29 de set. de 2016

Vias

Percorrer caminhos
sem precisar caminhar.
Viver fantasias,
sonhar concretudes,
explorar a imensidão,
ou apenas aconchegar-se.
Na música ou na poesia,
o importante
          é a imaginação.
Remédio pra toda dor.
O tempo é mesmo sábio,
agora chove, e faz calor.

Cardápio

Na noite fria, o pobre
garoto se alimenta de música.
O mendigo da flauta doce!

28 de set. de 2016

Outras marcas

Olho momento.
Observo aonde cheguei.
Se fui longe,
ou já é tarde,
Quem poderá afirmar?
Exibo, e sinto, as marcas de onde passei.
Alguns, como belas tatuagens,
outras, horríveis cicatrizes.
Mas todas seguem comigo
lembrando-me quem fui
e todos que sou.
E trago comigo uma legião.
A cada instante, um novo eu.
Em cada lugar, nova história
Por vezes apenas recontada.
Se, dúvidas e certezas definem tudo que sei
e formam consciência, caráter, princípios, desvios
Estou cada vez mais certo de que,
É menos a geografia, e muito mais a cronologia, responsável por me talhar.
Posso não me lembrar de cada canto onde passei.
Mas não consigo, mesmo que queira, me esquecer de quando eu venho...

26 de set. de 2016

Trip to hell

Arranco travas dos olhos
                        Eu tento.
Fito um horizonte distorcido
Teias e amarras me impedem a vontade
Desejo virar a página
Escrever a vida
Criar histórias
                        Ao menos a minha
Esforço em vão
Tentativas vãs
Caminhos tortos
Estradas curvas
Linhas certas
Rascunho borrado...

Mas envio mensagem
                        Enquanto sigo meu ocaso.
E, se reconheço o velho retrato
O espelho, a cada dia mais estranho...

2 de fev. de 2016

Não gosto quando você desaparece.
Gosto mesmo é de quando você liga,
e diz: “aparece”!

19 de jul. de 2015

Escolhas

Por favor, deem-me esse direito.
Não peço mais nada,
e nada de mais.
Apenas quero poder ter o poder de ser.
E, se Escolho ter opções,
respeitem minha decisão.
Mesmo que eu decida ser indeciso.
Não me obriguem a ir, quando eu quiser partir.
Nas chegadas, não me aprisionem.
Nem cobrem sorrisos sempre que eu estiver alegre
Ou lágrimas, quando a tristeza estiver presente.
Não joguem em mim sua gratidão, quando eu for auxílio
Não exijam que eu reaja à sua agressão.
Me deixem devagar, quando for absorto, e sem pressa.
Minha velocidade nem sempre é urgência
Deixem-me viver preso à essa minha liberdade.
E deixem-me viver.
E, mesmo quando eu não estiver mais vivo,
Ainda assim, deixem-me.
Não queiram me matar, nem mesmo aí.