26 de jun. de 2009

"Never Can Say Goodbye"

Mesmo escolhendo não crescer, foi o maior!

Buscava aceitação, conseguiu milhões de seguidores!

Queria apenas ser amado. O mundo inteiro o admirou!

Mesmo se achando feio, tornou-se modelo para sua geração, e para todos que vieram depois!

Por ser criança, foi ingênuo o tempo todo. E sofreu por isso.

Por ter sido o melhor, será sempre lembrado.

Por ser mais que uma lenda, jamais passará.


Alegrem-se Peter e Wendy,

Cuidado Gancho,

Está chegando Michael,

Que foi apenas um “garoto perdido”


Esteja em Paz Michael

“You are not alone” (at least no more)

Melhor que divãs e terapias, são as togas e os martelos


Como todas as crianças, minha infância foi marcada por vários momentos de certezas sobre o que “queria ser quando crescer”. Tive a fase ceramista, músico, motorista, mecânico, professor, dono de bar (na verdade, de “butiquim” mesmo, pois era o que eu conhecia), alfaiate, padre, ator (mesmo correndo o risco de ser chamado de “veado”, como era comum se rotular naquela época e naquele lugar) e, sobretudo astrofísico. Mas quando não estava tentando me aperfeiçoar em minha escolha profissional da vez, eu gastava meu tempo entre os livros da pequena biblioteca da Escola Municipal Otalécio Alves Irineu (onde me iniciei nas magias das letras e dos números) e as brincadeiras com os outros garotos da minha rua. Boa parte das minhas horas era ocupada com subidas nas grandes mangueiras, abacateiros e mexeriqueiras (não aquelas minhas vizinhas fofoqueiras, mas os espinhosos pés de “mexerica fuxiqueira” que haviam nos quintais da boa e velha “baixadinha”), brincadeiras de polícia e ladrão, calmom (nunca entendi essa expressão, mas a brincadeira era muito divertida), guerra-bandeira (pra nós era “bandeirinha” mesmo), futebol de rua. Mas o que eu mais gostava mesmo era de ir para o mato. Sempre com estilingue no pescoço, eu adorava ir nadar nos pequenos riachos que haviam, pescar no Rio Verde, e comer araçá, buscar araticum (na época, “articum”, e de preferência o “cagão”), boca-boa, ingá ou mesmo manga comum, la da “chácra véia”.


Mais tarde fui escoteiro, vendedor de picolé, colecionador de selos e lavador de copos em bares. Mas não deixei de gostar de sempre ir para o campo. E não deixei de ir.


Por fim me formei em Ciências da Computação pela FIMES. Mas nunca me achei um “Cientista da Computação”, primeiro porque não me soa bem o termo, por isso me intitulo “Analista de Sistemas”. Mas isso também não sou. Até fui, por um curto período, mas logo percebi que o gosto pelo mato tinha um apelo maior, e me rotulei “ambientalista”. Aliando minha formação com essa vocação me enveredei pelos caminhos do geoprocessamento. Me tornei um “fazedor de mapas”.


No entanto uma outra paixão sempre esteve comigo. Aqueles velhos livros de fadas, gigantes e heróis, da pequena biblioteca do “Otalécio” (vários deles lidos em companhia da grande dona Felisbina) nunca me abandonaram. E, desde cedo, mesmo que não considerasse, o gosto pela leitura despertou o gosto pela escrita. Me percebi poeta.


E a poesia veio acompanhada por outros textos, sem rimas, com erros ortográficos e vocabulário limitado ao meu universo. Mas que sempre me renderam alguns elogios. Por isso meus pequenos contos, crônicas e ensaios (so descobri que existia essa classificação literária muito mais tarde) também começaram a estar cada vez mais presentes em minha vida, fazendo de mim um pretenso escritor.


Ainda em Mineiros fui, por um período, editor do “Jornal da Juventude Católica”. Depois, por um mandato, do “Boletim do Rotaract Club” daquela cidade. Nesse período colaborei também com o “Imprensa Livre”, outro jornal local.


Agora estou em Goiânia. Continuo sendo ambientalista e fazendo mapas. Também continuo escrevendo minhas poesias e crônicas e meus contos. Apesar de três obras prontas (dois romances e um livro de poesias) ainda não consegui romper as barreiras que separam os anônimos do restrito mercado literário. Não publiquei ainda, por isso não posso me chamar “escritor”. Não me tornei astrofísico. Mesmo que eu queira, não sou mais criança, afinal já se passaram vários anos desde que dona Felisbina me pariu.


Nas últimas semanas tenho mandado, insistentemente, alguns textos para a democrática seção “Opinião” do Diário da Manhã (e não há nenhuma ironia quando digo “democrática”, de fato considero esse o espaço mais aberto da imprensa goiana). Mas todas as manhãs, quando abro o jornal, na edição digital, sempre vejo os mesmo articulistas e colaboradores, e nenhum dos meus textos foi ainda publicado (afinal não sou membro da UBE-GO, Deputado, Vereador, Psicólogo, Advogado nem, tampouco, conhecido e toda democracia tem limites – aqui um pouco de ironia).


Mas tenho postado neste blog, e distribuído textos por e-mail.


Por isso, e com as bênçãos do STF agora acho que definitivamente resolvi minha eterna crise de identidade profissional.


Está decidido, de hoje em diante sou JORNALISTA.



4 de mai. de 2009

Aplauso



Por sua arte, por sua luta, por seu intelecto.


Por pretender nos libertar da opressão, por tantos operários/atores e pelas praças cheias, transformadas em palco...


Obrigado Boal


 




3 de mai. de 2009

Vendedores...

Agricultores vendem grãos e fibras e pecuaristas vendem carne e leite, e ambos acreditam que estão contribuindo para alimentar o mundo.


Construtores vendem casas, criando espaços onde as pessoas possam se proteger.


Costureiras e alfaiates vendem roupas que nos embelezam, aquecem e escondem nossos defeitos e perfeições.


Médicos vendem diversas curas, amenizando as dores do corpo.


Igrejas também vendem curas, amenizando as dores do espírito.


Psicólogos vendem loucuras aceitáveis, para sobrepor às demais.


Pintores tornam o mundo mais colorido, vendendo suas obras.


Advogados vendem argumentos, defendendo quem precisa, e quem não merece.


Músicos vendem canções para, de fato, embalar o mundo.


Chineses vendem de tudo, para o mundo todo, a preço de (... ?? ...), de mão-de-obra chinesa.


Políticos (não todos, é claro) vendem a mãe, a pátria e tudo mais (às vezes a alma), e nos fazem acreditar que estão fazendo isso atendendo a nossa vontade.


Teatrólogos vendem espetáculos, que são verdadeiros oásis no meio das horas cheias de tarefas sufocantes que se tornou nosso dia-a-dia.


E escritores vendem poesias, oferecendo a todos um bálsamo para a alma, emprestando palavras aos enamorados, fazendo refletir os engajados e sendo companhia fiel nas noites de lua (ou de porre).



28 de abr. de 2009

Sobre a relação entre o prazer do sexo e a manutenção dos nossos sonhos

É amiga,

Falando com você, é impossível não pensar em mim mesmo. Em meus próprios sonhos e tudo em que acredito.

É, eu também já quis mudar o mundo. Acabar com as injustiças. Fazer a nossa revolução.

Mas qual pessoa nascido nos anos 70 não teve esse momento? Tínhamos muitas bandeiras. Éramos mais engajados. Sabíamos mais claramente o que deveríamos fazer para construir uma história mais justa.

Mas, principalmente, acreditávamos que éramos capazes de tudo. De salvar as baleias a derrubar as ditaduras, nada podia escapar de nossa força e determinação.

O tempo passou, minha amiga, ora como as águas tranquilas daquele regato escondido lá no Pinga-Fogo, ora como as correntezas do Rio Verde, no trecho entre a ponte do Manoel Abraão e a draga. E em todos os casos provocou mudanças em nós, e no mundo em que vivemos.

Algumas mudanças nós fomos capazes de perceber enquanto aconteciam. Outras so aceitamos depois de um tempo, e existem algumas as quais nem imaginamos que tenham ocorrido.

No entanto não somos mais os mesmos dos antigos acampamentos. Nem nós, nem os lugares que adorávamos visitar, nem o mundo. Tudo mudou.

Mas isso não significa que está melhor ou pior. Tudo está apenas diferente.

Nos separamos das turmas de antes. Nos separamos da família. Mudamos de casa, de cidade, de país. Mudamos de vida. Alguns sem mudar muito o jeito de levar a vida. Outros sendo totalmente outras pessoas mesmo.

E, um belo dia, nos pegamos tentando encontrar os nossos velhos sonhos, e nos apoiar em nossas antigas crenças, e não encontramos mais nada onde eles costumavam estar antes. E nos sentimos vazios. E podemos nos sentir decepcionados conosco mesmo. E, pior ainda, corremos o risco de nos considerarmos fracassados.

Onde foi parar aquela certeza de que, com minha coragem, uma velha calça jeans e minha mochila surrada, eu poderia por fim à destruição do planeta? Cadê a confiança de que minha oratória seria sempre boa o suficiente para mudar o comportamento de todas as pessoas? E aquele espírito combativo, capaz de montar um palanque em qualquer lugar, certo de que minha voz contagiaria todos que a ouvissem e, juntos, acabaríamos com a injustiça e com toda tirania?

Hoje o Córrego Mineiros está mais poluído que a dez anos. A Amazônia perde cada vez mais espaço para as monoculturas. As geleiras estão derretendo mais rápido. O clima endoideceu. O Cerrado quase não existe mais (e sequer mereceu a mesma consideração que os demais biomas). As diferenças sociais so se agravaram em todo mundo. As guerras se multiplicam em todo planeta. Água para beber, agora so essas que nos chegam em garrafas. E eu não encontro mais meu araçá ou a boca-boa que tanto gosto, com a facilidade de antes.

Se apenas observar tudo isso, posso mesmo ter a sensação de tudo que fiz se perdeu. Foi em vão. Que não fiz nenhuma diferença.

Se após tanto esforço para me aperfeiçoar, e ter conseguido os títulos que almejava, e tendo certeza de que domino muito bem algum conhecimento, eu não tiver alcançado o conforto financeiro que mereço, acho que devo me sentir ainda pior.

Mas a história deve ser assim mesmo? Isso faz sentido?

Andei pensando sobre isso, e descobri que pra mim não. Na verdade nunca fez.

Sabe, amiga, acredito que erramos na análise. E fazemos isso por, com o tempo, ao invés de aperfeiçoar nossa visão, nós perdemos o foco. Ao amadurecermos, nós nos desviamos de quase tudo que era realmente importante para nós. O mundo faz isso conosco. As convenções fazem isso conosco. O Mercado faz isso conosco. E, sobretudo, nós fazemos isso com nós mesmos.

E, o que importa, então?

Em minha opinião importa o prazer. Tem valor, real, a felicidade. E era exatamente isso que nos importava quando organizávamos nossos bons acampamentos. Ou quando fazíamos nossas campanhas de “salve qualquer coisa...”. Hoje vejo que gostava mesmo das palestras nas escolas da cidade. Por que me dava prazer falar sobre tudo aquilo. Pintar a cara, e sair em passeata entoando palavras de ordem me fazia feliz. Mesmo na aventura solitária, indo de Mineiros aos Dois Saltos, com apenas uma velha mochila e um cantil com pouca água (duas caronas e mais de sete horas de caminhada eu ainda cheguei a tempo de ver as primeiras estrelas estrearem naquela noite), o que realmente me agradava era exatamente isso. Ir. Fazer. O ato em si.

É como a tarefa de reproduzir e povoar o planeta. Esse é um objetivo que temos. E nos dedicamos a ele. Todas as espécies se esforçam com esse fim. No entanto nós, homens e mulheres, descobrimos prazer em realizar o esforço reprodutivo. Fizemos do sexo uma das coisas mais satisfatória que conhecemos. A reprodução continua sendo o objetivo, mas a busca nos torna tão felizes que não corremos o risco de desistir de alcançá-lo.

Claro, salvar o mundo era o objetivo. Fazer a revolução sempre foi uma meta desejada. Mas todos os sonhos so se mantinham pelo prazer resultante das realizações.

Agradava-nos aquela tarefa de mudar tudo. Mudaríamos mesmo? Quem sabe? Nós apenas acreditávamos.

Atingir os objetivos nos tornaria muito mais orgulhosos. Recuperar o Córrego da Porteira seria uma grande conquista. Mas o fato de fazer a mobilização das pessoas. O prazer em fazer tudo àquilo com vontade, e acreditando, já nos servia de recompensa. Não é? Pra mim sim...

E nosso espírito romântico de jovens sonhadores agia assim. Mas com o tempo algumas nuances foram se tornando cada vez mais marcante em nós. E as prioridades foram se alterando.

E a obsessão de ganhar dinheiro e suplantou o gosto pela felicidade. E o prazer foi posto de lado, para dar lugar ao esforço em atingir metas necessárias ao reconhecimento social.

Mesmo os títulos que sempre sonhamos, pois sabíamos que ao obtê-los estaríamos adquirindo mais conhecimento para subsidiar nossos trabalhos, passaram a ser meros objetos de status social. E a maioria do conhecimento que temos está empacotado em alguma gaveta, ou estante de biblioteca restrita a poucos, e quase nunca no campo, onde sonhávamos que deveria ficar.

Não estou aqui fazendo apologia ao total desapego material. Nem pregando o trabalho totalmente voluntário como modo de vida. Tampouco dizendo que as pessoas não devem se desejar o conforto que o dinheiro pode trazer. Não é isso.

Acho que todos merecemos viver com todo conforto possível (desde que isso não implique em reduzir nossa qualidade de vida. E isso é sim, um paradoxo muito presente em nossos dias). E, por vivermos em um mundo capitalista (inda que contra minha vontade), é o dinheiro que pode nos proporcionar isso. Eu sei, e não me oponho a isso (ao sistema sim).

E sei também que nada é mais “lugar comum” que a velha frase “A felicidade não é uma estação de chegada, mas o modo como se viaja”. Apesar de piegas, eu concordo muito com ela.

Mas estou tentando aqui falar de outra coisa. Estou falando de sonhos. De mantê-los e de manter a fé. A coincidência com a frase é que, estou sendo levado a crer que é exatamente a felicidade na busca pela realização dos sonhos que os mantêm vivos. E que é essa busca com prazer, e não a realização em si, que de fato importa pra nós, se quisermos ser felizes.

Portanto não estou falando de ser feliz agora, apenas pela felicidade momentânea. Estou dizendo que, se não queremos perder de vistas nossos sonhos, e nunca deixar de acreditar em nós mesmo, e nos outros, precisamos descobrir a forma mais satisfatória de buscar a realização. Reconhecer e ter sempre conosco aquela felicidade edificante que experimentamos com nosso sonho de agência de turismo junto à uma pequena lanchonete/bazar. Buscando de fato, mas não esperando para ser felizes so depois. Nem deixando de acreditar, caso o sonho permaneça uma visão muito distante.

E não duvide, se for assim, podemos sim, mudar o mundo.

Outro dia, em um dos vários momentos de prazer construtivo, uma pessoa muito querida confessou que deve o fato dela acreditar em boa parte das coisas que acredita agora às campanhas, palestras e acampamentos onde eu acreditava estar salvando o mundo. Ou seja, minha felicidade foi fecunda. Isso me mostra que, posso não ter mudado todos os comportamentos, mas sim, eu salvei o mundo.

E, acho também que, cada vez mais precisamos ter coragem para enfrentar as convenções, e normais estabelecidas, para viver fazendo o que nos faz bem. E nunca é tarde para essa desejável transgressão. Quem, afinal, não conhece alguma história de corretor da bolsa que não aguentou a pressão, largou tudo e montou se tão sonhado restaurante? Ou de uma grande empresária que, não aguentando mais estar no lugar errado, decidiu fazer o que sempre gostou de fazer, e hoje ganha a vida exportando bonecas para o mundo? Ou ainda, daquele fazedor de mapas, que continua fazendo mapas, mas que sabe que em breve estará em todas as livrarias com seus poemas e romances?

O preferível é não desviar do caminho. Mas se isso acontecer, não desista de ser feliz. Nunca deixe de fazer o que te dá prazer, e o mais rápido possível, retome sua luta. Erga novamente sua bandeira e venha, minha mochila está sempre pronta para ir salvar o mundo.


Estações

Sinto no rosto os primeiros ventos do meu outono, que já chegou.


Caminho descalço em meu jardim e, mesmo não sendo Buscáglia, gosto de pisar em folhas caídas.


Por sobre a cerca vejo você se divertir ao sol.


Pra você, ainda, é verão.


Seu corpo bronzeado é lindo, e ainda exala o perfume das flores que enfeitaram sua primavera.


Vem, dá-me um raio do seu sol, que eu te empresto o frescor do meu vento.


Não pense que quero mudar sua estação.


Também já estive na praia, sei como é.


Quero que aproveite todos os momentos.


Que corra pela areia, se doure ao sol e mergulhe em seu mar.


Quero é compartilhar com você!


Passar bronzeador em seu corpo.


Talvez ajude a evitar uma insolação, ou que se afogue num mergulho.


Você divide comigo seu verão e dou-lhe os melhores frutos do meu outono.


E, sei que estando juntos, estaremos mais preparados para as próximas estações.


Quando chegar em você o outono, saberás escolher frutos bons,


E em meu inverno seu calor aquecerá o ambiente.


E quando sua estação for igual à minha, teremos, ainda, a chance de sentir os raios do sol de verão, pisando à maciez das folhas caídas de outono, experimentando, quem sabe, o doce sabor de um novo fruto, embalado pelo canto dos pássaros, o perfume e a beleza de nossas primaveras.


E, no tempo após as estações, isso ainda nos fará felizes, e será mesmo possível, que em uma próxima primavera, estejamos ainda juntos, outra vez.

Teatro Maldito (ou legítima defesa)

Noite calada,

Escura e fria.

Beco fechado,

Rua vazia.


O palco está sempre montado,

E, as personagens fazem, de fato,

Novas cenas do mesmo ato.


No elenco,

Como é constante,

O experiente

E a iniciante.


O silêncio pesa,

Quase não há luz,

Ela soluça,

- essa é a deixa -

Ele introduz.


Ela se esforça,

Tenta gritar.

Com a boca ocupada,

Por mãos e língua,

Somente pode chorar,

Enquanto seu sangue

Escorre e pinga.


Em sua mente,

Pensamentos desordenados

Passam como um furacão.


Ela é só dor,

Ele todo tesão.


No desempenho de seu papel

Ele se acha o melhor do planeta.

Ela já não se acha nada.

Sente, apenas, muita dor

E o horrível gosto de gameta.


Ele estremece e relaxa,

Outra explosão.

Ela percebe, movimenta rápido,

O brilho metálico troca de mão.


O novo quadro surpreende,

Ela não está mais no chão.

Ele, paralisado, quase se arrepende,

Experimenta algo novo,

O medo trocou de coração.


O dedo, tenso,

Pressiona o gatilho.

O coração dispara,

O dele pára.


Ela, nua, corre, chora e grita.

Mas está aliviada


Caído e sem vida,

Ele interpreta, brilhantemente,

O final, definitivo, daquela história,

Que ele próprio estrelou,

Em tantas outras madrugadas.