6 de jan. de 2015

Hoje, edifícios gigantes.
Páreo duro para mim,
sem Rocinante, nem Sancho Pança.


Madrugada torturante.
Duas causas pra insônia:
Grilo no quarto, e na cuca.


Insistente e florido,
o velho se disfarçou de jardim
Pra enganar a morte


Preenchendo o ambiente,
Quente como deve ser.
Em perfeita harmonia:
Meu café e seu carinho.

Raio de Sol pela fresta,
ilumina a escuridão.
Sorrio, você voltou.


Depois de longa seca,
O arco-íris não traz tesouro.
Só alegria.

5 de jan. de 2015

Sobre pequenos descuidos

E lá estava eu, em pesado silêncio, como haveria mesmo de ser.
Me olhando em seus olhos, quase te vi.
Aquele silêncio era recíproco.
O nó em minha garganta possivelmente quase te sufocava também.
O peso de algumas horas, e poucas palavras indevidamente repetidas, têm mesmo força para minar antigas relações, e encurtar caminhos a serem percorridos juntos.
O descuido.
Chateações bobas e algum descontrole etílico.
E o descuido.
Sempre houve. Sempre deve haver cuidado.
Afinal eu me importo.
Afinal você se importa, eu sei.
Um pequeno descuido, e o caldo entorna.
Alguns segundos de distração e acidentes graves acontecem.
Vidas se perdem por descuido.
Grandes tesouros passam despercebidos, por descuido.
...
E agora aquele estridente silêncio.
Ensurdecedor e pesado, como deveria mesmo ser.
Me trazendo de volta à realidade.
Prendendo-nos à Terra.
Nos fazendo pensar.
Nos trazendo à tona pra respirar.
E ao te olhar nos olhos, me vi.
E ao me ver em você, me acalmei.
E, aos poucos, o peso se desfez.
E o silêncio voltou a ser leve, como deve sempre ser.