17 de nov. de 2009

A ti

Dedico-te

Este poema,

Que ainda nem

Existe.

Peço apenas

Que me entendas,

É por estares tão longe

Que meu poema

Será triste.

16 de nov. de 2009

Sem palavras...

Ando assim, meio sem assunto. E isso não é bom, nem novo. Mas me deixa com essa sensação de “esterilidade”.

Acho que não é bom ter tal sensação. Afinal não tenho (acredito que ninguém tenha) obrigação de “parir” um texto novo a cada dia. Um poema novo a cada beijo de arrepiar. Um novo haikai a cada canto de pássaro, latir de cachorro ou estalar de folhas secas pisadas por meus pés. Tampouco ter um novo livro a cada mês.

Poetas, romancistas, cronistas, escritores enfim, não são máquinas. E criatividade, dessas de verdade, é coisa espontânea. Não se amplia com exercícios.

Os exercícios podem sim, dar qualidade ao formato do texto, assim como às cores do pintor, ou à melodia dos músicos. Mas o sentimento, a emoção, a “alma” poema, nasce no coração do poeta. Que nem sempre tem o dom da boa escrita, ou o grau de conhecimento da língua e das normas gramaticais para fazer um texto que seja esteticamente bonito ou, pelo menos, correto. No entanto não é a correção ortográfica e a beleza estética que confere ao texto o status de poema. A alma de tudo é o sentimento.

Mas não quero falar de correções ou sentimentos. Quero falar sobre a falta de assunto que me acomete em certos períodos.

Nesses dias me ocupo de coisas que exige mais do minha capacidade de raciocínio. Como ver novelas (as do Manoel Carlos são melhores, pois dá uma enorme sensação de déjà-vu), Dr. House ou Monk na TV. Ou visitar sites de conteúdo suspeito na internet. Ou simplesmente fazer nada mesmo.

Dias sem criatividades são cheios de vazio, e acho que é exatamente aí que reside o limiar das criação. Seria assim como o silêncio que precedeu ao big-bang. Pois passado esse período de ócio, o espírito criativo se manifesta de forma explícita e vigorosa.

Quer saber, estou feliz por que hoje não consegui pensar em nada para escrever aqui. Sei que em breve (alguns dias ou semanas, espero que não mais que meses) terei de volta minha mente efervescente. Estou me sentindo como uma semente recém plantada, à espera da próxima chuva (e tanta coisa pode ser chuva pra mim) para germinar.

31 de out. de 2009

Nasceu

Agora é cuidar com carinho, e esperar para vê-lo ganhar o mundo.
Veja como ficou lindo...

Um pouco mais, e com uma contribuição muito importante...


Bem, o lançamento será dia 06 de novembro.
Mas você ja pode fazer seu pedido...
Pré venda, para entrega/envio a partir de segunda-feira, dia 09-11.
Por apenas R$ 15,00 você tem a melhor opção de presente para esse Natal. Certeza de agradar a você mesmo e a todos.
Envie seu pedido, com comprovante de depósito para o e-mail: naza.poeta@gmail.com, juntamente com seu endereço. Se desejar que seja enviado para outra pessoa, inclua os dados do presenteado (mas eu sugiro que você entregue pessoalmente, com abraços, cafezinho, cerveja ou vinho, e boa conversa).

Conta para depósito:
Titular: Nazareno de Sousa Santos
Banco do Brasil
Agência: 3607-2
CC.: 35.530-5

Obs. valor do frete não incluso. O Envio será "à cobrar" e você pode indicar a forma (encomenda normal, Sedex ou Sedex-10). No caso de envio para outras pessoas, você pode incluir o valor do frete no depósito, ou propor outra forma.

30 de out. de 2009

Dias diferentes

Veio do Pantanal

Com jeito de araucária,

E esse perfume da floresta.

Desejos, no coração do Cerrado.

É, mais um dia muito diferente...

Mais do mesmo, de mim...

Agora no BarRio
Como no Senzala.
A música não muda.
A cerveja não muda.
A mesa continua vazia...
Mas muda a temperatura,
a sensação e,
depois de tanto tempo
e tantos quilômetros,
muda, sobretudo,
minha forma de ser sozinho...
29/10/2009

Sobre outros tempos

E não tendo mais
o Taquiri-Coxim
nem o Formoso
So me resta o BarRio!
É, não se pode, mesmo,
ter tudo, o tempo todo.

23 de out. de 2009

Uma reflexão sobre causas e consequências

Definitivamente precisamos encontrar uma solução. E sei que a solução não vira com uma única medida, ou com uma ação isolada. Estou consciente que serão necessárias várias ações, em um conjunto de medidas bem planejadas e bem coordenadas.
Outra coisa que acredito saber, é que uma solução definitiva passa, não exclusivamente, mas principalmente, pela vontade de população. Somente com uma decisão social é que se pode promover mudanças e transformações sociais. Mas, apesar de acreditar nisso, sei também que, para que as vontades coletivas sejam implementadas, é necessário uma boa liderança. Precisamos então de um líder que seja envolvido com a causa, que seja honesto, corajoso, justo. Que saiba ouvir (quase auscultar) o que diz a comunidade e, principalmente, que tenha princípios que comunguem com as mudanças que se deseja.
Não sei quando encontraremos esse líder. Nem quando transformaremos em ações, a vontade que tanto verbalizamos. O fato é que a situação está muito próximo da insustentabilidade.
E, mesmo não sendo sociólogo, pedagogo, antropólogo, padre, pastor, bispo ou jornalista (espera, jornalista eu sou sim, ganhei no “tapetão” do STF), não consigo ficar totalmente indiferente (ao menos mentalmente). E me permito imaginar minhas humildes contribuições para o grave problema.
Minha última ruminação não quer sair da “ideia” e, para tentar me livrar dela, vou expor aqui. (como diria meu amigo Demervas, “vou falar so pra desocupar a mente”).
Não trago nada de novo. Mas acho que precisamos pensar mesmo sobre as “externalidades” da manutenção de alguns “princípios”.
Bem, imaginem a cena: O viciado chega na farmácia da esquina e, sem rodeios, faz seu pedido. O balconista vai até uma área da farmácia, volta com o produto e entrega ao jovem homem do outro lado do balcão. Na pequena caixa umas figuras e algumas frases lembram, de forma muito chocante, os males que provoca. O jovem pede algumas seringas descartáveis, paga no caixa, e vai para casa com sua dose de cocaína.
Nos veículos de comunicação inúmeras campanhas esclarecendo todas as consequências de se usar tais produtos. De forma aberta, clara. Diria até escancarada. E não como as que (não)se vê hoje.
Nos laboratórios legalizados, produção controlada, com padrão de qualidade definido e fiscalizado pelos órgãos de saúde. Sem adição de substancias que tornem ainda mais letal o que já o é.
Em meu delírio todas as drogas estão envolvidas. Da maconha ao crack.
Venda feita de forma legal, sem armas, sem se esconder, sem o risco de ingerir um monte de outras porcarias que se coloca para fazer volume.
E, sobretudo, sem guerra por controle de bocas, sem fogueteiro, aviãozinho, sem helicópteros sendo derrubado nem jovens armados, por toda parte. Sem policiais ou “paisanos” (inocentes ou bandidos) morrendo por nada.
Com boa campanha, em todas as mídias, acredito que em duas ou três gerações já teríamos reduzido a um percentual, diria, aceitável, o número de usuários.
Sei que isso não resolveria totalmente o problema da violência urbana. Ainda teríamos a enorme desigualdade social, o grande número de pessoas na miséria, a ausência do Estado em várias áreas, a falta de prioridade dedicada à educação e essa corrupção tão presente, que dá até pra sentir fisicamente, nos tocando. Enfim, as causas da violência são várias, e nenhuma se resolve com uma única medida.
E não gosto da idéia de meus sobrinhos, ou minha enteada, irem à farmácia mais próxima e comprar uma “pedra” ou um “pico”. Mas também sei, por experiência própria, inclusive, que a sensação de proibido é um dos maiores, se não o maior, atrativo para os jovens.
E todo mundo sabe que o fato das “bocas” ficarem em locais distantes, perigosos de difícil acesso, não impede que cada vez mais jovens corra riscos para alimentar seus vícios.
Sei que a grande maioria não concorda comigo. Que alguns podem até me censurar, ou ainda, tentar me incriminar. Eu entendo. Até porque, mesmo eu que, estou aqui escrevendo isso, tenho certa resistência.
Mas não estou fazendo apologia ao uso de drogas. Nem estou falando exatamente do uso. Mas o fato de eu falar ou não, em nada interfere no lucrativo mercado ilegal de drogas, que fomenta o mercado ilegal de armas, de carros roubados, de assassinatos. O estado de horror que é presente hoje em várias cidades do país. E acho que se podemos eliminar a indústria do crime, relacionada com algum distúrbio social, devemos considerar sim, fazer isso. O distúrbio (no caso o vício das pessoas) resolvemos depois.