28 de abr. de 2009

Sobre a relação entre o prazer do sexo e a manutenção dos nossos sonhos

É amiga,

Falando com você, é impossível não pensar em mim mesmo. Em meus próprios sonhos e tudo em que acredito.

É, eu também já quis mudar o mundo. Acabar com as injustiças. Fazer a nossa revolução.

Mas qual pessoa nascido nos anos 70 não teve esse momento? Tínhamos muitas bandeiras. Éramos mais engajados. Sabíamos mais claramente o que deveríamos fazer para construir uma história mais justa.

Mas, principalmente, acreditávamos que éramos capazes de tudo. De salvar as baleias a derrubar as ditaduras, nada podia escapar de nossa força e determinação.

O tempo passou, minha amiga, ora como as águas tranquilas daquele regato escondido lá no Pinga-Fogo, ora como as correntezas do Rio Verde, no trecho entre a ponte do Manoel Abraão e a draga. E em todos os casos provocou mudanças em nós, e no mundo em que vivemos.

Algumas mudanças nós fomos capazes de perceber enquanto aconteciam. Outras so aceitamos depois de um tempo, e existem algumas as quais nem imaginamos que tenham ocorrido.

No entanto não somos mais os mesmos dos antigos acampamentos. Nem nós, nem os lugares que adorávamos visitar, nem o mundo. Tudo mudou.

Mas isso não significa que está melhor ou pior. Tudo está apenas diferente.

Nos separamos das turmas de antes. Nos separamos da família. Mudamos de casa, de cidade, de país. Mudamos de vida. Alguns sem mudar muito o jeito de levar a vida. Outros sendo totalmente outras pessoas mesmo.

E, um belo dia, nos pegamos tentando encontrar os nossos velhos sonhos, e nos apoiar em nossas antigas crenças, e não encontramos mais nada onde eles costumavam estar antes. E nos sentimos vazios. E podemos nos sentir decepcionados conosco mesmo. E, pior ainda, corremos o risco de nos considerarmos fracassados.

Onde foi parar aquela certeza de que, com minha coragem, uma velha calça jeans e minha mochila surrada, eu poderia por fim à destruição do planeta? Cadê a confiança de que minha oratória seria sempre boa o suficiente para mudar o comportamento de todas as pessoas? E aquele espírito combativo, capaz de montar um palanque em qualquer lugar, certo de que minha voz contagiaria todos que a ouvissem e, juntos, acabaríamos com a injustiça e com toda tirania?

Hoje o Córrego Mineiros está mais poluído que a dez anos. A Amazônia perde cada vez mais espaço para as monoculturas. As geleiras estão derretendo mais rápido. O clima endoideceu. O Cerrado quase não existe mais (e sequer mereceu a mesma consideração que os demais biomas). As diferenças sociais so se agravaram em todo mundo. As guerras se multiplicam em todo planeta. Água para beber, agora so essas que nos chegam em garrafas. E eu não encontro mais meu araçá ou a boca-boa que tanto gosto, com a facilidade de antes.

Se apenas observar tudo isso, posso mesmo ter a sensação de tudo que fiz se perdeu. Foi em vão. Que não fiz nenhuma diferença.

Se após tanto esforço para me aperfeiçoar, e ter conseguido os títulos que almejava, e tendo certeza de que domino muito bem algum conhecimento, eu não tiver alcançado o conforto financeiro que mereço, acho que devo me sentir ainda pior.

Mas a história deve ser assim mesmo? Isso faz sentido?

Andei pensando sobre isso, e descobri que pra mim não. Na verdade nunca fez.

Sabe, amiga, acredito que erramos na análise. E fazemos isso por, com o tempo, ao invés de aperfeiçoar nossa visão, nós perdemos o foco. Ao amadurecermos, nós nos desviamos de quase tudo que era realmente importante para nós. O mundo faz isso conosco. As convenções fazem isso conosco. O Mercado faz isso conosco. E, sobretudo, nós fazemos isso com nós mesmos.

E, o que importa, então?

Em minha opinião importa o prazer. Tem valor, real, a felicidade. E era exatamente isso que nos importava quando organizávamos nossos bons acampamentos. Ou quando fazíamos nossas campanhas de “salve qualquer coisa...”. Hoje vejo que gostava mesmo das palestras nas escolas da cidade. Por que me dava prazer falar sobre tudo aquilo. Pintar a cara, e sair em passeata entoando palavras de ordem me fazia feliz. Mesmo na aventura solitária, indo de Mineiros aos Dois Saltos, com apenas uma velha mochila e um cantil com pouca água (duas caronas e mais de sete horas de caminhada eu ainda cheguei a tempo de ver as primeiras estrelas estrearem naquela noite), o que realmente me agradava era exatamente isso. Ir. Fazer. O ato em si.

É como a tarefa de reproduzir e povoar o planeta. Esse é um objetivo que temos. E nos dedicamos a ele. Todas as espécies se esforçam com esse fim. No entanto nós, homens e mulheres, descobrimos prazer em realizar o esforço reprodutivo. Fizemos do sexo uma das coisas mais satisfatória que conhecemos. A reprodução continua sendo o objetivo, mas a busca nos torna tão felizes que não corremos o risco de desistir de alcançá-lo.

Claro, salvar o mundo era o objetivo. Fazer a revolução sempre foi uma meta desejada. Mas todos os sonhos so se mantinham pelo prazer resultante das realizações.

Agradava-nos aquela tarefa de mudar tudo. Mudaríamos mesmo? Quem sabe? Nós apenas acreditávamos.

Atingir os objetivos nos tornaria muito mais orgulhosos. Recuperar o Córrego da Porteira seria uma grande conquista. Mas o fato de fazer a mobilização das pessoas. O prazer em fazer tudo àquilo com vontade, e acreditando, já nos servia de recompensa. Não é? Pra mim sim...

E nosso espírito romântico de jovens sonhadores agia assim. Mas com o tempo algumas nuances foram se tornando cada vez mais marcante em nós. E as prioridades foram se alterando.

E a obsessão de ganhar dinheiro e suplantou o gosto pela felicidade. E o prazer foi posto de lado, para dar lugar ao esforço em atingir metas necessárias ao reconhecimento social.

Mesmo os títulos que sempre sonhamos, pois sabíamos que ao obtê-los estaríamos adquirindo mais conhecimento para subsidiar nossos trabalhos, passaram a ser meros objetos de status social. E a maioria do conhecimento que temos está empacotado em alguma gaveta, ou estante de biblioteca restrita a poucos, e quase nunca no campo, onde sonhávamos que deveria ficar.

Não estou aqui fazendo apologia ao total desapego material. Nem pregando o trabalho totalmente voluntário como modo de vida. Tampouco dizendo que as pessoas não devem se desejar o conforto que o dinheiro pode trazer. Não é isso.

Acho que todos merecemos viver com todo conforto possível (desde que isso não implique em reduzir nossa qualidade de vida. E isso é sim, um paradoxo muito presente em nossos dias). E, por vivermos em um mundo capitalista (inda que contra minha vontade), é o dinheiro que pode nos proporcionar isso. Eu sei, e não me oponho a isso (ao sistema sim).

E sei também que nada é mais “lugar comum” que a velha frase “A felicidade não é uma estação de chegada, mas o modo como se viaja”. Apesar de piegas, eu concordo muito com ela.

Mas estou tentando aqui falar de outra coisa. Estou falando de sonhos. De mantê-los e de manter a fé. A coincidência com a frase é que, estou sendo levado a crer que é exatamente a felicidade na busca pela realização dos sonhos que os mantêm vivos. E que é essa busca com prazer, e não a realização em si, que de fato importa pra nós, se quisermos ser felizes.

Portanto não estou falando de ser feliz agora, apenas pela felicidade momentânea. Estou dizendo que, se não queremos perder de vistas nossos sonhos, e nunca deixar de acreditar em nós mesmo, e nos outros, precisamos descobrir a forma mais satisfatória de buscar a realização. Reconhecer e ter sempre conosco aquela felicidade edificante que experimentamos com nosso sonho de agência de turismo junto à uma pequena lanchonete/bazar. Buscando de fato, mas não esperando para ser felizes so depois. Nem deixando de acreditar, caso o sonho permaneça uma visão muito distante.

E não duvide, se for assim, podemos sim, mudar o mundo.

Outro dia, em um dos vários momentos de prazer construtivo, uma pessoa muito querida confessou que deve o fato dela acreditar em boa parte das coisas que acredita agora às campanhas, palestras e acampamentos onde eu acreditava estar salvando o mundo. Ou seja, minha felicidade foi fecunda. Isso me mostra que, posso não ter mudado todos os comportamentos, mas sim, eu salvei o mundo.

E, acho também que, cada vez mais precisamos ter coragem para enfrentar as convenções, e normais estabelecidas, para viver fazendo o que nos faz bem. E nunca é tarde para essa desejável transgressão. Quem, afinal, não conhece alguma história de corretor da bolsa que não aguentou a pressão, largou tudo e montou se tão sonhado restaurante? Ou de uma grande empresária que, não aguentando mais estar no lugar errado, decidiu fazer o que sempre gostou de fazer, e hoje ganha a vida exportando bonecas para o mundo? Ou ainda, daquele fazedor de mapas, que continua fazendo mapas, mas que sabe que em breve estará em todas as livrarias com seus poemas e romances?

O preferível é não desviar do caminho. Mas se isso acontecer, não desista de ser feliz. Nunca deixe de fazer o que te dá prazer, e o mais rápido possível, retome sua luta. Erga novamente sua bandeira e venha, minha mochila está sempre pronta para ir salvar o mundo.


Estações

Sinto no rosto os primeiros ventos do meu outono, que já chegou.


Caminho descalço em meu jardim e, mesmo não sendo Buscáglia, gosto de pisar em folhas caídas.


Por sobre a cerca vejo você se divertir ao sol.


Pra você, ainda, é verão.


Seu corpo bronzeado é lindo, e ainda exala o perfume das flores que enfeitaram sua primavera.


Vem, dá-me um raio do seu sol, que eu te empresto o frescor do meu vento.


Não pense que quero mudar sua estação.


Também já estive na praia, sei como é.


Quero que aproveite todos os momentos.


Que corra pela areia, se doure ao sol e mergulhe em seu mar.


Quero é compartilhar com você!


Passar bronzeador em seu corpo.


Talvez ajude a evitar uma insolação, ou que se afogue num mergulho.


Você divide comigo seu verão e dou-lhe os melhores frutos do meu outono.


E, sei que estando juntos, estaremos mais preparados para as próximas estações.


Quando chegar em você o outono, saberás escolher frutos bons,


E em meu inverno seu calor aquecerá o ambiente.


E quando sua estação for igual à minha, teremos, ainda, a chance de sentir os raios do sol de verão, pisando à maciez das folhas caídas de outono, experimentando, quem sabe, o doce sabor de um novo fruto, embalado pelo canto dos pássaros, o perfume e a beleza de nossas primaveras.


E, no tempo após as estações, isso ainda nos fará felizes, e será mesmo possível, que em uma próxima primavera, estejamos ainda juntos, outra vez.

Teatro Maldito (ou legítima defesa)

Noite calada,

Escura e fria.

Beco fechado,

Rua vazia.


O palco está sempre montado,

E, as personagens fazem, de fato,

Novas cenas do mesmo ato.


No elenco,

Como é constante,

O experiente

E a iniciante.


O silêncio pesa,

Quase não há luz,

Ela soluça,

- essa é a deixa -

Ele introduz.


Ela se esforça,

Tenta gritar.

Com a boca ocupada,

Por mãos e língua,

Somente pode chorar,

Enquanto seu sangue

Escorre e pinga.


Em sua mente,

Pensamentos desordenados

Passam como um furacão.


Ela é só dor,

Ele todo tesão.


No desempenho de seu papel

Ele se acha o melhor do planeta.

Ela já não se acha nada.

Sente, apenas, muita dor

E o horrível gosto de gameta.


Ele estremece e relaxa,

Outra explosão.

Ela percebe, movimenta rápido,

O brilho metálico troca de mão.


O novo quadro surpreende,

Ela não está mais no chão.

Ele, paralisado, quase se arrepende,

Experimenta algo novo,

O medo trocou de coração.


O dedo, tenso,

Pressiona o gatilho.

O coração dispara,

O dele pára.


Ela, nua, corre, chora e grita.

Mas está aliviada


Caído e sem vida,

Ele interpreta, brilhantemente,

O final, definitivo, daquela história,

Que ele próprio estrelou,

Em tantas outras madrugadas.

Minha normalista linda

Ensinas-me um mundo novo.


Sou mais completo agora.


Decifro melhor a vida,


Pois aprendi “Alê”


 



Da série "Pequenos prazeres, mas não haikai..."

Em minha noite, algo luziu


Sol não brilhou.


Você sorriu



16 de mar. de 2009

Sobre outra grave doença que acomete a todos nós...

Logo que cheguei em Goiânia, vindo do interior (Mineiros), eu escrevi sobre meu estranhamento com a fato de as pessoas aqui falarem tanto sozinhas (ou consigo mesmas).
Quase três anos e ainda não me acostumei totalmente em ver tantos “diálogos em via única”. No entanto esse tempo na capital, a observação das pessoas que meus olhos podem alcançar e, sobretudo, a observação de mim mesmo, está me mostrando alguns dos motivos que levam a esse comportamento. E, infelizmente meu diagnóstico me entristece.
É que estou percebendo que estamos doentes. Todos nós estamos. E as causas e sintomas são tão agudos, que não conseguimos perceber nosso estado. Não percebemos e, principalmente, não nos permitimos admitir que haja algo anormal conosco.
Ontem, sábado (14/03/2009), uma música foi para mim um desses tapas que por vezes precisamos levar pra ser trazido à realidade. Gostaria de compartilhar (na verdade sugerir que interrompam agora a leitura para ouvir a interpretação de “Um homem chamado Alfredo”. No link: http://www.youtube.com/watch?v=N8eOUR9UiuM. É uma canção simples, mas bastante  interessante).
“A vida, meus amigos”. “É a correria do dia-a-dia”. O fato de “estar trabalhando muito”. “Essa falta de tempo”. Esses são apenas alguns dos motivos que usamos para justificar nosso comportamento. Nos enganando, e não admitindo o grande mal que já se instalou em nós.
Todas nossas desculpas nos parecem cada vez mais justas e verdadeiras. Precisamos mesmo, nos dedicar cada vez mais ao trabalho. É realmente necessário nos dedicar cada vez mais tempo na busca por riquezas (afinal daí virá o conforto que precisamos garantir à nós e à nossa família) e, consequentemente, nos sobra menos tempo para nos dedicar efetivamente às pessoas. Inclusive à essa família, para a qual nos esforçamos tanto para dar o sempre o melhor (por certo que já assumimos que o melhor não está em nós. Não somos nós).
O fato, meus caros, é que perdemos completamente a capacidade de nos dedicar às outras pessoas. Não sabemos mais escutar. Não temos tempo para nos sentar com alguém, sem pressa e com carinho, apenas para ouvir. E, mesmo quem se propõe e quando nos dispomos a isso, cometemos o grande erro de ouvir sempre do nosso ponto de vista. Levando em conta apenas “nossas próprias verdades”. Nunca as “verdades” e pontos de vistas de quem está falando. Mais difícil que ouvir, é exercitar a empatia. Considerar as dificuldades, dores e angústias enfrentados pelo outro. Mesmo que este esteja nos dizendo de forma literal. E o pior, sempre sugerimos as nossas soluções, mostrando acreditar que todas as pessoas vivam e pensam como nós, possuam os mesmos recursos e limitações que nós, sejam cercados pelas mesmas pessoas, e tenha a mesma família. Ou ainda, nem nos damos ao trabalho de certificar se quem nos fala deseja de nós alguma solução. Se olharmos de perto vamos perceber que não esperam, nem desejam isso. Todos (inclusive eu e você) às vezes queremos/precisamos apenas de carinho e atenção de alguém que se disponha a nos ouvir um pouco.
Não temos tempo para escutar ninguém, por isso é mais fácil tentar apontar logo uma solução. Sempre a que achamos a mais racional. Assim poderemos voltar rápido à nossa rotina “corrida”.
E o fato de não podermos nos dedicar a ouvir, nos fez deixar de perceber a necessidade que temos de ser escutados. Seria incoerente, não é mesmo. Se não posso oferecer, não posso esperar que me ofereçam. E assim estamos nos fechando, cada vez mais, em mundos pessoais tão isolados, de onde não conseguimos mais sair. E às vezes não conseguimos, sequer, entrar.
Substituímos nossas necessidades reais por outras invenções que assumiram status de “primeira necessidade”.
Já não sabemos o que nos dá prazer de verdade. Vivemos a vida nos confundindo. E, acreditando ser melhor para nossos filhos, os “abandonamos” para que possamos dar a eles sempre o melhor. Sobretudo aquilo que nós mesmos não tivemos.
Para conseguir um pouco de atenção, definimos que precisamos obter sucesso em tudo, e a qualquer preço. E criamos uma população inteira cheia de indivíduos que só enxergam sentido para suas vidas nas conquistas profissionais, e riqueza material. E se perderem seu dinheiro, sua posição ou seu trabalho, perde a razão de viver. Somos assim, quase todos, uma grande geração de “Alfredos”, cheios de motivos para desistir de viver. Inda mais em tempos de grave crise, como a que estamos atravessando.
Quantos “Alfredos” eu conheço? Quantos você conhece? Quantos vivem em seu prédio? Não será um, esse seu colega de trabalho? Quantos em sua família? Ou ainda, não será você mesmo, um? E eu (...)?
E, o pior é que está cada vez mais cheia a lista de “louros” e “gatos de estimação”. Agora tem sido indefesas crianças (como aquela menina de 5 anos, voando com seu pai), estudantes e professores, em escolas americanas ou alemãs.
Me pergunto se o trágico sequestro do ônibus 174 teria acontecido se o jovem Sandro do Nascimento tivesse podido fazer terapia. Ou melhor, se tivesse ele tido alguns bons amigos, com quem pudesse conversar sobre o grande trauma decorrente do fato de estar entre os garotos assassinados na Candelária em 1993, de onde só escapou por pura sorte.
Não pretendo aqui propor a nulidade de culpa de quem quer que tenha cometido algum crime, contra si próprio e/ou contra outros. Acho, sim, que deveríamos relativizar um pouco todos os acontecimentos. Tentando ver cada situação de forma mais completa, e identificar, quem sabe, a parcela de culpa que cada um de nós em cada uma das tragédias que os jornais não param de nos mostrar.
Mantemos em nós, e apenas em nós, a pressão de tudo que vivemos. Vamos guardando tudo. E, por não termos sido criados para viver como ilhas, o risco é cada vez mais de uma grande explosão. Ou como estamos assistindo a cada dia, um número cada vez maior de pequenas implosões.
Me lembro de alguns momentos em que minha sanidade foi mantida (ou recuperada) em longos momentos na companhia de alguns bons amigos/irmãos. Às vezes regados à cerveja, às vezes compartilhando poesias, às vezes rindo de nada, em outras chorando por tudo. Mas sempre cada um falando de si mesmo. Felicidades, frustrações, dores, conquistas, sonhos e desejos.
Por isso me tornei um grande apreciador dos abraços. E tento ter sempre tempo para um “dedo de prosa”.
Ta bom, eu sei que lá no interior era bem mais fácil (outra grande mentira usada por nós, para justificar nosso isolamento). E não quero que deixemos de cumprir nossos compromissos de gente grande. O que sugiro (pra mim mesmo), é que possamos nos demorar um pouco mais com as pessoas. Que saibamos, ao menos, nome dos vizinhos (particularmente sinto saudades das xícaras de açúcar, emprestadas em outros tempos). Que reaprendamos a escutar, a entender e respeitar as particularidades, verdades e pontos de vistas de cada um, para que, ao escutar escutemos com base não nas minhas, mas nas idiossincrasias de quem fala. Pois, é com base nelas que ele está falando. E, que nos permitindo escutar, reaprendamos, também, a falar. Para que possamos nos tornar mais livres, seguros, confiantes. Felizes, enfim.
Mas há cura. E acredito que seja bastante simples. Como simples deveria (e pode) ser a vida... 

25 de fev. de 2009