento
Rasgou-se a vela
O barco virou jangada
Virou naufrago
Perdeu o fôlego
Perdeu a força
E, sem vontade,
Perdeu o sentido
Todo sentido.
Sem direção ou sentimento
Perdeu a fé
Cessou o grito
Perdeu a voz.
Quis fazer precisa a vida.
Não aceitou a imprecisão.
Não foi feliz
Precisou ter sido
Por fim, assim,
Tanto perdeu
Que chegou ao fim
E lá chegando,
Se perdeu de si...

31 de dez. de 2012

Em 2013...


Novamente precisamos trocar nossos calendários anuais. Pode não ser nenhuma "contagem longa" dos Maias, mesmo assim pode ser o início de uma nova época, trazendo novas possibilidades, ou apenas as velhas rotinas, outra vez. Cada um escolhe o que será.
E nesse novo ano eu prometo...
Não, melhor não fazer promessas de ano novo. Sei que promessas às vezes nos aprisionam, não permitindo que vivamos plenamente. E quase nunca as cumprimos mesmo. Então não farei nenhuma.
Sei que vou meter o pé na jaca de vez em quando, mesmo que agora esteja decidido não mais fazê-lo. Vou me enganar novamente, várias vezes, e de novo.
Mesmo querendo me tornar um adulto equilibrado, sei que vou continuar priorizando os momentos de alegria compartilhados com amigos (não que seja irresponsável, apenas acredito, como as crianças, que a vida pode ser bem mais leve).
Sei que vou me apaixonar, ou direcionar a paixão que existe em mim, por quem não irá corresponder, que não espera ou não deseja. Mas não serei infeliz por isso, e toda pessoa que despertar tais sentimentos em mim, será sempre a pessoa certa.
Apesar dos riscos, dos novos hábitos e da frieza que cresce em algumas relações, minha casa continuará aberta aos que forem do bem. E os amigos continuarão sendo muito mais que bem vindos.
Espero que o ano novo traga prosperidade, e vou continuar trabalhando pra isso, mas sei que poderei experimentar, novamente, dias de provação, e privação, tal como Jesus no deserto.
Excessos sempre poderão ocorrer, afinal sou humano, imperfeito.
Espero ser mais justo, mas posso cometer erros e até ofender alguns, assim como sei que farão comigo. Espero que entendam e desculpem, mas se for difícil, ao menos releve. Do meu lado, continuarei me esforçando para não acumular mágoas nem rancor.
Não prometo pontualidade sempre. Sei que posso me atrasar. Mas continuarei sendo intenso, e verdadeiro, quando estiver.
Espero enxergar todo ensinamento que passar por mim. Mas, claro, sendo aprendiz das primeiras lições, certamente deixarei passar muitas oportunidades de crescimento. Por isso espero contar com quem estiver perto, certo de que serão caridosos e me abrirão os olhos. Também assim espero agir.
Enfim, em 2013 haverá alegrias e algumas tristezas, mas não devemos deixar nada abalar nossa felicidade. Já que ser feliz é nossa principal missão nesse mundo, e nós até prometemos que seríamos.
Que saibamos aproveitar cada dia do novo ano. E que 2014 nos encontre bem melhores que 2013.
Que cada um encontre seu caminho, não por ser um novo janeiro, mas por ser necessário. E que consiga segui-lo a cada novo dia.

22 de dez. de 2012

Sobre como vivo, e o fim do mundo


O mundo não acabou, e não irá acabar agora.
Ao menos não o meu.
Tenho tanta certeza disso, quanto tenho sobre a força da minha oscilante fé, quanto tenho do fato de ser apaixonado, quanto tenho certeza do amor que sinto por minha filha (que diferença faz não serem meus genes que a definem? Por certo os carbonos que a compõe, são exatamente iguais aos que me formam).
Tenho tanta certeza de que meu mundo não vai acabar, ao menos não agora, nessas próximas décadas, por não ter ainda feito todas as declarações que preciso. Por não ter ainda lido todos os livros que merecem, nem ouvido todas as canções que realmente valem à pena. Tampouco dancei todas xotes, salsas, tangos, frevos, reggae e boleros que pretendo (faltam até mesmo alguns “arrocha”). Ainda não consegui escrever meu melhor poema, nem o romance a tempo planejado (que deve ser escrito a quatro mãos, “pelos melhores do universo”).
Se ainda não consegui entrar no mundo, no corpo, na vida, na alma da mulher que agora me encanta, como poderia permitir que meu mundo se acabasse agora?
E, se já passa mais de uma década desde meu último vôo, como pode meu mundo se acabar? Não deixo esse mundo sem sentir o vento no rosto, suspenso no ar, levado pelo vento, preso a um parapente.
Claro, antes de novos vôos devem acontecer vários rapéis, noites dormidas sob as estrelas, ouvindo o som da noite no cerrado e o murmúrio de algumas cachoeiras.
É, definitivamente, meu mundo não acaba hoje. Nem nos próximos anos ou décadas. Pode ser que acabe um dia, em um futuro muito distante, quando tudo que eu disse e fiz deixar de ser lembrado, quando meus poemas repousarem eterna e serenamente no céu dos textos esquecidos, quando as histórias que conto não mais tocar a ninguém e, quando os filhos dos filhos de meus tataranetos desistirem de terem filhos. E agora falo dos meus próprios genes, o que dá uma sobrevida para minha história, já que minha única filha, até o momento, é a já citada acima. Os demais ainda estão por nascer.
E ainda tem Bonito, Fernando de Noronha e vários outros lugares a visitar. A planejada noite nos Lençóis Maranhenses, com alguns poucos amigos, ao redor de uma fogueira e ao som, e na companhia, do Baleiro?
Quem sabe ainda comprar um lotezinho em Alcinópolis, ou em Alter do Chão, construir uma casa simples, e envelhecer tranquilo.
É, ainda tenho muito o que fazer, antes que meu mundo acabe. É bem verdade que protelo alguns sonhos e planos, alguns por impossibilidade de realizá-los por ora, mas tem outros que protelo deliberadamente, e também estou sempre plantando novos, para não ter motivos de me sentir entediado com a vida. Contudo não tenho uma lista de coisas que faria caso soubesse que o mundo fosse acabar amanhã. Não que eu não fosse fazer nada. Apenas não creio ser necessário mudar minha rotina. Tenho bons amigos por perto, minha família tem a união que acho na medida certa para as famílias, sempre digo quando gosto de alguém, não fico deixando pra me declarar depois. Também procuro me desculpar sempre que sinto ter agido de forma indevida com quem quer que seja. Não sou perfeito, mas minha gentileza me agrada, e a forma com que me relaciono com todos me parece correta.
Cometo erros, acertos, tenho alegrias e tristezas, surpreendo pessoas, positivamente ou não, proporciono e sinto prazer, durmo sozinho ou acordo com belas mulheres. Mas, o importante é que faço tudo enquanto estou vivendo hoje.
Tenho certeza que meu mundo não se acabará. Mas deixo o amanhã pra depois. Vivo exatamente o momento que realmente tenho, e assim tenho poucos motivos para me arrepender, ou me entristecer, caso meu mundo resolva me surpreender, e acabar à minha revelia. Seja como for, prefiro estar preparado, com o coração em paz, a alma leve e o espírito em Paz.