19 de jan. de 2009

Infelizes Coincidências - 13/09/2007 -

A sensação que tive hoje (13/09/2007), ao acordar às 6:50 horas da manhã, e que me acompanha até agora, se fortalecendo a cada momento, é composta de vários sentimentos, todos eles ruins.
Primeiro, hoje estou de luto. Como os goianienses, goianos e brasileiros hoje, mais que em todos os outros dias do ano, eu sou acometido pela sensação de terror que se abateu sobre Goiânia há vinte anos atrás, e que ainda hoje está presente na vida dessa cidade, sobretudo na vida das vítimas, todas vítimas diretas, em minha opinião, que não recebem o tratamento adequado para tentar minimizar seus sofrimentos e fechar suas feridas, sejam elas físicas, emocionais ou econômicas.
A cápsula de Césio-137 foi aberta há vinte anos. Nunca mais a chaga provocada por ela foi efetivamente fechada (se é que se poderá um dia ter fim esse capítulo trágico de nossa história).
Hoje o terreno onde a cápsula foi aberta é uma área estéril, coberta de concreto morto. Nada cresce ali. Ninguém vive ali. É assim como uma homenagem à desgraça um dia iniciada e que se apresenta como eterna (ao menos até que se extinga a linhagem de descendentes das pessoas que viviam em Goiânia naqueles dias). Acho mesmo que poderia se construir um monumento ali. Nada grandioso e ostentador, como os projetos para ocupar o lugar onde um dia existiu o World Trade Center. Mas que seja algo mais simples, onde as pessoas possam voltar a freqüentar. Onde crianças, como era a menina Leide, possam brincar com seus cães.
Mas que nos lembre a todo momento que “nem tudo que reluz é ouro”, como ensina o velho adágio. E que o que aparentemente pode nos trazer riqueza fácil, quase sempre nos oferece perigo. Esse monumento deve nos ensinar, também, que mexer com o desconhecido pode ser muito arriscado, e que por isso devemos ter e oferecer a todos, capacidade de estudar e aprender sempre. Isso, para reconhecer os perigos que a vida nos apresenta a cada instante, tendo capacidade de discernir entre as oportunidades verdadeiras e as armadilhas, sejam elas do destino ou montadas por outras pessoas.
Por estes fatos, sinto-me triste, consternado. E pela falta de compromisso do Estado com as pessoas que mais sofrem, me sinto profundamente triste.
Outro sentimento que carrego hoje, e que também sinto (e espero) não passará assim tão rápido, é a revolta. Estou profundamente revoltado com a atitude desrespeitosa de quem devia nos representar a todos, respeitando nossas vontades com um mínimo de dignidade, conduta moral e senso ético de justiça, mas que, ao contrário, age de forma escusa, desonesta e imoral e desrespeitando o povo brasileiro que, além de tê-los indicado para ocupar os cargos que ocupam agora, ainda paga seus enormes salários.
Ao contrário das vítimas do Césio, os senhores senadores sabem exatamente o que estão fazendo. Conhecem o “brilho” com o qual estão lidando. Mesmo assim escolheram abrir a “cápsula”. Certamente o número de vítimas será bem maior nesse acidente do que no ocorrido em Goiânia.
Certamente será mais difícil fechar as feridas abertas pela absolvição do indigno senador Renan. Infelizmente, também ao contrário do maior acidente radiológico da história, neste, quem “abriu a cápsula” possivelmente viverá amparado pelas benesses malditas de seus atos ilícitos.
No entanto vislumbro, para o senador, destino semelhante ao lote da Rua 57. Em breve a vida se tornará impossível lá, pois acredito que não pode haver vida onde não existe honestidade e justiça. Quem sabe devamos começar a pensar em uma forma de transformar aquele terreno de Brasília em algum monumento há um tempo em que a desonestidade ainda reinava. Isso porque espero que todos nós brasileiros, vítimas diretas desse “desastre”, não permitamos que os culpados fiquem impunes. Espero que nossas feridas não fiquem camufladas pelo nosso marasmo coletivo. Que nossas dores não sejam disfarçadas com os bálsamos da ignorância e da letargia social.
Espero, enfim, que as vítimas do Césio-137 recebam todo atendimento necessário para que suas vidas remanescentes sejam menos doloridas, em todos os aspectos.
Que as vítimas dos dois casos sejam respeitadas, plenamente em sua dignidade.
            Que, nos dois casos, os responsáveis sejam definitivamente punidos. E que não tenhamos, nunca mais, necessidade de eventos emblemáticos para servir de exemplo. Já temos exemplos demais. Já abrimos “cápsulas” demais. O que nos resta é finalmente aprender todas as lições e aceitar nosso papel e nossas responsabilidades.

Sobre oásis e abismos

Cheguei a Goiânia há pouco mais de um ano. Vim do interior. Apesar de ter nascido aqui, cresci lá no extremo Sudoeste do Estado de Goiás. Na fronteira com Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Mudei-me pra lá ainda na infância e só retornei agora. Quando cheguei por aquelas bandas, a cidade era bem pequena. Típica cidade do interior, mesmo. Lembro-me de quase toda infância passada naquele lugar, tão caro pra mim. Dentre as coisas daquele tempo, e que continuou por alguns anos, era o fato de ouvirmos e dizermos, sempre que alguém era pego falando sozinho, que era doido. Na verdade a afirmação vinha em forma de pergunta zombeteira assim: "... ê, tá doido, falando sozinho?...". Sempre que alguém era pego assim era "zoado", mas isso não acontecia com freqüência não. Na verdade era difícil ver alguém assim, falando com ninguém. Com exceção das poucas pessoas portadoras de algum transtorno psíquico e/ou emocional (e no interior, toda cidadezinha tem seus doidos conhecidos, e geralmente queridos), quase ninguém era pego falando sozinho. Afinal, por que falar sozinho com tanta gente conhecida por perto e disponível pra conversar?


Essa chacota em forma de pergunta estava há muito tempo esquecida em minha memória, mas um "diálogo" que presenciei ontem me fez relembrá-la.


Lá estava eu, voltando do trabalho pra casa, no final da tarde (eram quase 19 horas e o sol estava alto. Esse horário de verão...).


Caminhava devagar e tranqüilamente, como sempre faço nessa hora, quando ouvi uma conversa atrás de mim. As pessoas estavam discutindo sobre um problema enfrentado por elas, era algo não muito sério, pelo que percebi no início, mas que ocupava a atenção dos interlocutores. Eles não falavam alto, mas a conversa chegava aos meus ouvidos. Percebi que eles estavam se aproximando de mim. Continuei minha caminhada lenta. Não tentava ouvir o que diziam, mas não dava pra evitar. Quanto mais eles se aproximavam, mais eu me inteirava sobre o que falavam. A poucos metros da esquina com a Rua 24 eles me ultrapassam, e aí veio minha surpresa. Toda conversa envolvente, com defesa de opinião e mais de um ponto de vista, não era travada por duas pessoas, mas por uma só. O moço, com visivelmente uns 60 e poucos anos, conversava necessitadamente com ele próprio, e isso me trouxe à mente aquela brincadeira da infância.


A princípio eu sorri, como nos tempos em que morava lá na baixadinha, e era um guri queimado pelo sol tomado todos os dias, o dia todo, por passar o dia "na rua" brincando e conversando muito com os amiguinhos. Mas me lembrei na seqüência, e sem esforço, de duas coisas que me chamaram a atenção quando cheguei aqui pra morar. Primeiro, as pessoas não gostam de andar. Se alguém precisa ir até a Avenida Goiás e está na Praça do Botafogo certamente vai pegar o eixão. Ir do Universitário ao Zoológico à pé então, nem pensar. A segunda coisa, as pessoas falam muito sozinhas. É muito comum cruzar com pessoas falando sozinhas pelas ruas.


Em alguns casos pode-se perceber que se trata de tentativa de encontrar algumas respostas. Mas na maioria é solidão mesmo. Falta de ter com quem falar.


Nesse pouco tempo morando aqui percebi que as pessoas têm medo de falar com as outras. Não se pode dizer bom dia ao cruzar com alguém na rua, porque se você não conhece, pode ser mal interpretado, ou coisa parecida. É possível ir, e todos vão, todos os dias, de casa pro trabalho, e do trabalho pra casa sem falar com ninguém. Anda-se tendo que se desviar de uma multidão, às vezes esbarrando em um monte de gente, mas o abismo que nos separa de todas elas é cada vez maior. E Goiânia ainda não é como São Paulo, Nova Iorque ou Brasília. Mesmo nos meios de convivência (e isso não existe mais, da forma que já existiu antes), as pessoas não se falam. No trabalho quase tudo é resolvido via e-mail, MSN, skype ou similar. Até com o colega da mesa ao lado, se fala mais assim, dessa forma distante e fria.


Posso até concordar que nos tempos de hoje temos que dar atenção especial à segurança. A tecnologia deve ser usada para facilitar nossa vida. Mas isso não deve, e não pode, significar isolamento completo. Se não falo com ninguém me torno amargo, angustiado, triste, agressivo violento ou letárgico. A falsa impressão de comunicabilidade que a internet nos apresenta pode ser a ruína de nossa humanidade. Ao falar com alguém que está longe, ou do lado, por meio de um tela, posso até dar respostas lógicas, mas é impossível sentir a reação. A doçura, ou mesmo, a aspereza das palavras não podem ser traduzidas em letras ou sinais.


Quando digo à minha namorada que a amo, pelo monitor, ela não pode ver meus olhos brilhando, nem meus pêlos se arrepiando. Nada substitui o toque, pra chamar a atenção. O poder de um abraço, só um abraço tem.


De volta ao meu interior querido, lá onde nasce o Araguaia, era comum ir e voltar do trabalho, do outro lado da cidade, a pé. E era impossível fazer o trajeto sem que a caminhada fosse interrompida várias vezes, pra cumprimentar alguém. Às vezes era preciso um grande esforço, e policiamento, pra chegar ao destino na hora marcada, tamanha a quantidade de pequenas paradas. E isso ainda hoje é assim, para a maioria das pessoas de lá. A cidade cresceu um pouco, é verdade. O celular e a internet estão lá também, mas alguns hábitos interioranos continuam vivos nos antigos moradores e em seus bons descendentes. Experimenta caminhar um pouco com a Lucely pra ver. Se ela não definir que vai embora mesmo, não chega ao Cedro, lugar tranqüilo onde mora. E a Dona Pequena, então! É inimaginável a possibilidade de ela ir da sua casa até o mercadinho mais próximo sem falar com ninguém na rua. Se ela for até a casa de sua filha "Preta" então, que fica bem longe, aí sim. Se tiver pressa, melhor nem ir. Mesmo em sua caminhada matinal feita, com caráter terapêutico, diariamente por volta de 5 da manhã (às vezes erra a hora, saí por volta de 4 horas ou até antes, quando percebe o erro já vai longe, acompanhada pelo Zezinho) ela consegue fazer o percurso sem falar com ninguém. Pode até não parar, mas vai cumprimentando todos que encontra pelo caminho.


Acho que por isso mesmo Dona Pequena tem aquela vitalidade invejável. Não vou arriscar um palpite, pois, certamente a sua lucidez, sanidade e alegria sempre me enganaram, me fazendo crer ser ela bem mais jovem que os anos que realmente deve ter. Mesmo assim fica o dia todo na lida, cuidando de seu belo quintal, cheio de plantas e com alguns bichos. Ah! E conversando muito, com pessoas que não ela mesma. E por ser tão agradável de ter por perto, tem sempre muitas pessoas querendo estar com ela. Por gostar de conversar, tem sempre pessoas com quem falar. É isso mesmo, me parece um processo auto-alimentado, para se ter com quem falar, deve-se se dispor a falar com alguém. Se eu me disponho a falar com alguém, vou ter sempre com quem falar. E a negativa é verdadeira.


Por certo a pessoa que passou por mim, ontem a tarde, entrou no processo inverso ao escolhido por Dona Pequena. E agora, mesmo precisando, e querendo conversar, não encontra interlocutor. O grande problema é que olhando ao meu redor, no mundo que vivo agora, percebo que todos, ou quase todos, estão no mesmo barco. Por sinal, uma nau repleta de tripulantes, onde ninguém se alcança. É um paradoxo infeliz, quanto mais gente temos ao redor, mais nos sentimos sozinhos.


Quisera ser possível contagiar a todos com a simpática atração da Dona Pequena, ou com o humor infantil que vive lá, no interior, onde falávamos com todo mundo. E quando não tínhamos o que dizer, falávamos também, só pelo prazer de conversar.


Acho que é possível salvar o mundo da grande solidão coletiva que em outros lugares já é bem mais acentuado. Mas é preciso que todos redescubram o prazer de uma boa prosa. E o valor de um gostoso abraço.


Quem sabe da próxima vez que alguém passar por mim falando sozinho, eu faça como fazia quando criança, lá no interior, e pergunte, zoando "êee, tá doido?" e, quem sabe assim, eu inicie uma boa conversa. Só espero não ter que ir parar no açougue, pra colocar um bife em algum olho roxo.


 


PS.: Dona Pequena mora em um bairro chique, cheio de mansões, mas sua casa é muito simples e, como ela, bem pequena. Mas, certamente é o local mais aconchegante do lugar. É meio como um oásis. Por isso, e pela própria Dona Pequena, espero que um dia o lugar onde vive, seja transformado em um museu em sua memória. Com tudo aquilo preservado. A casa, o quintal, a casa velha (ainda menor que a atualmente habitada), o pé de acerola, os jabutis, tudo enfim. E que seja declarado não só um lugar pra preservar sua memória, mas, principalmente, um cantinho dedicado às boas conversas e todos os benefícios que elas trazem pra todos nós. E que, a qualquer tempo, indo lá pro interior, possamos encontrar um pouco mais de sossego e ter sempre alguém a fim de trocar um "dedim de prosa".

Sobre nossas piores virtudes - 04/09/2006 -



Um filho pergunta à mãe:
- Mãe, posso ir ao hospital ver meu amigo? Ele está doente!
- Claro, mas o que ele tem?
O filho, com a cabeça baixa, diz:
-Tumor no cérebro.
A mãe, furiosa, diz:
- E você quer ir lá para quê? Vê-lo morrer?
O filho lhe dá as costas e vai.
Horas depois ele volta vermelho de tanto chorar, dizendo:
- Ai mãe, foi tão horrível, ele morreu na minha frente!
A mãe, com raiva:
- E agora?! Tá feliz?! Valeu a pena ter visto aquela cena?!
Uma última lágrima cai de seus olhos e, acompanhado de um sorriso, ele diz:
- Muito, pois cheguei a tempo de vê-lo sorrir e dizer:
- EU TINHA CERTEZA QUE VOCÊ VINHA! –
Moral da história: A amizade não se resume só em horas boas, alegria e festa.
Amigo é para todas as horas, boas ou ruins, tristes ou alegres.

Caro amig@,

        Ontem recebi um e-mail com o texto acima. Como gostei resolvi enviar para alguns amigos. Coisa que acontece quase todos os dias.
        Afinal, todos os dias recebemos milhares de correios eletrônicos alguns relacionadas ao nosso trabalho, muitas notícias de amigos (várias dos amigos que estão na mesa ao lado), propagandas de produtos que nunca vai querer comprar, um grande número com mensagens de cunho pseudo-emocional, que tenta nos sensibilizar, fazer pensar, arrancar um sorriso de nossa carranca estressada ou simplesmente nos dar o pretexto para dar um tempinho na rotina de trabalho, sem falar das infindáveis e irritantes correntes que prometem nos livrar do sofrimento, da solidão, da calvície, da impotência sexual, da morte,... Enfim, todos aqueles e-mails que, podem até ser bonitos, mas que perde a beleza ao ter inserido, no final, alguma coisa parecida com “mande para todos os seus amigos” ou “envie para n pessoas ou se arrependerá”.
        Bem! Eu tenho o hábito de ler, de fato, a maioria dos e-mails que me chegam e, quando gosto, de verdade, eu envio para alguns dos meus amigos. Às vezes selecionando, às vezes não.
Tenho alguns amigos que curtem piadas, outros que gostam de tudo onde se lê alguma referência à Bíblia, outros que curtem fotos de mulheres nuas. Pessoas são diferentes.
        No entanto, um fato me chamou a atenção e despertou em mim a necessidade de fazer algumas reflexões sobre o que somos hoje. Que fato foi esse?
        Bom, como já disse, eu recebi o texto do início, li, achei “bacana” e encaminhei pra alguns amigos. Horas depois, um dos amigos respondeu-me com a seguinte mensagem:

“Vc tá muito sentimental! Essa historia é igual àquela que o filho liga pros pais e fala que vai voltar pra casa, mas pede pra levar um amigo com doença grave... aí os pais não querem. O filho não volta e depois descobrem que quem tava doente era o próprio filho...”.

        O fato de meu amigo achar que estou muito sentimental não é o problema. Coisa normal, eu sou assim mesmo, fazer o que?
O que me chamou a atenção, e fez soar em mim um alerta, foi o fato desse meu amigo achar as duas “estórias” iguais. Em minha opinião não são. Uma fala de Importância. A outra fala de Tolerância.
        Minha grande questão e angustia, é: "O que aconteceu com a gente, que não temos mais a capacidade de separar partes tão distintas de nossos sentimentos?"
        Eu poderia assumir que é apenas deficiência em interpretação de textos, mas infelizmente isso eu sei que não é, ao menos não apenas. Acredito que essa confusão não ocorra apenas com esse meu amigo. Ela pode ser bem mais comum do que se imagina. E por quê?
        Gostaria de ter respostas diferentes, mas o que me vem à mente, devido às experiências do dia-a-dia, é que nós não temos mais tanta capacidade de entender nossos próprios sentimentos e, por isso, não conseguimos distingui-los uns dos outros.
        Na verdade nós perdemos, há tempos, a tolerância com os que não são iguais a nós. Qualquer diferença é motivo para não querer alguém perto de nós.
Não importa a diferença, quer seja a cor da pele, uma dificuldade física ou mental, grande diferença de idade ou incapacidade provocada por doenças ou mutilações. Por qualquer desses motivos nos afastamos de nossos familiares ou amigos. Colocamos nossos pais e avós em asilos e nossos “deficientes” em sanatórios e ainda fazemos todas as terríveis guerras.
E isso não é nenhuma novidade.
        Mas e quanto à importância, em que momento ela passou a ser confundida com a tolerância?
Acho que ao mesmo tempo em que fomos deixando de valorizar coisas simples como o aconchego daquele abraço gostoso de nossos amigos (independente se o amigo seja homem ou mulher); Ou o prazer de sorrir junto, de qualquer coisa, uma piada, uma brincadeira inocente, uma travessura sadia de criança; Passamos a confundir importância com tolerância, ainda, quando perdemos a capacidade de valorizar e aprender com as experiências dos mais velhos, ou com a inocência dos mais novos.
        Bem, meu amigo, infelizmente me parece que nós já não nos importamos com nossos queridos. Não importa o que acontece com as pessoas. Estamos tão envolvidos com nosso próprio mundinho que esquecemos que esse “mundo próprio” na verdade não existe, e que somos afetados por tudo que acontece ao nosso redor.
        Podemos até não perceber isso agora, e pode ser tarde demais quando nos permitirmos perceber.
Nossos velhos já podem estar apodrecendo em algum leito nojento (que pode até ser limpo e caro, mas que sem carinho de quase nada vale), ou nossos jovens já poderão ter se perdido tentando encontrar quem, de fato, se importem com eles (e assistimos a isso todos os dias...) ou estaremos, nós mesmos, abandonados em algum lugar, onde não atrapalhemos ninguém.
        Deveríamos nos importar com quem está próximo a nós. Ao menos com quem julgamos amar. E isso implicaria nos envolver mais na vida das pessoas, em querer saber o que acontece com elas e em querer participar mais ativamente. Sobretudo ajudando a enfrentar os problemas, mas não apenas.
        Implicaria compartilhar os bons momentos de alegria, de felicidade e de conforto, bem como os momentos de dor, de tristeza e de necessidades.
        Importar significa compartilhar, dividir, fazer parte, estar junto.
        Acredito que se recuperarmos a capacidade de “nos importar” poderemos ter, de volta, a “tolerância” há muito perdida.

Sobre Memórias - fevereiro 2006 -

Não nasci hoje, nem aqui (em Mineiros), mesmo assim agora é meu tempo e aqui é meu lugar. Gosto de estar nesse ponto. Gosto das pessoas que também estão. Mas, o que sou agora é conseqüência de fatos que foram acontecendo durante toda minha trajetória no tempo/espaço. Não me fiz do nada, esse lugar não se fez do nada. Tudo é conseqüência. Não dá pra negar isso, mais ainda, para entender algumas idiossincrasias minhas ou dos que me cercam, às vezes tenho que recorrer às memórias dos tempos e dos lugares por onde passamos.
Mas não pude, infelizmente, estar em todos os lugares em todos os tempos. Não me foi dada a graça de ser Onipresente e, mesmo que fosse, não sou Onisciente. Minha memória é pouco desenvolvida devido à utilização constante de artifícios externos a meu ser, e por falta do bom hábito, que os antigos tinham de fazer o repasse de suas histórias verbalmente para as novas gerações.
Felizmente alguns poucos se ocupam do trabalho de registrar os fatos no momento de seus acontecimentos, ou enquanto ainda se lembram deles.
Porém, uma coisa nova nos apresenta uma nova idéia falsa, que pode nos levar a cometer um grande erro. De que falsa idéia estou falando? A de que notícia sobre o que aconteceu ontem não tem mais valor. Qual a coisa nova no-la apresenta? A globalização e a velocidade de circulação das notícias, provocada pelos avanços tecnológicos, principalmente pela Internet.
Quais os riscos corremos por pensar assim? O de não manter registros sobre nosso tempo para as futuras gerações, e com isso nos tornarmos uma espécie de nova Atlântida, ou seja, em alguns séculos, ou mesmo décadas, ninguém se lembrará de nós.
E sim, eu quero muito ser lembrado. Preferencialmente com orgulho, pelos meus descendentes. Para isso não adianta, apenas, viver de forma exemplar e realizar grandes feitos. É necessário registrar isso.
Afinal, porque lembramos de Ulisses, Páris ou Helena? Porque suas histórias foram mantidas presente na consciência coletiva daquele povo.
Se não fossem os escritos de João, Mateus Marcos e Lucas, quem poderia garantir que Aquele jovem Nazareno estivesse tão presente em nossas vidas?
E tudo isso aconteceu antes de sermos abençoados por Gutenberg. Agora que podemos contar com sua graça, não nos preocupar em manter os registros de nossa história me parece mais que um ato de leviandade, uma barbárie cometida contra nós mesmo, e, principalmente, contra os que virão depois de nós, que correm o risco de não saberem por que serão como serão. É só por isso que acho louvável o trabalho “homérico” da Agência Mineirense de Cultura, capitaneada pelo grande historiador descabelado, que se propõe a ser a “guardiã de nossas memórias”.
           Por isso eu os agradeço, meus amigos. Em minhas preces agora eu vos peço, “não me deixe, nunca, esquecer”.

Indo mas não de tudo... - maio de 2006 -

Amig@s,

Informo a todos que tenham algum assunto pra resolver com minha pessoa, que tomem as devidas providencias nos próximos dias, pois no dia 19, ou 20 (maio de 2006), estarei me mudando de cidade. Vou pra Goiânia, e devo ficar sem vir a Mineiros por uns dois meses...
Essa não é exatamente uma notícia agradável, nem desagradável, muito pelo contrário. He he he
Também não aconselho aos engraçadinhos a ficarem muito felizes, afinal estou me mudando, mas estarei sempre por aqui (exceto no período inicial supracitado).
De toda forma, e falando sério, espero que essa mudança me faça muito bem, e de quebra, que me torne uma pessoa cada vez melhor. E que todos os meus amigos continuem sendo felizes aqui, ou onde quer que estejam. Se tornando melhores a cada dia, também.
Aproveito pra deixar claro que, não importa onde (no espaço ou no tempo) eu estiver, meu lugar sempre terá lugar para @s amig@s.
E me lembro, também de duas frases que gosto muito:

            "A verdadeira afeição na longa ausência se prova"  Camões

            "Tu te tornas responsável por aquele que cativas"  Saint-Exupéry

E não percam a oportunidade de ouvirem a belíssima canção "A lista" do Oswaldo Montenegro........ou de lerem "Longe é um lugar que não existe" do Richard Bach. São lindos e vocês ainda podem se lembrar de mim, já que estou indicando aqui...ha há ha (isso me ocorreu enquanto engolia o nó formado em minha garganta e limpava a lágrima teimosa que insistiu em escorrer pelo canto do meu olho esquerdo) (todos esses anos, e eu ainda não aprendi a ser homem, desses que não choram. Melhor pra mim! prefiro continuar vivo).
Espero que erremos muito, mas que todos os nossos erros sejam cometidos na busca constante por acertar. E que estes sejam, sempre, sinônimos lições aprendidas.
Bem, é isso amig@s. Tenho certeza que vou sentir saudades, mas até isso será muito bom, pois provará o quanto gosto de tod@s. E se sentirem também, ficarei feliz em saber que o sentimento é recíproco. E sempre é possível nos encontrarmos por aí, à sombra de Flamboyant ou em um cyber-lugar, daqui ou de Connectcut. E, quando eu voltar, inda que contra minha vontade, ou sem prosperar, espero ser bem recebido. E que está seja sempre "minha" cidade, e vocês sempre "meus" amigos.
Abraços (já saudosos)
"Naza"