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14 de jul. de 2010

Sobre alguns possíveis diamantes

Antes de entrar, de fato no assunto que me traz aqui hoje, quero compartilhar com vocês que sou fã de Gonzaguinha. Ta, confesso que o descobri muito tarde. Na verdade eu já tinha passado de 25 anos, e ele já havia morrido. Mas a música dele está viva, e eu me tornei grande fã.
Outra coisa que gosto muito também, é de alguns comerciais veiculados na tv. Gosto tanto que às vezes fico mudando de canal, não procurando programas, mas procurando intervalos. Alguns comerciais, eu acho simplesmente geniais.
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Achei um dente de leite, que guardava desde a infância. Uma lembrança do tempo que fiquei com “porteirinha”. Faz tempo. Esse dente eu não deixei pra ser levado por nenhum ser elemental. Nem deixei minha mãe dar nenhuma outra destinação para ele. Guardei. E agora que encontrei estou querendo juntar com cabelos e unhas cortadas e, sei lá, outras partes do meu corpo que precisam, ou podem ser cortados, (talvez tire o apêndice). Queimar tudo e fazer um diamante. Vi o Pelé fazendo isso e achei ótimo.
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Estou com um problema. Fui passar uns dias na fazenda de uma tia, lá na “Macaúba”, e voltei com um berne (por certo é uma larva de uma mosca). Minha panturrilha está vermelha e com aquela coceirinha chata e boa. Só não sei se devo tirá-lo. Afinal se ela está em mim, é parte do meu corpo, não é?
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Ah, não contei né! Tenho uma amiga que está grávida. Já está de 8 meses e resolveu que não vai querer cesariana. Quer uma amputação natural. Inclusive já até marcou a data. Amputará o bebê no dia 14 do próximo mês.
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Por falar em comercial de tv, ontem vi um muito bonito, da campanha pela aprovação do projeto de lei que legaliza o aborto no Brasil. Nele uma mulher, bonita, fala de algumas conquistas resultantes da luta feminina/feminista. O comercial termina com ela afirmando que o corpo é da mulher, por isso é ela que deve decidir o que fazer com ele.
Achei muito bonito. Mas não entendi bem.
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Já que estou aqui falando de trivialidades, vou aproveitar pra registrar minha opinião sobre a possível legalização do aborto: Sou contrário. E eu não poderia concordar. E isso se deve à soma dos princípios culturais adquiridos em minha formação mais os valores religiosos, da crença que escolhi professar.
Mas não quero aqui ampliar a discussão sobre o aborto e todas as questões morais, legais, éticas, biológicas e teológicas que o envolvem. Quero focar apenas em uma das principais argumentações das mulheres, na defesa dessa idéia. A de que “O corpo é delas, então elas é que devem decidir sobre o que fazer com ele”. Não que eu discorde dessa afirmação. Pelo contrário, concordo plenamente. Tanto que se uma mulher, aliás, se qualquer pessoa, quiser cortar seus cabelos como achar melhor, mutilar partes do seu corpo, ou mesmo amputar algum membro, eu posso até achar estranho. Mas não vou me opor (desde que a decisão seja livre e espontânea), afinal o corpo é da pessoa. Minha dificuldade é por ainda não ter entendido o que as defensoras do aborto querem dizer ao usarem esse argumento. É que vejo duas possibilidades: Primeira, elas entendem que o feto é parte do corpo delas, e por isso podem decidir o que fazer com ele, inclusive podendo optar por extraí-lo. Se for esse o entendimento, então seria o mesmo que afirmar que o berne que está em minha perna é parte do meu corpo, e não um corpo estranho ao meu organismo, certo? Então acho que posso concordar com elas. Afinal posso mutilar meu próprio corpo a qualquer momento, conforme a minha vontade, não é mesmo? Ou seja, assim como posso tirar meu berne, tirar um bicho-de-pé ou cortar as unhas dos pés (coisa que quase nunca faço), uma mulher poderia amputar o feto a qualquer momento. Seja na primeira semana ou no nono mês de gestação, correto? Afinal minha unha continua sendo parte do meu corpo mesmo estando enorme (a ponto de furar minhas meias). Ou será que o fato de ter crescido, ou ter ficado mais tempo comigo, ela deixa de ser parte da mim?
A lembrança de que preciso cortar as unhas dos pés me remete a outra dúvida: Depois que corto meu cabelo, ele deixa de ser meu? Acredito que não. Não nos importamos muito com o que acontece com o cabelo no chão do salão, ou com as unhas no cesto do lixo. Mas podemos guardá-lo, como fiz com meu dente de leite, ou podemos também, vendê-lo, como algumas pessoas fazem com longos cabelos. Mas ele continuará sendo parte do seu corpo. Então, se eu deixar essa larva atingir idade adulta, aqui em minha perna, a mosca ainda continuará sendo parte do meu corpo? E, sendo assim, e como eu devo ter poderes para decidir sobre o que fazer com meu próprio corpo, então a qualquer momento eu poderei decidir por exterminar, ou fazer qualquer outra coisa, com essa mosca (poderia dar um bom diamante), que será um direito meu. É isso? (Fico arrepiado só em pensar...) (Isso me parece contraditório à proposta de alteração do ECA, que quer criminalizar a uso das palmadas disciplinadoras pelos pais. Mas isso é tema para outra conversa).
Mas ainda tem a segunda possibilidade que vejo. As mulheres que defendem esse argumento não entendem que o feto seja parte do corpo delas, mas sim, um corpo estranho. E, sendo elas quem sabe o que fazer com seus corpos, elas querem decidir se permitem, ou não, que esse corpo estranho continue crescendo dentro delas. Isso muda um pouco meu entendimento, e minha opinião. Mas, se for essa a defesa, novamente elas poderão decidir pela expulsão do invasor a qualquer momento da gestação (um invasor é sempre um invasor). Mas surge, ao menos em minhas divagações, um outro problema. Em se tratando de um outro corpo, é um corpo (mesmo em formação) humano, não é? E os seres humanos são protegidos por lei. Ou não? Muitos dirão que um feto ainda não é coberto pelas leis humanas, afinal ainda não é um indivíduo dotado de consciência, personalidade, e outras características de uma pessoa na vida pós-ventre. Mas, quando mesmo, uma pessoa passa a ser “pessoa”? Ao nascer? Ao ser registrado em cartório? Na primeira comunhão? Depois da primeira transa? Resposta difícil de ser encontrada, não é? Sobretudo uma que seja aceita por todos. E esse não é o objetivo agora.
Particularmente não concordo que o feto seja parte do corpo da mulher. Em minha opinião trata-se de outro corpo, que já traz a herança genética não só da mãe, mas do pai também. Então, ao amputar o feto, está se desprezando material genético de terceiros, e isso é honesto e justo com o “doador”?
De qualquer forma, sendo a mulher a única que deve decidir sobre o que fazer com seu corpo, acho que devemos, então, avançar um pouco mais na legislação e legalizar, por exemplo, a prostituição, pois uma vez que, em sendo feito sem exploração por outra pessoa, seria uma atitude de pura autonomia. Ou estou enganado?
Algumas mulheres dirão: “Quem esse Naza acha que é, pra dizer essas coisas? Ele só diz isso por que nunca ficou nem ficará grávido”. Pode ser. Mas saibam que, assim como Gonzaguinha, eu gostaria muito, de verdade, poder engravidar. Ter o poder de ser o acolhedor de uma nova vida que se faz. Sentir as dores da gravidez e a indescritível felicidade de saber que “aquela pessoa” (que tem meus genes, mas que não é só uma parte do meu corpo) cresceu em mim. Pena que não posso.
Concordo sim, que a mulher é dona do próprio corpo, e ela pode fazer um monte de coisas com ele. Para ficar mais bonita, para ficar mais magra e, inclusive, para evitar gravidez. Mas assim como é elas podem decidir tudo o que fazer com o próprio corpo, elas devem concordar que essa noção se estenda a todos os seres humanos. Ou seja, pelo meu corpo decido eu e pelo corpo do feto, decide ele (Nem adianta querer se adiantar com esse argumento aí, pois, se agora ele não pode decidir, em algum tempo ele será capaz. Sejamos pacientes).
Só pra registrar uma outra questão sobre assassinatos, que me ocupa nesse momento. Se alguém me matar hoje a noite, amanhã eu não poderei mais ir ao trabalho. Nunca mais aquela cerveja com os amigos, nem dançar com aquela linda garota que tem habitado meus pensamentos (uns inocentes e alguns impublicáveis). Isso seria assassinato, não seria? E se a dona Felisbina tivesse me expulsado do corpo dela, eu também não poderia. Na verdade não teria experimentado o sabor da boca boa, o cheiro do pequi, a textura da pele arrepiada daquela moça, nem teria descoberto o mundo da leitura e da escrita. Qual a diferença desse caso para a primeira hipótese?
Que Deus nos ilumine.

9 de jul. de 2010

Sobre uma causa e vários efeitos

O que faço no campo de golfe é só parte do exemplo que um atleta deve dar. Mas, o caráter e a decência são as características que realmente contam. Tiger Woods
Mais um caso choca toda população brasileira.
Mais uma figura pública ocupa as páginas policiais.
Não se trata de mais um “escândalo”, desses que as revistas de fofoca tanto gostam de estampar em suas capas. Mas sim, de uma história de violência que, ao que tudo aponta, com um grau de frieza e crueldade de deixar qualquer pessoa arrepiada.
É, o goleiro Bruno, que pertencia ao Clube de Regatas do Flamengo, dificilmente se safará da “enrascada” em que se meteu.
Ao que tudo aponta, ele e os demais envolvidos, serão julgados culpados, e condenados pelo que fizeram. E, por muito tempo ocuparão as manchetes dos jornais impressos, digitais e televisivos.
Os aproveitadores das “desgraças” alheias usarão o caso para aumentarem suas vendas e suas audiências por muito tempo. E, obviamente de quase tudo se falará. A frieza do goleiro; a crueldade de todos os executores; e, mais tarde, a forma de vida da garota vitimada, e, por que não, seu possível interesse em usar o filho para se beneficiar financeiramente.
Toda essa “desgraça” mencionada será assunto em programas comandados por apresentadores que sentem grande prazer em gritarem nos microfones, e se apresentarem como os maiores (senão os únicos) defensores da justiça e da lei. Também ocupará os programas de auditório que preenchem as tardes e as noites, onde apresentadoras despreparadas debatem todo e qualquer tema, com convidados em meio a preparação de algum prato ou desfile de lingerie.
No entanto, apesar de toda repercussão que o caso está tendo e sabemos que ainda terá, temo que um dos pontos, quem sabe um dos principais, não chegará a ser abordado com o enfoque devido, muito menos com a seriedade que merece.
Estou falando de mais uma grave enfermidade que acomete a sociedade em nossos tempos. Não se trata de algo novo. Mas, a disseminação nunca esteve tão ampla, e com crescimento tão acelerado.
Em todas as culturas humanas, independente da organização política, opção religiosa, constituição legal ou conjunto de normas culturais e de costumes, uma coisa é comum. A noção de que é o respeito e valorização da família que fornece às pessoas as noções básicas, que garantem à sociedade suas qualidades.
As relações sociais serão mais ou menos saudáveis e as pessoas serão mais ou menos responsáveis, honestas e agirão com mais ou menos noção de ética e justiça, na mesma proporção em que aprendeu, pelo exemplo e pela vivência pessoal, estas, encontradas somente no âmbito de sua família.
Vendo e vivendo com toda essa violência moral e social eu pergunto, o que estamos assistindo em nossos dias? Pois, ao contrário do desejado, o que existe é uma crescente desvalorização dos princípios básicos. Em que, a família não é mais uma célula que merece nosso respeito, e, não nos causa mais orgulho constatar que temos uma que seja bem estruturada.
E há ainda um sério agravante, que considero o foco principal dessa minha conversa aqui. Trata-se de uma das principais causas pela destruição da família, que é a banalização do adultério. Como já disse, sei que esse não é um fato recente. Sempre esteve presente. Mas, não podemos negar que tem tomado proporções de epidemia, e caráter de “coisa normal”.
O problema é que ainda estamos em uma sociedade cristã, com fortes traços conservadores e não admitimos a poligamia como aceitável em nosso meio. Minha geração não inventou isso, apenas fomos criados sob esse regime.
Além de monogâmica, nossa sociedade é capitalista e se torna mais consumista a cada dia. Assim, na mesma medida em que vamos desprezando os valores éticos, vamos valorizando cada vez mais os bens matérias e a frivolidade da enorme quantidade de coisas supérfluas que o dinheiro pode comprar. Ou seja, cada vez mais nos deslumbramos com a possibilidade de satisfazer as necessidades da moda, ou nos frustramos por não conseguir comprar o que os anúncios dizem que nos é fundamental.
Além de tudo isso, continuamos sendo uma sociedade altamente machista e intolerante.
É nesse “balaio de gato” que surgiu após os anos 60, com maior visibilidade a partir da década de 80, os superatletas, superstars e top models. Pessoas estas que, por se destacarem em suas atividades, sobretudo na música nas passarelas e nos esportes, (no Brasil um destaque especial para o futebol), passam a ganhar verdadeiras fortunas. O que provoca uma enorme mudança na vida, abrindo um enorme abismo entre a vida pobre (na maioria dos casos) que o atleta levava, e a rica que pode levar agora.
Em outras áreas também pessoas se destacam, se enriquecem e ganham notoriedade. Mas entre os jogadores de futebol e os cantores “sertanejos” as conquistas e mudanças são mais visíveis.
Um grande número de novos ricos para quem a fortuna veio muito “rápido”, sem que tivessem tempo de se prepararem para lidar com ela. E é inevitável o deslumbramento. Junte-se a isso a idéia que povoa o inconsciente coletivo, fortemente disseminado pelos veículos de massificação machista-consumistas, de que só justifica ter dinheiro se ele for usado para “pegar mulher”. Ou seja, temos pessoas que, como a maioria de nós, não cresceu em famílias sólidas e saudáveis, e que se tornaram milionários em 90 minutos, em uma sociedade que nos incentiva a comprar tudo que as vitrines exibem, e a sair com um parceiro diferente (de preferência no plural) a cada noite.
Esse é um lado da história. Do outro lado temos a vulgarização da figura feminina, criticada por todos, mas incentivada pelos mesmos, inclusive pelas próprias. Que não só coisificou o corpo da mulher, mas a tornou mero “objeto sensual”, para satisfazer a mentalidade machista dos homens, e das mulheres.
É verdade que algumas mulheres se “dão bem” ao se submeterem a esse regime. Mas a grande maioria apenas se transforma mesmo, em objeto nas mãos de machos que, em sendo inseguros com grande poder de compra e infelizes com grife, precisam “pagar” de grandes pegadores para se sentirem incluídos e respeitados. Para se sentirem homens.
Assim agem os solteiros, que caem na esbórnia de forma inconsequente e sem respeitar quem usa, já que é exatamente isso que faz, “usa”. E, como a família não tem mais nenhum valor para a maioria, assim também agem os que já tinham constituído uma família anteriormente, no tempo das vacas magras. Desrespeitando, também, pessoas que estiveram com ele em momentos difíceis, e que em alguns casos foram imprescindíveis para que alcançassem o sucesso. Em claro desrespeito da própria história. E o desrespeito é para com a própria família, e para a família das outras pessoas. Pois, muitos sequer procuram imaginar que consequências seus atos inescrupulosos provocará na vida de quem ama a pessoa eleita como objeto da vez, seja pais, filhos, cônjuges ou bons e fiéis amigos (algumas pessoas com caráter mais doente chegam a afirmar que “quem tem que se preocupar com os seus, é só a própria pessoa” e que ninguém mais pode ser responsabilizado pelos danos, como se sua filha adolescente for convencida, por um bandido qualquer, a assaltar um banco, a responsabilidade é só de sua filha, e que o bandido não tem culpa nenhuma em tudo que esse ato pode causar em sua família. Evidente que considero um grande erro, decorrente do estado de enfermidade que nos encontramos).
Para corroborar comigo, recorro ao que disse o golfista Tiger Woods: “O dinheiro e a fama faziam com que tudo, que fosse ruim, ficasse perto. Achava que não tinha limites. Feri quem amo”. (esclareço para os incautos, que porventura não tenham percebido, tanto essa citação quanto a que está no topo desse texto foram escolhidas por colaborar com o tema, mas há nos dois casos, uma altíssima dose de ironia).
E esse comportamento não é exclusividade dos nascidos com testículos. As mulheres, em sua busca por emancipação e igualdade, assimilaram também as características mais espúrias do comportamento machista. Afinal, se ela pode ter um carrão, um número cada vez maior de garotões estão se oferecendo nas baladas, e em todos os lugares.
E a Mulher, que sempre teve em suas mãos o controle das decisões no âmbito familiar, e nos rumos de toda sociedade, em sua busca por “igualdade” se perdeu um pouco. Por querer se tornar “poderosa” perdeu boa parte do poder que sempre foi dela, até por desígnios Divinos (Ah, esse adorável paradoxo do comportamento humano, que amo e odeio). Particularmente acho que as mudanças comportamentais provocadas pelo movimento de Leila Diniz e suas “companheiras” são responsáveis por grande parte dos problemas sociais que enfrentamos hoje. Não os ganhos que elas conseguiram, é claro. Mas, as grandes perdas que todos tivemos (isso é tema pra outra divagação).
É engraçado ver a reprodução desse universo em ambientes bem menos “glamourosos”. Hoje se um jovem joga um futebolzinho em algum clube de quinta divisão, ou canta, mesmo que só entre os amigos mais próximos e a família, logo terá algumas jovens garotas, e algumas não tão jovens assim, se oferecendo como o objeto que aprendeu a ser. (Sem citar o número enorme de anônimos que se esforçam para virar “celebridades” mesmo sem talento, para poderem ter o mesmo estilo de vida de seus ídolos).
Como o adultério não é novidade (opa, estou me repetindo), só que nunca esteve tão “na moda” como agora. Ou o leitor vai dizer que não concorda comigo, quando digo que os veículos de comunicação se esforçam muito para vender a idéia de que não há nada mais normal do que se ter um(a) amante? Quantas revistas que se ocupam apenas desse tema? E os programas noturnos de televisão, que entre uma banalidade e outra sempre enaltece a figura do adúltero. As novelas de todas emissoras então, não pregam outra coisa senão essa idéia, e mesmo quando tenta discutir coisas relevantes, não abandonam o incentivo à traição. E com isso vemos multiplicar as Betinas, Helenas e Gustavões em nosso meio (é o grande (de)serviço que a grande mídia se orgulha em nos prestar).
Quem não concorda com isso está errado, é atrasado, velho, careta ou conservador. E se alguém critica então, é acusado de ser contra a liberdade de expressão e favorável da censura. (Não sou partidário da censura, mas estou próximo a concordar que estou mesmo velho e careta. Melhor pra mim).
O problema não para por aí. Há ainda um outro agravante. O movimento pela banalização do desrespeito aos princípios que um dia existiram (mesmo que só teoricamente, como dirão alguns), criou um outro efeito estranho.
Como hoje o normal é não ter princípios, não respeitar valores, leis, costumes e, muito menos pessoas, quem procura viver fora desse padrão, é que se sente fora de contexto, errado, esquisito. E, pior ainda, o comportamento geral está definindo que é a vítima que deve sentir vergonha, e não quem comete o delito, seja ele qual for.
Não é estranho meus caros, ser o traído que se sente envergonhado, e não a pessoa sem princípios, autoestima, amor próprio e/ou vergonha na cara mesmo. Da mesma forma que é o extorquido que prefere se esconder para não ser motivo de chacota enquanto quem o extorquiu anda livremente, exibindo seu largo sorriso. Somos nós, eleitores que nos envergonhamos pelo que faz nossos representantes em Brasília, ou aqui mesmo, na Câmara de Vereadores.
Da mesma forma, boa parte das mulheres que são abusadas sexualmente não denuncia seus agressores, por vergonha. E também, o homem que é pego “de surpresa” por uma gravidez de uma amante, procura ocultar o fato, para não se comprometer (se é que ainda hoje alguém pode alegar ter sido pego de surpresa, e que alguma gravidez é inesperada).
Nós aprendemos também que a vergonha que nos é causada por alguma agressão (física ou moral), deve ser anulada por uma ação contrária. Ou seja, devemos ser machos (ou fêmeas) de verdade, e não levar desaforo pra casa, certo? Assim, se alguém comete um crime contra minha pessoa, eu devo praticar contra ela crime ainda maior, para que a vergonha dela seja maior que a minha, e assim eu “lavo minha honra”.
Assim, da combinação de todos esses fatores, resulta um crescente número de crimes ditos “passionais”. Além de cada vez mais mulheres sendo mutiladas em clínicas de aborto, pra esconder suas vergonhas.
Se Bruno é realmente culpado, ou inocente, ainda não temos o veredicto final. Mas o fato é que ele não precisava (na verdade não devia) estar passando por tudo isso. Não há justificativa para se tirar a vida de alguém. O erro começou quando Bruno, em sendo casado com Dayane, não respeitou a família da qual deveria ser “o chefe” e ser metade da referencia que orientará a formação de seus filhos.
Também a jovem Eliza certamente ainda estaria viva se tivesse optado por uma vida de mais autovalorização e respeito a si mesma e às outras pessoas. Além é claro, de respeito à família dela mesma e a dos outros.
Por sua vez, a traída Dayane, que era só mais uma vítima da falta de caráter de seu marido, não precisava ter se metido nesse imbróglio todo. Bastava ter tomado outro caminho. Ao contrário, preferiu se sentir envergonhada e foi “lavar sua honra”, ao que parece, participando da trama de horror de seu marido.
Tudo bem, vou “relativizar” um pouco agora. Esse comportamento é sim a regra, mas existem várias, e maravilhosas exceções. Também concordo que o aumento dos casos de crimes passionais não é a única consequência da falência da família. Há vários outros reflexos, alguns tão ou mais graves, mas não são objetos dessa conversa. Concordo também que, nem todos os crimes passionais têm a mesma raiz na origem. Porém, não estou tratando aqui dos casos patológicos, isso é coisa para psicólogo ou psicanalista (e eu deixo esse trabalho para o Dr. Marcelo Caixeta que, além de capacitado, escreve muito melhor que eu).
Apesar do foco nos atletas, reconheço que o comportamento apontado não fica restrito nesse grupo. Temos vários outros focos agudos dessa terrível doença. Como alguns jovens nascidos em famílias que só têm dinheiro, e por isso cresceram sem nenhum limite, achando que pode tudo, a qualquer tempo.
Também não estou afirmando que as mulheres são culpadas por todas as mazelas da humanidade. Nem seria louco a ponto de dizer isso. Afinal, não sou antropólogo, sociólogo, nem pedagogo historiador (...). E, principalmente por ser totalmente apaixonado pelas mulheres, suas formas, força, capacidade, sagaz perspicácia e todas as demais características que compõem o universo feminino. Nem tento definir posições masculinas ou femininas (isso deixo para meu amigo Nilton César, que tem mais leveza e acidez (outro paradoxo delicioso)). Tampouco quero usar o algum ponto de vista religioso (nesse caso prefiro as missivas do senhor Javier Godinho).
Isto posto, só me resta lembrar que somos seres dotados de livre-arbítrio, e somos totalmente responsáveis por todas as nossas escolhas. Por fim eu pergunto: Que mundo estamos construindo?
Alea jacta est

18 de jun. de 2010

Dá série "nossos possíveis gols"


Que a Copa do Mundo de Futebol é um dos maiores eventos do planeta, ninguém duvida. Mesmo aqueles que são menos tocados pela vibrante paixão provocada pelo “esporte das massas”, se rendem ao torneio mundial.
Com raríssimas exceções, todas as atenções se voltam para essa competição. Seja pela possibilidade de assistir a verdadeiros espetáculos, uma vez que (ao menos em teoria) os melhores jogadores do mundo estão lá. Seja motivado pela rivalidade existente entre noções vizinhas, como é o caso de Brasil e Argentina.
Independente do motivo, de quatro em quatro anos, o mundo experimenta uma mobilização que não é frequente.
E, e nesses momentos, devemos ser capazes de tirar o máximo proveito do ambiente gerado.
Não estou falando de proveito econômico/financeiro. Esse também, desde que seja de forma justa e honesta.
Estou falando de tirar proveito do ambiente energético metafísico que se cria, devido a canalização de toda energia que o mundo direciona para o local onde acontecem os jogos.
Não nos damos conta disso. Na verdade nem sequer falamos a respeito. Ficamos apenas envolvidos com o resultado de cada jogo, com o desempenho das equipes e com os belos lances, ou com os lances nem tão belos assim.
Apesar de tudo que já foi dito sobre física quântica. Sobre a força do pensamento, e tudo mais a respeito. E mesmo conhecendo o ensinamento bíblico “...Tudo é possível ao que crê...” (isso sem citar a enorme assistência espiritual que a Copa deve receber). Não aprendemos a valorizar e, muito menos, utilizar conscientemente, algumas boas oportunidades.
Em um mês a Copa termina, e ficará o legado material. Mas, e o legado espiritual, qual será?
Alguma coisa resultará, certamente. E pode ser bom, ou ruim, para a humanidade, dependendo da qualidade da energia do pensamento que emitimos nesse momento.
Quase todos sabemos que meu pensamento é que determina minha qualidade de vida. Ora, se o pensamento individual determina como é a vida do indivíduo, o pensamento coletivo determina como será a vida da coletividade. E no caso da Copa (e talvez só no caso da Copa do Mundo de Futebol), estamos falando de, praticamente, toda humanidade.
Sempre achei que deveríamos usar melhor tanta mobilização, tantos pensamentos, tanta euforia. Um bom direcionamento nesses dias, com pensamentos de paz, fraternidade e harmonia, poderia gerar resultados significativos. Com grandes benefícios para todos, em escala planetária.
Se, no entanto, os pensamentos forem de conflito, de raiva, de disputa real, totalmente sem fraternidade, os resultados também serão em escala planetária. Mas nesse caso serão repletos de malefícios para todos nós.
Meu amigo Nilton César me disse, durante o primeiro jogo do selecionado brasileiro, que a FIFA tem quase tanta influência quanto a ONU.
Na verdade Nilton César não faz idéia de como ele tem razão. Na verdade acho que nem a própria FIFA já se deu conta disso.
É tempo então de filtrar nossos pensamentos, e escolher que tipo de energia queremos envolvendo o planeta Terra e todos os seres que vivemos aqui.
Torço pelo Brasil, claro. Mas não espero que o “melhor” vença. Espero mesmo é que vença o BEM!




Dá Séries "Nossos possíveis gols"

Uma Lição Vinda da África

A Copa do Mundo da África do Sul está em sua segunda rodada.
Tenho escutado reclamações de torcedores quanto à qualidade do futebol apresentado pelas seleções participantes no certame. Que as partidas nada tem de espetáculo. Que a média de gols está muito baixa. E outras reclamações.
Eu concordo com algumas delas, sobretudo com as escolhas do técnico Dunga. Mas não me sinto prejudicado pela baixa qualidade apresentada.
Mas preciso confessar, sou brasileiro e homem. Cresci em alguma periferia e joguei muita pelada na infância. Mas não sou fanático por futebol. Na minha adolescência acompanhava o fantástico time do Flamengo, com Zico, Leandro, Adílio, Junior e companhia dar verdadeiros espetáculos. Por isso costumo dizer que sou flamenguista. E como cresci em Mineiros (aquele bom município localizado lá no extremo Sudoeste de Goiás, onde nascem os rios Araguaia, Correntes e Taquari, e onde está o Parque Nacional das Emas), gosto de ver o Mineiros Esporte Clube, a “Águia do Vale” disputando o goianão. Mas não acompanho campeonatos, nem me envolvo muito com os resultados.
Gosto sim, de ver um bom jogo, seja de quem for. E fico feliz quando o resultado me parece justo, independente se o vencedor for o Flamengo, Vasco, Corinthians, Goiás, Vila Nova ou meu “MECão”.
Em tempos de Copa isso não muda muito. Continuo gostando de ver bons jogos e torcendo para que o resultado seja favorável ao time que melhor jogar (e para mim, jogar bem, é sim, dar espetáculo, jogar bonito, fazer a platéia sentir prazer em ver o jogo, durante o jogo. E não fazer um jogo burocrático e feio, pensando apenas no resultado).
Mas a Copa, além das emoções trazidas pelo futebol em si, também sempre nos apresenta importantes aprendizagens, quase sempre de forma bonita e emocionante.
A Copa da África já me trouxe a primeira.
O título posto acima, apesar de bastante claro, pode não sê-lo completamente. Pois o objetivo não é apenas dizer que me refiro a uma lição que veio da África, enquanto sede do mundial. Mas que veio, de fato da África. Mais precisamente de um cidadão nigeriano.
O fato em questão aconteceu logo após o termino do jogo entre Argentina e Nigéria. No estádio estava presente o reporte do CQC, Felipe Andreoli. Quem, como eu, é espectador assíduo do CQC (confesso que sempre que posso escolho ver esse programa, e tenho considerado um dos melhores da TV aberta hoje em dia), sabe o teor das reportagens feitas por eles. São divertidas, apesar da seriedade inerente em alguns temas, como as matérias feitas em Brasília, o quadro “Proteste já”. No referido jogo o reporte brincou com ambas as torcidas (sempre sacaneando mais com os argentinos, é claro). E no final, com a derrota da seleção Nigeriana, Felipe entrevistando, em tom de brincadeira, um nigeriano que estava na arquibancada do estádio, disse:
“Não fica triste não”.
A primeira lição que essa Copa me trouxe veio em forma de resposta. Da resposta desse nigeriano, desconhecido para mim e, certamente para a maioria das pessoas. Ele disse ao Felipe Andreoli
“Eu não estou triste. É só um jogo. É assim mesmo...”.
Ele disse isso sorrindo aquele sorriso verdadeiro e lindo, presente nas pessoas que estão felizes.
Ele certamente torceu para que o time de seu país ganhasse aquela partida, assim como torcerá em todos os jogos futuros. Mas ele, ao menos aquele cidadão, sabe exatamente qual função deve ter os grandes espetáculos (os eventos esportivos devem ser encarados assim). Devem servir para nos divertir. Para nos dar alguns momentos de lazer em meio a nossa vida tão corrida.
Não conheço aquele homem. Não sei como ele encara os demais aspectos da vida. E sei que o continente africano já sofreu, e ainda sofre, com uma pobreza explícita, guerra civil e conflitos étnicos.
Mas aquele homem certamente não será visto entre “pseudotorcedores”, envolvidos em violência nos estádios. Como fazem os holigans e alguns membros de torcidas organizadas brasileiras, e goianas. Que são, na verdade, organizações de marginais que se esforçam para criar mais problemas, em uma sociedade já tão castigada por tantas doenças sociais.
Felipe Andreoli nem se tocou com a resposta do nigeriano. Ninguém do CQC citou a grandeza daquela colocação. É possível que quase ninguém tenha ouvido aquela resposta com o mesmo ouvido que eu. Por isso acho preciso chamar a atenção de todos, para os esse exemplo de espírito desportivo.
É bom curtir com os argentinos, mas só é bom se for divertido para os dois, e se soubermos aceitar, com o mesmo humor, quando forem eles, tirando sarro com nossas caras. Caso contrário é puro preconceito, ou bulling. E isso, não devemos mais aceitar entre nós.
Quem não quer perder, que vá jogar “paciência” ou “campo minado” no computador, ou futebol no videogame. Ou que simplesmente evite o convívio social.  

23 de out. de 2009

Uma reflexão sobre causas e consequências

Definitivamente precisamos encontrar uma solução. E sei que a solução não vira com uma única medida, ou com uma ação isolada. Estou consciente que serão necessárias várias ações, em um conjunto de medidas bem planejadas e bem coordenadas.
Outra coisa que acredito saber, é que uma solução definitiva passa, não exclusivamente, mas principalmente, pela vontade de população. Somente com uma decisão social é que se pode promover mudanças e transformações sociais. Mas, apesar de acreditar nisso, sei também que, para que as vontades coletivas sejam implementadas, é necessário uma boa liderança. Precisamos então de um líder que seja envolvido com a causa, que seja honesto, corajoso, justo. Que saiba ouvir (quase auscultar) o que diz a comunidade e, principalmente, que tenha princípios que comunguem com as mudanças que se deseja.
Não sei quando encontraremos esse líder. Nem quando transformaremos em ações, a vontade que tanto verbalizamos. O fato é que a situação está muito próximo da insustentabilidade.
E, mesmo não sendo sociólogo, pedagogo, antropólogo, padre, pastor, bispo ou jornalista (espera, jornalista eu sou sim, ganhei no “tapetão” do STF), não consigo ficar totalmente indiferente (ao menos mentalmente). E me permito imaginar minhas humildes contribuições para o grave problema.
Minha última ruminação não quer sair da “ideia” e, para tentar me livrar dela, vou expor aqui. (como diria meu amigo Demervas, “vou falar so pra desocupar a mente”).
Não trago nada de novo. Mas acho que precisamos pensar mesmo sobre as “externalidades” da manutenção de alguns “princípios”.
Bem, imaginem a cena: O viciado chega na farmácia da esquina e, sem rodeios, faz seu pedido. O balconista vai até uma área da farmácia, volta com o produto e entrega ao jovem homem do outro lado do balcão. Na pequena caixa umas figuras e algumas frases lembram, de forma muito chocante, os males que provoca. O jovem pede algumas seringas descartáveis, paga no caixa, e vai para casa com sua dose de cocaína.
Nos veículos de comunicação inúmeras campanhas esclarecendo todas as consequências de se usar tais produtos. De forma aberta, clara. Diria até escancarada. E não como as que (não)se vê hoje.
Nos laboratórios legalizados, produção controlada, com padrão de qualidade definido e fiscalizado pelos órgãos de saúde. Sem adição de substancias que tornem ainda mais letal o que já o é.
Em meu delírio todas as drogas estão envolvidas. Da maconha ao crack.
Venda feita de forma legal, sem armas, sem se esconder, sem o risco de ingerir um monte de outras porcarias que se coloca para fazer volume.
E, sobretudo, sem guerra por controle de bocas, sem fogueteiro, aviãozinho, sem helicópteros sendo derrubado nem jovens armados, por toda parte. Sem policiais ou “paisanos” (inocentes ou bandidos) morrendo por nada.
Com boa campanha, em todas as mídias, acredito que em duas ou três gerações já teríamos reduzido a um percentual, diria, aceitável, o número de usuários.
Sei que isso não resolveria totalmente o problema da violência urbana. Ainda teríamos a enorme desigualdade social, o grande número de pessoas na miséria, a ausência do Estado em várias áreas, a falta de prioridade dedicada à educação e essa corrupção tão presente, que dá até pra sentir fisicamente, nos tocando. Enfim, as causas da violência são várias, e nenhuma se resolve com uma única medida.
E não gosto da idéia de meus sobrinhos, ou minha enteada, irem à farmácia mais próxima e comprar uma “pedra” ou um “pico”. Mas também sei, por experiência própria, inclusive, que a sensação de proibido é um dos maiores, se não o maior, atrativo para os jovens.
E todo mundo sabe que o fato das “bocas” ficarem em locais distantes, perigosos de difícil acesso, não impede que cada vez mais jovens corra riscos para alimentar seus vícios.
Sei que a grande maioria não concorda comigo. Que alguns podem até me censurar, ou ainda, tentar me incriminar. Eu entendo. Até porque, mesmo eu que, estou aqui escrevendo isso, tenho certa resistência.
Mas não estou fazendo apologia ao uso de drogas. Nem estou falando exatamente do uso. Mas o fato de eu falar ou não, em nada interfere no lucrativo mercado ilegal de drogas, que fomenta o mercado ilegal de armas, de carros roubados, de assassinatos. O estado de horror que é presente hoje em várias cidades do país. E acho que se podemos eliminar a indústria do crime, relacionada com algum distúrbio social, devemos considerar sim, fazer isso. O distúrbio (no caso o vício das pessoas) resolvemos depois.

29 de set. de 2009

Sobre limitações e nossas grandes saídas

Uma volta por Goiânia e vejo reforçar a idéia que tenho de que somos altamente irracionais.
Sei que isso vai parecer, inicialmente, contraditório ao que eu mesmo escrevi dias atrás. Mas olhe bem e vai perceber que não é.
Falei da enorme capacidade em alterar o mundo ao nosso redor. Capacidade que convive com enorme incapacidade em mudar nosso mundo interior.
O tema de agora é essa nossa incapacidade de romper com o que está estabelecido. Temos enorme resistência em aceitar o novo. Mas aceitamos, quando ele se nos apresenta. O grande problema é que quase não o vemos, afinal temos um “campo de visão” muitíssimo limitado.
Tomemos alguns exemplos próximos.
Atravessamos uma enorme crise financeira. O mundo todo sofreu com ela, e ainda sofre. Felizmente os governos, indústrias, bancos e comércio noticiam que ela, a crise, já é coisa do passado.
Mas, e daí? De que nos serviu essa crise? A mim assustou o fato de que toda alternativa que vi sendo apresentadas para minimizar seus efeitos, ou mesmo como possíveis saídas definitivas, se limitava a tentar corrigir as falhas do sistema em vigor.
Não ouvi, li ou vi alguma manifestação que apontasse para algo realmente novo. Uma proposta que rompesse com esse capitalismo que domina todas as nações e que, mesmo quando tudo vai muito bem, é desumano, afinal promove o alargamento das diferenças entre ricos e pobres (sejam pessoas, países, companhias, famílias, escolas, bairros, blocos carnavalescos ou times de futebol).
Mesmo entre pessoas e organizações que se reúnem com o objetivo de questionar esse modelo, as saídas apontadas para a crise, não conseguiam romper esse horizonte em que vivemos.
Chego a imaginar que não deve existir nada, além da barreira que somos programados para aceitar como limite intransponível.
Estou relutante em acreditar que nossa criatividade e ousadia já tenham se esgotado. Não, eu também não tenho uma sugestão que aponte para alguma luz além do ocaso desse sistema que não se questiona. Mas ao menos estou me permitindo ficar incomodado com toda essa aceitação, tão passiva, de que essa realidade não se pode mudar. E espero que em algum lugar alguém esteja elaborando alguma coisa que se pareça com um “mapa para a terra prometida”. E não estou falando de nada semelhante às ditaduras proletárias que fez de conta que pretendia mudar o mundo, mas que não apresentaram nada que fosse verdadeiramente novo.
E mesmo já tendo dito que não tenho sugestões, fico imaginando que poderíamos ter aproveitado essa crise para fortalecer idéias como a o bom e velho “cooperativismo”, ou coisas mais novas, e até mais simples, como o que se convencionou chamar de “economia solidária” (e, reforço que para ser solidária, essa economia deve privilegiar a solidariedade em todos os estágios, ou seja, “extração solidária”, “produção solidária”, “distribuição solidária” e “consumo solidário”). Sem nos esquecer de sermos solidários com todas as formas de vida que habitam esse planeta, que é nossa única casa. Mas isso não aconteceu.
Ao contrário, as indústrias, governos e todo mundo cujos palpites têm força de formador de opinião, trataram de incentivar o consumo. Era a melhor saída: reaquecer a economia. E mesmo agora, que a crise já era, o negócio é continuar comprando para que a economia volte a crescer.
E um problema foi resolvido com o agravamento de vários outros. E é isso que me remete ao que me motivou a falar sobre isso. Aquela minha volta por Goiânia.
Ao menos no Brasil um dos mercados mais incentivado é o de automóveis. E aqui, em Goiânia tenho a sensação que é o ponto mais fervilhante desse incentivo. Em toda canto da cidade tem uma revenda com promoções sensacionais. “Juros baixos”, “parcelamento a longuíssimo prazo”, “entrada super facilitada”. Enfim so não compra carro que não quer. É isso que dizem alguns anúncios. O que colabora para derrubar ainda mais a autoestima de grande parcela da população, que até quer, mas não pode, apesar de todas “facilidades”. E, essas facilidades todas podem, quem sabe (e eu ando acreditando nisso), estar criando uma “bolha” semelhante àquela que desencadeou a dita crise. Mas isso não é coisa que eu possa me meter em analisar. Afinal não sou economista, assistente social, analista de mercado nem empolgado estudante de algum curso MBA com receitas de como salvar o mundo.
O que me permito é sentir a dificuldade que já é circular pela cidade. A quantidade de carros é tão grande, que as ruas e avenidas já não comportam. Poderíamos ignorar o fato de isso representar sérias agressões ao meio ambiente. Não é o caso, mas apenas agora não quero levar em conta o acumulo de gazes na atmosfera devido à queima de todo combustível necessário para movimentar essa frota toda. Nem dos impactos causados para produzir esses combustíveis (seja derivado do petróleo, ou derivado de vegetais oleaginosos), ainda que todos fossem elétricos, seria necessário produzir energia elétrica, e não conheço formas de geração de eletricidade que seja totalmente “limpa”.
Mas não vamos falar sobre isso. O foco aqui é apenas a “questão” espacial. Às vezes, quando ouço alguns especialistas falarem que precisamos fazer a economia, e os países, voltarem a crescer, tenho a impressão que eles acreditam que os países realmente crescerão. Falo dos territórios, dos continentes, o planeta enfim. Será que acreditam que o planeta crescerá? Pois é so acreditando nisso que se pode imaginar que ao produzir cada vez mais carros sempre teremos onde construir mais ruas, avenidas e autoestradas. E sempre teremos, também, onde construir locais para depositar as sucatas geradas pelos descartes cada vez mais cedo. Afinal precisamos consumir, para aquecer a economia. (parênteses para dizer que foram os carros de Goiânia que provocaram essa divagação, por isso toda citação a eles. Mas isso vale para todas as novidades tecnológicas, tão impensadamente necessárias a todos nós, em nossos dias).
Acabei de me lembrar de um fato que foi motivo de muito riso. Tempos atrás, morando em Mineiros e participando de um desses grupos de jovens da igreja católica, no caso a JUBES – Jovens Unidos Buscando o Espírito Santo (acho que é isso mesmo). Estávamos programando um retiro para o período de carnaval. A coordenadora do evento já tinha quase tudo pronto, mas algumas pessoas desistiram de participar. Acontece que a coordenadora já tinha elaborado a lista de mantimentos que seria necessário para o número “X” de pessoas, pelo período em questão. Na desistência de alguns, ela se viu com um grande problema nas mãos, e compartilhou com o grupo, para que pudéssemos ajudar a encontrar uma saída. Ela precisava encontrar mais pessoas para irem ao retiro, para que as contribuições fossem suficientes para comprar a lista previamente elaborada. Levou certo tempo, e muitas caçoadas até ele se dar conta que seria mais simples refazer a lista de mantimentos, para adequar ao número de pessoas confirmadas.
No que diz respeito à necessidade de aquecer a economia, vejo que todos nós, sobretudo os “tomadores de decisão” estão com a mesma crise que minha amiga Ione. Em breve vamos precisar providenciar outro planeta onde poderemos construir estradas, avenidas e estacionamentos para suportar todos os carros que precisamos comprar, para que “todos os países voltem a crescer”.
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Olhando agora, esse texto me soa muito hipócrita. E é duro assumir que essa hipocrisia é verdadeira. Afinal os caras do marketing são muito bons, e eu tenho sim, essa vontade incontrolável de ter meu próprio carro. Mas estou me esforçando para que minha rotina diária tenha, normalmente, muito mais caminhadas, pedaladas e utilização de transporte coletivo de massa (claro, as coisas precisam melhorar muito nesse campo)...

21 de set. de 2009

Sobre lições não aprendidas e qualidades esquecidas

Tenho pensado muito em como nós, seres humanos, somos inteligentes, criativos, inventivos e, surpreendentemente capazes de transformar o mundo ao nosso redor. Tenho pensado, também, em todos os avanços, mudanças e adaptações que temos promovido desde que passamos a andar apoiados apenas nos membros traseiros (que, por isso, foram promovidos a membros inferiores), e que percebemos a vantagem que temos sobre os demais primatas por termos polegares opositores.
É, foram sim muitas mudanças. E acho isso fascinante.
No entanto, se por um lado temos enorme capacidade de transformar o mundo ao nosso redor, ou seja, fora de nós. Por outro, temos enorme dificuldade de promover mudanças, por menores que sejam, dentro de nós.
Conseguimos construir edifícios que, cada vez mais, tocam o “bucho do Céu”, mas continua sendo muito difícil reconhecer a grandeza de alguns sentimentos que temos, e assumir que temos (dizer “Eu te amo” então, nossa. Missão quase impossível).
Já fomos à lua. Temos naves, sondas e telescópios vagando nos confins do universo (ao menos no “confim” que somos capazes de conceber), mas perdão continua sendo uma palavra sem nenhum sentido para a maioria de nós, tanto para pedir quanto para oferecer.
Há muito tempo deixamos de ser quadrúpedes, e nessa nossa caminhada bípede, algumas características foram sendo desenvolvidas em nós, como egoísmo, ganância, intolerância e essa necessidade desenfreada de consumir muito além do que necessitamos.
Nada me parece mais paradoxal do que saber de toda riqueza que produzimos e o enorme percentual de pessoas que vivem (o termo viver me parece tão deslocado da realidade) em situação de miséria tão profunda que nunca poderão desfrutar das benesses advindas da destruição desse mundo, que também é deles.
Vivemos em constante conflito, como se cada outra pessoa, outra família, outro clã, outra tribo, outra nação, fossem nossos adversários, quando na verdade somos irmãos, e devemos viver de forma cooperativa e solidária.
Os motivos para tanta desigualdade e tantos conflitos, exploração, tentativa de extermínio, genocídio, holocausto e toda sorte de ação humana vergonhosa, sempre foi motivo de estudos e observações de filósofos, antropólogos, boêmios em mesa de bar, teólogos e das religiões. Não pretendo aqui contestar contrapor, corroborar nem ficar repetindo nenhuma visão anterior (ou futura). Quero sim, expressar o que hoje é minha impressão mais forte (baseada apenas em minhas observações não-científicas).
Se o que nos diferencia dos demais primatas (e de todos os outros “bichos” do reino animal) é a nossa magnífica inteligência, então é ela que nos atribui que chamamos de “humanidade”. Mas em minha analise ‘histórica’ concluo que, à medida que exercitamos, e desenvolvemos nossa inteligência, fomos perdendo algumas características necessárias à configuração dessa ‘humanização’.
Ouço muitos dizerem que isso trata-se de instinto de sobrevivência.
Concordo que seja! No entanto vejo aqui uma grande deficiência trazida pelo afastamento de nossa origem selvagem. Os avanços nos transformaram em seres individualistas, com a falsa noção de que cada indivíduo seja bastante a si mesmo. Esquecemos uma regra básica, seguida por todas as demais espécies: que a sobrevivência deve ser uma estratégia da espécie e não de indivíduos (ou de pequenos grupos). E que devemos nos enxergar como parte integrante da humanidade. Sem a opção do isolamento. Além disso, precisamos entender que toda ação feita contra indivíduos atinge a todos, pois somos um grande e único corpo. So assim poderemos dar certo enquanto raça.
E, como já manifestei em outro momento, já passou da hora de exercitar nossa empatia e solidariedade com nossos “outros” irmãos, e passarmos a olhar o mundo com os olhos das outras espécies com quem dividimos nossa única casa. Mas isso é assunto para outra conversa.

31 de jan. de 2009

Sobre o que há em comum entre o belo requebrar das baianas e as grandesbarragens...

Car@s,
Ocorreu-me de falar de algumas coisas que se parecem com brincadeira. Então me desculpem, mas preciso da colaboração de vocês. Por favor, experimentem fazer as experiências, ainda que apenas mentalmente. Combinado?!
Primeiro quero lembrar o talento das adoráveis baianas que equilibram, na cabeça, seus tabuleiros de acarajé. Elas descem, e sobem, as ladeiras do Pelourinho, indo da cidade baixa para a cidade alta, sem precisar auxiliar o equilíbrio com as mãos. Vocês já viram essa cena de perto. Acho lindo (além de que acarajé, com vatapá, é uma delícia não é mesmo?).
Elas sabem todos os movimentos que precisam fazer com seus corpos, para que o pesado tabuleiro não incline, e caia. Mas experimentem mudar vários componentes de lugar sem tirar o tabuleiro da cabeça de nossa querida baiana. Por exemplo, empilhe os acarajés todos em uma das metades do tabuleiro. A baiana pode se “entortar” para tentar manter o equilíbrio, mas em determinado momento, ela terá que mover o tabuleiro, buscando um novo “ponto de equilíbrio”, não vai?
Na segunda brincadeira, quero que vocês se lembrem (e imaginem) o que acontece quando se colocar vários objetos (imaginem o que quiserem. Pedras, pedaços de madeira, plástico, ar, areia, água, enfim, o que quiserem) dentro de um recipiente tapado, e fazer vários movimentos uniformes, por longo tempo. Por exemplo, se colocamos tudo o que vocês imaginaram em um recipiente que se assemelhe de uma esfera, e fazer esse recipiente girar, com certa força e por muito tempo, em torno de um eixo que o atravesse bem no meio. Os elementos contidos aí irão, ao poucos de acomodando de forma a equilibrar a distribuição do volume e do peso, não é verdade? E se acrescentarmos mais dois ou três movimentos de duração e energia similar ao primeiro, mas diferentes em seus trajetos e pontos de equilíbrio. A acomodação dos elementos internos se fortalecerá, não acham?
Terceira e última brincadeira. Apenas respondam o que acontece se exercermos certa pressão em um corpo poroso que esteja encharcado de água? (se pressionamos uma esponja cheia de água, o que acontece?). A água será expulsa, não será?
Então, fizeram essas experiências, mesmo que mentalmente? Concordam com as resposta que eu mesmo apontei aqui?
Mas, “por que esse cara está falando dessas coisas obvias agora?”, você pode estar se perguntando, certo? A resposta é simples. É que tenho pensado muito sobre esses princípios básicos da física e, tenho achado que talvez não sejam tão óbvios assim.
Ta bom! Vou explicar melhor.
Pelo que dizem os pesquisadores, a Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos, certo? E, mesmo não sendo físico, geólogo, geógrafo ou coisa do gênero, e apenas conhecendo um pouco sobre forças e energias geradas pelos movimentos, eu sou levado a acreditar (de forma muito empírica, é verdade) que a Terra é como é, e está onde está, devido à ação das forças geradas pelos movimentos de rotação, translação, Precessão e Nutação, além de todas as outras pressões oferecidas pelas forças gravitacionais do Sol, da Lua, da supernova mais distante, do buraco negro mais próximo, do movimento de dilatação do universo e várias outras forças que sequer somos capazes de supor que existam no universo. Todas essas forças exercidas sobre conjuntos de coisas existentes dentro do recipiente que é a atmosfera da Terra, com tanta energia, e por tanto tempo, distribuiu as coisas de forma que cada elemento se ajeitou no melhor lugar para que o formato e a distribuição do peso do planeta fosse, da melhor forma, “ajustado”. Concordam? É minha opinião e, para que ninguém diga que estou me metendo a afirmar coisa sobre as quais não conheço, quero repetir. Não sou físico, geólogo, geógrafo, profeta, visionário, astrônomo, arcebispo irlandês ou George Lucas. Sou apenas um cara observador. E que vive aqui, nesse planeta.
Mas se minhas observações, livre de qualquer base científica, estiverem corretas, cada oceano, montanha, continente, planície, depressão e tudo mais que define o formato do planeta, do núcleo à superfície, foi sendo colocado onde está ao longo de todos esses anos, conforme a melhor adequação, para que o planeta tivesse seu volume e peso distribuído de forma a possibilitar o equilíbrio necessário para que ele se mantenha “de pé”, assim como o tabuleiro de acarajé sobre a cabeça das baianas. Certo?
E, assim como no tabuleiro de quitutes daquelas simpáticas senhoras vestidas em grandes vestidos brancos, creio que se alterarmos, deliberadamente a disposição dos elementos, não pode o planeta se inclinar e, de alguma forma, cair? Ou se deformar, e deslocar-se do curso de seus movimentos. Buscando, assim como as baianas que se “entortam toda” reencontrar o novo ponto de equilíbrio, ou o novo eixo?
Vamos deixar isso de lado, e passarmos à terceira brincadeira. Vou acrescentar uma outra experiência fácil de se fazer. Quanta força é necessário para que vocês consigam quebrar uma desses pedaços de pedra pome, que se vende em casas de cosméticos? Apesar de muito porosa, ainda é bastante dura, não é? Mas quando está encharcada fica se quebra bem mais fácil. Eu mesmo já fiz isso.
Ta bom, eu imagino que o basalto que acomoda o aqüífero Guarani seja bem mais denso que uma pedra pome. Mesmo assim, tenho pensado em que peso ele é capaz de suportar, sem que se quebre, e “derrame” toda água que está armazenada. Pode parecer um pensamento bobo demais. E talvez seja mesmo, mas tenho ficado cada vez mais preocupado com alguns pesos que estamos concentrando onde não estavam antes, devido ao processo de acomodação de bilhões de anos.
E essa preocupação reaparece em mim, com mais força, sempre que ouço falar sobre a construção de uma nova grande barragem para implantação de uma nova usina hidrelétrica (as famosas UHE, tão necessárias para a manutenção do modo de vida que construímos).
O motivo da vez é a notícia de abertura de processo para elaboração de estudos de uma UHE no rio Araguaia, próximo de Torixoréu-MT e Baliza-GO. Prevista para ter uma calha de 01 km de largura por aproximadamente 120km de comprimento e, (se não estou enganado) com profundidade média de cerca de 40 metros, se construída, essa barragem cortará aproximadamente seis municípios.
Mas não quero falar sobre ser contra ou a favor da construção de UHEs. Nem sobre todas as possibilidades de geração de energia que existem. Nem mesmo sobre o “encaixotamento” do MEU Rio Araguaia. Tampouco sobre o sacrifício de hábitos, costumes e tradições das comunidades humanas que serão forçados a se deslocarem, ou da supressão de espécies de vida animal e vegetal que terão seus ambientes inundados (pelas características do projeto, esses impactos podem até ser menores que na maioria dos empreendimentos do gênero). Sobre tudo isso, e ainda sobre o fim das subidas dos grandes cardumes, que tornam o Araguaia um grande fornecedor de peixes, espero poder falar nas audiências públicas. E espero que as populações de Barra do Garças, Aruanã dos demais municípios que, além dos benefícios ambientais que o Araguaia oferece, lucram também financeiramente, se posicionem com firmeza. Aqui, nesse meu “devaneio” pretendo me ater apenas nas brincadeiras propostas no início.
Então voltemos a elas. Agora com um pouco de matemática. Se 1 litro de água, pesa 1 kg, e se em um metro cúbico cabem mil litros do precioso líquido, então em 1m3 cabem exatamente uma tonelada. Correto?! E se a calha é prevista para medir 1000m x 120.000m x40m, então terá um volume de 4.800.000.000m3 (como mesmo que se lê isso?), acumulando um peso de 4.800.000.000 toneladas onde antes não havia esse peso todo. So por isso eu já me permito ficar assustado. Mas meu medo cresce muito, quando me lembro de todas as barragens construídas nas bacias dos rios Paranaíba (so em Goiás os rio Verde, Claro e Correntes quase nem corre mais, devido à quantidade barragens construídas ou planejadas). Ainda tem as do São Francisco, do Tocantins e as do Complexo Madeira. Meu Deus...
E o que é pior, ao menos pra mim, é que não vejo esse tema ser discutido nos estudos. Não ouço falarem sobre as conseqüências da pressão do enorme peso para o interior do planeta, e não apenas na superfície. Será que estou paranóico? Essa minha preocupação não tem nenhuma razão de ser? Gostaria de ouvir alguma opinião bem fundamentada, para me tranqüilizar, ou quem sabe me desesperar de vez.
Sei que a supressão da cobertura vegetal é crítica. Que o aquecimento global, decorrente da queima de combustíveis fósseis é grave e que a produção cada vez maior de lixo, seja reconhecidamente inútil ou alguma inutilidade chique e desnecessária, também deve ser controlada. Mas não sei se são apenas essas as causas de catástrofes naturais como os últimos tsunamis, grandes terremotos e tempestades com ventos cada vez mais fortes. Tenho pensado que isso pode ser, também, a nossa baiana se requebrando pra manter o equilíbrio desse nosso tabuleiro.
Estou totalmente errado, ou faz algum sentido?
           Sirvam-se de acarajé, mas coma somente o que for necessário.