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31 de jul. de 2009

Da série "cartas à amigalidi" - Sobre angustias, fundamentos, condições ou efeitos...

Lidi, Eguimar e demais

Sou fundamentalista! E o fundamento que “Centro-Oesteia” minha vida é este: Ser Feliz.

Todos os demais advem daí. Ou são condição, ou efeito.

Ter grana suficiente para minha cerveja de sexta, é condição;

Ouvir minhas músicas favoritas, é condição;

As longas conversas com os amigos é condição, mas também é efeito;

Trocar mensagens com a “amigalidi” é também assim. Causa e consequência;

Acreditar que tenho total controle sobre meus atos e minha vida, é necessidade vital; e

Ser Livre, acredito ser condição e efeito. Mas às vezes tenho dúvida se não seria a própria felicidade.

Sempre pretendi ser livre (lembro que meu fundamento é Ser Feliz), acredito que faço, eu mesmo, minhas escolhas. E sei que as consequências de nossas escolhas quase sempre fogem ao nosso controle. "Se navegar é preciso, viver é de uma incerteza assustadoramente linda".

Mas, sou machista, egoísta, ganancioso e em parte, intolerante. Afinal fui criado nesse mundo que nos ensina a ser assim. E quem não compartilhar esses defeitos (e todos os demais que não citei) pode atirar o primeiro fragmento de rocha moral.

É verdade que assumo meus defeitos, e minha vida quase se resume na constante batalha que travo, buscando uma evolução que aperfeiçoa, baseada na religião que escolhi.

Mas, nesse campo, há mesmo escolhas? E, se o homem criou as religiões e, é nelas que figura Deus, então pode Deus ser uma criação humana. E se nos ensinam que foi Deus quem criou tudo que há, retorno à questão presente desde sempre: Foi o ovo ou a galinha?

E ainda tem tudo que cerca nossas escolhas. Que nos manipulam, mesmo nos fazendo acreditar livres. Se sou o resultado de uma vida inteira recebendo informações que vieram de fora (de mim), e se alguns fatos me fizeram concordar, discordar, defender ou renegar essas informações (verdades (?)). Como posso dizer que minha opinião/posição realmente é minha? Que é realmente livre?

Não! Não vou perder minha fé. Mesmo ela sendo motivo de críticas daquele meu amigo católico. Afinal, “...como pode um comunista ser tão declaradamente cristão. E ainda por cima, espírita?...”.

Há as dúvidas e angustias presentes em todos (e nesse momento, muito fortemente em mim). Mas não foram os conflitos que sempre motivaram os avanços?

Sigo com os meus. Sentindo as dores e prazeres que essa jornada nos pode proporcionar.

Mas já descobri que o prazer deve estar no fazer, no ir, nos atos que se realiza. E não nos resultados alcançados. Se forem bons, como planejado, ótimo. Mas, conta mesmo se houve prazer ao serem realizados. É o velho ditado: “... a viagem, ... não o destino...”.

Por isso sigo tentando aproveitar cada momento. Cada tarefa, cada passo, cada orgasmo, cada linha escrita (ou lida)...

E mantenho-me fundamentalista: Ser (e esse é o verbo, não o estar) feliz é nossa principal função aqui. Tudo o mais resultará daí.

Abraços

"Naza"

Angustiado, mas Feliz.

29 de jul. de 2009

Sobre leitos e margens...

Ah! E existem as margens...

Margens que cercam o rio. Que prendem as águas e soltam a imaginação sobre o que habita ali.

Margens que assustam, às vezes.

Que limitam políticas. Que segura os homens, mas que não impedem o tempo (esse segue no leito, como as águas).

Margens que podem ser praias, trampolim, pousada. Barranco para emboscada ou palco para orquestra de aves.

Margem é segurança, fertilidade. Possibilidades...

E, no leito, o rio corre. E vai...

Podemos mergulhar, nadar, navegar. Mas não escolhemos viver no leito. Somo seres da margem. Sempre voltamos pra ela.

E, no leito, o rio corre. E leva...

Nossas angustias, nossa história, nossos erros isso fica. Tudo que é nosso fica com a gente.

No leito, o rio leva o que é dele. E o tempo...

Esse também vai com o rio. Em seu próprio leito.

Crescemos! Isso faz nossas margens parecerem menores (e em alguns casos estão mesmo. Em outros so resta margem! Não há mais leito...)

E continuamos em nossa margem. Com tudo que fizemos a ela.

Do outro lado, o desconhecido. Outra margem, sim. Mas só saberemos como é, quando atravessar.

Enquanto estamos aqui, o melhor a fazer é cuidar melhor dessa margem que nos acolhe.

E, se não vivo aqui sozinho, é necessário (re)aprender a compartilhar melhor cada espaço, cada alegria, cada prazer, cada raio de Sol e o perfume de cada flor que brotar aqui.

E no leito, o rio segue, contando novas histórias, desconstruindo o hoje para criar novos passados e nos permitir viver novos amanhãs.

...(?)... Será mesmo, no leito, que acontecem os movimentos?

20 de jul. de 2009

Da série "cartas à amigalidi" - Sobre nossas amizades...

A foto não tem nada de original, quatro pessoas deitadas em um gramado, cabeças encostadas, formando meio que uma cruz. A distancia da câmera não foi grande, e a mão que a segurava era de um dos quatro, por isso não ficou bem centralizada. Mas isso não faz a menos diferença. O que importa mesmo é o que ela retrata. Quatro amigos, em um momento de pleno envolvimento, e felizes.

No caso, dois rapazes e duas moças, e quem olhar a foto pode imaginar que eram dois casais de namorados. Mas não. são quatro amigos.

O local, um canteiro qualquer em Chapadão do Sul, uma bela cidade do Mato Grosso do Sul. A data, pode estar impressa em algum lugar. E poderia ser útil para contar a cronologia dessas amizades. Mas para aquelas pessoas, também não faz muita diferença. Eles se lembram do que sentiam, e isso é mais importante que datas. Afinal, o tempo passa. Mas as amizades verdadeiras, essas se eternizam.

E, na verdade, o tempo serve exatamente para nos mostrar quão importantes são nossas amizades. E o quanto nos apegamos e elas ao longo de nossa vida.

“A verdadeira afeição, na longa ausência se prova”, disse Camões em algum momento. Sempre concordei plenamente com ele.

Não somos seres individualistas. Não conseguimos viver em ilhas (apesar de estarmos nos fechando cada vez mais em nossos mundos particulares). Temos necessidade de dividir nossas vidas, tanto as alegrias e prazeres quanto nossas dores e angustias. Fazemos isso com a família na qual nascemos, mas para isso precisamos ter o sentimento de amizade. Buscamos construir outras famílias, e compartilhamos nossa vida com companheir@s, e filh@s. No entanto se não formos amigos, nenhuma união será duradoura.

É aos amigos que recorremos sempre que sentimos necessidade de estar com alguém. E pode ser pra desabafar sobre alguma angustia, para dividir uma nova conquista, para ver um filme baseado naquele livro que tanto gostamos, tomar uma cerveja ouvindo as belas baladas do Baleiro, visitar orfanatos, fazer rapel em alguma cachoeira, passar a noite repetindo velhas pidas (aquecidos por uma fogueira), uma boa conversa "do Egito". Ou mesmo só para dar, e receber, aquele abraço que nos conforta, protege e revigora.

E as boas conversas, hoje em dia, podem se dar quase que exclusivamente por meios digitais (viva todos msns e skypes dessa nossa cyber-vida). Mesmo assim a distância no tempo, ou no espaço não mata as verdadeiras amizades. Ao contrário, so nos mostra o quanto elas são fortes.

Com os amigos sempre poderemos contar. E é bom saber que nem sempre eles dirão aquilo que queremos ouvir, mas sim o que precisamos ouvir.

E, uma curiosidade a cerca das grandes amizades (das minhas pelo menos) é a falta de lembrança do momento da apresentação.

Com namorados e maridos/esposas não. Em quase todos os casos você vai lembrar a vida toda de como se deu a primeira aproximação. Vai lembrar o sabor daquele café que tomaram. O cheiro do perfume que o outro usava, da roupa que usava e até das primeiras palavras (nos tempos modernos, é possível que lembre da roupa íntima que a pessoa usava no primeiro dia em que se falaram). Mas com os verdadeiros amigos isso não é regra. Aliás, a regra é quase sempre não lembrar quando tudo começou. Sempre que tento lembrar quando foi que conheci um ou outro amigo, percebo que, quando dei por mim, já estava envolvido demais com essa pessoa. Já éramos amigos inseparáveis (que não significa ficar sempre junto fisicamente). Ou seja, o amor se formou e se fortaleceu de forma tão natural e sutil que não há o ponto de partida por isso é tão mais sólido (às vezes acho mesmo que em quase todos os casos são apenas reencontros, mas...).

O fato, minha querida amiga, é que se por um lado, tudo que fazemos, fazemos para encontrar um grande amor e perpetuar nossos genes, por outro todas as coisas realmente boas que fazemos, fazemos com, e pelos, nossos amigos. E a pessoa que nos tornamos na vida é, em grande medida, o resultado da qualidade das amizades que tivemos. (Não concordo com a idéia de que as companhias influenciam. Companhias não têm poderes sobre nós. As amizades sim).

Por isso, querida amiga, somos assim. Tão descaradamente apaixonados por nossos amigos. Nos amamos sem medo ou vergonha e sabemos que por isso somos muito mais felizes.

5 de jul. de 2009

Sobre nossas injustiças e mais uma estrela ofuscada

Estava aqui me lembrando (não sem me emocionar, é claro) do belo personagem central do filme “A espera de um milagre”. Acho que todos se lembram desse filme, baseado no livro de Stephen King. So pra refrescar a memória de alguns, trate-se da história de um condenado à morte, em uma cidade ao sul dos Estados Unidos. Brilhantemente interpretado por Michael C. Duncan, o prisioneiro John Coffey é uma dessas figuras controversas. Negro enorme, corpo sofrido pelo trabalho pesado que sempre teve que fazer. Analfabeto, sem nenhuma cultura e vivendo em 1935 em um país altamente intolerante com os negros (sobretudo naquela época). O arquétipo perfeito do homem rude, violento e truculento, certo? Mas o pobre John Coffey, ao contrario, era doce, ingênuo, encantador, totalmente pacífico e muito infeliz. Ah! Claro, inocente. Mas esse fato não importava muito. Ele tinha o perfil do culpado modelo. Foi executado, para seu próprio alívio.
Outro filme de que gosto muito, nos mostra outra figura excêntrica, e por isso mesmo, merecedor de nossa repulsa, reprovação e, quando conveniente pra nós, exploração. Em “Edward Mãos de tesouras”, Johnny Depp, no papel título da um show de interpretação. Mas a história mostra nossa intolerância com os diferentes. A mesma intolerância que levavam os leprosos a se exilarem em cavernas, nos tempos evangélicos, e ainda hoje nos torna menos evoluídos.
Outra história que me vem à mente é a condenação de Manoel da Motta Coqueiro. Fazendeiro que em 6 de março de 1855 foi condenado a morte, acusado de mandar matar uma família inteira de colonos. Ele também tinha o arquétipo do culpado. Sempre carrancudo, poderoso, com vários inimigos e acusado de ter engravidado uma jovem, que foi inclusive a única sobrevivente da família morta a golpes de facão. A justiça da época não teve muito trabalho. Nem precisou aprofundar nas investigações. Todos tinham certeza que Motta Coqueiro era o mandante. Ele foi enforcado em praça pública, e momentos antes de morrer se declarou, outra vez, inocente, e perdoou a todos que o condenavam (também lançou uma maldição na cidade). Tempos depois, provas de sua inocência foram encontradas. O que levou o imperador a banir a pena de morte do Brasil. Mas e daí, ele já havia morrido. E sua esposa, também. Pois essa enlouqueceu com a morte do marido, e meses depois se matou.
Outras tantas histórias podem ser citadas, para nos lembrar de como temos facilidade em condenar a todos que nos parecem culpados e o quanto somos intolerantes com os que não se enquadram no perfil comum. Mesmo que a diferença seja causa e conseqüência de sofrimento. Como no caso do belo Edward Mãos de Tesouras.
Assim como Edward e John Coffey, Michael Jackson era publicamente infeliz com sua condição. Não com sua condição financeira, é claro. Mas com o que era, ou com o que foi levado a acreditar que fosse. Não se achava feio, se achava desprezado (e foi mesmo, pelo pai). E não queria deixar de ser criança. Mas o que há de tão ruim em não se aceitar fisicamente? Quantas pessoas se reprovam? E fazem cirurgias, e muda o cabelo, e mudam a os lábios, e mudam a bunda e os seios. E colocam tatuagens e tiram imperfeições, que para alguns era o que de melhor havia em seus corpos. Michael fez o que pôde. Claro que ele podia muito, afinal tinha muito mais dinheiro que a maioria de nós.
Michael, assim como Motta Coqueiro foi condenado, por toda imprensa e por alguns idiotas aproveitadores. Não foi condenado à cadeira elétrica, como Coffey, mas não tenho dúvidas que as acusações reforçaram muito sua dor. E que provocou, em grande parte, sua clausura dos últimos anos, e acelerou sua morte.
Tenho lido várias análises da personalidade de Michael Jackson, e sempre ressaltam sua infantilidade irresponsável. Sua tendência à pedofilia. Alguns dizem que ele vivia em um mundo distante do mundo real.
Ora, fico pensando, sobre que prisma esses “analistas” olham para saberem em que mundo aquele garoto viveu? É muito mais fácil demonizar alguém do que ressaltar suas qualidades. Ainda mais alguém tão “excêntrico”. Mas, mesmo depois de Jordan Chandler, o garoto que supostamente teria sido abusado por Michael, ter confessado que “tudo não passou de uma mentira elaborada por seu pai”, a imprensa, e alguns psicólogos e psiquiatras continuam achando motivações para o fato de Michael ter se tornado pedófilo. Não quero aqui ficar defendendo de forma chata. Mas eu deixaria, tranquilamente, minhas crianças conviverem com Michael, pois a melhor companhia para crianças, são as próprias crianças. E, o fato de gostar da companhia não significa gostar de fazer sexo com alguém. Meus melhores momentos foram (e são) passados na companhia de alguns bons amigos, e nem por isso eu faço sexo com eles. Pensamento muito pequeno esse.
Quanto à viver em um mundo infantil, sem assumir as responsabilidades com tudo ao seu redor, outra avaliação errada. De quem não procurou saber nada da vida desse garoto.
Para os que pensam assim faço dois convites. Primeiro, ouçam as suas músicas. Mas ouça de verdade. Vejam o que ele diz na grande maioria delas. Quem se dedica a isso, percebe que um tema muito presente, é a gratidão a quem tenha sido bom com ele. O que já mostra certa grandeza de espírito, pois muitos que hoje tem fama e fortuna, se esquecem (ou fazem questão de não lembrar) dos que contribuíram para isso. Mas o estudioso iniciante pode se surpreender com a forte presença do tema “amizade” em suas músicas. Ocorre com muita frequência. Quer seja falando do apreço por algum amigo, da importância da própria amizade ou cantando a falta de um amigo que não está mais próximo. E quem gosta de “Imagine” de Lennon, se for desarmado à analise, vai perceber que “Heal the world” tem uma mensagem tão forte e direta quanto aquela. So que mais completa, e cantada com muito mais suavidade e emoção. E “They don't care about us”, um grito forte (tão forte quanto “Haiti” do Caetano) denunciando a segregação que ainda impera nas relações humanas. Essas duas so pra citar, mas o convite se estende a toda discografia. Ninguém que se dedique a ouvir Michael Jackson vai se arrepender. Mesmo que não se toque pelas belíssimas letras, vai oferecer um alívio aos seus ouvidos, nesse mundo cheio de lixo musical. Veja que não incluí aí o hino (à paz e à igualdade e a fraternidade entre os povos ) “We Are The World”.
Aqui entra o segundo convite que faço aos analistas da personalidade de Michael de plantão. Procurem conhecer um pouco do muito que aquele garoto despreocupado e sem responsabilidades fez pela humanidade. E agora não estou falando de sua bela música nem do seu magnífico “flutuar”. Estou falando de toda ação humanitária que ele desenvolveu. De tantas pessoas que ele ajudou, e ainda ajuda, em todo planeta. Querem ouvir uma opinião verdadeira sobre Michael Jackson, perguntem a Nelson Mandela. So para orientar os iniciantes, vou deixar uma pequena relação dessas ações da pessoa Michael Jackson.
Pra começar, como já citei “We are the world”, lembro da campanha USA for Africa que arrecadou cerca de US$ 200 milhões. Mas não para por aí. Os analistas que se esforçam para consolidar a imagem distorcida de Michael Jackson, criada pela imprensa e por alguns poucos aproveitadores, sabiam que ele doou todo faturamento da turnê mundial "Dangerous World Tour" para caridade? Isso mesmo, eu disse TODO FATURAMENTO. Mas não é so isso. Em novembro de 1992 a “Heal The World Foundation”, fundação criada e mantida por Michael, enviou 42 toneladas de suprimentos para as crianças de vítimas da guerra em Sarajevo. Os suprimentos Incluíam medicamentos, cobertores, roupas de inverno e sapatos. Em dezembro do mesmo ano suprimentos de ajuda foram levados às crianças da Bósnia, também vítima da guerra (coisa de adultos responsáveis). Em agosto de 1993 US$40.000 foram doados pela Fundação “Heal the World” para apoiar programas de merenda escolar em vilas rurais da Tailândia. Em dezembro de 1993 a Republica da Geórgia recebeu 60.000 doses de vacinas urgentes, doadas por Michael Jackson. Em 1999 ele doou a Nelson Mandela 1 milhão de dólares para um fundo de ajuda a crianças.
Essas poucas citações são apenas para instigar os “Freud” que não se cansam de dizerem que Michael era um garoto alienado do seu mundo e da sua realidade. Se isso não for se comprometer, sinceramente não sei o que é. E ainda tem toda ajuda enviada para Moscou, Buenos Aires, Budapeste, e tantos outros lugares. A é grande a relação de organizações que recebiam, e recebem importantes contribuição de Michael, além de sua própria fundação.
E fico aqui me perguntando se esses que pintam um Michael esquisito, quase monstruoso, já contribuíram com alguém que estivesse precisando de ajuda, nos últimos dias. Será? Quantas moedinhas vocês depositaram nos porquinhos da ACCG esse mês? Quantas creches vocês visitaram no último semestre? Quantos famintos, que bateram em suas portas, saíram saciados? E quantos nem foram recebidos?
É, pessoalmente acho Michael Jackson o maior. Sua música é eterna, como sua dança. Mas suas ações fora dos palcos foram maiores. E ele não fazia questão de divulgar isso, talvez demonstrando ter aprendido o ensinamento do Mestre, de que “...não deve saber sua mão esquerda o que dá sua mão direita...”. Fama e fortuna ele conseguiu com seu trabalho. Não precisava mostrar sua caridade pra isso.
Era uma pessoa infeliz, e não escondeu de ninguém. Não foi completo, também não escondeu de ninguém. Mas desafio a me mostrarem uma confusão real na qual ele estivesse envolvido. Um caso de envolvimento com drogas ilícitas, e consequentemente com o fortalecimento do crime. Um momento de demonstração de prepotência, onde tenha humilhado alguém. Um episódio sequer onde ele tenha feito mal ou que tenha sido mau com quem quer que seja (E todo mal que ele fez foi a ele mesmo). Não há registros (ao contrário da grande maioria das grandes estrelas), e sabem por quê? Porque crianças não são assim. Elas são belas e acreditam nas pessoas, em um mundo melhor. Acreditam na fé, enfim.


26 de jun. de 2009

"Never Can Say Goodbye"

Mesmo escolhendo não crescer, foi o maior!

Buscava aceitação, conseguiu milhões de seguidores!

Queria apenas ser amado. O mundo inteiro o admirou!

Mesmo se achando feio, tornou-se modelo para sua geração, e para todos que vieram depois!

Por ser criança, foi ingênuo o tempo todo. E sofreu por isso.

Por ter sido o melhor, será sempre lembrado.

Por ser mais que uma lenda, jamais passará.


Alegrem-se Peter e Wendy,

Cuidado Gancho,

Está chegando Michael,

Que foi apenas um “garoto perdido”


Esteja em Paz Michael

“You are not alone” (at least no more)

Melhor que divãs e terapias, são as togas e os martelos


Como todas as crianças, minha infância foi marcada por vários momentos de certezas sobre o que “queria ser quando crescer”. Tive a fase ceramista, músico, motorista, mecânico, professor, dono de bar (na verdade, de “butiquim” mesmo, pois era o que eu conhecia), alfaiate, padre, ator (mesmo correndo o risco de ser chamado de “veado”, como era comum se rotular naquela época e naquele lugar) e, sobretudo astrofísico. Mas quando não estava tentando me aperfeiçoar em minha escolha profissional da vez, eu gastava meu tempo entre os livros da pequena biblioteca da Escola Municipal Otalécio Alves Irineu (onde me iniciei nas magias das letras e dos números) e as brincadeiras com os outros garotos da minha rua. Boa parte das minhas horas era ocupada com subidas nas grandes mangueiras, abacateiros e mexeriqueiras (não aquelas minhas vizinhas fofoqueiras, mas os espinhosos pés de “mexerica fuxiqueira” que haviam nos quintais da boa e velha “baixadinha”), brincadeiras de polícia e ladrão, calmom (nunca entendi essa expressão, mas a brincadeira era muito divertida), guerra-bandeira (pra nós era “bandeirinha” mesmo), futebol de rua. Mas o que eu mais gostava mesmo era de ir para o mato. Sempre com estilingue no pescoço, eu adorava ir nadar nos pequenos riachos que haviam, pescar no Rio Verde, e comer araçá, buscar araticum (na época, “articum”, e de preferência o “cagão”), boca-boa, ingá ou mesmo manga comum, la da “chácra véia”.


Mais tarde fui escoteiro, vendedor de picolé, colecionador de selos e lavador de copos em bares. Mas não deixei de gostar de sempre ir para o campo. E não deixei de ir.


Por fim me formei em Ciências da Computação pela FIMES. Mas nunca me achei um “Cientista da Computação”, primeiro porque não me soa bem o termo, por isso me intitulo “Analista de Sistemas”. Mas isso também não sou. Até fui, por um curto período, mas logo percebi que o gosto pelo mato tinha um apelo maior, e me rotulei “ambientalista”. Aliando minha formação com essa vocação me enveredei pelos caminhos do geoprocessamento. Me tornei um “fazedor de mapas”.


No entanto uma outra paixão sempre esteve comigo. Aqueles velhos livros de fadas, gigantes e heróis, da pequena biblioteca do “Otalécio” (vários deles lidos em companhia da grande dona Felisbina) nunca me abandonaram. E, desde cedo, mesmo que não considerasse, o gosto pela leitura despertou o gosto pela escrita. Me percebi poeta.


E a poesia veio acompanhada por outros textos, sem rimas, com erros ortográficos e vocabulário limitado ao meu universo. Mas que sempre me renderam alguns elogios. Por isso meus pequenos contos, crônicas e ensaios (so descobri que existia essa classificação literária muito mais tarde) também começaram a estar cada vez mais presentes em minha vida, fazendo de mim um pretenso escritor.


Ainda em Mineiros fui, por um período, editor do “Jornal da Juventude Católica”. Depois, por um mandato, do “Boletim do Rotaract Club” daquela cidade. Nesse período colaborei também com o “Imprensa Livre”, outro jornal local.


Agora estou em Goiânia. Continuo sendo ambientalista e fazendo mapas. Também continuo escrevendo minhas poesias e crônicas e meus contos. Apesar de três obras prontas (dois romances e um livro de poesias) ainda não consegui romper as barreiras que separam os anônimos do restrito mercado literário. Não publiquei ainda, por isso não posso me chamar “escritor”. Não me tornei astrofísico. Mesmo que eu queira, não sou mais criança, afinal já se passaram vários anos desde que dona Felisbina me pariu.


Nas últimas semanas tenho mandado, insistentemente, alguns textos para a democrática seção “Opinião” do Diário da Manhã (e não há nenhuma ironia quando digo “democrática”, de fato considero esse o espaço mais aberto da imprensa goiana). Mas todas as manhãs, quando abro o jornal, na edição digital, sempre vejo os mesmo articulistas e colaboradores, e nenhum dos meus textos foi ainda publicado (afinal não sou membro da UBE-GO, Deputado, Vereador, Psicólogo, Advogado nem, tampouco, conhecido e toda democracia tem limites – aqui um pouco de ironia).


Mas tenho postado neste blog, e distribuído textos por e-mail.


Por isso, e com as bênçãos do STF agora acho que definitivamente resolvi minha eterna crise de identidade profissional.


Está decidido, de hoje em diante sou JORNALISTA.



28 de abr. de 2009

Sobre a relação entre o prazer do sexo e a manutenção dos nossos sonhos

É amiga,

Falando com você, é impossível não pensar em mim mesmo. Em meus próprios sonhos e tudo em que acredito.

É, eu também já quis mudar o mundo. Acabar com as injustiças. Fazer a nossa revolução.

Mas qual pessoa nascido nos anos 70 não teve esse momento? Tínhamos muitas bandeiras. Éramos mais engajados. Sabíamos mais claramente o que deveríamos fazer para construir uma história mais justa.

Mas, principalmente, acreditávamos que éramos capazes de tudo. De salvar as baleias a derrubar as ditaduras, nada podia escapar de nossa força e determinação.

O tempo passou, minha amiga, ora como as águas tranquilas daquele regato escondido lá no Pinga-Fogo, ora como as correntezas do Rio Verde, no trecho entre a ponte do Manoel Abraão e a draga. E em todos os casos provocou mudanças em nós, e no mundo em que vivemos.

Algumas mudanças nós fomos capazes de perceber enquanto aconteciam. Outras so aceitamos depois de um tempo, e existem algumas as quais nem imaginamos que tenham ocorrido.

No entanto não somos mais os mesmos dos antigos acampamentos. Nem nós, nem os lugares que adorávamos visitar, nem o mundo. Tudo mudou.

Mas isso não significa que está melhor ou pior. Tudo está apenas diferente.

Nos separamos das turmas de antes. Nos separamos da família. Mudamos de casa, de cidade, de país. Mudamos de vida. Alguns sem mudar muito o jeito de levar a vida. Outros sendo totalmente outras pessoas mesmo.

E, um belo dia, nos pegamos tentando encontrar os nossos velhos sonhos, e nos apoiar em nossas antigas crenças, e não encontramos mais nada onde eles costumavam estar antes. E nos sentimos vazios. E podemos nos sentir decepcionados conosco mesmo. E, pior ainda, corremos o risco de nos considerarmos fracassados.

Onde foi parar aquela certeza de que, com minha coragem, uma velha calça jeans e minha mochila surrada, eu poderia por fim à destruição do planeta? Cadê a confiança de que minha oratória seria sempre boa o suficiente para mudar o comportamento de todas as pessoas? E aquele espírito combativo, capaz de montar um palanque em qualquer lugar, certo de que minha voz contagiaria todos que a ouvissem e, juntos, acabaríamos com a injustiça e com toda tirania?

Hoje o Córrego Mineiros está mais poluído que a dez anos. A Amazônia perde cada vez mais espaço para as monoculturas. As geleiras estão derretendo mais rápido. O clima endoideceu. O Cerrado quase não existe mais (e sequer mereceu a mesma consideração que os demais biomas). As diferenças sociais so se agravaram em todo mundo. As guerras se multiplicam em todo planeta. Água para beber, agora so essas que nos chegam em garrafas. E eu não encontro mais meu araçá ou a boca-boa que tanto gosto, com a facilidade de antes.

Se apenas observar tudo isso, posso mesmo ter a sensação de tudo que fiz se perdeu. Foi em vão. Que não fiz nenhuma diferença.

Se após tanto esforço para me aperfeiçoar, e ter conseguido os títulos que almejava, e tendo certeza de que domino muito bem algum conhecimento, eu não tiver alcançado o conforto financeiro que mereço, acho que devo me sentir ainda pior.

Mas a história deve ser assim mesmo? Isso faz sentido?

Andei pensando sobre isso, e descobri que pra mim não. Na verdade nunca fez.

Sabe, amiga, acredito que erramos na análise. E fazemos isso por, com o tempo, ao invés de aperfeiçoar nossa visão, nós perdemos o foco. Ao amadurecermos, nós nos desviamos de quase tudo que era realmente importante para nós. O mundo faz isso conosco. As convenções fazem isso conosco. O Mercado faz isso conosco. E, sobretudo, nós fazemos isso com nós mesmos.

E, o que importa, então?

Em minha opinião importa o prazer. Tem valor, real, a felicidade. E era exatamente isso que nos importava quando organizávamos nossos bons acampamentos. Ou quando fazíamos nossas campanhas de “salve qualquer coisa...”. Hoje vejo que gostava mesmo das palestras nas escolas da cidade. Por que me dava prazer falar sobre tudo aquilo. Pintar a cara, e sair em passeata entoando palavras de ordem me fazia feliz. Mesmo na aventura solitária, indo de Mineiros aos Dois Saltos, com apenas uma velha mochila e um cantil com pouca água (duas caronas e mais de sete horas de caminhada eu ainda cheguei a tempo de ver as primeiras estrelas estrearem naquela noite), o que realmente me agradava era exatamente isso. Ir. Fazer. O ato em si.

É como a tarefa de reproduzir e povoar o planeta. Esse é um objetivo que temos. E nos dedicamos a ele. Todas as espécies se esforçam com esse fim. No entanto nós, homens e mulheres, descobrimos prazer em realizar o esforço reprodutivo. Fizemos do sexo uma das coisas mais satisfatória que conhecemos. A reprodução continua sendo o objetivo, mas a busca nos torna tão felizes que não corremos o risco de desistir de alcançá-lo.

Claro, salvar o mundo era o objetivo. Fazer a revolução sempre foi uma meta desejada. Mas todos os sonhos so se mantinham pelo prazer resultante das realizações.

Agradava-nos aquela tarefa de mudar tudo. Mudaríamos mesmo? Quem sabe? Nós apenas acreditávamos.

Atingir os objetivos nos tornaria muito mais orgulhosos. Recuperar o Córrego da Porteira seria uma grande conquista. Mas o fato de fazer a mobilização das pessoas. O prazer em fazer tudo àquilo com vontade, e acreditando, já nos servia de recompensa. Não é? Pra mim sim...

E nosso espírito romântico de jovens sonhadores agia assim. Mas com o tempo algumas nuances foram se tornando cada vez mais marcante em nós. E as prioridades foram se alterando.

E a obsessão de ganhar dinheiro e suplantou o gosto pela felicidade. E o prazer foi posto de lado, para dar lugar ao esforço em atingir metas necessárias ao reconhecimento social.

Mesmo os títulos que sempre sonhamos, pois sabíamos que ao obtê-los estaríamos adquirindo mais conhecimento para subsidiar nossos trabalhos, passaram a ser meros objetos de status social. E a maioria do conhecimento que temos está empacotado em alguma gaveta, ou estante de biblioteca restrita a poucos, e quase nunca no campo, onde sonhávamos que deveria ficar.

Não estou aqui fazendo apologia ao total desapego material. Nem pregando o trabalho totalmente voluntário como modo de vida. Tampouco dizendo que as pessoas não devem se desejar o conforto que o dinheiro pode trazer. Não é isso.

Acho que todos merecemos viver com todo conforto possível (desde que isso não implique em reduzir nossa qualidade de vida. E isso é sim, um paradoxo muito presente em nossos dias). E, por vivermos em um mundo capitalista (inda que contra minha vontade), é o dinheiro que pode nos proporcionar isso. Eu sei, e não me oponho a isso (ao sistema sim).

E sei também que nada é mais “lugar comum” que a velha frase “A felicidade não é uma estação de chegada, mas o modo como se viaja”. Apesar de piegas, eu concordo muito com ela.

Mas estou tentando aqui falar de outra coisa. Estou falando de sonhos. De mantê-los e de manter a fé. A coincidência com a frase é que, estou sendo levado a crer que é exatamente a felicidade na busca pela realização dos sonhos que os mantêm vivos. E que é essa busca com prazer, e não a realização em si, que de fato importa pra nós, se quisermos ser felizes.

Portanto não estou falando de ser feliz agora, apenas pela felicidade momentânea. Estou dizendo que, se não queremos perder de vistas nossos sonhos, e nunca deixar de acreditar em nós mesmo, e nos outros, precisamos descobrir a forma mais satisfatória de buscar a realização. Reconhecer e ter sempre conosco aquela felicidade edificante que experimentamos com nosso sonho de agência de turismo junto à uma pequena lanchonete/bazar. Buscando de fato, mas não esperando para ser felizes so depois. Nem deixando de acreditar, caso o sonho permaneça uma visão muito distante.

E não duvide, se for assim, podemos sim, mudar o mundo.

Outro dia, em um dos vários momentos de prazer construtivo, uma pessoa muito querida confessou que deve o fato dela acreditar em boa parte das coisas que acredita agora às campanhas, palestras e acampamentos onde eu acreditava estar salvando o mundo. Ou seja, minha felicidade foi fecunda. Isso me mostra que, posso não ter mudado todos os comportamentos, mas sim, eu salvei o mundo.

E, acho também que, cada vez mais precisamos ter coragem para enfrentar as convenções, e normais estabelecidas, para viver fazendo o que nos faz bem. E nunca é tarde para essa desejável transgressão. Quem, afinal, não conhece alguma história de corretor da bolsa que não aguentou a pressão, largou tudo e montou se tão sonhado restaurante? Ou de uma grande empresária que, não aguentando mais estar no lugar errado, decidiu fazer o que sempre gostou de fazer, e hoje ganha a vida exportando bonecas para o mundo? Ou ainda, daquele fazedor de mapas, que continua fazendo mapas, mas que sabe que em breve estará em todas as livrarias com seus poemas e romances?

O preferível é não desviar do caminho. Mas se isso acontecer, não desista de ser feliz. Nunca deixe de fazer o que te dá prazer, e o mais rápido possível, retome sua luta. Erga novamente sua bandeira e venha, minha mochila está sempre pronta para ir salvar o mundo.


16 de mar. de 2009

Sobre outra grave doença que acomete a todos nós...

Logo que cheguei em Goiânia, vindo do interior (Mineiros), eu escrevi sobre meu estranhamento com a fato de as pessoas aqui falarem tanto sozinhas (ou consigo mesmas).
Quase três anos e ainda não me acostumei totalmente em ver tantos “diálogos em via única”. No entanto esse tempo na capital, a observação das pessoas que meus olhos podem alcançar e, sobretudo, a observação de mim mesmo, está me mostrando alguns dos motivos que levam a esse comportamento. E, infelizmente meu diagnóstico me entristece.
É que estou percebendo que estamos doentes. Todos nós estamos. E as causas e sintomas são tão agudos, que não conseguimos perceber nosso estado. Não percebemos e, principalmente, não nos permitimos admitir que haja algo anormal conosco.
Ontem, sábado (14/03/2009), uma música foi para mim um desses tapas que por vezes precisamos levar pra ser trazido à realidade. Gostaria de compartilhar (na verdade sugerir que interrompam agora a leitura para ouvir a interpretação de “Um homem chamado Alfredo”. No link: http://www.youtube.com/watch?v=N8eOUR9UiuM. É uma canção simples, mas bastante  interessante).
“A vida, meus amigos”. “É a correria do dia-a-dia”. O fato de “estar trabalhando muito”. “Essa falta de tempo”. Esses são apenas alguns dos motivos que usamos para justificar nosso comportamento. Nos enganando, e não admitindo o grande mal que já se instalou em nós.
Todas nossas desculpas nos parecem cada vez mais justas e verdadeiras. Precisamos mesmo, nos dedicar cada vez mais ao trabalho. É realmente necessário nos dedicar cada vez mais tempo na busca por riquezas (afinal daí virá o conforto que precisamos garantir à nós e à nossa família) e, consequentemente, nos sobra menos tempo para nos dedicar efetivamente às pessoas. Inclusive à essa família, para a qual nos esforçamos tanto para dar o sempre o melhor (por certo que já assumimos que o melhor não está em nós. Não somos nós).
O fato, meus caros, é que perdemos completamente a capacidade de nos dedicar às outras pessoas. Não sabemos mais escutar. Não temos tempo para nos sentar com alguém, sem pressa e com carinho, apenas para ouvir. E, mesmo quem se propõe e quando nos dispomos a isso, cometemos o grande erro de ouvir sempre do nosso ponto de vista. Levando em conta apenas “nossas próprias verdades”. Nunca as “verdades” e pontos de vistas de quem está falando. Mais difícil que ouvir, é exercitar a empatia. Considerar as dificuldades, dores e angústias enfrentados pelo outro. Mesmo que este esteja nos dizendo de forma literal. E o pior, sempre sugerimos as nossas soluções, mostrando acreditar que todas as pessoas vivam e pensam como nós, possuam os mesmos recursos e limitações que nós, sejam cercados pelas mesmas pessoas, e tenha a mesma família. Ou ainda, nem nos damos ao trabalho de certificar se quem nos fala deseja de nós alguma solução. Se olharmos de perto vamos perceber que não esperam, nem desejam isso. Todos (inclusive eu e você) às vezes queremos/precisamos apenas de carinho e atenção de alguém que se disponha a nos ouvir um pouco.
Não temos tempo para escutar ninguém, por isso é mais fácil tentar apontar logo uma solução. Sempre a que achamos a mais racional. Assim poderemos voltar rápido à nossa rotina “corrida”.
E o fato de não podermos nos dedicar a ouvir, nos fez deixar de perceber a necessidade que temos de ser escutados. Seria incoerente, não é mesmo. Se não posso oferecer, não posso esperar que me ofereçam. E assim estamos nos fechando, cada vez mais, em mundos pessoais tão isolados, de onde não conseguimos mais sair. E às vezes não conseguimos, sequer, entrar.
Substituímos nossas necessidades reais por outras invenções que assumiram status de “primeira necessidade”.
Já não sabemos o que nos dá prazer de verdade. Vivemos a vida nos confundindo. E, acreditando ser melhor para nossos filhos, os “abandonamos” para que possamos dar a eles sempre o melhor. Sobretudo aquilo que nós mesmos não tivemos.
Para conseguir um pouco de atenção, definimos que precisamos obter sucesso em tudo, e a qualquer preço. E criamos uma população inteira cheia de indivíduos que só enxergam sentido para suas vidas nas conquistas profissionais, e riqueza material. E se perderem seu dinheiro, sua posição ou seu trabalho, perde a razão de viver. Somos assim, quase todos, uma grande geração de “Alfredos”, cheios de motivos para desistir de viver. Inda mais em tempos de grave crise, como a que estamos atravessando.
Quantos “Alfredos” eu conheço? Quantos você conhece? Quantos vivem em seu prédio? Não será um, esse seu colega de trabalho? Quantos em sua família? Ou ainda, não será você mesmo, um? E eu (...)?
E, o pior é que está cada vez mais cheia a lista de “louros” e “gatos de estimação”. Agora tem sido indefesas crianças (como aquela menina de 5 anos, voando com seu pai), estudantes e professores, em escolas americanas ou alemãs.
Me pergunto se o trágico sequestro do ônibus 174 teria acontecido se o jovem Sandro do Nascimento tivesse podido fazer terapia. Ou melhor, se tivesse ele tido alguns bons amigos, com quem pudesse conversar sobre o grande trauma decorrente do fato de estar entre os garotos assassinados na Candelária em 1993, de onde só escapou por pura sorte.
Não pretendo aqui propor a nulidade de culpa de quem quer que tenha cometido algum crime, contra si próprio e/ou contra outros. Acho, sim, que deveríamos relativizar um pouco todos os acontecimentos. Tentando ver cada situação de forma mais completa, e identificar, quem sabe, a parcela de culpa que cada um de nós em cada uma das tragédias que os jornais não param de nos mostrar.
Mantemos em nós, e apenas em nós, a pressão de tudo que vivemos. Vamos guardando tudo. E, por não termos sido criados para viver como ilhas, o risco é cada vez mais de uma grande explosão. Ou como estamos assistindo a cada dia, um número cada vez maior de pequenas implosões.
Me lembro de alguns momentos em que minha sanidade foi mantida (ou recuperada) em longos momentos na companhia de alguns bons amigos/irmãos. Às vezes regados à cerveja, às vezes compartilhando poesias, às vezes rindo de nada, em outras chorando por tudo. Mas sempre cada um falando de si mesmo. Felicidades, frustrações, dores, conquistas, sonhos e desejos.
Por isso me tornei um grande apreciador dos abraços. E tento ter sempre tempo para um “dedo de prosa”.
Ta bom, eu sei que lá no interior era bem mais fácil (outra grande mentira usada por nós, para justificar nosso isolamento). E não quero que deixemos de cumprir nossos compromissos de gente grande. O que sugiro (pra mim mesmo), é que possamos nos demorar um pouco mais com as pessoas. Que saibamos, ao menos, nome dos vizinhos (particularmente sinto saudades das xícaras de açúcar, emprestadas em outros tempos). Que reaprendamos a escutar, a entender e respeitar as particularidades, verdades e pontos de vistas de cada um, para que, ao escutar escutemos com base não nas minhas, mas nas idiossincrasias de quem fala. Pois, é com base nelas que ele está falando. E, que nos permitindo escutar, reaprendamos, também, a falar. Para que possamos nos tornar mais livres, seguros, confiantes. Felizes, enfim.
Mas há cura. E acredito que seja bastante simples. Como simples deveria (e pode) ser a vida... 

21 de jan. de 2009

Sobre o amor que acabou e a dor do rompimento – esclarecimento

Car@s,
Antes de qualquer coisa, agradeço a solidariedade e preocupação manifestada por vários de vocês.
Obrigado! Não se trata de nenhum problema com meu casamento. Eu e Alê estamos bem. Tão bem como se pode estar nesses tempos.
Também não pretendi falar sobre a situação de nenhuma amiga, por mais semelhança que o “desabafo” do primeiro texto dessa “série” possa ter com suas situações reais. Se eu tiver provocado alguma dor, peço desculpas. Se tiver sido útil, fico feliz e agradecido.
O desabafo feminino pode ter a pretensão de servir como incentivo a nós, homens. Para que possamos refletir sobre a forma como estamos tratando “nossas” fêmeas companheiras.
No entanto o enredo imaginado (os objetivos e contextos, consequentemente) foi outro. Abaixo a conclusão.

“Há muito tempo atrás (entre 3 e 4 milhões de anos) aparecemos por aqui. Ficamos conhecidos nessa época de “Australopithecus”.
Fomos bem recebidos, fomos respeitados e a Terra, a companheira que nos acolheu de forma carinhosa, também confiou plenamente em nós. Confiou tanto que nos permitiu usar todas as suas riquezas. Não so usar, como gerir como nos parecesse melhor.
Essa amorosa companheira também se esforçou em auxiliar para que evoluíssemos. E aconteceu. Desde então mudamos muito.
Fomos “Homo habilis”, “erectus”, “sapiens”, “sapiens neanderthalensis” e por fim nos tornamos “sapiens-sapiens”. Mas olhando agora, não tenho tanta certeza de poder afirmar que todas essas mudanças representaram, exatamente, evolução.

Experimentamos avanços. Não questiono isso. Avanços científicos, tecnológico, lingüísticos, estruturais e infra-estruturais. Também passamos por mudanças sociais, políticas e religiosas. Mas teremos mesmo evoluído? A evolução moral e espiritual de que as religiões falam?
Não estou certo. Na verdade tenho motivos para acreditar que essa não tem sido nossa prioridade.
É por isso, e por observar a forma desrespeitosa, cruel e ingrata que temos tratado a Terra (essa companheira amorosa, protetora e benevolente) que ouso imaginar que, se a Terra pudesse falar as limitadas línguas humanas, em nossos dias ela estaria nos dizendo àquelas palavras (parte 01 do referido texto) como forma de desabafo e, também, como ultimato.
E se nós, tivéssemos a capacidade de nos despir um pouco de nossa demasiada ganância, de nossa prepotência e desse orgulho idiota que nos impede de reconhecer nossas falhas, nosso real poder e nossa dependência. Possivelmente teríamos pensamentos, como os que teve o personagem masculino da narrativa.
Mas não aprendemos, ainda, a perceber que somos dependentes dessa que tanto maltratamos. Achamos-nos donos de tudo que conhecemos e, por isso, não percebemos que da permissão que temos para usar os recursos que são dela, sempre dependeu, e depende, não só nossos avanços e confortos, mas nossa própria vida.
Nossa amada não suporta mais ser tratada como está sendo. E está gritando isso. Precisamos aprender ouvi-la. Ou será o nosso fim. Não o dela.
Desde que chegamos, ao contrario do que se esperava, temos sido para a Terra o mesmo que o câncer é para nós. E, o que fazemos com os tumores quando estão em nosso corpo? É o que ela pode fazer conosco, se não mudarmos nossa forma de agir.
Precisamos voltar a nos relacionar com a terra. Não estou falando de uma relação onde ela não passe de fonte de recursos ou matéria-prima. Falo de uma relação de amor. De cumplicidade e cooperação.
Você pode dizer que é um grande erro supor que a Terra seja nossa (minha) esposa/amante. Você prefere achar que ela se parece mais com mãe? Com criadora? Tudo bem. Que seja. Mas se relacione com ela. Fale com ela de suas angustias e alegrias. E, sobretudo aprenda a ouvi-la. A respeitá-la.
É isso ou vamos precisar sair daqui. E alguém aí conhece um outro lugar pra onde poderemos ir? Alguém consegue viver longe da Terra, e de tudo que ela nos oferece?
....
Foi o que pensei.
Ou mudamos agora, enquanto ainda temos chance. Porque depois não vai adiantar “chorar a água desperdiçada”
Nos resta pouco tempo, mas ainda temos algum...”