16 de ago de 2014

Solidão

É que tem esses momentos,
nos quais não importa se você se acha forte ou fraco,
delicado, casca-grossa, ou frágil.
Se é bom ou nem tanto.
Se é do bem, ou se sua alma já habita parcialmente algum inferno.
Sempre poderá haver esses momentos.
Onde alguma coisa faz se formar um tipo de nó em nossas gargantas.
Nosso estômago fica se sentindo desconfortável.
Mesmo sem querer, lágrimas insistem em rolar dos olhos.
Seja pelo que for.
Não se pode controlar tudo o tempo todo.
Muito menos o turbilhão de lembranças que, assim, de repente vem.
Seja lá de onde for.
De dentro de uma gaveta mal fechada.
Do fundo de um histórico de e-mails empoeirados.
Ou simplesmente de algum canto escuro de nossa mente (esse arquivo às vezes falho, e às vezes surpreendentemente eficaz...).
E você pode se ver de frente com todo tipo de sensação.
Saudade de alguma situação, ou de alguém.
Vontade experimentar novamente algum sabor, ou sentir certo perfume.
Ou, pode ser também, apenas um enorme sentimento de fracasso, por não ter conseguido manter situações, pessoas, perfumes e sabores...
Se a cada dia nos tornamos mais amadurecidos e, com isso nossa capacidade de analisar fatos, causas e consequências.
Também pode ser bem maior nossa vergonha, ao vislumbrar quanto erro bobo comentemos...
Não. Não estou reclamando da vida.
Nem querendo reconstruir o que é "irreconstruível".
Tampouco estou me culpando de tudo de ruim que já possa ter me acontecido até hoje.
Pode ser que encha a cara,
Mas não vou me matar (não vivo muito bem se estiver morto).
É que hoje foi um dia desses.
Em que queria muito conversar sobre tudo, ou sobre nada.
Quem sabe chorar um pouco.
Enfim,
Senti vontade de certo colo,
e o abraço do amigo não mais presente...


27 de mai de 2014

É sem as luzes artificiais
Que a noite mostra toda sua beleza:
Céu de Serra da mesa!

26 de mar de 2014

Descompasso

Sua presença me encantou.
Meu jeito, eu sei, te acendeu.
Seu riso me alegrou,
Seu frio me aqueceu.
Aquele beijo, não será esquecido,
meu perfume, pra sempre em você.
Minha saliva não te sacia mais,
E minha cama não será seu ninho.
Meus sonhos não indicam seu destino,
seus planos não incluem os meus.
Nossos passos vão em distintas direções.
E essa saudade que aparece às vezes,
não entristece, ao contrário,
Fazem-nos sorrir.
Alegria por tudo que vivemos.
Se foi apenas um instante,
foi intenso,
Foi encontro.
E se não somos nós,
eu e você fomos um, por um momento.
Se agora o tempo enche de distância
o espaço entre nós,
ainda assim não a de haver tristeza,
nem pesar,
nem lágrimas
ou malquerer.
Podemos até fazer canções, que falem de nós,
que não éramos as pessoas erradas,
E tínhamos os desejos certos.
Só não sincronizamos nosso tempo.
E sua chegada veio amar minha partida...

13 de mar de 2014

Tô querendo um beijo,
daqueles de verdade, 
que tem calor, 
força, 
carinho.
Um beijo que transmita amor,
que transfira saliva,
que acenda desejos
de se abrir para o mundo,
de cair de cabeça,
de entrar em você,
de, simplesmente viver.
É, tô querendo um beijo
que me faça sorrir,
que te deixe em êxtase,
que me faça tremer,
que nos emocione
e nos faça felizes.
Sim, tô querendo um beijo.
Não um beijo qualquer,
não na testa,
nem na bochecha.
Quero um beijo seu,
com língua,
sabor
magia
tesão
Com afago no rosto,
e unha nas costas,
com cabelo nas mãos.
Um beijo com promessas
de que, se de amanhã eu nada sei,
      (e tudo pode ser tranquilo,
       ou a vida ser louca)
que pelo menos agora eu possa habitar
o céu da sua boca.

6 de mar de 2014

Sem ensaios

Se fosse apenas sorriso,
ou quem sabe canção,
a vida seria mais fácil.
Se somente houvesse alegrias,
E se fosse festa todo dia.
Se o Sol sempre brilhasse,
E se a lua jamais se escondesse.
Se as mães jamais morressem,
e as flores nunca murchassem,
tudo seria mais leve.
Se não houvessem tempestades,
e a chuva sempre suave e bastante,
e as sementes sempre germinassem.
Se não houvesse adeus,
apenas breves "até mais".
Se os caminhos seguissem,
mas sempre, sempre, se cruzassem.
Se você estivesse sempre ao alcance da minha voz,
E sua mão sempre me alcançasse.
Se nunca perdêssemos o ritmo,
e a música jamais acabasse,
Tudo seria mais fácil,
e a vida muito mais suave.
Mas isso que temos é a vida,
real,
incerta,
imprecisa.
Nos cabe enxergar a beleza,
e aprender nos percalços.
E entre um tropeço e um salto,
Manter a coragem e a pureza.
Pois essa é a vida que temos,
inédita a cada instante,
sem "se", manual, ou ensaio.
Pois, por mais que arte tente imitar,
A vida nunca está na poesia,
é a poesia que está na vida
E dessa se vive só o agora.
E esse, acontece ao vivo...

5 de mar de 2014

Da série "Pequenos prazeres" - Condição

Livres: somente assim somos felizes.
Podemos ficar, ir ou voltar.
Pois temos pés, e não raízes!

Da série "Pequenos prazeres" - Melhor viagem

Percorro lentamente esse caminho.
Em cada curva uma pausa,
te causando arrepio!