25 de fev. de 2014

Binário

Na lógica (in)exata da vida,
simplificamos nossas escolhas.
Entre alegrias e tristezas,
tempestades e calmarias,
nós percorremos dia e noite
                       (sempre um de cada vez).
E, em nosso mundo incomum
eu e você,
           (ao sermos nós)
somos bem mais que 10


Chorinho

Olhos marcantes,
longa cabeleira,
sorriso lindo
e voz suavemente marcante.

A bela negra e seu cavaco,
combinação perfeita entre ritmo e melodia,
simples e bela composição.
E aquele choro me fez sorrir.

Música para os olhos,
ébano e pinho na mais harmoniosa combinação:
um cavaquinho brilhantemente tocado
por um perfeito violão.

3 de jan. de 2014

Tanques de Evapotranspiração, uma boa alternativa à coleta e tratamento tradicional de esgoto

Cresci na Baixadinha, um bairro pobre lá da cidade de Mineiros, extremo sudoeste do estado de Goiás. Família igualmente pobre. Não havia no bairro rede de esgoto. Não tínhamos em casa banheiro com vaso sanitário instalado. O espaço reservado às necessidades fisiológicas eram as antigas latrinas construídas sobre um fosso, para onde as fezes e urina eram enviadas diretamente (modelo ainda muito presente em propriedades rurais e em bairros mais distantes de muitas cidades do Brasil). Não havia impermeabilização e, nem sempre o local escolhido era o menos inadequado. Como não havia nenhum sistema ativo de ciclagem, a não ser o processo de infiltração no solo (contaminando solo e água) em algum momento o sistema era desativado. Meu pai, com a "ciênça" adquirida com seus antepassados, sempre cuidava de encerrar o processo cobrindo o buraco com terra e plantando mudas de bananeira, quase sempre nanica. Assisti esse procedimento ser realizado várias vezes. E sempre, ao assistir uma bananeira ser plantada onde tinha uma privada, ou seja, literalmente "num poço de merda", eu sempre ficava com certo nojo. Mas isso passava logo, nem durava o tempo do primeiro cacho brotar. Sempre comemos banana nanica plantada em privada. E meu pai, sem noções cientificas nenhuma já conhecia alguns princípios naturais de reaproveitamento e ciclagem de nutrientes. Provavelmente a medida final, tomada por meu pai, tenha neutralizado ao menos uma pequena parte do potencial de contaminação de todas fossas negras usadas diretamente como latrina por nossa família.
Segundo a Agência Nacional das Águas, a média regional de atendimento da população, na região hidrográfica do Tocantins-Araguaia, por rede de esgoto, é de apenas 7,8% e, do percentual de esgoto coletado, apenas 2,4% é tratado. E, segundo o censo demográfico 2010, realizado pelo IBGE e publicada esse ano, pouco mais da metade dos domicílios brasileiros possui coleta de esgoto sanitário. E a coleta é apenas parte da solução. Ou, no caso, a falta de coleta é apenas parte do problema. A solução completa inclui a destinação final dos resíduos.
Como resultado, o mais comum são as propriedades rurais e residências situadas nas periferias das cidades, fazerem uso de fossas convencionais ou as conhecidas “fossas de buraco” ou sumidouros para destinação do esgoto sanitário gerado por seus habitantes, assim como despejar na rede de drenagem os demais efluentes em especial da propriedade rural constituindo-se assim em importante vetor de inúmeras doenças para o ser humano, animais domésticos e toda a fauna associada. As medidas tradicionais comprometem, portanto, não somente o ambiente de moradia, como também os recursos hídricos superficiais e subterrâneos e o solo.
Segundo o próprio IBGE, e outros analistas, seriam necessários investimentos na ordem de R$ 190 milhões até 2020 para alcançar a solução definitiva.
Levando-se em conta estudos que apontam que "cada pessoa utiliza o vaso sanitário entre 3 e 5 vezes/dia, consumindo  aproximadamente 75 (setenta e cinco) litros de água por dia na descarga sanitária, isto em regiões com boa oferta de água como é o caso do vale do rio Araguaia" (Matos, J. C. C. T., 2007), assim, uma família de 4 pessoas, gera diariamente um volume  médio de 300 (trezentos) litros/dia de água contaminada que, se descartada indevidamente na natureza representa importante veiculo de contaminação de todo ambiente.
Conforme informações da empresa estatal Saneamento de Goiás - SANEAGO, responsável por oferecer água tratada e promover a coleta e o tratamento do esgoto em Goiânia e região metropolitana, a capital conta com 76% do seu esgoto coletado e destinado à estação de tratamento. No entanto alguns bairros da cidade ainda não contam com esse serviço, à exemplo os bairros da região Noroeste da cidade, como Bairro da Vitória e Jardim Curitiba, 1, 2 e 3, que são bairros altamente adensados, com sua paisagem estrutural bem definida e onde se encontram, em quase todas as calçadas, fossas sépticas, para onde são carreados todo esgoto produzido.
Em Goiânia, como na maioria das grandes cidades, a solução enxergada para o problema do esgoto doméstico urbano, pelos governantes, foca-se apenas nas Estações de Tratamento de Esgoto - ETE, que centralizam o esgoto de toda cidade em um único ponto de tratamento, o que potencializa todo problema que ocorrer na operação da estação. Este processo necessita contar, ainda, com um complexo sistema de coleta, que leve o esgoto de todas as residência da cidade para a ETE que fica muito distante de alguns bairros, e encarece muito todo processo, e apresenta questões de engenharia, às vezes de difícil solução, como o fato de nem sempre poder contar com a força da gravidade para conduzir o esgoto até a estação (a força da gravidade, que facilita o afastamento, conduz sempre para os vales, onde se localizam os leitos hídricos, de onde o esgoto deve, ou deveria, permanecer distante).
Uma ideia do custo da coleta do esgoto em Goiânia, obtemos ao tomarmos como exemplo uma conta de água que, em um determinado mês apresentou valor de tarifa total igual a R$ 78,40. Desse total, a tarifa de tratamento de esgoto residencial foi de R$ 7,12 e a tarifa de coleta e afastamento do esgoto residencial R$ 26,04, mostrando que, o que mais encarece, para o Estado e para a população, é a coleta e não o tratamento do esgoto.

É necessário buscar infraestrutura de tratamento de efluentes que possam representar alternativas ao sistema tradicional adotado como solução na maioria dos casos (fossas negras na zona rural e estações de tratamento de esgoto centralizador na zona urbana), que sejam de fácil construção e manutenção, aliadas a preocupação com qualidade ambiental, a qualidade de vida do ser humano e o uso racional dos recursos naturais, baseados nos princípios  e conceitos da sustentabilidade. Também é preciso considerar à participação das pessoas nos processos de tomada de decisão de modo que tenham acesso às informações e técnicas não convencionais para escolher as alternativas de tratamento de efluentes sanitários mais adequados ao contexto local, social e econômico (...). (MARTINETTI, H., 2009).

Nesse cenário, os Tanques de Evapotranspiração (TEvap), conhecidos no Brasil desde a última década do século 20, poderia surgir como uma alternativa capaz de dar uma destinação adequada, ou menos inadequada, ao esgoto sanitário das áreas onde não exista coleta, contribuindo para reduzir, ou evitar a contaminação do solo e dos recursos hídricos, reduzindo assim o risco de propagação de doenças provocadas pela ausência de saneamento básico, tanto em humanos, quanto na fauna domestica ou silvestre.
O sistema constitui-se de um tanque subterrâneo, com interior totalmente impermeabilizado, para onde será carreado o esgoto. Também deve ser colocado alguma material que facilite a dispersão das águas negras em todo interior. Uma boa saída é utilizar pneus inservíveis, dando assim uma destinação mais nobre, também, a eles. Por fim acrescenta-se a velha combinação de entulhos com blocos grandes (pedras, pedaços de tijolos, etc, pedras menores e terra, do fundo para a superfície respectivamente). O sistema se completa com a plantação de espécies de raízes rasas e folhas largas como bananeiras e taiobas, eficientes em realizar a ciclagem dos nutrientes e a evapotranspiração, filtrando a água contaminada e jogando-a, limpa, na atmosfera, melhorando o microclima local e encerrando o ciclo da água no próprio sistema. As plantas mineralizam as águas sanitárias,  eliminando continuamente os elementos patogênicos. E, claro, devemos levar em conta que a introdução de espécies utilizadas na alimentação, como bananas e taiobas, pode representar pequena melhoria na qualidade de vida das famílias envolvidas, além da possibilidade de poder contribuir para melhorar a estética da paisagem local, se for tratado jardim.
No entanto o modelo encontra grande resistência, em parte por sua simplicidade, em parte por ser uma solução que pode ser implementada sem demandar grandes licitações e, sobretudo, devido ao medo que algumas pessoas tem com relação à saturação do sistema, e à qualidade dos alimentos cultivados na superfície dos tanques.
Quanto ao risco de saturação precoce, há várias recomendações de dimensionamento que garante vida útil bastante longa, e mesmo após a desativação, o sistema terá convertido quase todo esgoto recebido em nutrientes e vapor de água, restando apenas o resultado dos últimos dias de utilização, que permanecerá restrito ao tanque, e em pouco tempo também será reaproveitado. Ou seja, o próprio sistema neutraliza os riscos de contaminação, em caso de saturação ou encerramento das atividades.
Já quanto ao medo de as espécies plantadas se contaminarem, ao absorver os nutrientes presentes nos esgotos, estudos como os conduzidos pela doutora Paula Loureiro Paulo, da UFMS, que testou o sistema aqui proposto, verificando inclusive a qualidade da água, do lodo e do solo no interior do tanque, comparando com parâmetros largamente aceitos, e com amostras obtidas do lado de fora dos tanques, e que mostraram que, em se aplicando as medidas de higienização recomendadas à todas as hortaliças, não há nenhum risco em se utilizar a produção dos TEvaps para alimentação.
Se perdermos nosso preconceito, pararmos de querer obter lucros financeiros e eleitorais em toda obra executada, e olhar mais de perto para os problemas da parcela mais vulnerável da população, iremos encontrar soluções simples e eficazes. Como esta, onde o aprimoramento de uma ação que assisti ser utilizada muitas vezes na Baixadinha da minha infância, pode ajudar a evitar muitos problemas, ou mesmo salvar algumas vidas.


24 de dez. de 2013

Sinceros votos

E novamente é Natal.
Se você é cristão, como eu, desejo-te que a paz e a luz do Cristo ilumine cada vez mais sua vida, e que esse natal renove sua fé.
Mas, se você não é cristão, se professa outra fé, ou fé nenhuma, mesmo assim te desejo um feliz Natal.
E, não estou sendo irônico, sarcástico nem fazendo piadinha de mau gosto. Estou sendo sincero. Pode acreditar.
E, mais um texto desejando "feliz natal a todos" não é lá a coisa mais original. E eu nem quero fazer um agora. Não que eu não escreva coisas nem tão originais assim. Ou mesmo coisas bem piegas. Eu escrevo sim. Basta dar uma olhada em meu blog e comprovará o que estou dizendo aqui.
Não, não estou aqui apenas para desejar que todos tenham um feliz natal. O que me motiva a escrever essas linhas é a quantidade de manifestações de pessoas que dizem "não aguentar mais essa chatice de época natalina". Que "não suporta mais a falsidade que toma conta das pessoas nesses dias". Que "odeia todas essas luzes e essas músicas chatas".
Bem meus amigos, eu respeito suas opiniões. Mas me permito emitir a minha e, com ela, convidá-los a uma reflexão.
Tudo bem que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. Tudo bem que você acredite que ele sequer tenha nascido. Tudo bem também que essa festa tem muito mais de tradição pagã do que sacra em sua origem. E, claro, ninguém mais merece ouvir a Simone entoando o chatíssimo refrão "então é natal...".
Mas, apesar de tudo isso, uma coisa é inegável, seja você cristão, umbandista, budista, islamita, teórico dos antigos astronautas, ateu ou agnóstico, ninguém pode negar que os dias próximos ao dia dedicado à comemorar o aniversário dO Filho de Maria nos traz uma aura de forte energia positiva, e repleta de uma sensação de paz e de bondade que nos impele a ter boas ações, mesmo que essas não façam parte do nosso cotidiano. Essa energia, que escapa da simples crença religiosa e transcende ao inconsciente coletivo, ascende em nós sentimentos e reações muitas vezes esquecidos, ou sufocados nos outros meses do ano. Assim, podemos sentir presente na atmosfera mais generosidade, gentileza, fraternidade e caridade. Em muitos casos, até mais desejo de união, de construir um mundo melhor.
Sentimos isso, meus caros, e não tem nada de falso, demagogo ou hipócrita nisso. É apenas a manifestação, nas pessoas, da energia que nesse período envolve o planeta.
E eu não sou bispo, reverendo, pastor, apostolo, papai noel, arqueólogo, nem seguidor do Erich Anton Peter ou coroinha (isso eu fui. Àquilo, ah, sei lá...). Mesmo assim, não sendo nada disso, nem escritor maldito (seja lá o que isso queira dizer), consigo perceber que, também nesses momentos, podemos ter grande facilidade para desperdiçar possibilidades. Sendo assim, meus amigos, creia você ou não, em qualquer divindade, viva esse período de forma a aproveitar o máximo possível a energia que aí está.
Se algum estranho te desejar "feliz natal" sorrindo, sorria de volta. Isso certamente tem muito mais poder para tornar o mundo um lugar melhor, do que virar o rosto. Ou, pior ainda, falar alguma grosseria. Afinal, retribuir um sorriso com outro, só pode ter como consequência a alegria.
E, se aquele seu colega de trabalho, que passa o ano todo sendo deselegante, ou grosso, de repente te diz algo gentil, não encare como falsidade. Saiba que ele está envolto naquela aura da qual já falei. E, apenas aceite, de forma também gentil. Se te der um abraço, aproveite e divida o prazer que um abraço sempre é. E, quem sabe, esse colega perceba quão melhor é agir assim e, com o tempo, a gentileza e generosidade torne-se cada vez mais frequente.
Não precisa mercantilizar o momento, eu sei. Mas se for impossível, então que a entrega de um presente sirva para estreitar laços, para provocar sorrisos, para fortalecer as amizades, ou criá-las, onde não existir.
Não recrimine quem faz enormes cestas repletas de guloseimas para distribuir para moradores de rua, e outras famílias carentes. Novamente pode não se tratar de hipocrisia, o fato de a maioria desses anjos bons de ocasião não agirem assim o ano todo. Mas lembre-se da energia, e de como ela pode nos impactar. Ao invés de criticar, valorize. Contribua, mesmo que já o faça em seu cotidiano, incentive a caridade de todos nessa época, pode ser uma boa forma de fortalecer a solidariedade em todas as pessoas.
Quanto à Simone com seu "então bom natal...", e todas as demais musiquinhas chatas, ah, isso é muito fácil de abstrair e relevar. É pequeno demais pra tornar a vida, ou mesmo algumas horas, de qualquer pessoa ruim.
Enfim, meus amigos, que (levado por essa energia) ouso a chamá-los agora de irmãos, Não desperdice a grande força geradora do bem que a energia que envolve as festividades do Natal, com reclamações ou maldições. Não precisa gostar do Natal, nem de Jesus. Mas acredito que todos nós queiramos um mundo melhor, não é mesmo. E, aproveitar bem a aura que nos envolve agora é, eu acredito, uma ótima maneira de começar, ou continuar, a fomentar a construção de um mundo melhor.
Basta se animar, ser gentil e generoso com todos. E aceitar que todos também podem ser, e estão sendo, de verdade.
Sendo assim, reforço:
Feliz Natal a todos.
Que possamos nos tornar tão generosos o ano todo, quanto somos em dezembro. E mais tolerantes em dezembro do que somos nos outros onze meses.




11 de dez. de 2013

Curiosidade

Aqueles belos olhos fitam o ambiente,
Ela vê quase tudo.
Eu, só queria ver
o que vai em sua mente!

Anormal

“Cara estranho eu sou”,
É o que sempre ouço.
Em certos dias de saudade,
quero saber o sexo do porco,
Que comi no almoço.

Da séria "atos secretos"...Iguais...

Polinizada, a margarida se reproduz em outro bioma.
E nem é primavera,
Em mim saudades da cor e do perfume...
É estranho
Pois, não há mais "dias diferentes".