2 de fev. de 2016

Não gosto quando você desaparece.
Gosto mesmo é de quando você liga,
e diz: “aparece”!

19 de jul. de 2015

Escolhas

Por favor, deem-me esse direito.
Não peço mais nada,
e nada de mais.
Apenas quero poder ter o poder de ser.
E, se Escolho ter opções,
respeitem minha decisão.
Mesmo que eu decida ser indeciso.
Não me obriguem a ir, quando eu quiser partir.
Nas chegadas, não me aprisionem.
Nem cobrem sorrisos sempre que eu estiver alegre
Ou lágrimas, quando a tristeza estiver presente.
Não joguem em mim sua gratidão, quando eu for auxílio
Não exijam que eu reaja à sua agressão.
Me deixem devagar, quando for absorto, e sem pressa.
Minha velocidade nem sempre é urgência
Deixem-me viver preso à essa minha liberdade.
E deixem-me viver.
E, mesmo quando eu não estiver mais vivo,
Ainda assim, deixem-me.
Não queiram me matar, nem mesmo aí.

20 de jun. de 2015

Sobre tratamentos infelizes e curas possíveis

Felizmente nunca tive câncer. Também não tenho nenhum caso diagnosticado na família. Então não tenho experiência sobre o assunto. Nunca acompanhei, de perto, e de fato, o sofrimento de alguém que lutasse contra essa terrível doença.
Uma amiga muito querida, certa vez combateu um melanoma. Mas diagnosticou bem cedo, e o tratamento não envolveu terapias invasivas e agressivas, nem mutilações. Nada mudou em nossas vidas, na época. Então acho que nem conta.
Mas moro a quase uma década praticamente ao lado do Hospital Araújo Jorge, conhecido como “hospital o câncer”, que é o centro de referencia regional no tratamento de todo tipo de tumor, e demais formas de ocorrências cancerígenas. Assim, mesmo que eu preferisse não ver, é impossível não presenciar o sofrimento de pacientes e familiares. Basta passar pela calçada do hospital. E eu passo todos os dias.
Não sou médico oncologista, nem farmacêutico (minha experiência como balconista de drogarias, vivida na adolescência, não serve aqui), nem psicólogo ou assistente social, também não sou enfermeiro (até tenho essa formação, mas no exercito brasileiro, e para atuar em combate, ou em situação de catástrofe coletiva). Também não sou atriz radicalmente linda e mutilada. Apesar de não ser nada disso, sei, como todos sabemos, algumas coisas sobre as sintomas, sofrimentos causados e tratamentos do câncer. Aprendemos um pouco na escola. Lemos nas mais variadas revistas, ouvimos entrevistas de especialistas, e ainda tem as produções literárias e cinematográficas que nos trazem informações, inda que superficial, mas que nos livra da ignorância plena, sobre o assunto.
Uma das coisas que todos sabemos é que, quanto mais precoce for o diagnóstico, tanto maiores são as chances de erradicação da doença. Minha amiga do melanoma livrou-se completamente dele, sem perder um fio de cabelo.
Outra coisa, que também é senso comum, é que após a confirmação do diagnóstico, o panorama ideal, e desejado, é que seja possível tratar de forma menos invasiva possível, focando a ação médica no órgão atacado, visando eliminar a doença para que esse órgão volte a funcionar normalmente, em harmonia com todo organismo, e o indivíduo possa voltar à sua vida normal.
No entanto, quando as opções de tratamentos mais, digamos, “leves” não dão conta do problema, parte-se para ações mais agressivas. Com terapias que utilizam drogas mais pesadas ou radiação, para atacar as células tumorais. Sempre visando erradicar a doença e restabelecer a função desempenhada pelo órgão atacado.
Em último caso, apenas quando o órgão já está completamente tomado pelo câncer, de forma comprovadamente incurável, é que se opta pela mutilação. Nesse caso, espera-se que extirpando o órgão acometido, erradique-se também a grave doença.
Mas, todos sabemos, mutilação sempre gera perda, e cicatrizes, irreparáveis. Por isso, sempre se espera eliminar a doença, curando o órgão doente.
É assim que nos comportamos com relação ao câncer.
Concordamos que a doença sempre causa grande sofrimento, físico e psíquico. Mas temos acumulado experiências médicas suficientes, e a cada dia surgem novos conhecimentos e novas tecnologias, que nos permite, cada vez mais, eliminar a doença sem a necessidade de mutilação.
Olhando o mundo dos pontos de vistas pelos quais passei até aqui, e mesmo não tendo podido ser discípulo de Sócrates, nem de Platão (por um pequeno deslocamento temporal) e, por isso, não ter uma visão tão amplamente abrangente e holística como gostaria, sempre acreditei que devemos aprender com cada experiência que temos, e que as mesmas devem ser utilizadas nos mais variados aspectos de nossas vidas. Continuo acreditando.
E é exatamente por isso que não entendo o fato de, aparentemente, não termos aprendido muito com a nossa milenar convivência com o câncer, e com os tratamentos desenvolvidos para ele.
Para ser mais claro, em uma possibilidade hipotética, acredito que ninguém optaria por colocar um tumor inicial isolado com tumores que já apresentassem metástase. Isso não traria cura nenhuma.
Tampouco, acredito, alguém em sã consciência disseminaria células cancerígenas por todo organismo, como forma de curá-lo. Isso, além de não trazer cura, aceleraria a morte do organismo.
Estou enganado?
O objetivo é eliminar o câncer, não o órgão atacado por ele.
Mas, o que assisto hoje, com relação aos apontamentos de caminho para nossa sociedade, são tentativas de estabelecer o tratamento errado, para tumores iniciais, ou com base em diagnósticos incertos ou tendenciosos.
Falo de diferentes medidas com o mesmo foco.
Uma delas, a insana Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 171/93, que pretende isolar em ambientes, que hoje não oferece nenhuma possibilidade de cura, crianças e adolescentes, juntamente com adultos que já encontram em estágio de acometimento mais avançado, pelas doenças sociais. Medida essa, que a experiência médica nos mostra, apresenta enorme potencial de adiantar a morte do órgão, e colocar em risco a vida do organismo. E nenhuma mutilação é exatamente benéfica, esse o motivo dela ser recomendada apenas em casos extremos, nunca em casos com diagnóstico precoce.
Outra medida, que muito me constrange, e amedronta, trata-se da estapafúrdia proposta de um Deputado Estadual goiano, oficial da PM, que pretende armar cada cidadão de Goiás. E mais (por mais absurdo que possa parecer), ele deseja que o Estado seja o financiador dessa medida, disponibilizando recursos para que cada goiano compre sua arma. Entendo que, na visão desse deputado, a cura será encontrada não com a eliminação da doença, mas em sua disseminação. Pode ser que tenha razão, o “nobre deputado”, se toda célula do organismo estiver cancerosa, a doença deixará de ser excepcionalidade, e passará a ser o estado normal desse organismo.
Muitos hoje afirmam que nossa sociedade está doente. Alguns veículos de comunicação se especializaram no papel de reforçar essa ideia. Muitos governantes, parlamentares e juristas também se esforçam para deixar claro para nós, cidadãos e cidadãs comuns, essa triste realidade. Reforçando em cada um de nós o medo cada vez mais presente.
Tenho alguns medos, como todo mundo. Mas dos que carrego hoje, o que ocupa o topo é o medo do próprio medo.
Temo muito a utilização que se faz do medo em nossos dias.
Ele sempre foi ferramenta de controle social. Uma das mais eficazes. E seu uso nesse aspecto se reforça e se aperfeiçoa a cada dia. No entanto, as novas ferramentas de comunicação, que trouxe possibilidades inimagináveis no tempo que eu corria descalço pelas ruas da Baixadinha, fortaleceu muito outro aspecto para o qual o medo é empregado hoje. Além de servir para controle social, ele é, cada vez mais, ferramenta de manipulação coletiva. E eu morro de medo do que uma população pode fazer a si mesma, quando estimulada a ter medo, e provocada a agir no embalo de grande comoção momentânea, provocada por informações manipuladas e notícias criadas não por fatos, mas por interesses.
Sim, a violência está presente em nosso meio. Mas o quadro pintado por alguns jornais, revistas, pela “bancada da bala” e “da Bíblia”, e extremistas diversos, é muito pior que a realidade. E esse cenário não é criado apenas para haver o que falar. Existem interesses em seu fortalecimento, e obtenção de lucros e vantagens. O medo controla as pessoas.
E, a quem mais interessa a ampliação do mercado de armas em uma Unidade da Federação? Trata-se apenas de uma proposta idiota e descabida? Tenho cá minhas dúvidas.
Se insistirmos em seguir pelos caminhos apontados por algumas bancadas das Assembleias Estaduais e do Congresso Nacional, temo que em breve estejamos sim, doentes em estado terminal. E que nossos piores medos deixem de ser, e tornem-se a mais dura realidade.
E, voltando ao início dessa prosa, não devemos nos esquecer: O desejável é curar cada órgão doente, eliminando a doença, e não os próprios órgãos. Afinal, um corpo mutilado, nunca mais será inteiro novamente.
Que o bom senso nos alcance, e nossa opção seja pela cura, não pela ampliação da doença.

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Nazareno de Sousa Santos
Escritor
Colaborador do Instituto Brasil Central - Ibrace
Ainda acredita em certas utopias.
E, quanto ao “bolsa arma”, sua parte quer em livros.

22 de mai. de 2015

Queda livre

E, quando a madrugada me flagrou
Me viu sentir falta de saudade.
Querendo sentir vontade.
Querendo ter pra onde voltar.
Mas estou aqui,
e isso não é bom nem ruim.
É apenas a realidade.
E eu me acostumei a ser sem...
A não ter você.
A não compartilhar.
A não ter do que reclamar.
A não dividir meu café, ou meu sonho de valsa.
E a falta de tudo me preenche.
E não existe saudade
não existe vontades
não existem sorrisos ou lágrimas.
E, em mim se instalou essa coisa que prende à nada.
Que quase satisfaz
mas a ausência de dor não é prazer.
Ausência de guerra, não é paz,
assim como a ausência de tristeza, tampouco é alegria.

De fato, sinto falta de quase nada.
E o vento que agita meus cabelos,
não é por estar voando.
É queda livre.
Caio em um abismo infinito.
Não há chão.
Não tem fundo.
Nunca chega ao fim.
Afinal, pra se chegar à morte,
Precisa, antes, estar vivo...

11 de jan. de 2015

Aos bons e velhos "butecos copo sujo"

Eu, tendo crescido na boa e velha Baixadinha, quase na barranca das nascentes do Rio Araguaia (sim, para nós, goianos, esse rio escreve-se assim mesmo, com "R" maiúsculo, dado sua importância social e antropológica), na periferia de Mineiros (periferia de Mineiros, no início dos anos oitenta, imagina...), não poderia ser diferente. Só poderia dar nesse cara que sou hoje. Um cara nada intelectual e,  sim, meio de esquerda.
Não por ser meio de esquerda, mas por ter crescido lá, em meio a aventuras nos campos cerrados, que ficavam a poucas quadras de casa, brincadeiras nas ruas, e, claro, frequentando uns butecos nada recomendados para menores. Por isso concordo plenamente com o Antônio Prata, "Bar ruim é lindo,bicho!".
Não sou o que se pode dizer de boêmio inveterado, nem de alcoólatra sem solução. Não é pra tanto mesmo. Mas gosto, sim, de uma mesa de bar.
E preciso esclarecer que esse texto se trata exatamente sobre isso: Bebidas. Confesso já que tive pretensões maiores de escrever sobre isso, de forma mais abrangente. Mas tanto já se falou sobre, que eu não me arrisco mais. No entanto me sinto obrigado a ressaltar que, além da água, líquido essencial à vida como nenhum outro, aqui nos limites da pátria tupiniquim (e das enormes limitações de minha humilde compreensão da vida), são duas as outras bebidas com uma importância social e antropológica (tal qual nosso Rio). E ambas são importantes pelo mesmo motivo, mas com razões bem distintas. Uma é o café, a outra, a cerveja. Tudo bem, sei que muita gente aprecia demais um bom vinho. Outros não abrem mão de um ótimo whisky. Tem os que não vivem sem refrigerante e aqueles que ingerem apenas suco natural, sem gelo e sem açúcar. Tem quem perde a linha com uma boa tequila, e aqueles que só funcionam com energético. Tudo bem. Eu sei disso. E, com exceção do refrigerante, eu também tomo, raramente quase todas as outras bebidas. Inclusive, entre os destilados, a preferência é pela boa cachaça brasileira (e nisso Mineiros sempre foi muito bom), e quem nunca brincou com os duendes coloridos que uma garrafa de absinto te apresenta, não se divertiu completamente, e ainda não pode morrer feliz.
Apesar de tudo isso, em minha opinião, as bebidas se dividem em alguns grupos. E, analisem comigo (e não se esqueça, estou falando dos hábitos de nós, brasileiros). Vinho é uma coisa de casal, de ambiente romântico. De conquista, ou reconquista. Muito intimista. O Whisky então, é solitário. O cara chega em casa, depois do trabalho, senta no sofá, tira os sapatos, afrouxa a gravata e relaxa com uma dose (e, por favor, que seja cowboy). Ou nem chega em casa, escritórios e gabinetes, não raro, tem whisky. É uma coisa quase protocolar. Tequila e vodka, cá pra nós, é coisa da azaração. É o que enlouquece a mulherada. Até se toma em grupo, mas não confraternizando. Quase sempre que se tem uma tequila na mesa, existe ali intenções pra depois, que normalmente envolvem lençóis amarrotados e roupas pelo chão. E, nossa cachaça vive uma séria crise de identidade. Ela continua sendo apreciada pelas classes menos endinheirada, como sempre foi, desde sua origem. Mas agora a coitada recebeu carimbo de cult, por parte de um seguimento da sociedade. E virou objeto de apreciação rebuscada. De degustação. Passando, com isso, a ter um comportamento muito semelhante ao do vinho e do whisky juntos.
Agora, a cerveja e o café não, meu amigo. Essas duas bebidas cumprem o importante papel social de agregar pessoas. Os colegas de trabalho querem se reunir pra conversar, o que eles fazem? Vão pra copa tomar um cafezinho, ou pra um bar, tomar uma cerveja (ou sua variação, o chope). Quer reunir a galera, mesa de bar com a boa loira gelada. No meio da tarde, pra uma pausa relaxante e agradável, senta-se com os amigos em uma cafeteria e relaxa-se com aquele aroma maravilhoso. Chega visita, o que todos querem servir, um bom cafezinho. O churrasco dos amigos, o que tem? E para criar um ambiente aconchegante com a família, mesmo que seja para discutir algum  sério problema?
Cada uma dessas duas bebidas tem sua própria vocação. Mas as duas cumprem essa tarefa que nenhuma outra cumpre. Que é de reunir as pessoas. De agregar. De aproximar.
Feito esse longo desvio, podemos voltar ao verdadeiro objetivo desse texto.
Gosto de ter pessoas por perto. Apreciou a companhia dos amigos, e sou grande apreciador de café e de cerveja. Sim, eu tomo essas duas bebidas de forma solitária e/ou apenas com minha própria companhia (agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, estou saboreando uma delas). Mas com as cervejas, o ambientes propício para o consumo, são os bares.
E eu, tendo frequentado os muquifos da Baixadinha de minha adolescência, é normal que não tenha, digamos, enorme predileção pelos caros bares da moda.
Isso não significa, também, que eu me contente com porcaria. Realmente não é isso. E até me considero uma pessoa com relativo bom gosto.
Mas, tem coisa que não se encontra nos ambientes chiques de nenhuma cidade.
Ainda nos tempos de Mineiros, quando reuníamos os amigos, por vezes queríamos algo mais refinado. Nesses casos nos esforçávamos pra nos contentar com os ditos "melhores ambientes" que a cidade oferecia.
Parêntese para dizer que, como toda cidade do interior de Goiás (e não sei se em outros estados isso é diferente), em Mineiros bares são as únicas opções de lazer para a grande maioria dos jovens, mesmo assim, e apesar disso, nunca teve grande diversidade, fecha parênteses.
Mas quando queríamos curtir de verdade, sem frescuras e completamente livres, buscávamos os ambientes que minha queridíssima Lílian chamava de "xexela". Ora, meus amigos, a cerveja mais gelada da cidade era servida em um bar ao lado da casa da minha mãe, que atendia pela alcunha de "Daynner Bar", uma dessas maravilhosas xexelas, que cresceu muito rapidamente graças às qualidades que quero acentuar aqui. Calma, já estou chegando lá.
Goiânia, onde moro desde alguns poucos anos, se orgulha de dizer que é uma das capitais brasileira com o maior número, proporcional, de bares. Ficando atrás apenas da irmã mineira, Belo Horizonte.
E aqui realmente a vida noturna consegue agradar, com relativa qualidade, todos os gostos, de todas as tribos. Há sim, algumas segmentos mais bem representados. Mas, da galera roquenrou aos apreciadores do melhor samba, passando por todos os estilos, encontra-se ambientes que agradam. É mais fácil encontrar ambientes sertanejos, é verdade. Mas velho, estamos em Goiânia. Se nasceu, ou escolheu viver aqui, aceita esse fato e seja feliz.
No entanto não é desses botecos todos que estou falando. Eles são bons. Vou em um ou outro de vez em quando. Mas, se esqueça, estou falando das xexelas. Dos chamados bares "copo sujo". É desses que estou falando.
E estou falando não pra ressaltar a falta de qualidade e a bagunça. Pelo contrário. É exatamente para ressaltar qualidades que não se encontram nos bares e restaurantes chiques e caros que a cidade oferece.
Claro, alguns butecos não são recomendáveis nem aos inimigos. Mas existe uma categoria de bares copo sujo em Goiânia que merece, e precisa ser ressaltada. São bares que estão abertos há muitos anos. Butecos que servem ótimas cervejas geladas e deliciosos petiscos. Mas que servem, principalmente, a cordialidade e a amizade dos proprietários, a todos que atendem.
Butecos onde os "fregueses" são amigos e, até viram gerentes. Onde o Deputado e o Juiz sentam junto ao pedreiro e ao mecânico, e comem linguiça enquanto discutem amenidades como a rodada de futebol, o sexo dos anjos ou os destinos do país. Butecos onde você vai sem medo, pois tem certeza que a cerveja está sempre gelada, o atendimento e a cordialidade, sempre quentes. Lugares onde se pode ir com a nova namorada, ou com a família toda, que não terá problema nenhum. Onde se come torresmo com as mãos, e a pimenta está sempre à mesa.
Lugares abertos há mais de três ou quatro décadas (muito antes da maioria dos atuais lugares da moda pensarem em existir, e antes também da proliferação das bancas de espetinho com jantinha, que hoje estão em todas as esquinas), e continuam atendem da mesma forma, e com clientes fieis desde a abertura.
Temos alguns desses no centro, e vários nos bairros mais antigos da capital. Mas também existem nos bairros mais distantes, e bem menos tradicionais.
Se você vive em Goiânia, ou está passando por aqui, é muito fácil encontrar guia de bares, boates e restaurantes bacanas (que são bons de verdade). Mas você pode passar a vida sem saber onde comer o melhor peixe frito ou a melhor costela com mandioca. Ou ainda nunca conhecer preciosidades como o famoso "Pica-paú".
É para ocupar essa lacuna, e prestar esse verdadeiro serviço de utilidade pública que um grupo de amigos, todos lá do interior, e todos apreciadores do ambiente dos bares copo sujo, resolveu se reunir e criar um guia. Poderiam chamar de "Guia o melhor do pior de Goiânia" mas isso não seria justo com os bares, nem honestos conosco, os fiéis frequentadores. Poderia ser "Guia Lada B de Goiânia", mas lembraria muito mais movimento musical, e suas lembranças. E em alguns ótimos butecos nem tem música.
Então será chamado mesmo de "Guia dos butecos copo sujo de Goiânia". Sem ofensas nem discriminação. Apenas sendo, assim como esses adoráveis ambientes, tradicionais.
Então esse grupo de amigos, no qual, por sorte, me incluo, se dará ao trabalho de visitar esses estabelecimentos. Experimentaremos suas bebidas e suas comidas. Provaremos o que cada um tem de melhor. E contaremos tudo em um blog que em breve será lançado.
Aguardem.


6 de jan. de 2015

Em mim um paradoxo.
Leão e cordeiro em batalha.
E ao te dominar, me protejo!


Não sei o que mais me fascina.
Se teus lindos lábios silenciosos,
Ou tuas mãos, sussurrando LIBRAS.


Hoje, edifícios gigantes.
Páreo duro para mim,
sem Rocinante, nem Sancho Pança.


Madrugada torturante.
Duas causas pra insônia:
Grilo no quarto, e na cuca.


Insistente e florido,
o velho se disfarçou de jardim
Pra enganar a morte


Preenchendo o ambiente,
Quente como deve ser.
Em perfeita harmonia:
Meu café e seu carinho.

Raio de Sol pela fresta,
ilumina a escuridão.
Sorrio, você voltou.


Depois de longa seca,
O arco-íris não traz tesouro.
Só alegria.

5 de jan. de 2015

Sobre pequenos descuidos

E lá estava eu, em pesado silêncio, como haveria mesmo de ser.
Me olhando em seus olhos, quase te vi.
Aquele silêncio era recíproco.
O nó em minha garganta possivelmente quase te sufocava também.
O peso de algumas horas, e poucas palavras indevidamente repetidas, têm mesmo força para minar antigas relações, e encurtar caminhos a serem percorridos juntos.
O descuido.
Chateações bobas e algum descontrole etílico.
E o descuido.
Sempre houve. Sempre deve haver cuidado.
Afinal eu me importo.
Afinal você se importa, eu sei.
Um pequeno descuido, e o caldo entorna.
Alguns segundos de distração e acidentes graves acontecem.
Vidas se perdem por descuido.
Grandes tesouros passam despercebidos, por descuido.
...
E agora aquele estridente silêncio.
Ensurdecedor e pesado, como deveria mesmo ser.
Me trazendo de volta à realidade.
Prendendo-nos à Terra.
Nos fazendo pensar.
Nos trazendo à tona pra respirar.
E ao te olhar nos olhos, me vi.
E ao me ver em você, me acalmei.
E, aos poucos, o peso se desfez.
E o silêncio voltou a ser leve, como deve sempre ser.


28 de dez. de 2014

Para 2015

Ao escolhermos um voo, ou um ônibus, no qual embarcar, sabemos previamente de todo itinerário. Conhecemos o roteiro, sabemos quantas escalas faremos, e quanto tempo levará até a chegada ao destino. Tudo é preciso, planejado e conhecido. Cabe a cada um aproveitar, à sua maneira, a viagem.
Quando embarcamos na vida, no entanto, não temos nenhum roteiro prévio. Não conhecemos o roteiro, nem sabemos se haverão escalas, ou quantas serão. Quanto tempo em cada estação? Só saberemos quando de lá estivermos partindo. E, quais serão os nossos companheiros de viagem, também não sabemos. Vamos conhecendo pelo caminho.
Mas, também nesse caso, cabe a cada um aproveitar, também à sua maneira, sua viagem.
Por vezes nossa estrada cruzará a de outros viajantes. Às vezes mais de uma vez. Em certas ocasiões permaneceremos na mesma estação por algum tempo. Para, depois nos separarmos (às vezes com certo pesar, ou mesmo com muita dor).
E, como o roteiro não está previamente definido (ao menos não o conhecemos), podemos ir decidindo qual será o próximo destino a cada nova estação. E aqui se encontra a nossa única possibilidade de decisão nessa jornada. Escolhemos qual a próxima direção a ser tomada. Mas não temos nenhuma ideia de onde ela nos levará. Muito menos como será essa viagem (pois o trajeto é sempre mais importante que o porto onde aportaremos).
Para facilitar um pouco nossa vida tomamos o tempo que esse frágil planetinha azul leva para dar uma volta em torno da estrela que o aquece, como delimitador do tempo, após o qual convencionamos que devemos avaliar tudo que já percorremos até aqui, e para planejar os próximos passos. Mas, como assim, planejar? Se não podemos definir os detalhes dessa viagem.
A cada novo ano, esperamos que tenhamos, cada um de nós, aprendido coisas novas. Coisas que, mesmo que não nos torne mais "maduros", ao menos tenham agregado em nós conhecimento suficiente para não cometermos os mesmo erros, e para aceitar que cometeremos vários outros, e será exatamente isso que nos proporcionará mais crescimento.
Hoje, ao analisar meus próprios "balanços" anteriores (e também de quase todos que me chegam), percebo quanto egoístas eles costumam ser. Ao avaliar um ano que acaba, pouco importa se foi bom para a coletividade. Se para mim não foi assim tão bom, então avalio negativamente. Um bom ano, no ponto de vista de cada um, se refere apenas sobre como o ano foi para essa pessoa. E não para ela inserida em um grupo maior, que convencionamos a chamar de sociedade. Por outro lado, se minha fortuna é maior ao fim de dezembro, do que era em janeiro, então digo que o ano foi bom. Mesmo que todos em minha volta tenham perdido tudo que possuíam (às vezes para que minha riqueza aumentasse).
Os anos, e todas as estações percorridas por todas nós em cada um deles, eu espero que nos tornem pessoas, que consigam identificar cada vez mais o grande  laço que nos une ao planeta. É necessário que a cada novo dia percebamos, e aceitemos, que não somos, nem vivemos em ilhas.
E é com esse sentimento que procuro externar o sentimento que tenho, ao findar de mais uma volta de nossa humilde casa em torno de seu orgulhoso par, nessa dança vital.
2014 não foi um ano fácil. Nem para nós. Nem para os deuses. Eles tiveram que reforçar o time, e levaram daqui alguns dos nossos melhores craques, como nosso primeiro, e maior funkeiro Jair Rodrigues; O poeta menino João Ubaldo, Gabriel Garcial, esse colombiano universal; O humilde Canarinho; Suassuna, esse criador de ilusões; O heroico Rafa Soares; Joe Cocker; O último dos Ramones; Até Roberto Bolanõs cismou de, "sem querer querendo", partir daqui.
Mas o ano também reforçou a presença de alguns seres quase iluminados entre nós, o que, ao menos em mim, ajuda a reacender a esperança na raça. Existem mais de uma dúzia desses, mas como alguns são completamente desconhecidos (como de fato eles preferem ficar), vou citar apenas os dois que mais fortemente aparecem no horizonte. (Antes um parente para dizer que me alegro muito pelo fato de os dois maiores exemplos vivos, ao menos pra mim, serem sul-americanos). Trata-se do Uruguaio Pepe Mujica e do Argentino Jorge Bergoglio. Líderes que dão o melhor exemplo que se pode esperar.
E, se para mim o ano não foi exatamente o que esperava, afinal o velho Capézio, coitado, nem saiu da caixa, e nenhuma cachoeira me banhou, também não foi motivo para que eu o maldigue. Foi um ano cheio. Cheio de gols indesejados, de manifestações preocupantes e de beijos incompreendidos.
Aprendi com, e gostei do, balanço geral.
Falta muito pra todos nós. E não podemos nos permitir certos retrocessos. Mas no geral foi bom.
E, sem querer me comprometer além das próprias possibilidades, para 2015 não faço promessas, pois aprendi que elas podem nos aprisionar. Mas tenho desejos e alguns sonhos.
Em primeiro, gostaria que ao final de 2015 cada pessoa, ao analisar seu ano, o faça com foco nos benefícios, e perdas coletivas, e não apenas no individual;
Que algumas noites animadas nos tragam ressacas físicas, e que os motivos tenham sido compartilhados com o máximo de pessoas possível;
Que algumas noites animadas nos tragam, também, alguma ressaca moral, mas nesse caso, que os motivos sejam apenas meus (depois de tanto tempo aceitei que não tenho vocação para santo, nem para falso moralista. E pagar algum mico faz sim, parte dessa viagem);
Que todos aprendamos a enxergar a diferença entre necessidade real e as criadas pelo mercado;
Por fim, que façamos boas escolhas, e que tenhamos muitos bons motivos (para nos alegrar, para nos orgulhar, para crescer, para nos divertir, para sermos livres, para ficar em casa e para sairmos, para baladas, para nos arriscar mais, para nos preocupar com o mundo, para desejar, para nos aquietarmos e para nos agitar. Enfim que tenhamos motivos para seguirmos vivendo plenamente, já que essa é nossa jornada, e ninguém pode percorrê-la por nós).
Fechando, me permito compartilhar artigo publicado pelo Diário da Manhã nesse dia 30/12/2014: Leia aqui.

4 de dez. de 2014

Equilíbrio

Tênue ponto em que nos equilibramos.
Existe por um instante tão fugaz
que nem se pode mensurar.

É o que escapa da eterna disputa que regula o tempo
e define nossa existência.

Desprezado pelo futuro
            (como velhos "bois de piranha")
para aplacar, um pouco, a fome do devorador em seu encalço.

Devorado em um instante
sem sequer poder lutar.
Mesmo assim é o que permite nossa história.
Tudo que foi.
Tudo que será.

E, equilibrando nesse ponto.
Saltando para o próximo,
sem descanso
            (ou somos devorados juntos)
É que existimos.

E não temos nada mais,
além do agora
            que passa
            que passou
            que passou (...)
Que passa cada vez mais rápido
e mais próximo o devorador está.
E, a cada instante devorado,
mais breve é cada agora.

Nesse ponto em que habitamos
            no ínfimo ponto onde quase se intersectam, futuro e passado,
não existe o que farei
tampouco o que eu fiz.
Apenas o que faço

Insaciável, o passado tem mais fome ao devorar.
Nesse paradoxo maldito
            que não inclui o perseguido
Em breve tempo, o alforje do futuro
não terá novo agora pra retirar.
            E não haverá mais o ponto, onde nos equilibrar.

Se tão breve é o presente
basta de perder tempo.
Cante, abrace, cante, ame.
Seja livre e verdadeiro.
declare, grite, sorria, chore.
Viva mesmo, intensamente.
            (pois a cada novo agora),
o que importa é ser feliz!


29 de ago. de 2014

Um pouco sobre o amor

Acontecimentos recentes, nos quais estou envolvido, em alguns direta, em outros indiretamente, me deixam sentindo vontade (na verdade considero necessidade) de retornar à esse tema, do qual já falei em outras ocasiões. Acho que sempre de forma um tanto sutil, e pouco direta. Então hoje quero ser direto, explícito e objetivo, o máximo que conseguir, e tão elegante quanto meu espírito rude permitir.
O tema da vez não são as contradições dos discursos dos defensores das diversas vertentes políticas ou econômicas, mas mexe tanto com as pessoas como esses temas. Pra ser bem franco, o que vou abordar aqui interfere muito mais nas vidas de quase todos nós.
Estou falando, e vou falar, de amor.
Sendo mais preciso vou falar do amor. Digo, de um tipo específico de amor. Do que mais interfere em nossas vidas. Daquele que tem o poder de nos fazer percorrer todos os ambientes descritos por Dante, em sua Divina Comédia. Estou falando desse sentimento que, em minha opinião, a maioria das pessoas o percebem como um misto de Phillio, Eros e Mania.
Não vou aqui falar sobre as outras definições. E esse não é um estudo ciêntífico. É apenas um manifesto pessoal. Estou expressando minha forma de perceber e me relacionar com o amor. Que fique bem claro.
Mas, mesmo sendo nada científicas, minhas observações são atentas e, de certa forma, segue sim, um método. Seja como for, vamos ao ponto.
Bem, por mais que alguns queiram nos convencer do contrário, a grande maioria das pessoas que vivem nesse planetinha errante, ainda necessita, ou acredita necessitar de alguém ao lado, para se realizar e ser feliz. E boa parte dos esforços despendidos pelas pessoas, ainda tem como principal motivador, a vontade de aumentar suas chances de encontrar, e conquistar a pessoa amada. Comportamento muito mais perceptível nos homens, mas que também está presente nas mulheres.
Em certa medida, preciso concordar, ao menos em parte com essa tese. Somos seres sociáveis, e companhias são sim, em certa conta, necessárias. Mas não posso dizer que “não nascemos pra vivermos sozinhos”, no sentido que a frase normalmente é usada. Mais correto seria dizer que “não somos preparados, desde o nascimento, para viver bem conosco mesmo”. Na verdade somos meio que programados para não nos considerarmos boas companhias para nós mesmos.
Mesmo assim, acho válido eterna busca pela outra metade, pela alma gêmea, pelo amor verdadeiro. Afinal é bom, é muito bom, amar alguém, não é?
O grande problema, e aqui é que começa ficar complicado toda e qualquer relação, é que ao longo da história nos contaram muitas mentiras sobre o amor. Veja que não estou falando de Agape, Ludus, Hesed, Pragma, Karuna, nada disso. Estou falando especificamente desse amor que alimentamos, direcionamos e esperamos ser correspondidos, por alguém com quem queremos construir uma família, e viver, preferencialmente, sendo feliz para sempre.
Em toda a história sempre nos encheu de falsas verdades, nos convenceram de possibilidades inexistentes, e nos fizeram acreditar em lendas que sempre, ou quase sempre se transformam em contos de terror, por não serem verdadeiras, e por nós estarmos aqui, na vida real.
Culpa de antigos místicos, cientistas modernos, necessários poetas e romancistas maravilhosos, e claro, da igreja (no plural).
Acontece que nem tudo cabe em uma fórmula mágica ou em tubos de ensaio. A vida não é ficção. E, definitivamente, apesar de ser cristão, é necessário reconhecer que em algumas áreas, a manipulação dos ensinamentos do Cristo, por seus “representantes” causou mais estragos que em outras.
Sempre nos disseram que quando encontrarmos a pessoa certa, ambos vamos perceber, e nosso amor irá despertar. Nos dizem também que, o amor deve ser correspondido. Que um sente quando e amado pelo outro. E, se uma relação acaba, devemos procurar esquecer a pessoa, sufocando o amor que sentíamos por ela. Nos ensinam ainda, alguns, que o amor só acontece uma vez. Ou que ninguém poderá ser feliz sem a pessoa amada. Em alguns casos, ninguém é feliz tendo amado uma vez.
O que nunca nos disseram, de verdade, é a quem pertence esse sentimento. A quem ele realmente pode impactar? Quem, de fato, se transformará pelo amor? Quem pode, de fato, senti-lo?
E é exatamente na direção dessas questões que minhas observações, ao longo dessa minha pacata vida, estão me levando. E, mesmo não sendo escritor inglês, bispo filósofo, cantor sertanejo, psicanalista alemão, jornalista barato, tampouco sou um tipo de Don Juan do Cerrado (bem, do Cerrado até que sou, mas sou incompleto de fábrica), me permito ter uma opinião em processo de formação. E sim, me atrevo a compartilhar com quem se arriscar a ler meus devaneios. E o que tenho observado pode ser exposto da seguinte forma:
Primeiro, sim, o amor existe. Nós o sentimos e ele pode sim interferir em nosso comportamento;
Segundo, sim, o amor pode ser lindo. E pode nos fazer muito bem. Mas, caso não o entendamos, os efeitos podem ser contrários, e desastrosos;
Terceiro, não, o amor não será nunca correspondido. Não espere isso, ou será para sempre infeliz;
Quarto, não, a pessoa amada não sabe o quanto você a ama. Nunca saberá, e não poderá reagir ao seu amor.
Juntando todas essas informações, pode ser que minha tese fique um pouco mais clara. Então vou dizer de outra forma.
Caro leitor, o grande amor que cada pessoa sente, reside apenas ao ser dessa pessoa. É exclusivamente dela. E somente ela, a pessoa que ama, é que pode senti-lo. Todo amor que você pode sentir por sua namorada, ou por seu marido, é só seu. E a única pessoa que pode senti-lo é você mesmo. Ninguém mais pode. Por mais que você se esforce, a pessoa amada jamais sentirá o amor que você sente por ela.
E, pode parecer cruel no início, mas de fato não é. Quando entendemos a dinâmica desse sentimento tão necessário, vemos o quanto essa sua forma de agir nos é benéfica.
Então prossigamos. Como já disse, por mais que meu amor por minha namorada seja o maior que já existiu. Maior que o próprio universo. Esse sentimento gigante não sairá de mim. Eu posso tentar traduzi-lo em ações de carinho, de cuidado, de gentileza. E esses gestos são percebidos. E deles a pessoa amada se beneficia. Mesmo assim ela nunca saberá o tamanho do amor que sinto. Da mesma forma eu nunca saberei como é o amor que ela sente por mim.
Isso nos leva a entender que o comportamento da pessoa amada não está relacionado com a forma, ou com quanto eu a ame. Quem estiver comigo irá me tratar não conforme meu amor por ela, mas conforme o amor dela por mim. Apenas essa compreensão já poderia minimizar grande parte do sofrimento de alguns.
Mas ainda tem mais. Na mesma linha, ao aceitarmos que meu amor é só meu, seremos levados a entender que meu amor não poderá transformar ninguém, além de mim mesmo. Então aceite, o fato de você amar seu namorado não o transformará no homem que você deseja que ele seja. E isso vale para todas as pessoas.
Por outro lado, o amor que eu sinto é capaz de promover enormes transformações na única pessoa que pode senti-lo. Ou seja, eu mim mesmo. Então, o seu amor pode te transformar. Você, e somente você será transformado pelo amor que sente. Ao compreender essa verdade, nos livramos de muitas amarras, e aí nos tornamos aptos a sofrer todas as transformações que esse sentimento pode nos proporcionar. E, geralmente, nos tornamos pessoas melhores, mais felizes, mais “amáveis”. E isso não depende de ser correspondido, ou não. Depende apenas de saber se relacionar com um sentimento que é seu. Que libera um monte de enzimas, energias, toxinas boas em nosso corpo, e ainda nos possibilita expandir nossa visão e fortalecer nosso espírito.
E, quando meu amor não é correspondido? Ora, como quero receber em troca uma coisa que não estou oferecendo? Afinal o meu amor não alcança a pessoa amada. E eu posso não ser pra ela o catalisador certo, que irá potencializar o amor que ela mesma carrega, e que também é só dela.
Afinal é exatamente assim que, na prática, funciona. Quando sentimos que amamos alguém, na verdade essa pessoa apenas nos estimula a potencializar esse calor que jamais poderá aquecê-la, e que ela pode nem ter pretendido, ou imaginado. E nós sentiremos falta dessa pessoa, caso se afaste. Mas esse estímulo deixa de ser necessário à medida que reconhecemos a fonte em nós mesmos. E isso nada tem a ver com a vontade de encontrar um companheiro para a vida. Por favor, não confunda as coisas.
Também é válido ressaltar que minhas observações me mostram que uma pessoa que, aparentemente, não alimenta seu amor é, geralmente, mais triste, mais amarga. Mais infeliz. O que me leva ao ponto seguinte. Mesmo que você não foi “correspondido”, ou se suas relações nunca foram, assim, to felizes, não cometa o erro de tentar matar o amor que você sente. Ao contrário, alimente-o. Com você mesmo, para você mesmo. Por você mesmo. Mesmo que não tenha nenhum “alvo” para seu amor, ame. Incondicionalmente, ame. Em qualquer tempo, ame. Assim você se tornará uma pessoa mais atraente, mais apaixonante. Mais amável.
Afinal é a você que seu amor transformará.
Quando encontrar alguém, ame sabendo que é em você que seu amor está agindo. Será você o único impactado. E, para demonstrar que você ama, diga, seja carinhoso, seja gentil, tenha cuidados. E diga. Todo gesto não substitui demonstrações verbais. Diga que ama, só assim a pessoa amada terá uma vaga ideia do que você sente por ela.
E, se eu reconheço meu amor como meu. Então tratarei cada pessoa que estiver comigo, com o mesmo afeto. Seja a pessoa que vai viver comigo por toda vida, ou alguém com quem eu esteja por alguns instantes.
Aqui uma citação que acho perfeita. Retirada da canção “Como vai você?” de Antônio Marcos e Mario Marcos, Roberto Carlos brilhantemente cantou: “Vem, que a sede de te amar me faz melhor”. Veja que ele não está pretendendo que sua sede de amar transforme a pessoa em uma pessoa melhor. Mas reconhece que a vontade de amar a pessoa, o torna uma pessoa melhor. E, acredito, é exatamente essa a principal função desse amor do qual estou falando aqui. Nos transformar em pessoas melhores, contribuindo de forma decisiva para nossa evolução.
Claro que existem as distorções, como os “amores doentios”, os crimes motivados por supostos amores. Mas tudo isso, eu creio, se deve exatamente à nossa incompreensão dessa força tão fortemente transformadora.
Por ora é isso. A todos, muito amor.

16 de ago. de 2014

Solidão

É que tem esses momentos,
nos quais não importa se você se acha forte ou fraco,
delicado, casca-grossa, ou frágil.
Se é bom ou nem tanto.
Se é do bem, ou se sua alma já habita parcialmente algum inferno.
Sempre poderá haver esses momentos.
Onde alguma coisa faz se formar um tipo de nó em nossas gargantas.
Nosso estômago fica se sentindo desconfortável.
Mesmo sem querer, lágrimas insistem em rolar dos olhos.
Seja pelo que for.
Não se pode controlar tudo o tempo todo.
Muito menos o turbilhão de lembranças que, assim, de repente vem.
Seja lá de onde for.
De dentro de uma gaveta mal fechada.
Do fundo de um histórico de e-mails empoeirados.
Ou simplesmente de algum canto escuro de nossa mente (esse arquivo às vezes falho, e às vezes surpreendentemente eficaz...).
E você pode se ver de frente com todo tipo de sensação.
Saudade de alguma situação, ou de alguém.
Vontade experimentar novamente algum sabor, ou sentir certo perfume.
Ou, pode ser também, apenas um enorme sentimento de fracasso, por não ter conseguido manter situações, pessoas, perfumes e sabores...
Se a cada dia nos tornamos mais amadurecidos e, com isso nossa capacidade de analisar fatos, causas e consequências.
Também pode ser bem maior nossa vergonha, ao vislumbrar quanto erro bobo comentemos...
Não. Não estou reclamando da vida.
Nem querendo reconstruir o que é "irreconstruível".
Tampouco estou me culpando de tudo de ruim que já possa ter me acontecido até hoje.
Pode ser que encha a cara,
Mas não vou me matar (não vivo muito bem se estiver morto).
É que hoje foi um dia desses.
Em que queria muito conversar sobre tudo, ou sobre nada.
Quem sabe chorar um pouco.
Enfim,
Senti vontade de certo colo,
e o abraço do amigo não mais presente...